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sábado, 30 de maio de 2015

RACISMOS/PSICOLOGIA - Os preconceitos podem ser apagados dos nossos cérebros?

Racismo e machismo podem ser apagados do cérebro

Psicólogos eliminam o preconceito racial ou de gênero durante o sono ou com choques

(imagem - a foto da matéria com o ator que representava Alex, submetido a uma máquina que lhe abria os olhos com garras e muitos eletrodos fixados na sua cabeça com uma tira que prende a mesma, no filme de Kubrick, Laranja Mecânica, citado abaixo)

No filme Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971), o protagonista é Alex, um jovem violento e sádico interpretado por um genial Malcolm McDowell. Cansado de seus espancamentos, roubos e estupros, a polícia o coloca nas mãos de sinistros médicos que injetam uma espécie de soro do bom cidadão. Para ativá-lo, submetem o rapaz a eternas sessões de imagens violentas. Finalmente conseguem que Alex sinta aversão à mera possibilidade de matar uma mosca. Mas os cientistas reais não são tão maquiavélicos: bastam para eles 90 minutos de um cochilo ou suaves descargas para apagar o machismo ou o racismo do cérebro.

São poucas as pessoas que, conscientemente, se declaram hoje machistas ou racistas. No entanto, a rejeição ao outro está na base da biologia humana. Entre os seres humanos, a suspeita contra quem não é do grupo é um extra da sobrevivência. Hoje, a cultura suavizou esse preconceito, mas mesmo que inconsciente, ele ainda está lá. Isso fica demonstrado pela tendência a contratar um homem, em vez de uma mulher, ou nos casos persistentes de violência policial contra as minorias étnicas.

Para medir esse viés, psicólogos norte-americanos criaram, há mais de uma década, o Teste de Associação Implícita (TAI). Trata-se de um jogo no qual é preciso ligar imagens com palavras, como uma imagem de uma pessoa de raça negra com termos positivos ou negativos. E isso deve ser feito o mais rápido possível, sem pensar. Seu objetivo é distrair o cérebro para enfraquecer sua capacidade de resposta consciente e deixar aflorar o que você realmente sente pelo outro. Na edição espanhola, por exemplo, é possível fazer o teste Negro-Branco, Madri-Catalunha, Jovem-Velho... Uma advertência, você pode não gostar dos resultados.
Agora, pesquisadores da Universidade Northwestern (EUA) usaram uma versão da TAI com 40 alunos, a metade homens e a metade mulheres, todos brancos. Mas seu objetivo não era verificar o seu viés social contra negros ou de gênero, mas se era possível desaprender esse preconceito. Primeiro confirmaram a validade do teste. Metade dos alunos viu imagens de negros e brancos associadas a palavras negativas ou positivas. À outra metade, foram mostradas fotos de casais de meninos e meninas, com termos relacionados com a ciência ou arte e literatura. Em uma escala de zero (sem preconceito) a 1 (preconceito máximo), a pontuação média foi superior a 0,55.
Após o treinamento, os psicólogos mostraram os resultados aos participantes e pediram para que repetissem o teste, mas com a cabeça, pensando a relação entre imagens e palavras e escolhendo as não discriminatórias. Quando acertavam, o programa emitia um som. No final da tarefa, os voluntários foram convidados a dormir durante 90 minutos. O objetivo não era que descansassem, mas aplicar o que a ciência chama de consolidação das memórias através do sono. Além de reparar, o sonho é o mecanismo que o cérebro usa para fixar na memória ou descartar as experiências e lições do dia.
Quando os rapazes estavam na fase do sono de ondas lentas, ou sono profundo, os pesquisadores começaram a emitir para metade deles o mesmo som que tinham ouvido quando associavam negros com palavras boas ou mulheres com termos de ciência. Ao acordarem, como é explicado na revista Science, eles repetiram o TAI. Comprovaram que suas pontuações de preconceito tinham diminuído para 0,17, mas apenas aqueles que tinham sido embalados pelo som. Os outros mostraram a mesma pontuação.
“Nós chamamos isso de reativação dirigida de lembranças, porque os sons reproduzidos durante o sono podem melhorar a memória para a informação reforçada com estímulos do que sem estímulos”, diz em um comunicado o diretor do Programa de Neurociência Cognitiva da Northwestern, Ken Paller. Estudos anteriores tinham mostrado que, durante o sono, era possível estimular o cérebro para fixar conhecimentos e que isso poderia ser associado a estímulos sensoriais, como odores ou sons. Mas, desta vez, foram excluídos os preconceitos de gênero ou de raça.
A coisa mais surpreendente é que essa lavagem cerebral parece persistente. Depois de uma semana, os jovens repetiram os dois exames. Aqueles que não foram estimulados com o som não variaram seus resultados. Mas os que tiveram suas memórias reforçadas durante o sono com o som ainda mostraram uma redução de estereótipos, embora menor do que quando acordaram do primeiro sono.
“É surpreendente que a intervenção sobre o sono ainda possa ter um impacto claro, mesmo uma semana depois”, comenta o principal autor do estudo, Xiaoqing Hu. “Poderíamos esperar que uma única e breve intervenção não fosse forte o suficiente para ter um impacto duradouro e que seria melhor usar mais sessões e treinamento, mas nossos resultados mostram como a aprendizagem, mesmo desse tipo, depende do sono”, acrescenta.

