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quarta-feira, 10 de abril de 2013

GUERRAS/INFÂNCIA - As principais vítimas de abusos sexuais são as Crianças nas guerras (Save the Children)

Crianças são as principais vítimas de violação e outros abusos sexuais em zonas de conflito 
Relatório da organização Save the Children revela "os horrores escondidos da guerra".

(imagem - foto colorida com duas crianças negras, africanas, de costas, com um cenário de ruínas à sua frente, com roupas que demonstra sua situação de violência social e pobreza - fotografia de Finbarr O'Really-Reuters)

Em algumas zonas de conflito, como a Libéria e a Serra Leoa, mais de 70 por cento das vítimas de violência sexual são crianças, alerta a organização não-governamental Save the Children. Há relatos de bebés de dois anos abusados sexualmente por professores, líderes religiosos e elementos de forças de manutenção da paz.

No relatório "Unspeakable Crimes Against Children – Sexual Violence in Conflict" (Crimes Indizíveis Contra as Crianças – violência sexual em conflitos), divulgado nesta semana, a associação britânica descreve a violência sexual exercida sobre as crianças em zonas de conflito como "os horrores escondidos da guerra". De acordo com o documento, a maioria das vítimas de abusos sexuais nestas regiões são crianças.

O relatório está cheio de testemunhos de violações em países como o Mali, a República Democrática do Congo, a Somália ou a Colômbia, entre outros. "A rapariga que eles levaram tinha 16 anos. Estavam fardados, estavam todos vestidos da mesma forma. Taparam-lhe os olhos para que ela não os reconhecesse. Tinham armas. Eram cinco e obrigaram-na a dormir com eles. Não lhe bateram, mas desonraram-na", conta a maliana Maimouna, que descreve o sequestro e a violação de uma amiga.

"É chocante que em zonas de conflito em todo o mundo haja crianças a serem violadas a este ritmo alarmante", disse à agência Reuters o diretor executivo da Save the Children, Justin Forsyth. "A violência sexual é um dos horrores escondidos da guerra e está a destruir vidas", lamentou o responsável.

Na República Democrática do Congo, por exemplo, quase dois terços dos casos de abusos sexuais registados pela ONU em 2008 envolveram crianças, a maioria adolescentes do sexo feminino.

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ADEUS ÀS ARMAS - Sem Tiros no Futuro ou Cem tiros? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/05/adeus-as-armas-sem-tiros-no-futuro-ou.html

quarta-feira, 3 de abril de 2013

SÍNDROME DE DOWN/INCLUSÃO ESCOLAR - Primeira professora Down de Natal RN contra os preconceitos

“Me chamavam de mongolóide”, conheça a história da primeira professora Down do Brasil
professora com down
*(imagem - a foto colorida da Professora Débora sentada no chão com crianças, seus alunos, participando de uma leitura de um livro infantil para sua alfabetização - fotografia de arquivo pessoal)

Hoje professora de alfabetização, Débora Seabra, 31 anos, não gostava de ir à escola. Portadora da síndrome de Down, ela foi alvo de bullying por anos na sala de aula.

Falavam que eu era mongol. Mongolóide, sabe?Mas por insistência dos pais - a advogada e fundadora da Associação de Síndrome de Down em Natal, Margarida Seabra e o médico psiquiatra José Robério – ela  nunca pisou em uma escola especial.
Para o casal, a escola para crianças especiais reforça a discriminação, que era ainda maior na época que Débora era criança, nas décadas de 1980 e 1990, quando ainda havia pouca informação sobre o Down.
Ela teve que encarar a escola e o preconceito dos colegas. Acabou gostando tanto do desafio, que se tornou a primeira professora com Down do Brasil.

— Eu me formei no magistério em 2005. Fiz estágio na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e sou professora há nove anos.

Agora, em um colégio particular tradicional de Natal, a Escola Doméstica, Débora ajuda na alfabetização de 28 crianças de seis e sete anos. E mais que isso: ajuda a acabar com qualquer tipo de bullying e preconceito.

As crianças perguntam sobre o Down. Converso com cada uma delas e explico que o que tenho é genético e elas aprendem. Nunca me senti ofendida ou discriminada por elas

A professora é querida por todos os alunos que adoram as aulas em que Débora usa as técnicas de interpretação que desenvolveu em três anos de teatro. Ela também é convidada para dar palestras dentro e fora do País.

— Quando posso, vou a eventos que ajudam a combater o preconceito. Eu também estou escrevendo um livro de fábulas inclusivas para crianças. 

Débora é a primeira professora, porém não é a única vitória na luta pela inclusão de pessoas com Down nas escolas do Brasil. Entre já formados e recém-formados, outros 20 professores estão se inserindo nas salas de aula. Segundo a ONG Movimento Down, cerca de 50 ingressam em cursos profissionalizantes a cada ano.


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NÃO SOMOS ANORMAIS, SOMOS APENAS CIDA-DOWNS....http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/03/nao-somos-anormais-somos-apenas-cida.html

terça-feira, 12 de março de 2013

MULHERES NEGRAS/RACISMO - As negras ainda permanecem sobre preconceito no acesso ao instrumentos do Estado

Racismo institucional: Mulher negra continua em desvantagem 


*(imagem - foto colorida de uma mulher negra, com vestes amarelas e lenço vermelho na cabeça, uma bahiana, sobre a qual paira uma bacia, tendo ao fundo um portão do modelo Brasil Colônia - fotografia da Universidade Federal da Bahia)


"Observamos no Brasil que, além do racismo social, sofremos com o racismo institucional, que inviabiliza o acesso aos instrumentos do Estado e dificulta o combate ao preconceito em nosso país". Foi o que constatou Luana Natieli, advogada do Cfemea e da Articulação das Mulheres Negras Brasileiras, ao falar sobre a luta das mulheres, especialmente das mulheres negras no Brasil.


Segundo ela, a situação da mulher negra, no Brasil de hoje, é resultado de uma realidade vivida no período de escravidão e que ainda está incrustado nas instâncias sociais. "Ao estudarmos este problema verificamos que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais e tem rendimento menor".

Para se ter uma ideia do cenário enfrentado pela mulher negra brasileira, dados publicados em 2012 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que são 498.521 empregos formais de mulheres negras contra 7,6 milhões de mulheres brancas e 11,9 milhões de homens brancos. Além disso, a mulher negra ganha, em média, R$ 790 e o salário do homem branco chega a R$ 1.671,00 - mais que o dobro. 

