quinta-feira, 11 de abril de 2013

PARKINSON/AVANÇOS- Muitas conquistas em muitos caminhos para a luta contra a doença no seu dia mundial

A luta contra o Parkinson
No Dia Mundial da Doença de Parkinson, a CH On-line apresenta alguns avanços recentes nos estudos e tratamentos da enfermidade, que ainda não tem causa nem cura conhecidas.
 Déborah Araujo
Neuroestimulador usado no DBS
(imagem - reprodução em azul com um homem que tem o aparelho de estimulação implantado que é descrito como: Implantado sob a pele do peito do paciente, o neuroestimulador usado no DBS é um dispositivo parecido com o marca-passo. Ele envia estímulos elétricos por meio de eletrodos colocados em áreas específicas do cérebro, ajudando o parkinsoniano a controlar seus movimentos. (imagem: Medtronic Brasil)
Hoje, 11 de abril, é o Dia Mundial da Doença de Parkinson. A data faz referência ao nascimento de James Parkinson, médico inglês que descreveu a enfermidade em 1817. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 a 2% da população acima dos 65 anos sofre com a doença em todo o planeta. No Brasil, as estatísticas sobem para 3,3% entre pessoas com mais de 70 anos.
A medicina ainda desconhece a causa da doença. Ela pode se desenvolver, a princípio, em qualquer pessoa, mesmo sem histórico de Parkinson na família. O que os especialistas sabem é que ela ataca os neurônios no sistema nervoso, especialmente os que estão localizados em uma região profunda do encéfalo chamada substância negra.
“Essa região abriga a maior parte dos neurônios que produzem dopamina, o neurotransmissor mais afetado pela doença, utilizado pelos neurônios para comunicar-se entre si e, assim, realizar o controle dos movimentos”, explica o neurocirurgião Erich Fonoff, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP). “Por isso o parkinsoniano tem tanta dificuldade de movimentar-se.”
Além da dificuldade motora, Fonoff acrescenta que o Parkinson também pode envolver outros sintomas, como dor crônica nos membros, alterações de equilíbrio e no olfato, prisão de ventre, hipersalivação, depressão e alterações de sono.
A doença ainda não tem cura, mas há tratamentos direcionados à maior coordenação dos movimentos e, consequentemente, à melhora da qualidade de vida do paciente.

Ampliando o alvo
Dentre as terapias usadas hoje no tratamento do Parkinson está a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês), que consiste na administração de corrente elétrica controlada para melhorar o controle dos movimentos do corpo.
A DBS – iniciada no fim da década de 1980 – tem sido usada atualmente como um recurso adicional para pacientes de doença de Parkinson em estágio avançado, ou seja, com complicações motoras incapacitantes. Pesquisa recente comprovou, no entanto, que a terapia também pode trazer benefícios para parkinsonianos em estágio intermediário.
EarlyStim é o primeiro grande estudo multicêntrico a enfocar pacientes em fase intermediária da doença. Envolveu 251 participantes em 17 instituições na Alemanha e na França, entre 2006 e 2012. “Os resultados mostram que o tratamento traz melhoras para o paciente em relação à qualidade de vida, aos sinais motores, ao humor, ao seu ajustamento psicossocial e às atividades da vida diária”, afirma o neurologista Michael Schüpbach, do Hospital Universitário Pitié-Salpêtrière, uma das instituições francesas que participaram da pesquisa.
Schüpbach explica que a DBS era recomendada só em último caso por ser invasiva: requer a implantação cirúrgica de um neuroestimulador sob a pele do peito do paciente. Esse dispositivo envia estímulos elétricos ao cérebro por meio de eletrodos também inseridos cirurgicamente sob a pele, em áreas específicas do órgão.
De acordo com Juan Carlos Varela, gerente no Brasil de uma das unidades da Medtronic – empresa que produz o neuroestimulador –, a recuperação do paciente é, em geral, rápida e o procedimento é reversível, ou seja, o dispositivo pode ser removido em caso de complicações. Uma vez dentro do paciente, o neuroestimulador pode ser programado e ajustado de forma não invasiva por um neurologista treinado, a fim de maximizar o controle dos sintomas e minimizar os efeitos colaterais.
Isto leva a outra desvantagem do DBS: o alto custo. Além dos gastos com o próprio dispositivo e a cirurgia, esse tratamento requer o acompanhamento de especialistas, entre outros recursos, para sua manutenção.
De acordo com o neurocirurgião Erich Fonoff, a estimulação cerebral profunda, aplicada no alvo corretamente escolhido, induz modificações nas oscilações cerebrais ocasionadas pela perda dos neurônios que produzem dopamina, ajudando o parkinsoniano a controlar seus movimentos e recuperar a autonomia.

