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quinta-feira, 13 de junho de 2013

CRIANÇAS/GUERRAS - Relatório aponta a situação dramática de crianças na SÍRIA e MALI

Conflitos armados criam ameaças sem precedentes para as crianças

Relatório sobre o tema foi apresentado pela representante especial do Secretário-Geral, Leila Zerrougui; documento inclui exemplos de dezenas de países, como Síria e Mali. 

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

(imagem- foto colorida de Leila Zerrougui, uma mulher de óculos falando em um microfone - fotografia da matéria ONU)
Crianças vivendo em meio a conflitos armados enfrentam "ameaças sem precedentes", como recrutamento, violência sexual, assassinatos, mutilação e ataques contra hospitais e escolas.
Essas graves violações estão no último relatório anual sobre crianças e conflitos armados, divulgado na quarta-feira pela representante-especial do Secretário-Geral para o tema.
Preocupação
Segundo Leila Zerrougui, em 2012 o mundo viu situações "preocupantes na Síria, Mali e República Centro Africana". O relatório traz informações sobre esses e outros 18 países.
O Exército de Resistência do Senhor também é citado no documento, já que suas ações tem impacto na vida das crianças da República Democrática do Congo, República Centro Africana e Sudão do Sul.
Lista
O relatório lista 55 grupos ou forças armadas responsáveis pelo recrutamento de crianças durante os conflitos, violência sexual e assassinatos.
O Secretário-Geral Ban Ki-moon diz no documento que o peso dos conflitos nas crianças é "inaceitável e intolerável" e apela aos governos para o fim imediato de bombardeios em áreas civis.
Sobre a Síria, a ONU recebeu relatos de crianças mortas ou feridas por bombas, atiradores, usadas como escudo humano ou vítimas de "táticas de terror". Meninos de apenas 10 anos foram recrutados por grupos armados.
Escolas
Milhares de crianças sírias sofrem com ataques a escolas, hospitais e casas. Até o fim de fevereiro, 69 professores foram assassinados e mais de 2,4 mil escolas foram danificadas. Em algumas áreas, as crianças não frequentam a escola há mais de um ano e meio.
Leila Zerrougui disse que planeja ir para a região no fim do mês e deve visitar a Síria, Jordânia, Líbano, Iraque e Turquia.
No Mali, ataques de grupos armados no norte do país deixaram 86% dos estudantes fora da escola. Centenas de crianças, a maioria meninos de 12 a 15 anos, lutaram em conflitos. E mais de 200 meninas foram estupradas ou forçadas a casar.
Ao apresentar o relatório, Leila Zerrougui também ressaltou a importância do fim da impunidade para essas graves violações contra crianças e de levar os responsáveis à justiça.
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UMA VIOLÊNCIA COTIDIANA E BANAL? A VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/06/uma-violencia-cotidiana-violacao-de.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

GUERRAS/INFÂNCIA - As principais vítimas de abusos sexuais são as Crianças nas guerras (Save the Children)

Crianças são as principais vítimas de violação e outros abusos sexuais em zonas de conflito 
Relatório da organização Save the Children revela "os horrores escondidos da guerra".

(imagem - foto colorida com duas crianças negras, africanas, de costas, com um cenário de ruínas à sua frente, com roupas que demonstra sua situação de violência social e pobreza - fotografia de Finbarr O'Really-Reuters)

Em algumas zonas de conflito, como a Libéria e a Serra Leoa, mais de 70 por cento das vítimas de violência sexual são crianças, alerta a organização não-governamental Save the Children. Há relatos de bebés de dois anos abusados sexualmente por professores, líderes religiosos e elementos de forças de manutenção da paz.

No relatório "Unspeakable Crimes Against Children – Sexual Violence in Conflict" (Crimes Indizíveis Contra as Crianças – violência sexual em conflitos), divulgado nesta semana, a associação britânica descreve a violência sexual exercida sobre as crianças em zonas de conflito como "os horrores escondidos da guerra". De acordo com o documento, a maioria das vítimas de abusos sexuais nestas regiões são crianças.

O relatório está cheio de testemunhos de violações em países como o Mali, a República Democrática do Congo, a Somália ou a Colômbia, entre outros. "A rapariga que eles levaram tinha 16 anos. Estavam fardados, estavam todos vestidos da mesma forma. Taparam-lhe os olhos para que ela não os reconhecesse. Tinham armas. Eram cinco e obrigaram-na a dormir com eles. Não lhe bateram, mas desonraram-na", conta a maliana Maimouna, que descreve o sequestro e a violação de uma amiga.