Natieli frisa que a trabalhadora negra continua sendo aquela que se insere mais cedo e é a última a sair do mercado de trabalho e que mesmo quando sua escolaridade é similar à escolaridade da companheira branca, a diferença salarial gira em trono de 40% a mais para a branca

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) as mulheres negras têm um índice maior de desemprego em qualquer lugar do país. A taxa de desemprego das jovens negras chega a 25%. Uma entre quatro jovens está desempregada. 

O Instituto ainda aponta que as mulheres negras estão em maior número nos empregos mais precários. 71% das mulheres negras estão nas ocupações precárias e informais; contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos;

FONTE - http://www.vermelho.org.br/radio/noticia.php?id_noticia=208160&id_secao=35
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QUAL É A SUA RAÇA? - Nada a declarar... http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/11/imagem-publicada-uma-foto-em-preto-e.html

segunda-feira, 4 de março de 2013

PARALISIA CEREBRAL/TERAPIAS - Criança amazonense tem resultados com método THERASUIT de Campinas SP

Izaquiel Fernandes é o primeiro amazonense a usufruir do método Therasuit
O menino de apenas 8 anos desenvolveu paralisia cerebral ainda bebê, devido aos maus tratos da mãe biológica. A mãe adotiva, Rosângela Fernandes, criou campanhas para fazer com que seu filho se submetesse ao método, que custa cerca de R$ 60 mil, e luta para que Izaquiel dê continuidade ao tratamento em Campinas, SP, e para que outras crianças paralisadas tenham a mesma oportunidade, através da fundação do Instituto Acontecer.

(imagem - O menino Izaquiel com sua mãe adotiva Rosângela Fernandes, fotografia de Evandro Seixas)

Quem assistiu ao Fantástico neste domingo (03) acompanhou a história de luta e a vitória de um pai – Alexandre Faleiros - que conseguiu uma liminar na justiça para custear o tratamento do filho – um garoto chamado Felipe – portador de paralisia cerebral. A liminar concedida determina que o Estado providencie recursos para cobrir as despesas com a equoterapia e o Therasuit, tratamento revolucionário criado em Michigan, nos Estados Unidos, que possibilita acelerar os resultados relacionados à reabilitação em portadores de paralisia cerebral.