Esforços brasileiros

Em estudo colaborativo envolvendo o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e o Hospital Sírio Libanês de São Paulo, parkinsonianos com indicação estrita de implante de DBS serão tratados comparativamente utilizando-se dois alvos diferentes, que até o momento a literatura médica sugere serem equivalentes.
Esses pacientes serão avaliados em termos de desempenho motor, eventuais mudanças de peso corporal, dosagens de neurotransmissores e seus efeitos sobre os sintomas motores e não motores da doença. “Esse estudo é muito importante para o Brasil, pois vai beneficiar muitos pacientes e produzir conhecimento de ponta partindo de instituições brasileiras”, afirma Fonoff.
Entre as iniciativas brasileiras recentes na área, destaca-se também um projeto de pesquisa que pretende ampliar a compreensão sobre a doença de Parkinson com a ajuda de um sensor em forma de caneta. O estudo, que já está em fase final, é coordenado pela otorrinolaringologista Silke Weber, do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Com a ajuda do equipamento – denominado caneta biométrica BiSP –, o projeto se propõe a examinar periodicamente as minúcias de movimentos manuais voluntários de pacientes parkinsonianos, acompanhar a evolução da execução dos movimentos e as respostas aos tratamentos usados, assim comcomparar esses dados com os de pessoas saudáveis. De acordo com Weber, a precisão dos testes realizados com ajuda da caneta tem atingido índices de até 99% de acerto.
No que tange aos tratamentos com fármacos, o Brasil começou a produzir, no início deste ano, medicamento já usado no combate ao Parkinson à base de dicloridrato de pramipexol. Essa substância tem composição molecular e função semelhantes às da dopamina. “A molécula do remédio tem efeito semelhante ao da molécula do neurotransmissor na comunicação entre os neurônios que controlam os movimentos”, explica o neurocirurgião Erich Fonoff
A produção do medicamento no Brasil é fruto de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Farmanguinhos/Fiocruz) e o laboratório alemão Boehringer Ingelheim. A previsão é que, em 2018, a demanda nacional do pramipexol seja totalmente atendida pela unidade da Fiocruz e distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que, além de ser boa notícia para a saúde, também trará benefícios econômicos para o país. 
VEJA O VÍDEO SOBRE O MEDICAMENTO PRODUZIDO PELA FIOCRUZ - NO LINK DA MATÉRIAhttp://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/04/a-luta-contra-o-parkinson

AUTISMOS/GENÉTICA - Gene do X Frágil é estudado em sua ligação com autismo

Gene do X  Frágil seria a chave para desvendar mistério do autismo?
Continuam as notícias emocionantes de avanços na pesquisa sobre o gene Frágil X e suas ligações com o autismo. Novas pesquisas estão descobrindo mais vias que ligam Frágil X e autismo. Além disso, cresce no Congresso apoio bipartidário para continuar a aumentar o sucesso da pesquisa do Frágil X com financiamento federal. 
Os pais com crianças inscritas em pesquisas clínicas promissoras sobre fármacos em todos os EUA estão sensibilizando as pessoas por meio de mídia social e tradicional, bem como diretamente junto aos representantes eleitos. Posteriormente nesta primavera do Hemisfério Norte, o congressista Greg Harper (R-MS) e a National Fragile X Foundation organizarão uma mesa redonda no Congresso para discutir como melhor entender o potencial pleno dessas descobertas revolucionárias de pesquisa que ligam Frágil X e autismo. 
A Casa Branca também vê claramente este potencial, uma vez que o projeto de mapeamento do cérebro de $100 milhões certamente acelerará o ritmo da conquista do Frágil X e autismo. Membros da Câmara de Representantes devem também editar legislação posteriormente neste mês para realocar até $200 milhões de financiamento público de eleições presidenciais e convenções partidárias para pesquisa do NIH.
FONTE: National Fragile X Foundation
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AUTISMO – TODOS PODEMOS SER/NOS TORNAR UM POUCO AZUIS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/autismo-todos-podemos-sernos-tornar-um.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

GUERRAS/INFÂNCIA - As principais vítimas de abusos sexuais são as Crianças nas guerras (Save the Children)

Crianças são as principais vítimas de violação e outros abusos sexuais em zonas de conflito 
Relatório da organização Save the Children revela "os horrores escondidos da guerra".

(imagem - foto colorida com duas crianças negras, africanas, de costas, com um cenário de ruínas à sua frente, com roupas que demonstra sua situação de violência social e pobreza - fotografia de Finbarr O'Really-Reuters)

Em algumas zonas de conflito, como a Libéria e a Serra Leoa, mais de 70 por cento das vítimas de violência sexual são crianças, alerta a organização não-governamental Save the Children. Há relatos de bebés de dois anos abusados sexualmente por professores, líderes religiosos e elementos de forças de manutenção da paz.

No relatório "Unspeakable Crimes Against Children – Sexual Violence in Conflict" (Crimes Indizíveis Contra as Crianças – violência sexual em conflitos), divulgado nesta semana, a associação britânica descreve a violência sexual exercida sobre as crianças em zonas de conflito como "os horrores escondidos da guerra". De acordo com o documento, a maioria das vítimas de abusos sexuais nestas regiões são crianças.

O relatório está cheio de testemunhos de violações em países como o Mali, a República Democrática do Congo, a Somália ou a Colômbia, entre outros. "A rapariga que eles levaram tinha 16 anos. Estavam fardados, estavam todos vestidos da mesma forma. Taparam-lhe os olhos para que ela não os reconhecesse. Tinham armas. Eram cinco e obrigaram-na a dormir com eles. Não lhe bateram, mas desonraram-na", conta a maliana Maimouna, que descreve o sequestro e a violação de uma amiga.