"É chocante que em zonas de conflito em todo o mundo haja crianças a serem violadas a este ritmo alarmante", disse à agência Reuters o diretor executivo da Save the Children, Justin Forsyth. "A violência sexual é um dos horrores escondidos da guerra e está a destruir vidas", lamentou o responsável.

Na República Democrática do Congo, por exemplo, quase dois terços dos casos de abusos sexuais registados pela ONU em 2008 envolveram crianças, a maioria adolescentes do sexo feminino.

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ADEUS ÀS ARMAS - Sem Tiros no Futuro ou Cem tiros? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/05/adeus-as-armas-sem-tiros-no-futuro-ou.html

domingo, 24 de março de 2013

GUERRA/CÉREBRO - Pesquisa comprova dano a áreas do SNC de soldados dos EUA no Iraque

Cérebro dos veteranos revela pistas sobre Síndrome da Guerra do Golfo
Equipa de investigadores analisou cérebro de soldados da guerra de 1990-1991 e encontrou uma região danificada que está associada à percepção e dor.

(Imagem - um soldado da Guerra do Golfo com suas armas aparece através de um vidro quebrado por uma bala, sem nitidez para seu rosto, apenas para a arma - pesquisa em imagens publicadas na Internet) 

No final da Guerra do Golfo houve um mal que muitos soldados trouxeram para casa caracterizado por dores crônicas  fadiga, disfunções cognitivas a que se chamou de Síndrome da Guerra do Golfe. Passados mais de 20 anos, uma equipa de investigadores conseguiu associar mudanças físicas no cérebro de alguns veteranos que sofrem deste problema. O trabalho foi publicado na revista PLoS One na semana passada.

Entre 1990 e 1991 centenas de milhares de soldados foram colocados no Médio Oriente na guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque. Mais de um quarto dos 697.000 soldados mobilizados voltaram com uma panóplia de problemas de saúde que afetam desde o sistema digestivo até ao sistema cognitivo. Muitos deles sentem dores em atividades normais.

Embora estes soldados tenham estado expostos a vários químicos como agentes nervosos, pesticidas, herbicidas, nenhuma substância foi associada de uma forma definitiva a todos estes casos. Ainda assim, investigadores da Universidade de Georgetown, Washington, nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez ter aquilo que parece ser uma base neuro-anatômico da doença.

A equipa liderada por James Baraniuk analisou os cérebros de 31 veteranos com esta síndrome e comparou-os com 20 pessoas que serviram como controlo. Os resultados dos exames de ressonância magnética mostraram que os veteranos tinham danos significativos nos axônios – os longos filamentos das células nervosas que transmitem impulsos eléctricos de modo a que a informação seja passada entre as várias regiões do cérebro.

A região onde estes axônios se encontravam afetados no caso dos veteranos de guerra estava numa parte do lobo frontal do cérebro associado à dor mais intensa e à fadiga. “Esta via de neurônios está envolvida na fadiga, na dor, no processamento emocional e de recompensa. Esta via também suporta a atividade na rede de atenção, que procura por sinais inesperados no ambiente envolvente que podem ser interpretados erradamente como fontes de perigo ou causadores de dor”, explica num comunicado Rakib Rayhan, um dos autores do estudo.

O trabalho foi financiado pelo Departamento de Defesa norte-americano. Os resultados parecem, para já, distintos do que se observa no caso de doenças como a esclerose múltipla, a depressão, a doença de Alzheimer ou outras doenças neurodegenerativas. Um dos objetivos agora é tentar encontrar uma terapia.

“A dor e a fadiga são percepções, tais como outras entradas sensoriais, e a Síndrome da Guerra do Golfo pode ser causada pelo dano extensivo das estruturas que facilitam este sistema”, diz Rayhan. “Alguns destes veteranos sentem dores quando fazem alguma coisa tão simples como pôr uma t-shirt. Agora temos alguma coisa que lhes pode explicar porque é que as suas vidas foram tão fortemente afetadas.”