Em Manaus, a mesma luta é vivenciada pela psicóloga Rosângela Fernandes, 40, cujo filho Izaquiel Conte Fernandes, 8, é portador de paralisia cerebral desde os dois anos de idade. Além disso, o garoto é o primeiro amazonense a experimentar os benefícios do revolucionário Therasuit – cujo tratamento é realizado em Campinas, SP – e a ter uma estrutura especial montada em casa que reproduz grande parte dos aparatos que o método exige. Porém, por conta do tratamento Therasuit ter valor altamente elevado, o menino não tem recursos financeiros para dar seguimento a ele. E é pelo custeio deste tratamento que a mãe batalha: para que o filho possa ter qualidade de vida, e para que outras crianças com paralisia possam ter a mesma oportunidade.
Filho de coração
A história começa com um ato de solidariedade: Izaquiel é filho adotivo de Rosângela, e ela o adotou já ciente de que o garoto portava paralisia cerebral. “Izaquiel é meu filho de coração. Eu o adotei quando ele tinha dois anos e três meses. Ele nasceu normal, de um parto normal, e foi vítima de maus tratos da mãe biológica. E como consequência dos maus tratos, ele acabou adquirindo a paralisia cerebral. Desde então eu tenho buscado alternativas e tratamentos de ponta para que o Izequiel possa voltar a ter uma vida com mais independência, e maior qualidade, para que ele saia um pouco da cadeira de rodas e consiga exercer pequenas atividades, que aos nossos olhos são tão comuns, mas que para ele tem um imenso valor”, afirmou Rosângela.
De acordo com a psicóloga, pelo fato de Izaquiel ter conhecido o contato com o mundo por ter nascido sem paralisia, ele tem noção de chão, de espaço, e muita vontade, segundo a mãe.
“No ano passado (2012) começamos uma campanha nas redes sociais para que nós pudéssemos levar o Izaquiel ao tratamento chamado Therasuit, em Campinas. E esse tratamento trouxe para o meu filho o que a medicina e algumas pessoas achavam que ele não ia conseguir. Tais resultados nos fizeram ser procurados por muitos pais, que queriam realizar com seus filhos o mesmo tratamento realizado com o Kiel (apelido dado pela mãe ao filho). O tratamento é condensado em ciclos, e por estes ciclos serem muito caros, acabamos entrando nas redes sociais, através de feijoadas, almoços e bazares”, disse Rosângela, lembrando que o início do tratamento de Izaquiel foi totalmente custeado com o dinheiro arrecadado com as campanhas somado às próprias verbas da família. A página utilizada para intermédio das doações foi a ‘Crianças Especiais são como Borboletas’, no Facebook.
De pé em 30 dias
Os resultados com o tratamento Therasuit – que foram extremamente positivos, de acordo com Rosângela - , foram notados em apenas 30 dias, segundo a mãe. “Em 30 dias meu filho ficou de pé, andou em um andador específico e voltou sentado sozinho no avião. Ele está conseguindo ganhar sustentação de equilíbrio no tronco. Inclusive até os próprios fisioterapeutas que acompanhavam o Kiel, que já tinham dado diagnósticos não muito favoráveis, ao verem Izaquiel no vídeo que fica na página dele e ao encontrarem meu filho pessoalmente notaram uma mudança sensacional”, assegurou Fernandes.
Foram diversos os maus tratos sofridos por Izaquiel quando bebê, e conforme Rosângela, pela própria mãe biológica. “No geral, foi a síndrome do bebê sacudido o que mais prejudicou ele. Ele teve uma lesão na parte do cérebro, não somente pelas chacoalhadas, mas a mãe biológica deixou ele cair da cama por várias vezes. Ele também passou fome, sofreu desnutrição, então foram essas situações como um todo que geraram a paralisia. Quando eu o adotei, ele já estava totalmente paralisado. O adotei totalmente ciente das condições”, revelou a mãe.
Ao adotar Izaquiel, Rosângela conta que o menino era totalmente limitado. Já tinha pouquíssimos movimentos, não sentava, não ingeria comida normal, e afirma que hoje ele tem uma vida 100% melhor do que ele tinha antes.
“São experiências que não quero que fiquem somente conosco. Se está dando certo com o meu filho, o meu clamor é que outras crianças também possam estar se submetendo ao mesmo tratamento, recebendo as mesmas orientações, tendo uma qualidade de vida melhor, com cadeiras adaptadas, exercícios que podem ser trabalhados e adaptados em uma estrutura em casa, que em Manaus não temos. O resultado é algo imensurável. Há como ver claramente a diferença entre o antes e o depois de tudo o que temos trabalhado com ele”, destacou.
A psicóloga descobriu o método Therasuit através de pesquisas realizadas na internet, e afirmou não ter se acomodado aos diagnósticos médicos. Ainda segundo ela, muitos profissionais de saúde disseram à família que Izaquiel não ficaria de pé e que iria vegetar.
“Hoje ele não anda sozinho, mas anda em um equipamento de uma tecnologia de ponta, que veio da Noruega para ele. Então ele fica como você, como eu, anda normalmente. Ele vai ao shopping, ele exercita o direito de ir e vir dele normalmente. Mas é caro para ele, então é isso o que a gente busca. Eu descobri o Therasuit por essa vontade de querer fazer muito mais pelo meu filho. Fora de Manaus até parece que estamos fora do Brasil, muitas mães já estão realizando o tratamento na clínica em que realizamos o nosso”, pontuou Rosângela.
A clínica onde o menino Kiel começou o tratamento chama-se Therapies e é localizada em Campinas, SP. A Therapies é a pioneira no método Therasuit no Brasil, conforme Fernandes. “Tudo o que acontece no mundo relacionado às crianças com paralisia cerebral começa por lá. Através deles, outras clínicas foram fundadas no Brasil todo, só não temos ainda em Manaus”, dialogou a mãe de Izaquiel.
Módulos do Therasuit
Segundo Rosângela, o Therasuit é composto por três módulos. Há o módulo ‘Therasuit (veste)’, popularmente conhecido como ‘roupa de astronauta’, que é uma órtese que trabalha com a reestruturação motora da criança com desordem cerebral, afirmou.
No caso, a paralisia cerebral é uma desordem cerebral das informações. O astronauta, quando vai para o espaço, perde toda essa noção, e quando ele volta é readaptado à sua vida, reorganiza todas as suas informações com essa roupa. Então, a readaptação para as crianças com paralisia cerebral é exatamente essa, porque os cientistas descobriram que quando o astronauta vai para o espaço, eles ficam numa desordem bem semelhante à desordem que acontece dia a dia com o cérebro de uma criança paralisada. Essa roupa proporciona à criança a capacidade de reestruturação das informações: ela começa a pensar, e eu garanto que quando uma criança não senta, ao vestir essa roupa ela senta. Com a roupa ela é totalmente condicionada a sentar. Aí é feito todo um trabalho de estímulo, como se você fosse condicionar o cérebro daquela criança, que está totalmente desordenado, e ele começa a entender que a criança pode sentar, e então ela senta”, explicou Fernandes.