"É chocante que em zonas de conflito em todo o mundo haja crianças a serem violadas a este ritmo alarmante", disse à agência Reuters o diretor executivo da Save the Children, Justin Forsyth. "A violência sexual é um dos horrores escondidos da guerra e está a destruir vidas", lamentou o responsável.

Na República Democrática do Congo, por exemplo, quase dois terços dos casos de abusos sexuais registados pela ONU em 2008 envolveram crianças, a maioria adolescentes do sexo feminino.

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ADEUS ÀS ARMAS - Sem Tiros no Futuro ou Cem tiros? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/05/adeus-as-armas-sem-tiros-no-futuro-ou.html

SAÚDE PÚBLICA/RECURSOS - Comissão irá discutir os 10% das receitas da União para a Saúde

Câmara instala comissão para discutir financiamento público da saúde

Grupo formulará propostas para garantir a destinação de, no mínimo 10% das receitas correntes brutas da União para o setor.
Ato Público em Defesa da Saúde (Saúde+10)
(imagem - foto colorida de uma passeata com muitas pessoas e faixas na defesa do SUS, da Saúde Pública como direito e de um orçamento de 10% das receitas para a Saúde - fotografia de Zeca Ribeiro - Câmara dos Deputados) 
Sociedade civil organizada e parlamentares estão mobilizados por mais recursos para a saúde. No mesmo dia em que dezenas de entidades se organizaram em uma marcha pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso em defesa da saúde, a Câmara instalou uma comissão especial para discutir o financiamento público do setor. A ideia é, principalmente, garantir a destinação de, no mínimo, 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde.
Segundo o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, a regulamentação da Emenda 29, em 2012 (Lei Complementar 141/12), não produziu a solução esperada. Por isso, na avaliação do presidente, o tema volta à discussão. “Essa comissão especial vai buscar caminhos, propostas, um diálogo produtivo com o governo para que encontremos uma solução que venha a atender a expectativa imensa do Brasil, de todos os estados, que é dar uma saúde de respeito e altivez ao cidadão”, afirmou o presidente.
A comissão especial será presidida pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que também é coordenador da Frente Parlamentar da Saúde. Perondi é ainda autor de analisa projeto de lei complementar para destinar 10% das receitas da União para a Saúde (PLP 123/12). O relator será o deputado Rogério Carvalho (PT-SE).
Foi escolhido 1º vice-presidente o Mandetta (DEM-MS);  2º vice o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) e 3º vice o deputado Dr. Paulo César (PSD-RJ).

Iniciativa popular
As entidades da sociedade civil organizadas no Movimento Nacional em Defesa da Saúde, Saúde + 10, também coletam há um ano assinaturas para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular com teor semelhante. Até o momento, cerca de 1,2 milhão de assinaturas foram coletadas. É necessário o apoio de, pelo menos, 1,3 milhão de cidadãos, mas a meta do movimento é superar essa marca, como destaca o coordenador do Saúde + 10, Ronald dos Santos.
“Na nossa avaliação, é possível a gente passar de dois milhões de assinaturas. Essa demanda é do povo brasileiro. Por isso, um projeto de iniciativa popular”, disse.
O movimento calcula que, com 10% das receitas da União para a Saúde, seriam garantidos mais R$ 45 bilhões por ano ao setor. O dinheiro, segundo a presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, ainda não seria suficiente, mas já seria um passo importante.

"No Norte e no Nordeste, o SUS é muito mais fragilizado, mais caro fazer saúde nesses lugares. Estamos discutindo a prioridade à atenção básica, a estruturação a rede pública de saúde nas capitais, mas sobretudo no interior do País”, afirmou Para ela é preciso valorizar os profissionais da área e alertou para a grande desigualdade salarial.

Internação compulsóriaAlém de reivindicar mais recursos para a saúde, o movimento nacional em defesa do setor também defendeu a rejeição do projeto que prevê a internação compulsória de dependentes de drogas (PL 7663/10), pronto para a pauta do Plenário. Na avaliação do Conselho Federal de Psicologia, que participa do movimento, a internação compulsória não resolve o problema e equipara o usuário a um criminoso.
Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição – Rachel Librelon

CÂNCER DE PRÓSTATA/GENES - Presença de gene BRCA2 torna o câncer mais agressivo e grave

Cientistas descobrem gene por trás de câncer agressivo de próstata
Homens que sofrem câncer de próstata e que carregam um gene mutante podem desenvolver a forma mais agressiva da doença, alertam especialistas britânicos.
tumor na próstata
(imagem - foto colorida de uma célula mutante de câncer vista ao microscópio, seu processo de duplicação, nas cores predominantes de amarelo e violeta, fotografia de divulgação BBC)

Agora, os pesquisadores do Institute of Cancer Research, em Londres, e do Royal Marsden NHS Foundation Trust acreditam que, além de terem mais probabilidade de ter câncer de próstata, homens que carregam o gene BRCA2 têm menos chances de sobreviver a formas agressivas do tumor.O gene BRCA2 está geralmente relacionado a formas hereditárias de câncer de mama, próstata e ovário.
O câncer de próstata pode se desenvolver devagar ou rapidamente, algo difícil de prever nos estágios iniciais da doença. Muitos homens convivem com o tumor a vida inteira sem manifestar sintomas. Muitos nem precisam de tratamento.
Mas os cientistas alertam que os que sofrem de câncer de próstata e têm o gene defeituoso devem ser tratados o mais rapidamente possível porque neles há probabilidade maior de o tumor se espalhar.