FONTE - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/existem-mudancas-no-cerebro-associadas-ao-sindrome-da-guerra-do-golfo-1588954
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TIROS REAIS EM REALENGO - a violência é uma péssima pedagoga http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/04/imagem-publicada-imagem-de-bracos-e.html



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CINEMA@REALIDADE - A Hora Mais Escura e a naturalização da Tortura

A Hora Mais Escura reflete a América na guerra contra o terror


(imagem - foto colorida com uma mulher branca, norteamerica, de braços cruzados que tem sua sombra projetada em quadro onde a bandeira dos EUA está emoldurada.) 
Nas mais de 2 horas e meia de “A Hora Mais Escura”, sua protagonista Maya (Jessica Chastain), uma agente da CIA à caça de Osama bin Laden, nunca fala em capturar o terrorista. Sua clara intenção é somente uma: matar o líder da Al-Qaeda. Uma obsessão de morte que pode ser vista como espelho, no qual Maya se torna o reflexo daquilo que caça. Em seu terninho preto, dispondo de amplo aparato logístico e usando técnicas de tortura, ela personifica uma versão ocidentalizada do jihad islâmico. Não quer servir apenas como o escudo que defende, mas ser a espada flamejante que vinga os mortos da nação.
A personagem Maya, que Jessica Chastain (“A Árvore da Vida”) interpreta com devotado equilíbrio, talvez seja o principal elemento do filme sobre o qual recaia o peso de refletir a América em guerra contra o terror. Logo no início, vemos seu desconforto diante de uma sessão de tortura. Mas esse desconforto não impede que mais adiante ela mesma se mostre dura com o sofrimento do prisioneiro, por saber que ele tem a informação que ela precisa. Uma postura determinada que passa por cima do desconforto e revela sutilmente o abismo moral de sua conduta.
Depois de ter arrebatado seis Oscars em 2010 com seu “Guerra ao Terror” (incluindo Melhor Filme e Melhor Direção), a diretora Kathryn Bigelow abandona a aproximação quase intimista que havia no drama dos soldados de um esquadrão antibombas em operação no Iraque. Desta vez, Bigelow faz todo esforço possível para se manter distante e neutra, construindo um retrato que mescla fatos reais com cinema, ao retratar a caçada verídica ao terrorista Osama bin Laden.
Por isso, “A Hora Mais Escura” se aproxima do tom documental, especialmente no que se refere à sua montagem. Esta opção cria dois problemas. O primeiro diz respeito à polêmica. Pois no tom documental há uma clara omissão da diretora em emitir juízo de valor no que se refere às torturas mostradas no filme. Tem-se um registro frio de situações que aconteciam na época, o que não deixa de refletir a proposta. O segundo problema é que a opção resulta num filme frio, bastante prolixo e que sintetiza de forma irreal a passagem de tempo.
O aspecto prolixo já se prenuncia na extensa duração do filme. Por sua vez, a montagem encontra dificuldades em dar sentido a um registro que quer cobrir um largo espaço de tempo e de locais, mas que é apresentado de forma a dar poucos subsídios para o espectador assimilar onde e quando está ocorrendo o que se vê na tela. Não que as informações sejam omitidas, mas a dinâmica da ação tende a suprimir a noção do tempo despendido.
Um exemplo dessa deficiente amarração fica claro numa sequência em que agentes tentam localizar um suspeito através do seu sinal de celular. É elementar, pelos diálogos entre os agentes, que toda a operação levou meses para ser concluída. No entanto, a montagem realizada passa ao espectador uma sensação de poucos dias, o que causa certa discrepância entre o que se vê (a sensação de temporalidade que a imagem deve passar) e o que se sabe através dos diálogos.
Há também um número razoável de cenas que nada acrescentam ao andamento do filme. Servem, algumas vezes, para tentar criar empatia com algum personagem. Novamente sente-se a discrepância dessa opção em contraste com o tom sempre frio, quase distante, que o filme adota. Essas aproximações apenas travam a narrativa, roubando sua fluidez.
Por outro lado, “A Hora Mais Escura” funciona bem ao criar uma perspectiva da burocracia e dos intermináveis níveis hierárquicos da espionagem americana. Nesse aspecto, tem-se uma boa noção do emaranhado do poder, desde o campo de ação até a dependência de uma decisão presidencial. Em seu registro de bastidores da caçada ao homem mais procurado do mundo, o filme é bastante eficaz. Mesmo com problemas estruturais, serve como registro de um momento histórico.
A cena final, que pode dar a impressão de humanizar sua protagonista para além de sua obsessão em matar Osama bin Laden, é um ótimo reflexo daquilo que Maya simboliza, ainda que muito sutilmente. Há algo de humano em sua reação, mas também há algo de vazio no modo como ela encerra sua jornada.
O que parece ser alívio pode ser também o surgimento de um vácuo. Um vazio a ser preenchido. Mesmo com a missão cumprida. O que talvez seja a grande questão proposta ao fim da exibição.
FONTE - http://pipocamoderna.com.br/a-hora-mais-escura-reflete-a-america-na-guerra-contra-o-terror/232250