O segundo módulo consiste no trabalho realizado se chama ‘Universal Exercise Unit’, que se baseia em exercícios realizados numa gaiola específica, com polias e pesos, na qual o paciente consegue realizar movimentos sem a ação da gravidade em uma maca, a partir da primeira órtese citada, onde a criança alonga os nervos e ganha massa muscular, contou Rosângela.
E o terceiro módulo do Therasuit é o que nós chamamos de ‘Spider’, que é quando a criança fica presa a umas cordas, parecendo uma aranha mesmo, dentro dessa gaiola, onde se trabalha a integração sensorial, a coordenação e o equilíbrio. Não existe uma sequência: são três módulos compostos que fazem o Therasuit ser o sucesso que é. E as crianças, por esse método conseguem realizar atividades. Por exemplo, meu filho anda de bicicleta. Ele voltou pedalando uma bicicleta, e antes não andava. Eu o levo no supermercado com o andador, então é um tratamento muito rico de informações”, destacou.
Continuidade e ciclos
Os resultados obtidos em 30 dias com o Therasuit são os mesmos resultados que levariam de dois anos e meio a três anos para se manifestarem, em métodos tradicionais, completou a mãe de Kiel.
São 30 dias, de 4 horas e meia a 5 horas intensivas de fisioterapia, de segunda a sexta. Os módulos são integrados: o Therasuit é feito por ciclos, então o primeiro ciclo são os exercícios básicos. Aí em um intervalo de quatro a seis meses a criança passa para o segundo ciclo. A criança para ter a possibilidade de se por de pé teria que estar na clínica de 6 em 6 meses realizando o Therasuit. Então como eu montei a estrutura do Therasuit em casa, damos continuidade em nossa residência nesse intervalo. Quando ele chega em Manaus, ele passa por todos os exercícios, até o retorno dele à SP. Em cada avanço dos ciclos de tratamento o paciente vai ganhando muito mais condicionamento, o cérebro vai se reorganizando, vão surgindo outras informações, até a criança chegar ao nível de estar totalmente independente, de voltar a andar mesmo, como já aconteceu em alguns casos”, revelou.
Sobre os casos em que pacientes retomaram movimentos em sua totalidade, Fernandes afirmou que a criança não ficará 100% e que carregará sequelas da paralisia. “Mas é uma criança que vai ter força para ir ao banheiro, vai abrir uma porta, vai poder pegar em um copo, vai poder andar... tem crianças que podem chegar a andar sem o andador, mas o tratamento tem ínicio e não tem uma data de término. A criança só pega alta do Therasuit quando realmente a fisioterapeuta chegar com ele aonde tinha que chegar. Enquanto existirem respostas aos estímulos, o paciente continua realizando o Therasuit”, disse Rosângela.
A liminar judicial foi descumprida’, diz Rosângela
Izaquiel usufrui do Therasuit há um ano, e deveria ter voltado no mês de janeiro para a realização de outro módulo, mas o seu retorno foi impossibilitado devido à falta de recursos para custear a continuidade do tratamento do pequeno.
Procuramos o Ministério Público Estadual (MPE-AM) e o órgão viu nosso pedido como um pedido extremamente importante para a saúde dele, como todo o histórico e as provas apresentadas”, assegurou Rosângela. A mãe de Kiel afirmou que o Ministério Público expediu uma liminar ao Estado com pedido de antecipação de tutela (custeio do tratamento Therasuit ao garoto) de forma imediata. “A determinação judicial para custeio do tratamento do meu filho não foi cumprida. Eles tinham até o dia 25 de janeiro para cumprir a ordem judicial, o que não aconteceu, e a determinação ainda não foi cumprida até agora”, disse Fernandes. Ainda de acordo com a mãe de Kiel, o valor da multa referente ao atraso do cumprimento da liminar equivale à R$ 10 mil por dia.
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (SUSAM) informou que “a senhora Rosângela Fernandes deu entrada nesta secretaria em um processo solicitando a compra de um andador especial para o paciente Izaquiel Conte Figueiredo Fernandes. O processo está em andamento, seguindo os princípios legais, e apesar de não fazer parte da padronização dos equipamentos utilizados e disponibilizados pela rede estadual de saúde, será adquirido e entregue ao paciente”. Em relação ao tratamento Therasuit, a Secretaria informou “que o mesmo não é disponibilizado em Manaus e nem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em outros estados”.
Instituto Acontecer visa reunir familiares e voluntários na luta contra a paralisia cerebral
O custo total do tratamento de Izaquiel sai em torno de R$ 60 mil, incluindo o tratamento em si, as aparelhagens e as demais despesas secundárias do garoto, como hospedagem.
“Mas por um filho vale até R$ 200 mil. Tudo o que fiz, todas as campanhas, as rifas, a nossa exposição, porque não é fácil lidar com dinheiro dos outros”, argumentou. E para reunir pais com o objetivo de compartilhar experiências e dar apoio aos familiares e portadores de paralisia cerebral, Rosângela criou o Instituto Acontecer – em alusão ao sobrenome de Kiel -. Através de encontros, palestras e demais orientações, o Instituto, composto por uma equipe de voluntários que agrega amigos, familiares e alguns profissionais de saúde como fisioterapeutas e psicólogos, visa também unir forças para tentar trazer a Manaus o método Therasuit, que, segundo Rosângela, tem posto muitas crianças com paralisia cerebral de pé.
“Em Manaus não temos esse método. Não temos fisioterapeutas qualificados e o objetivo do Instituto é esse, de nós conseguirmos trazer para Manaus o Therasuit. Nós viajamos para fora do Amazonas e usufruímos do método, só que quando a gente volta dá de cara com a mesma realidade. Essa é a nossa proposta. Tudo para criança especial é muito caro, e mais os olhos fechados das nossas autoridades, no caso, me motivou para que fundássemos o Instituto, que não vai beneficiar somente meu filho, mas também tantas crianças que passam pelas mesmas necessidades que o meu passa, para termos uma vida melhor”, ressaltou Rosângela.
Para a inauguração oficial do Instituto Acontecer, que já existia, mas que saiu dos projetos recentemente, Rosângela faz um convite aos pais que tem filhos com paralisia cerebral, para que entrem em contato. “Estaremos realizando uma reunião para a apresentação do Instituto, com a proposta e a metodologia, com todo o tratamento que o Kiel realiza, entre outros temas relacionados”.
De acordo com a psicóloga, as reuniões serão agendadas conforme o contato e disponibilidade dos interessados. Para obter maiores informações ou efetuar doações ao garoto, há os números (92) 9130-1113 e (92) 8198-7220, o e-mail rosangela.acontecer@gmail.com, e a página ‘Crianças Especiais São Como Borboletas’. "O intuito do Instituto é que ele seja voz de clamor, para que as nossas autoridades locais possam nos ouvir e abraçar a causa”, concluiu Rosângela.
LEIA MAIS SOBRE PARALISIAS CEREBRAIS NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET: 