Tratamento imediato

O professor Ros Eeles e seus colegas analisaram pacientes de câncer de próstata, incluindo 61 homens com o gene BRCA2, 18 com uma mutação genética similar conhecida como BRCA1 e outros 1.940 sem mutações genéticas.
Eles concluíram que os pacientes com a mutação BRCA2 tinham menor chance de sobreviver ao câncer, vivendo cerca de seis anos e meio após o diagnóstico. Já os pacientes com a mutação BRCA1 e os que não apresentavam qualquer mutação viveram quase 13 anos após o tumor ser detectado.
Os cientistas observaram que os pacientes com o gene BRCA2 ainda tinham mais chance de apresentar a forma mais avançada da doença já na época do diagnóstico.
Na avaliação do professor Eeles, "faz sentido começar a tratar esses pacientes com cirurgia ou radioterapia imediatamente, ainda nos primeiros estágios da doença".
A médica Julie Sharp, da organização Cancer Research UK, diz que o estudo sugere que os médicos devem considerar tratar este grupo de pacientes muito antes do que fazem atualmente.
"Este é o maior estudo já feito sobre a relação entre câncer de próstata e o gene mutante, mostrando que os médicos devem começar tratamento logo, em vez de aguardar para ver como a doença se desenvolve", diz Sharp.
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EU, VOCÊ, NÓS E O CÂNCER.http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/07/eu-voce-nos-e-o-cancer.html 

SAÚDE PÚBLICA/RECURSOS - Apesar de crescimento nos gastos em/com Saúde, Brasil vive contradição

Gastos públicos crescem, mas modelo de saúde ainda vive contradição no Brasil
Apesar do investimento substancial em saúde nos últimos anos, o Brasil ainda vive uma contradição: é um país onde a população paga de seu próprio bolso mais de 50% dos gastos no setor, embora tenha um sistema público de saúde ''gratuito e universal''.
*(imagem - foto de uma reportagem de jornal com o título "Fila em posto chega a ter 2 mil pessoas" - com a fotografia colorida, ao centro, de uma uma mulher na porta do posto com um papel na mão com a legenda dizendo que a pessoa espera há 8 meses por um tratamento para sua bursite)
A contradição é apontada por especialistas com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) compilados pela BBC Brasil.
Parcela do orçamento dos governos investida na saúde *Os números revelam que, em 2011 - os últimos dados disponíveis - os gastos privados com a saúde responderam por cerca de 54% das despesas totais na área, enquanto que o governo financiou os 46% restantes.  
A taxa é inversamente proporcional à de muitos países ricos e de alguns emergentes, em que a maior parte dos investimentos na saúde é feita pelos governos, como é o caso da Noruega (86%), Luxemburgo (84%), Grã-Bretanha (83%) e Japão (80%), além de Turquia (75%), Colômbia (74%) e Uruguai (68%).
Segundo a OMS, no Brasil a parcela do orçamento federal destinada à saúde (em torno de 8,7%) também é menor, inclusive, do que a média dos países africanos (10,6%) e a média mundial (11,7%). Dez anos atrás, no entanto, a situação era ainda pior: apenas 4,7% dos gastos públicos eram investidos na saúde.
Os dados também mostram que o gasto anual do governo com a saúde de cada brasileiro (US$ 477 ou R$ 954), apesar de ter mais do que dobrado na última década, permanece em um patamar inferior à média mundial (US$ 716 ou R$ 1432) e representa apenas uma fração do que países ricos destinam a seus cidadãos.
Em Luxemburgo, por exemplo, que lidera a lista, o governo gasta, por ano, US$ 5,8 mil (R$ 11,6 mil) na saúde de cada habitante, ou 12 vezes o valor do Brasil.
Países vizinhos, como Argentina (US$ 869 ou R$ 1.738) e Chile (US$ 607 ou R$ 1.214), também destinam mais recursos na saúde de seus habitantes.
"Os dados evidenciam que o nosso sistema público de saúde está subfinanciado e necessita de mais aportes de modo a permanecer gratuito e universal", defende Lígia Bahia, professora da UFRJ e uma das maiores especialistas do setor no Brasil.

Bolsa-saúde?