Choques contra o racismo

O estudo não explica o que acontece no cérebro para reduzir o preconceito contra outros. Mas outro trabalho publicado este mesmo mês pode dar algumas pistas. Usando o mesmo Teste de Associação Implícita, psicólogos do Instituto para o Cérebro e a Cognição da Universidade de Leiden (Países Baixos) mediram o preconceito contra os norte-africanos entre um grupo de estudantes holandeses. Mas, neste caso, eles foram curados do racismo com choques elétricos.
Como explicado na revista Brain Stimulation, os 60 participantes foram divididos em três grupos. Todos tiveram que fazer um TAI no qual tinham que relacionar nomes holandeses ou do norte da África com palavras positivas (paz, amor...) ou negativas (dor, tristeza...). Os pesquisadores fizeram com que os estudantes acreditassem que o objetivo do estudo era avaliar a tomada de decisão durante estimulação transcraniana de corrente direta, uma técnica que ativa ou apaga certas áreas do cérebro aplicando uma corrente elétrica de baixa intensidade que, no máximo, causa alguma queimação ou cócegas.
Na realidade, apenas metade dos participantes receberam os choques enquanto realizavam o teste durante 20 minutos. O resto recebeu a corrente por alguns segundos, embora acreditaram que continuavam ligados o resto do tempo. Os psicólogos colocaram eletrodos no córtex pré-frontal, a área do cérebro implicada no controle cognitivo, como uma porta de entrada para o inconsciente.
Comprovaram que, em comparação com aqueles que receberam o estímulo falso, os participantes cujo cérebro recebeu o estímulo elétrico, mostravam uma redução significativa do preconceito racial. Para os autores, isso sugere que ao excitar o córtex pré-frontal, os indivíduos podem controlar suas atitudes implícitas e pensamentos mais profundos. No entanto, esse mecanismo contra o racismo só funciona com o uso dos eletrodos.
Os resultados dos estudos ainda são preliminares. É necessário estudar mais quanto tempo duram os efeitos e como podem ser influenciados pelo ambiente social; e descobrir o mecanismo cerebral exato que leva a essa mudança. Além disso, segundo escreveram na revista Science Gordon Feld y Jan Born, psicólogos da Universidade de Tubinga, há o dilema ético: é aceitável modificar pensamentos e comportamentos indesejáveis?
fonte - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/28/ciencia/1432828182_745841.html
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SAÚDE, BIOÉTICA E POLÍTICA – Vendem-se corpos e compram-se consciências? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/04/saude-bioetica-e-politica-vendem-se.html

RAÇA, RACISMO E IDEOLOGIA: ZUMBI ERA UM VÂNDALO, UM BLACK O QUÊ? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/11/raca-racismo-e-ideologia-zumbi-era-um.html

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

VIOLÊNCIA/PREVENÇÃO - Brasil tem 10.% de homicídios ocorridos no mundo e o Relatório da ONU

Dados da ONU mostram que 10% dos homicídios mundiais ocorrem no Brasil

(imagem - a representação de uma flor vermelha, uma margarida, com suas pétalas sendo despedaçadas à direita, como se atingida por uma bala,  como capa do Global Status Report on Violence Prevention 2014, o Relatório Global sobre a Situação da Violência no mundo em 2014 da Onu)

Cerca de 475 mil pessoas foram vítimas de homicídio em 2012, sendo que as Américas foram a região com o maior índice a cada 100 mil habitantes: 28,5%.
Os números são um dos destaques de um relatório inédito sobre prevenção global da violência, divulgado esta quarta-feira por três agências da ONU.
Foram 133 países analisados, incluindo o Brasil. O estudo cita mais de 47 mil casos de homicídios no país em 2012, cerca de 10% do total global. O resultado é muito maior que os 10 mil casos registrados em países de baixa e média rendas da Europa no mesmo ano
Assista à reportagem de Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York, para o Jornal da Globo News.
fonte - http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2014/12/dados-da-onu-mostram-que-10-dos-homicidios-mundiais-ocorrem-no-brasil/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
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A PERFEIÇÃO RACIAL E A DESTRUIÇÃO NASCEM NO MESMO NINHO...http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2014/07/a-perfeicao-racial-e-destruicao-nascem.html


terça-feira, 6 de maio de 2014

POLIOMIELITE/EPIDEMIAS - OMS lança alerta sobre a emergência internacional da Pólio