FREUD E A "INVENÇÃO" DA PARALISIA CEREBRAL


sábado, 2 de março de 2013

EDUCAÇÃO INCLUSIVA/DEFICIÊNCIA INTELECTUAL - Os desafios em sua inclusão escolar

Inclusão de alunos com deficiência intelectual cresce e desafia escolas

Alunos com síndrome de Down e autismo exigem professores capacitados.
Fã de Sean Penn, ator de 'Colegas' estudou em escola especial.


Lettícia da Silva Santos Azevedo, de 7 anos, tem sindrome de Down e estuda na Escola Municipal Celso Leite Ribeiro Filho, em São Paulo (Foto: Raul Zito/G1)
*(imagem - foto colorida de uma educanda com deficiência intelectual, Letícia, de 7 anos, com um caderno e um lápis na mão, que se encontra incluída na Escola Municipal Celso Ribeiro Leite, em São Paulo, SP - fotografia de Raul Zito/G1)
O ator Ariel Goldenberg, de 32 anos, espera que o premiado “Colegas”, que estreou nesta sexta-feira (1º) no cinema, contando as aventuras de três jovens com síndrome de Down que fogem de uma instituição assistencial, chame a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência intelectual na sociedade, a começar pela escola. “Queremos que as pessoas olhem para os deficientes com outros olhos”, diz Ariel, que ficou famoso nas redes sociais após a divulgação do sonho de receber a visita do ator norte-americano Sean Penn.
A presença cada vez maior de alunos com deficiência intelectual no sistema educacional convencional está obrigando as escolas a adaptarem seus conceitos pedagógicos.
Segundo o Censo Escolar, entre 2005 e 2011, as matrículas de crianças e jovens com algum tipo de necessidade especial (intelectual, visual, motora e auditiva) em escolas regulares cresceu 112% e chegou a 558 mil. O Censo Escolar não diz quantas destas matrículas são de alunos com síndrome de Down, outra deficiência intelectual ou autismo. O Censo do IBGE, porém, aponta que, em 2010, 37% das crianças com deficiência intelectual na idade escolar obrigatória por lei (5 a 14 anos) estavam foram da escola, número muito superior à média nacional, de 4,2%.
Outro indicador do aumento da inclusão: as matriculas das crianças com deficiência em escolas especializadas e as classes exclusivas nas escolas comuns caiu 48% de 2005 para 2011, quando foram registradas 193 mil matrículas.
Apesar de a inclusão de crianças e jovens com algum tipo de deficiência nas escolas regulares ter aumentado nos últimos anos, são grandes os desafios de preparar os professores para mantê-las na sala de aula com os demais colegas, e de receber as crianças que ainda estão excluídas.
O modelo de só transmitir o conhecimento do currículo básico já não é mais suficiente. Segundo a professora Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade (Leped) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a inclusão aparece para mostrar que todas as pessoas são diferentes, algo que a escola não quer conceber. “O senso comum nos faz pensar muito mais na identidade do que na diferença, porque é muito mais fácil. Mas a diferença se apresenta, e você tem que lidar.”
Segundo ela, o mais importante para uma criança com deficiência não é aprender o mesmo conteúdo que as outras, mas ter a possibilidade de aprender a colaborar, ter autonomia, governar a si próprio, ter livre expressão de ideias e ver o esforço pelo que consegue criar ser recompensado e reconhecido. “A escola é a instituição responsável por introduzir a criança na vida pública. E você não pode dizer que esse aqui vai ser introduzido na vida pública e esse não”, diz a educadora.
Escola regular ou especial?
Na década de 1980, quando o ator Ariel era menino, prevalecia o conceito de que crianças como ele deveriam estar em instituições exclusivas para dar assistência à suas necessidades, e não em uma escola regular. Ariel chegou a fazer o maternal em uma escola comum, mas foi matriculado aos cinco anos na Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (Adid), onde seus “colegas” também tinham a mesma síndrome que ele.
“Apesar de ser politicamente correta a inclusão, acho que às vezes os pais focam tanto na inclusão que esquecem o incluído. Achei que era melhor ele estudar em uma escola que estivesse no ritmo dele”, explica a artista plástica Corinne Goldenberg, mãe de Ariel, que se preocupava com o possível sofrimento de ver o filho ficar para trás em relação aos demais alunos. “O que o Ariel aprendeu, ele aprendeu na escola especial.”
Naquela época, era comum que as escolas recusassem a matrícula de alunos especiais. Foi o que aconteceu com Rita Pokk, “colega” de Ariel no filme e esposa do ator na vida real. “Bateram a porta na cara da minha mãe um monte de vezes”, relembra Rita, hoje com 32 anos. Ela conseguiu ser matriculada em uma escola particular aos 12 anos, depois de muito esforço da mãe. Para que a filha, já maior de idade, pudesse frequentar a quinta série no supletivo, a mãe precisou se matricular, fazer as provas e assistir às provas com a filha. Na sétima série, Rita percebeu que o currículo estava avançado demais para ela, e trocou a escola regular pela Adid para fazer amigos. Lá, ela fez teatro e conheceu Ariel.
Hoje, a ONU e o governo brasileiro defendem que o lugar de todas as crianças é a escola convencional. O modelo aplicado pela rede pública de ensino é estruturado de forma a manter os alunos especiais na sala comum, mas com atividades de apoio individualizadas no contraturno, já que o aluno com deficiência intelectual tem outro ritmo de aprendizado, que em geral não corresponde ao que a escola está acostumada a esperar. Edna dos Santos Azevedo, mãe da aluna Lettícia, de 7 anos, diz que a filha matriculada na Emef Celso Leite Ribeiro Filho, na região central de São Paulo, exige mais atenção e paciência para aprender.
'Tem de se sentir igual'
Edna, no entanto, nunca cogitou matricular a menina em uma escola especial. “A evolução da Lettícia [em uma instituição só para alunos especiais] teria sido mínima, ela é muito esperta.” Para a mãe, a convivência com as outras crianças só traz vantagens. Ela diz que a filha nunca sofreu preconceito ou bullying por parte dos colegas. Pelo contrário, é querida pelos amigos, que se oferecem para ajudá-la em várias situações e se preocupam quando ela falta à escola.
A garota reconhece todas as letras do alfabeto, lê e escreve algumas palavras e aprendeu a falar as cores em inglês. Na aula, a professora Maria Luiza de Oliveira Marques diz que Lettícia participa das atividades e interage na hora da leitura. “Ela é bem resolvida e independente”, diz a professora. A deficiência não é motivo para que Lettícia seja poupada de alguma regra na escola. “Lettícia tem de se sentir igual, se a cobrança não for igual, não há inclusão”, diz a vice-diretora da Celso Leite Ribeiro, Leni Aparecida Villa.
Além da escola, Lettícia faz atividades na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo para estimular raciocínio e coordenação motora. Com anos de experiência no trato com crianças e jovens com deficiência intelectual, Valquíria Barbosa, gerente de serviço sócio-assistencial da Apae de São Paulo, afirma que a criança com deficiência exige aulas mais lúdicas, repetições e um currículo flexível. Na ausência desses itens, a verdadeira inclusão fica comprometida.
Para Valquíria, a escola especial teve sentido em uma época em que não havia informação e não se sabia quais caminhos seguir, agora não mais. “A pedagogia evoluiu, novos caminhos foram descobertos”, diz a especialista, reafirmando que, para ela, a escola regular é a melhor alternativa.
“É claro que a família tem receio de como a criança vai ser recebida no ambiente, da preocupação de quem serão seus amigos, de como vai se relacionar. Mas crianças não têm preconceito, elas aceitam os colegas. O adulto, sim, precisa saber lidar com isso.”
‘Aprendeu mais com o iPad do que na escola’

O preparo dos adultos, no caso, os professores, no entanto, ainda não chegou a todas as escolas, como já prevê a legislação. Adriana Moral Ramos, coordenadora do Centro Terapêutico Educacional Lumi, especializado em pessoas com autismo e localizado no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital paulista, afirma que a maior parte dos alunos que chegam até ela vem justamente de más experiências em escolas regulares. “Os pais escolhem a escola convencional para se aproveitarem do currículo regular, mas depois optam pela especializada para [a criança] não sofrer bullying. No caso do autismo, ainda existe muito preconceito, as escolas acham que, com os problemas de comportamento, o aluno vai desestruturar a sala de aula.”
Depois de ver o filho Lenin retido com crianças mais novas em uma escolinha particular no bairro onde mora, e nas mãos de professores sem formação para atender às suas necessidades, o designer Eduardo Ferreira dos Santos, de 30 anos, decidiu colocá-lo em mãos mais experientes. “Ele aprendeu muito mais sozinho com o iPad em casa do que na escola”, afirmou Santos.
Neste ano, o designer matriculou o filho de cinco anos no Centro Lumi. Para pagar a mensalidade de R$ 1.485, Santos publicou um pedido na internet para receber doações de amigos. Em algumas semanas, conseguiu levantar cerca de R$ 8 mil, mas vai necessitar de R$ 19 mil para manter o filho na escola especial durante um ano. Agora, o designer tenta encontrar uma empresa disposta a pagar a mensalidade do menino e deduzir o gasto do imposto de renda.
Lenin vai ao Lumi pela manhã, e à tarde tem aula em uma escola municipal que conta com uma Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (Saai) e uma professora especializada. Durante o período de adaptação, ela permanece na sala de aula com 29 alunos, três deles com necessidades especiais.
Orçamento apertado