Especialistas também criticaram um eventual pacote de estímulos a operadoras de assistência médica privadas como forma de desafogar a saúde pública e ampliar o número de atendimentos na área.
''Esse dinheiro deveria financiar o SUS, que necessita de mais recursos. Do contrário, trata-se de um passo à privatização do sistema de saúde'', argumenta Thelman Madeira de Souza, ex-funcionário do Ministério da Saúde e analista da área.
Conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo no final de fevereiro, o governo teria mantido conversas internas para lançar medidas de incentivo aos planos de saúde, incluindo desonerações fiscais e linhas de financiamento.
Em nota enviada à BBC Brasil, entretanto, o Ministério da Saúde negou a informação.
''Não foi apresentada, nem discutida pelo governo federal proposta de ampliar a isenção fiscal do Imposto de Renda para planos de saúde. Essa proposta não existe na agência regulatória da ANS.''
PARCELA DO ORÇAMENTO INVESTIDA EM SAÚDE -
Suíça – 21%
Holanda – 20,6%
Argentina – 20,4%
Estados Unidos – 19,8%
Colômbia – 18,5%
Alemanha – 18,5%
Japão – 18,2%
Noruega – 17,7%
Chile – 15,1%
China – 12,5%
Brasil – 8,7%
Índia – 8%
Afeganistão – 3,3%
Média mundial – 11,7%
Fonte: OMS/2011

Gasto em saúde por habitante (em US$)*

Luxemburgo – 5,8 mil
Noruega – 4,8 mil
Holanda – 4,4 mil
Estados Unidos – 3,9 mil
Suíça – 3,6 mil
Argentina – 869
Chile – 607
Brasil – 477
Nigéria – 51
Média mundial – 716
Fonte: OMS/2011
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SAÚDE MENTAL: quando a Bioética se encontra com a Resiliência.http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/10/saude-mental-quando-bioetica-se_11.html


segunda-feira, 8 de abril de 2013

SÍNDROME DE DOWN/PRECONCEITOS - ONU afirma a existência de preconceitos com a Trissomia 21

ONU Discriminação contra as pessoas com Trissomia 21 existe em muitos níveis
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou esta quarta-feira (em 21 de Março de 2013), por ocasião do dia mundial da síndrome de Down (Trissomia 21), que a discriminação contra as pessoas portadoras desta doença (QUE É UMA CONDIÇÃO LIGADA À GENÉTICA) e suas famílias existe a muitos níveis.
Discriminação contra as pessoas com Trissomia 21 existe a muitos níveis
(imagem - foto colorida de duas pessoas com síndrome de down, duas moças com sorrisos diante de um espelho que as reflete no momento em fazem laços nos cabelos - fotografia de divulgação)


“A discriminação contra as pessoas portadoras de síndrome de Down e as suas famílias existe a muitos níveis. Isto fere não apenas os indivíduos que são directamente afectados, mas sociedades inteiras”, referiu Ban Ki-moon, numa mensagem hoje divulgada pela ONU.

De acordo com o secretário-geral da ONU, as pessoas com síndrome de Down, enfrentam muitas vezes o estigma, a segregação, a violência física e psicológica e a falta de igualdade de oportunidades.
Um círculo vicioso de exclusão que pode começar cedo na vida de muitas crianças, visto que a muitas crianças com síndrome de Down é negado o acesso à educação regular, ou qualquer tipo de educação”, sublinhou.

Ban Ki-moon disse que lhes são negadas oportunidades de trabalho e são impedidas, muitas vezes, de participarem na vida política e no processo democrático.

“No dia 23 de Setembro, a Assembleia-Geral irá convocar uma reunião de alto nível sobre a Deficiência e o Desenvolvimento para assegurar que as perspectivas das pessoas com deficiência, incluindo aquelas com síndrome de Down, sejam incluídas em todos os planos de desenvolvimento futuro”, acrescentou.

Segundo Ban Ki-moon, com as oportunidades e os apoios adequados todos os indivíduos que vivem com síndrome de Down podem atingir o seu potencial, realizar os seus direitos humanos em condições de igualdade com os outros e dar um contributo importante para a sociedade.

“Devemos, portanto, intensificar os nossos esforços para criar condições de formação que permitam a participação significativa de pessoas portadoras da síndrome de Down”, indicou.
“Trabalhando juntos, podemos ajudar a construir um mundo equitativo, justo e inclusivo, que celebre a diversidade, livre de discriminação, e que ofereça oportunidades iguais para todos, sublinhou ainda o secretário-geral da ONU.
FONTE - http://www.noticiasaominuto.com/mundo/56028/discrimina%C3%A7%C3%A3o-contra-as-pessoas-com-trissomia-21-existe-a-muitos-n%C3%ADveis#.UWNypZM3uSo
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01 NEGRO + 01 DOWN + 01 POETA = 01 Dia para não esquecer de incluir http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/03/01-negro-01-down-01-poeta-01-dia-para.html



SAÚDE/VIOLÊNCIA SEXUAL - Portaria 528/2013 define regras para Atenção Integral às Pessoas em situação de Violência Sexual