Nem toda família, no entanto, consegue pagar um atendimento especial para o filho. “Já corri atrás, mas dizem que [a mensalidade da escola especial] é acima de R$ 800”, diz Maria Lenice Ribeiro dos Santos, mãe do menino Hércules, de 12 anos, diagnosticado com autismo. Ela não trabalha para cuidar dos três filhos, com quem mora em um apartamento de dois quartos em um conjunto habitacional no Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo. A família recebe um salário mínimo do governo como benefício garantido por lei à pessoa com deficiência.
Hércules está no sexto ano da Emef Pedro Nava, perto de onde mora. Ele chegou à escola no meio do ano passado, depois que a família mudou de bairro. O menino sabe reconhecer as letras e copiar palavras, mas não consegue ler. Na última segunda-feira (25), sua primeira aula foi de português e, enquanto a professora explicava um exercício sobre substantivos aos demais alunos, Hércules fazia uma tarefa de alfabetização acompanhado de uma professora exclusiva.
“Ele faz atividades de acordo com a habilidade dele, mas dentro do tema trabalhado na sala de aula, para ele se sentir incluído”, explica a professora especializada em inclusão da escola, Márcia Aparecida dos Santos de Oliveira Fausto. Hércules faz atividades na sala especial da escola das 9h às 10h e estuda na sala regular das 13h30 às 15h. “A ideia é que ele vá aumentando o tempo em que fica na escola”, afirmou a mãe.
A dificuldade de Hércules na aula de português reflete outro dado do IBGE: 47,1% da população com algum tipo de deficiência intelectual acima de cinco anos de idade era analfabeta em 2010. Nos casos de pessoas com deficiência visual, auditiva e motora, o índice de analfabetismo caiu para 16,8%, 24,2% e 28,3% respectivamente. A média brasileira, porém, foi de 10,5%, segundo o Censo de 2010.
fonte http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/03/inclusao-de-alunos-com-deficiencia-intelectual-cresce-e-desafia-escolas.html * ( há conceitos/preconceitos sobre Deficiências Intelectuais, Autismo e processo de inclusão escolar na matéria que não expressam a opinião do editor deste blog)
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DIREITOS HUMANOS COMO QUESTÃO PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/05/imagem-publicada-uma-foto-de-tres.html

EDUCAÇÃO INCLUSIVA/SÍNDROME DE DOWN - Professora com Down comprova efeito da inclusão

1ª professora com Down do país defende inclusão em escola regular

Débora Seabra, de 31 anos, é professora assistente em Natal (RN). 
'A escola regular me fez sentir incluída', diz. 

Débora faz palestras dentro e fora do país (Foto: Arquivo pessoal)
(imagem- foto colorida da Profª Débora Seabra, de Natal, RN, com um microfone na mão realizando uma fala sobre inclusão)
Seja na aula de spinning, de musculação, nas oficinas de teatro ou no trato com as crianças no trabalho como professora, Débora Araújo Seabra de Moura, de 31 anos, prova que a inclusão é possível. Moradora de Natal (RN), ela estudou exclusivamente na rede regular de ensino, e foi a primeira pessoa com síndrome de Down a se formar no magistério, em nível médio, no Brasil, em 2005. Fez estágio na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e há nove anos trabalha como professora assistente em um colégio particular tradicional de Natal, a Escola Doméstica.

Débora considera que sua vida escolar teve mais experiências positivas. “A escola regular me fez sentir incluída com as outras crianças. Para mim não existe separação. Superei preconceitos, fiz muitas amizades e mostrei para as pessoas o que era a inclusão”, afirma.
Neste ano, a missão da jovem na Escola Doméstica é ajudar a cuidar e alfabetizar uma sala com 28 crianças de 6 a 7 anos do 1º ano do ensino fundamental. “Eu gosto das crianças. Tenho paciência, só alguns são bagunceiros e a maioria é focado. Se eu sou brava? Não, sou normal, trato eles super bem”, diz.
A professora diz que foi muito bem recebida pelos funcionários, professores e alunos da escola que de vez em quando a questionam sobre as diferenças. “Às vezes as crianças me perguntam: ‘Tia por que você fala assim?’. Aí eu respondo: ‘Minha fala é essa, cada um fala de um jeito, de forma diferente’. Aproveito e explico que tenho síndrome Down e eles entendem."
Desinformação
Há 31 anos quando Débora nasceu pouco se sabia sobre a síndrome de Down. Na época, as crianças que têm olhos amendoados e podem ter habilidade cognitiva comprometida por conta presença do cromossomo 21 eram chamadas de maneira pejorativa de ‘mongoloides’. Receosos, os pais em sua maioria optavam em matricular os filhos nas escolas especiais. Eles achavam de maneira errônea que ao restringir o contato das crianças aos deficientes as chances de adaptação eram maiores.
Contrariando esta tendência, o médico psiquiatra José Robério, de 72 anos, e a advogada Margarida, 71, pais de Débora não imaginaram outra escola para a garota, se não a regular. Foi assim por toda a vida escolar, nem sempre fácil. Ainda na educação infantil, Débora lembra de ter sido chamada de 'mongol' por um garoto. Ela chorou, ficou magoada, mas encontrou na professora uma aliada que explicou à classe que 'mongóis' eram os habitantes da Mongólia e ainda ensinou as crianças o que era a síndrome de Down.
'Amor se sobrepõe'
A mãe relata: "Nunca cogitei uma escola especial porque Débora era uma criança comum. A escola especial era discriminatória e ela precisava de desafios. Não sabia muito bem como seria, mas estava aberta para ajudar minha filha a encarar qualquer coisa". Engajada na causa, em 1983, Margarida fundou a Associação de Síndrome de Down, em Natal, com o objetivo de conscientizar a população e batalhar pelo fim do preconceito.
"Quando eu soube que Débora tinha Down foi como seu eu tivesse virado do avesso. A perspectiva era tenebrosa, não havia informação, mas o amor se sobrepõe a qualquer deficiência", afirma Margarida. "Criamos a Débora desprovida de total preconceito, sempre a tratei igual ao meu filho mais velho [Frederico, advogado, de 33 anos], o assunto nunca foi tabu. Ela é uma moça como qualquer outra, sonha, deseja, tem planos, é descolada e bem aceita em qualquer ambiente."
Por conta de sua experiência com professora, Débora já foi convidada para palestrar em várias partes do país e até fora dele, como Argentina e Portugal. Sempre que pode participa de iniciativas para ajudar a combater o preconceito. “Ainda existe e acho que as palestras ajudam a diminui-lo. Muitos professores foram assistir minhas palestras e fui aplaudida em pé pela plateia.”
No dia 21 de março quando se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Síndrome de Down, Débora vai apresentar uma peça de teatral junto com outros professores da Escola Doméstica de Natal para explicar o que é a síndrome aos alunos. Ela fez aulas de teatro por três anos. Outro plano é lançar um livro de pequenas fábulas, todas de cunho moral que abordam a inclusão. 
FONTE- http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/03/1-professora-com-down-do-pais-defende-inclusao-em-escola-regular.html
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CARTA A UM JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN NA UNIVERSIDADE http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/carta-um-jovem-com-sindrome-de-down-na.html



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ACESSIBILIDADE/PRAIAS - Conheçam as barreiras enfrentadas pelo Praia para Todos

ONG luta pelo acesso de  Pessoas com deficiência às praias do Rio

Projeto Praia para Todos disponibilizou esteiras na Barra da Tijuca.
Acesso funciona duas vezes por semana, até junho de 2013.

(imagem - foto colorida de uma pessoa com deficiência, usando suas bengalas canadenses tendo de descer através de uma escada que termina nas areias de uma praia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, RJ)

Quem depende de cadeira de rodas sabe como é difícil aproveitar um dia de sol, como o que fez no domingo (17), na praia. Faltam rampas e esteiras na areia, que são fundamentais para facilitar a passagem dos deficientes físicos. A ONG Praia para Todos  disponibilizou esteiras para dar acesso ao cadeirante.

Uma escada, no Posto 3, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, parece simples. Mas um enorme obstáculo atrapalha o deficiente que precisa usá-la. No local existe até uma rampa, mas de areia.

Carlos da Silva tentou ir à praia um ano e oito meses depois de sofrer um Acidente vascular Cerebral (AVC), mas não conseguiu ir além do calçadão. Fabio Fernandes e Ricardo Gonzalez não se conformaram com este limite e criaram o projeto Praia para Todos. A ONG fornece a esteira, para a passagem de cadeiras de roda, profissionais especializados e acaba de ganhar a ajuda de voluntários do Corpo de Bombeiros.
“Para nós que somos cadeirantes, a acessibilidade é fundamental”, disse Fabio Fernandes.
Agora, com a mudança. Jorge da Silva, de 11 anos, conseguiu finalmente chegar até à beira da água e disse que este foi o seu melhor dia de praia. “Eu pude entrar na água. Porque essa praia aqui a gente curte muito”, disse.
Em uma cidade com tantas praias e que vai sediar os Jogos Paralímpicos, essas são oportunidades raras: duas vezes por semana, até junho. No resto do ano, as praias não são para todos.
FONTE - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/02/ong-luta-pelo-acesso-de-deficientes-praias-do-rio.html

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

AUTISMO/INCLUSÃO ESCOLAR - Rompendo com preconceitos/medos nas escolas

É preciso perder o medo mútuo entre escola e autistas
Profissionais da educação e da saúde defendem a escola como uma das grandes forças para o bom desenvolvimento do portador da Síndrome de Asperger

“Ainda existe uma grande dificuldade da escola regular para lidar com a neurodiversidade”, declara a médica Fátima Dourado. A afirmação foi sentida nas angústias dos pais e portadores de Asperger ouvidos pelo O POVO. “O mais difícil de tudo é encarar a escola. Não existem profissionais treinados para receber as crianças”, diz uma das mães. “A escola tem um modelo padrão de tudo para seguir. É doloroso saber que os seus filhos não são bem aceitos”, desabafa um pai.
 A Política de Proteção dos Direitos de Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, sancionada pela presidente Dilma Rousseff na última semana de dezembro de 2012, prevê punições aos gestores de escolas que se recusarem a matricular alunos com autismo. A rejeição pode provocar multas aos diretores, e, em caso de reincidência, a perda do cargo. A lei, batizada de Berenice Piana, em homenagem à autora do projeto apresentado no Congresso, também mãe de autista, fala ainda acerca da participação da sociedade em todas as etapas da política: desde a implementação até o controle da execução das ações.
Para os pais de crianças e adolescentes com Asperger, a lei é importante, embora a grande preocupação seja ainda a forma como a escola conduz o processo de ensino-aprendizado deles.

A professora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Ceará (UFC) Rita Vieira defende que, apesar do medo dos pais, é importante matricular a criança na escola. “Nenhuma criança deve ficar de fora da escola, que tem a obrigação não somente de aceitar, mas de cuidar da melhor maneira e com as particularidades necessárias ao bom desenvolvimento dela”, diz Rita, que é phd em psicopedagogia e pesquisadora no campo da inclusão escolar.
A psicomotricista Clarissa Leão reforça que no ambiente escolar, os “aspis” costumam apresentar bom desempenho nas primeiras séries e podem inclusive aprender a ler sozinhas. A médica Fátima Dourado completa que crianças com Asperger não apresentam deficiência intelectual e precisam da convivência com os seus pares cronológicos para o desenvolvimento acadêmico e social.
Inclusão nas públicas
A pesquisadora Rita Vieira afirma que a escola pública municipal está mais à frente no processo de inclusão do que as escolas particulares da Capital. “Existe, hoje, na maioria das escolas, professores treinados pela Universidade que atuam em salas de recursos multifuncionais, responsáveis por realizar atendimento em educação especial. No caso dos autistas, eles são orientados para agir no processo de socialização e interação”. 

 A professora Rita diz é possível perceber, cada vez mais, um fluxo de pais que mudam os filhos da escola particular para a pública em busca de melhor acolhimento. “As escolas de maneira geral ainda deixam muito a desejar no aspecto da inclusão. Porém, a concepção de incluir ainda é mais falha na rede particular do que na pública; pelo menos, na rede municipal. Poucas particulares conseguem fazer isso de fato. Na públicas, o processo já andou mais”, defende a acadêmica. (Sara Rebeca Aguiar)


 Dicas de livros, filmes, sites e serviços
Livros
Olhe nos meus olhos
Síndrome de Asperger no ensino fundamental 
Asperger no feminino
Tudo sobre a Síndrome de Asperger 
Compreender a Síndrome de Asperger
A Síndrome de Asperger 
Autismo e Cérebro Social (Fátima Dourado)
Filmes
Meu nome é Khan
Ben-X 
Adam
Loucos de Amor
Mary & Max
Muito além do jardim
Sites
www.autismobrasil.org
www.apsa.org.pt (o site da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger – Apsa é considerado um dos melhores sobre o assunto. Além de ricas informações sobre a síndrome, traz guias para pais e professoras. A página disponibiliza ideias de atividades em sala de aula, um grande apoio aos professores. Há também mais dicas de livros e filmes).
Saiba mais
A Síndrome de Asperger é reconhecida, hoje, como um dos transtornos do espectro do Autismo. Foi descrita pela primeira vez em 1943 por Hans Asperger, pediatra austríaco. Ele descreveu características comuns como isolamento social, linguagem precoce e formal, grande dificuldade na comunicação não verbal, incluindo gestos e expressão facial, desajeitamento motor e fixação em assuntos não usuais.
 Onde se informar
Centro Internacional de Análise Relacional (Ciar)
Realiza trabalhos que objetivam desenvolver o potencial do ser humano, elevando sua qualidade de vida socioafetiva e profissional. Presta serviços nas áreas de terapia, educação e saúde. Endereço: Rua Monsenhor Catão, 1.179, Aldeota. (Fortaleza-CE)
Telefone: (85) 3244 1779
Site: www.ciar.com.br