Definidas as regras para o funcionamento dos Serviços de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesta segunda-feira, 1.° de abril, foi publicada no Diário Oficial da União, a Portaria 528/2013 que define as regras para a habilitação e o funcionamento dos Serviços de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a portaria, as ações em Saúde serão organizadas da seguinte forma: Serviço de Atenção Integral para Mulheres em Situação de Violência Sexual; Serviço de Atenção à Interrupção de Gravidez nos Casos Previstos em Lei; Serviços de Atenção Integral à Saúde de Crianças; e Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Situação de Violência Sexual; Serviço de Atenção Integral para Homens, pessoas idosas  em Situação de Violência Sexual; e Serviço de Atenção Integral para Pessoas Idosas em Situação de Violência Sexual.
Segundo o texto, compete aos hospitais gerais, maternidades, pronto-socorros e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) prestar serviços como acolhimento; atendimento clínico; atendimento psicológico; dispensação e administração de medicamentos; notificação compulsória institucionalizada; referência laboratorial para exames necessários; e referência para coleta de vestígios de violência sexual. Esse atendimento integra a universalidade e a integralidade da atenção à Saúde.
Para a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a violência é uma questão e um problema de Saúde Pública.  Em diversos casos, o medo de represálias leva profissionais da área a não denunciar casos suspeitos de violência contra crianças. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a notificação aos órgãos competentes nos casos de violência contra menores. A notificação obrigatória de casos suspeitos ou confirmados de violência é reforçada para quem atende no SUS.
A CNM alerta os Municípios para a importância do tema, tendo em vista que atualmente a violência é pauta de constante discussão. Os gestores devem ficar atentos para a necessidade de notificar os casos de violência suspeitos ou confirmados aos órgãos competentes, já que a violência é um problema de saúde pública.

domingo, 7 de abril de 2013

TORTURA/MEDICINA - Em tese de mestrado advogada afirma que médicos ainda atuam nas torturas no mundo

Entrevista: Medicina continua a serviço dos crimes de tortura em todo o mundo

Por conhecer a fisiologia da dor, o médico pode sofisticar os métodos, explorar fraquezas e fobias, ‘ressuscitar’ a vítima, mantê-la viva para o prosseguimento do interrogatório e falsificar um atestado de óbito
Entrevista: Medicina continua a serviço dos crimes de tortura em todo o mundo

(imagem - foto colorida do Monumento em Recife, PE, com uma figura que representa a posição de um ser humano submetido à tortura em um "pau-de-arara", com as pernas cruzadas sobre o peito, sendo atravessada simbolicamente por uma haste que prende suspensa sob um placa de aço - fotografia de Marcussrg- Flickr)
São Paulo – Apesar de mudanças na lei em diversos países, criação de códigos de ética e avanços no campo dos direitos humanos e do Direito Internacional, os crimes de tortura não só continuam a ser praticados como método de obtenção de informação com uso da força como ainda contam com o respaldo da Medicina – um elemento indispensável no aprimoramento da prática. A constatação é da advogada Virginia Novaes Procópio de Araujo, que durante dois anos pesquisou o ato médico no crime de tortura para sua dissertação de mestrado pela Faculdade de Direito da USP. 
“Durante a Segunda Guerra Mundial, o papel do médico era criar uma ‘linha de produção da morte’ que aparentasse algo científico. Hoje, podemos dizer que a maleficência médica ‘evoluiu’ no sentido de aprimorar a obtenção de informações com menores danos físicos e, portanto, menos evidências de tortura”, disse a Virginia.
Segundo ela, procedimentos hoje classificados como meio de obtenção de informação de segurança nacional são, na verdade, atos de tortura mascarados, brechas legais encontradas para justificar o uso da força, com participação decisiva dos médicos. “Na atual guerra norte-americana contra o terrorismo, por exemplo, a Cruz Vermelha não teve acesso aos prisioneiros, o que evidencia desrespeito dos médicos ao Protocolo de Istambul, que obriga a documentação de abusos a que foram submetidos os prisioneiros do exército, e o pedido de ajuda internacional”, disse. “Estes profissionais também violaram seu papel de médico de guerra, conforme expõe as Convenções de Genebra, que prevê auxílio de saúde para todos, inclusive inimigos.”
Para a advogada, os médicos incorrem em comportamento maleficente e violam o seu próprio código de ética ao utilizar conhecimentos técnicos para aprimorar métodos de tortura e contornar a lei, seja reduzindo evidências de danos físicos aparentes dos torturados, seja compartilhando informações obtidas em exames que revelem fraquezas físicas e psicológicas dos torturados a serem exploradas, ou até mesmo falsificando atestados de óbito. 
Conforme ela, relatórios recentes das organizações Médicos pelos Direitos Humanos e Comitê Público contra Tortura, de Israel, denunciam o comportamento maleficente de médicos envolvidos nesses crimes naquele país, onde a própria Suprema Corte parece aceitar uso de força física em interrogatórios com a justificativa da necessidade de obter informação "para o salvamento de vidas".
“Em similar postura, a existência do Centro de Detenção de Guantánamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantêm centenas de prisioneiros de guerra, é um forte indício de que a tortura continua a ser praticada pelos norte-americanos, sob o nome de ‘técnicas reforçadas de interrogatório’”, apontou. Conforme ela, o relatório oficial da CIA [Agência Central de Inteligência dos EUA] sobre essas técnicas afirma ser indispensável a presença de um médico e um oxímetro para avaliar a quantidade de oxigênio do interrogado e eventual risco de morte no método ‘afogamento simulado’. "Apesar de o presidente norte-americano Barack Obama ter admitido que essa prática não seja mais utilizada, pouco se sabe do que ocorre em Guantánamo”, completou.
Na entrevista a seguir, Virginia dá mais detalhes sobre a aliança entre a Medicina e a tortura. Confira os principais trechos.
A tortura depende da medicina?
Conforme o autor norte-americano Steven H. Miles, ela não existe sem um médico. Por conhecer a fisiologia da dor, ele pode sofisticar os métodos, explorar fraquezas e fobias, ‘ressuscitar’ a vítima, mantê-la viva para o prosseguimento do interrogatório e até falsificar um atestado de óbito para ocultar a tortura cometida. Para isso geralmente realçam algum traço de saúde do ‘paciente’, como problemas cardíacos, que podem justificar um ‘infarto’.  Na guerra contra o terror, quando se lia ‘morte por causas naturais’, podia-se concluir se tratar de morte por tortura.
Como a medicina tornou-se cúmplice dos torturadores?
No século 16, o rei espanhol Carlos V teria ordenado a médicos avaliassem a resistência de réus a uma sessão de tortura. Mas o primeiro registro oficial da participação médica data de 1532, para determinar métodos que não matassem uma pessoa doente e fraca. Até o século 18, torturar era legítimo e os médicos eram representantes das autoridades, embora não agissem diretamente. Já a partir do século 20, eles passaram a ter um papel ativo. Além da dor física, passaram a utilizar aspectos psiquiátricos, farmacológicos e psicológicos. A lavagem cerebral foi aperfeiçoada com a privação de sono, simulação de execução, isolamento, ameaças e observação da tortura alheia – técnicas que não deixam vestígios.
Médicos torturadores são comuns em todas as culturas?
Conforme as informações obtidas, oriente e ocidente tiveram o mesmo grau de crueldade. Os soviéticos torturavam seus opositores. Mas a atual medicalização da tortura só chamou a atenção no início dos anos 1970, com denúncias da imprensa. Na Segunda Guerra, médicos japoneses submetiam os presos, ainda vivos e sem anestesia, a amputações e dissecação de órgãos, além de experimentos com armas biológicas, enquanto que os alemães experimentavam métodos de esterilização, programa de eugenia, práticas de extermínio e falsificavam os atestados de óbito. Como Mengele, com experiências genéticas terríveis que buscavam o ‘ser humano perfeito’, a raça superior, a até mesmo uma forma para colorir de azul a íris. Autor de inúmeros crimes, ele conseguiu fugir e viveu por mais de 35 anos em países como Paraguai e Brasil, escondido por simpatizantes de ideias nazistas. Há informações de que morava no Brasil em 1979, quando morreu afogado no mar após sofrer um derrame. Muitos dos experimentos desses médicos serviam também para melhorar as condições dos soldados alemães. Fizeram cruéis experimentos de hipotermia, de pressão (para os pilotos de aeronave), contaminação por doenças, testes com bombas. Como se pode ver, na Alemanha nazista a atividade médica estava tomada pelas ideias de Hitler.
Como é a participação na 'guerra contra o terror'?
Durante a guerra contra o terror, seja em prisões no Iraque, no Afeganistão ou mesmo em Guantánamo, foi criado um novo termo para legalizar os métodos que aparentemente não traziam sofrimento e dor indispensáveis para a configuração do crime de tortura: técnicas reforçadas de interrogatório. Ou seja, entre outras práticas, prender a pessoa em uma caixa escura com a ameaça da colocação de um inseto que lhe causa fobia, forrar um tubo de PVC com plástico bolha para não deixar vestígios físicos de espancamento, jogar água num pano sobre o rosto de um preso deitado, para assustar e intimidar sem afogar de fato(waterboarding). Isso tudo na presença de médicos e psicólogos. Se o interrogado se feria ou tinha uma parada cardíaca, o médico estava lá para socorrê-lo. Se morresse, o legista adulterava o atestado de óbito. Segundo vítimas, o tratamento médico era frio e sem compaixão.
E no Brasil?
Até 1971, eram violentos castigos físicos. Depois, durante a ‘Operação Condor’, com técnicas criadas pela Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, incorporaram o campo psicológico, com tortura em salas frias, escuras, com ruído de alta frequência, medicamentos hipnóticos, ou em salas brancas, muito iluminadas. O medo se aliou à força física. As sessões de castigos físicos eram precedidas pela tortura psicológica.
O que aconteceu com médicos torturadores brasileiros, como Harry Shibata e Amilcar Lobo?
Mal tive acesso aos documentos brasileiros. Um artigo do médico norte-americano Steven H. Miles, um dos maiores experts no tema, mencionava casos brasileiros. Nos sites do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e Conselho Federal de Medicina (CFM), não se obtém nenhuma informação detalhada sobre Harry Shibata, por exemplo. Mas no site da Anistia Internacional há a descrição de que o médico teve sua licença cassada pelo Cremesp, em 1980, por seu envolvimento com tortura. Porém, em 1982, o CFM discordou do julgado regional e o Dr. Shibata teve a cassação anulada. Em 1995 o caso foi reaberto e até hoje se espera o conhecimento da sentença final. Uma fonte brasileira que me ajudou é o livro Desafia o nosso peito – resistência, tortura e morte durante o regime militar brasileiro: as quedas na guerrilha urbana e os desaparecidos na insurreição do Araguaia: subsídios para a Comissão da verdade, do psiquiatra e psicanalista Adail Ivan de Lemos. 
Há um capítulo sobre médicos brasileiros envolvidos na tortura durante a ditadura. Harry Shibata é mencionado, Amílcar Lobo também. Harry Shibata era médico legista, então era um “ocultador” de óbitos causados pela tortura. Por sua vez, Lobo participava diretamente na tortura. Ainda assim, é importante frisar que Lemos afirma, no começo de sua obra, que seu livro é fruto de extensa pesquisa bibliográfica e, apesar de publicado, está apto a eventuais correções, em razão de arquivos não abertos em mãos dos militares. E afirma que o mais importante é estabelecer debates para que, por meio deles, se aproximar da verdade histórica. 
 A quem cabe punir esses médicos?
Os médicos da Segunda Guerra foram julgados perante um tribunal de exceção. Alguns médicos nazistas se suicidaram. Dos julgados em Nuremberg, alguns receberam pena de morte, outros foram condenados à prisão e poucos foram inocentados. Alguns tiveram sua licença médica cassada. Acredito que o médico que se envolve com tortura viola seu Juramento Hipocrático, o código de ética médica de seu país, as noções éticas da Associação Médica Mundial, e os princípios da Bioética. Ademais, ajudam ou praticam um crime internacional. Por isso devem ser julgados perante uma corte criminal nacional ou internacional e também submetidos a procedimento disciplinar por seu Conselho de Medicina, desestimulando assim que outros médicos se envolvam com tortura. Como muitos países ocultam e protegem médicos torturadores, há a chamada sanção social, em que vítimas e a sociedade civil acabam denunciando os crimes. Mas defendo a apuração de um crime com o devido processo legal e investigatório. E na falta de documentação escrita e vestígios físicos, a palavra das vítimas devem ser levadas em consideração. 
Como devem ser punidos?
A participação médica deve ser devidamente apurada e, conforme o caso, punida com cassação da licença, detenção e reparação monetária para a vítima e sua família. As Cortes criminais e Conselhos de Medicina devem penalizar os culpados. A única forma de a nova geração de profissionais se dedicar apenas à Medicina é admitir o problema, divulgá-lo e unir esforços para a devida punição. Os estudantes de Medicina devem revisitar o passado para compreender o presente e prevenir o futuro de novos abusos e violações dos princípios bioéticos.
Como combater o crime de tortura?
O endurecimento de leis não inibe a prática criminosa, mas uma mensagem de não impunidade pode ser eficaz. A norma em si não impediria a tortura, mas sim o reconhecimento de que é inaceitável e que não se trata de um método de obtenção de informações fidedignas. Em sua obra “Dos delitos e das penas”, Cesare Beccaria já dizia que uma pessoa sob tortura confessa tudo, inclusive crimes que não cometeu.
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O ESTATUTO DO HOMEM E O DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2009/12/o-estatuto-do-homem-e-o-dia.html