Casa da Esperança
Realiza trabalho com crianças e jovens autistas. Possui equipes multiprofissionais para atendimento. É credenciada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Faz parte de um movimento mundial de luta pela saúde, educação e dignidade de pessoas autistas.  Endereço: Rua Francílio Dourado, 11, bairro Água Fria.(Fortaleza-CE)
Telefone: (85) 3081 4873
fonte - http://www.opovo.com.br/app/opovo/cienciaesaude/2013/02/16/noticiasjornalcienciaesaude,3006117/e-preciso-perder-o-medo-mutuo-entre-escola-e-autistas.shtml
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O AUTISMO NÃO É APENAS UMA DOENÇA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/06/o-autismo-nao-e-apenas-uma-doenca.html

domingo, 17 de fevereiro de 2013

AUTISMOS/ASPERGER - Mãe cearense indaga sobre Síndrome de Asperger

"Meu filho tem asperger, sim. Qual o problema?"

Nada de preconceitos. É preciso conhecer melhor a Síndrome de Asperger para entender que os "aspies" precisam mesmo é de atenção, de compreensão, de cuidado, de paciência e de sorrisos. Muitos sorrisos

Quem observa Levi, 6, abraçado ao irmão Davi, 4, não tem ideia do significado vitorioso do gesto para os pais. Com dois anos, o menino Levi “ainda não falava, era extremamente nervoso, passava o tempo todo rodando ao redor de uma lâmpada, ficava dois dias sem dormir, tinha crises todos os dias, com movimentos repetitivos, batendo a cabeça na parede, não olhava nos olhos, detestava o toque”, descreve a mãe - a assistente social, Cristiane Bastos Andrade, 42. Até chegarem ao diagnóstico de Síndrome de Asperger para Levi, e o “milagre de bom desenvolvimento dele, nos últimos anos”, a peregrinação foi grande. O irmãozinho, Davi, de quatro anos, está com suspeitas de ter o mesmo diagnóstico, mas os pais já estão mais bem preparados. “No começo, você tem vontade morrer. As pessoas olham também como se fosse o fim, mas, agora, sabemos que não é bem assim”, pondera Cristiane.Na busca por explicações para o comportamento inicial do filho, os pais se depararam com o diagnóstico de esquizofrenia. “Foi muito doloroso. Chegaram a nos dizer que ele jamais estudaria e que eu me conformasse porque chegaria um dia em que eu teria que amarrá-lo no fundo do quintal”. Grávida do filho mais novo, o marido e ela decidiram não se acomodar e continuaram buscando ajuda.Aos dois anos e meio de Levi, encontraram médicos que souberam analisar melhor o caso. “Primeiro, nos falaram do autismo, logo depois disseram que ele tinha Asperger. Você fica preocupada, claro, mas depois vem o alívio porque, a partir dali, a gente sabe que vai saber cuidar dele”, narra Cristiane. E vieram as melhoras: a fala, o controle das crises, o desenvolvimento na escola. “Uma das grandes felicidades foi quando ele deitou com a gente na cama pela primeira vez, aos três anos. Ele nunca deixava a gente abraçar, tocar nele. Aquele momento foi marcante”, relembra.A atenção ao mais novoEnquanto cuidavam do filho mais velho, não se davam conta de que o mais novo também apresentava atrasos. “Os médicos chamaram atenção da gente porque o Davi não falava aos três anos”. Eles explicam que nenhum diagnóstico está fechado ainda, mas, com algumas diferenças do quadro que o irmão apresentara, é provável que Davi também tenha Asperger. O neurologista André Luiz Pessoa adianta que por Síndrome de Asperger apresentar muitas características que possibilitam evoluções relevantes de tratamento, ao longo dos anos, é possível que o diagnóstico não seja mais considerado um transtorno de espectro autista. Algumas mães ouvidas por O POVO reforçam que, ainda que os filhos tenham sido diagnosticados como Asperger, eles têm pouco do autismo clássico. “Já se sabe muita coisa, mas ainda há muito a ser descoberto sobre eles”, avalia o médico André Luiz. Cristiane, mãe de Levi e Davi, diz, inclusive, que Levi já está mais sociável e os carinhos lhe são muito, muito mais bem-vindos que antes. “Não apenas meu filho, mas os ‘aspies’ que eu conheço são crianças doces, carinhosas”.A diferença dos filhos diante das outras crianças não esmorece Cristiane e o marido. “Passamos a compreender a força do amor e o milagre que ele pode fazer. A pior coisa é negar que existem problemas. Não pode. Hoje, quando me perguntam se há algo errado com Levi, eu respondo. ‘Meu filho tem Asperger sim. Qual o problema?’. Porque aprendi que são as características deles, não são defeitos. É o jeito deles. Se você nega, você não cuida. Se não cuida, eles sofrem. E isso é o que eu menos quero”, ensina Cristiane. (Sara Rebeca Aguiar)Saiba maisAssociação Cearense da Síndrome de Asperger (Ascesa)Foi criada em setembro de 2011. Pais e familiares reunem-se no primeiro sábado de cada mês para o acolhimento das angustias e troca de experiências das dificuldades enfrentadas pelas crianças em seu processo de adaptação aos padrões exigidos pela sociedade. Seus membros discutem constantemente estratégias com escolas e outros ambientes de convivência das crianças, para que eles sejam locais de inclusão. Atualmente, a Ascesa está em processo de preparação do site da Associação e da 1ª Jornada Cearense da Síndrome de Asperger, prevista para iniciar no próximo dia 1º de junho. Como ainda não tem sede própria, as reuniões são realizadas na clínica Althea, na rua Martinho Rodrigues, 191, Bairro de Fátima (Fortaleza).A Síndrome de Asperger é mais comum do que imaginamos. Problemas para interagir socialmente e para entender o sentimento do outro são as características mais fortes de quem possui a síndrome. É preciso conhecimento para combater o preconceito.Fonte - http://www.opovo.com.br/app/opovo/cienciaesaude/2013/02/16/noticiasjornalcienciaesaude,3006100/meu-filho-tem-asperger-sim-qual-o-problema.shtmlLEIA MAIS SOBRE O TEMA NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - ASPERGER UMA SÍNDROME DE MENTES BRILHANTES OU NÃO? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/11/asperger-uma-sindrome-de-mentes.html