sábado, 6 de abril de 2013

SÍNDROME DE DOWN/CINEMA - O filme COLEGAS cria um novo espaço para atores Down

'Colegas' abre porta a atores com síndrome de Down
O realizador brasileiro Marcelo Galvão diz que "Colegas" abriu uma porta para os atores com síndrome de Down, que são os principais protagonistas do filme, que será exibido hoje, em Lisboa, no âmbito do festival FESTin.

 'Colegas' abre porta a atores com síndrome de Down
(imagem - foto colorida de divulgação do filme Colegas, onde os atores fantasiados estão em um carro, com Rita de "princesa", ao fundo, Ariel que dirige o carro de turbante com penacho, e Breno com um capacete amarelo e fantasia azul e uma capa como super heróis - direitos reservados ao filme)
Em entrevista à Lusa antes da estreia do filme, que será exibido no Cinema S. Jorge, o cineasta explicou que não quis fazer um filme sobre deficiência, mas "sobre sonhos", porque "todo o mundo sonha com alguma coisa".
"Colegas" pretende ser "um filme despretensioso" e Marcelo Galvão sabia que encontraria esse "astral positivo" em atores com síndrome de Down, que têm um "jeito cativante e carismático".
Sabia porque ele próprio foi criado com um tio com aquela condição, com quem passou "momentos muito agradáveis, felizes".
"Ele era um cara divertido, engraçado, tinha um coração gigantesco, era fácil de você ver através, não tinha muitas couraças, era transparente. Eu era criança, ele era adulto, mas a gente tinha muita coisa em comum, ele acreditava que tudo era possível", recorda.
Marcelo Galvão garante que os três protagonistas do filme -- Ariel Goldenberg (protagonista também de uma campanha com mais de um milhão de visualizações no YouTube, em que pedia ao seu ídolo, o ator Sean Penn, que viesse à estreia do filme no Brasil), Rita Pokk e Breno Viola -- não foram difíceis de dirigir.
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O VIGÉ"SS"IMO PRIMEIRO DIA - CINEMA E SÍNDROME DE DOWN http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/03/o-vigessimo-primeiro-dia-cinema-e.html