Disseminação da pólio é emergência pública internacional, diz OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a disseminação da pólio é uma emergência pública de saúde internacional.
Ativista aplica vacina contra pólio em criança de Aleppo, na Síria (Reuters)
(imagem - foto colorida de uma menina síria, em Alleppo, zona de guerra permanente, recebendo a vacina anti-pólio, apenas uma gota que pode lhe mudar o futuro todo, para além da guerra, como em todos os outros locais onde a poliomielite voltou com força total....apenas um mão estendida de um ativista, mas que precisa de urgentemente ter outras em ação contra a pólio - fotografia reuters)

O surgimento de casos na Ásia, África e Oriente Médio, segundo a agência, é um "evento extraordinário" e é necessária uma "resposta internacional" coordenada.
"As condições para uma emergência pública de saúde internacional foram alcançadas", afirmou Bruce Aylward, diretor-geral assistente da organização.
Aylward deu a declaração depois da reunião de emergência da semana passada, ocorrida em Genebra, que discutiu justamente a doença e incluiu representantes dos países afetados.
"A disseminação internacional da pólio em 2014 constitui um 'evento extraordinário' e um risco para a saúde pública para outros países para o qual uma resposta coordenada internacional é essencial", informou o Comitê de Regulação de Emergência da OMS em uma declaração oficial.
"Se não for controlada, esta situação poderá resultar no fracasso da erradicação global de uma das mais graves doenças que podem ser evitadas com vacinas."
A OMS afirma que países como Paquistão, Camarões e Síria representam "a maior ameaça de maior exportação do vírus da pólio em 2014".
A agência recomendou que cidadãos dos países afetados pela doença que forem viajar para o exterior levem certificados e provas de que foram vacinados.
Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, esta é a segunda vez na história da OMS que a agência faz este tipo de declaração. A primeira vez ocorreu durante a epidemia de gripe suína em 2009.
A pólio é uma doença infecciosa causada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode chegar a causar paralisia total.
Em um em cada 200 casos, essa paralisia é irreversível. As principais vítimas são crianças até de cinco anos.

Violência

O vírus da pólio é considerado endêmico em três países: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Mas os ataques e violência contra as campanhas de vacinação, ocorridos principalmente no Paquistão, permitiram que o vírus se espalhasse através das fronteiras.
A Síria, que havia 14 anos não registrava casos, voltou a ser infectada com o vírus vindo do Paquistão.
Os refugiados estão fugindo da Síria para a Jordânia, Líbano e Turquia e checar se todos eles foram vacinados será impossível, afirmou a correspondente da BBC em Genebra.
Segundo a OMS, no total são dez países infectados pela pólio: Afeganistão, Camarões, Guiné Equatorial, Etiópia, Iraque, Israel, Nigéria, Paquistão, Somália e Síria.

No Brasil

O Brasil, assim como todos os países das Américas, faz parte do grupo de países que não registram casos de pólio há mais de uma década, segundo a OMS.
Segundo o Ministério da Saúde, não há registro de casos de poliomielite no Brasil desde 1990.
"Além disso, o país possui certificado da Organização Mundial de Saúde (OMS) de eliminação da doença e, anualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza campanhas de vacinação, com coberturas superiores a 95%, o que confere alto grau de proteção à população brasileira", afirmou o Ministério em nota enviada à BBC Brasil.
"Em relação ao comunicado da OMS, o documento não faz restrição de viagens para os países que tiveram circulação do vírus nos últimos meses. Entretanto, recomendamos aos brasileiros que queiram visitar estes países que mantenham atualizada a caderneta de vacinação. A vacina contra a poliomielite é ofertada gratuitamente nos postos de saúde."
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/05/140505_polio_epidemia_alerta_fn.shtml

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CRIANÇAS/VIOLÊNCIAS - Aplicativo do "Projeta Brasil" ajuda a combater violência contra crianças e adolescentes

Aplicativo para celular contribui no combate à violência

“Proteja Brasil” está disponível para download na Apple Store e no Google Play

(imagem - foto colorida de uma criança com um casaco azul no canto direito tendo atrás dele uma "sombra" de uma mão, como simbolização de possibilidade de agressão ou violência contra essa criança - fotografia de ilustração da matéria na internet)

A parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Secretarias de Direitos Humanos (SDH) e Centro de Defesa da Criança e do Adolescente da Bahia (CEDECA) resultou na criação do “Proteja Brasil”, um aplicativo desenvolvido pela Ilhasoft para smartphones e tablets, que poderá ajudar os brasileiros no combate à violência contra crianças e adolescentes.
De maneira bem simples, o aplicativo apresenta informações sobre os tipos de violência e indica ao usuário os telefones e endereços de delegacias, conselhos tutelares e organizações daquele local que ajudam a combater a violência contra crianças e adolescentes nas principais cidades brasileiras. Nas demais localidades, é indicado o Disque 100. Para as denúncias feitas no interior, são oferecidos os telefones e endereços das Embaixadas e Consulados do Brasil.
O aplicativo “Proteja Brasil” está disponível para download na Apple Store e no Google Play.

Violência
A violência é caracterizada por qualquer situação que coloque em risco o desenvolvimento pleno da criança ou do adolescente, como o abandono, discriminação, agressões físicas e psicológicas, trabalho infantil, abuso e exploração sexual.
Diariamente, vários meninos e meninas sofrem essas violências dentro e fora de suas casas e a maioria dos casos nem chega a ser denunciado.
Para fazer a denúncia, use o Disque 100 ou procure uma delegacia, conselho tutelar ou organização de combate mais próxima. 

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UMA VIOLÊNCIA COTIDIANA E BANAL? A VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/06/uma-violencia-cotidiana-violacao-de.html


domingo, 24 de novembro de 2013

SAÚDE MENTAL/MANICÔMIOS - Descoberta de celas de tortura revela o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil em BH

Hospital psiquiátrico infantil abrigou salas de tortura em BH

Hospital psiquiátrico infantil abrigou salas de tortura em BH
(imagem - foto de uma cela forte, um cubículo, agora em escombros, que servia para o castigo e a reclusão de pessoas, jovens com sofrimento psíquico, durante longo tempo, como parte da história de um manicômio, mais um, em Minas Gerais - fotografia colorida de Priscila Musa)

Mais que o glamour de um prédio de arquitetura neoclássica, o casarão construído na rua Manaus, 348, no bairro Santa Efigênia, esconde uma fase de clausura, terror e sofrimento de pequenos internos entre os anos 1947 e 1979 – período no qual a edificação abrigou um Hospital de Neuropsiquiatria Infantil.
Este é um espaço de sofrimento e essa história precisa ser contada”, exige, comovido, um ex-paciente do hospital, que pede anonimato. Já aposentado, o homem revela que foi internado na unidade de saúde aos 5 anos de idade.
“Eu só estou vivo porque consegui fugir pelo telhado. Eu ouvia os gritos das pessoas e muitas vezes passei pelo eletrochoque”.

Memória
Entre os escombros do casarão, que ficou fechado por quase duas décadas, há um corredor de 182 metros de extensão localizado no primeiro andar. Lá, são encontrados cômodos de aproximadamente 15 metros quadrados, com paredes cheias de rabiscos de pequeninas mãos, nomes e desenhos. Não há circulação de ar porque as janelas foram lacradas com tijolos. Um ambiente que causa desconforto físico e moral - tortura, segundo definição no dicionário da Academia Brasileira de Letras.

No final do corredor há outra pequena abertura. A partir dela, descobre-se um labirinto que chega em novas celas, algumas com grades nas janelas lacradas com cimento. Frascos de remédio, ferramentas, sapatos de criança e brinquedos estão espalhados pelo chão.
Eu não apanhava tanto porque ficava muito quieto, mas as crianças mais agitadas iam para o primeiro andar. Algumas não voltavam mais. Os médicos diziam que a família os tinham buscado, mas eu nunca soube se isso era verdade”, conta o ex-interno.

O presidente da Fundação Mineira de Psiquiatria, Maurício Leão, afirma que ambientes insalubres, como os descritos acima, podem prejudicar a saúde mental. “É por isso que hoje a vigilância sanitária é tão severa em suas fiscalizações”.

Descoberta
O desvendar desse espaço até então desconhecido só começou a ser feito há 30 dias, quando artistas e intelectuais ocuparam o casarão, batizado de Espaço Comum Luiz Estrela .Logo nos primeiros dias, criou-se um grupo composto por uma arqueóloga, um historiador e uma arquiteta. Imediatamente eles fecharam a entrada para os espaços apontados como sítio arqueológico urbano.

“Cada cômodo que encontramos é como um arquivo com documentos. É preciso avaliar com cuidado um a um, em um trabalho que exige minúcia e responsabilidade”, explica a arqueóloga Camila Jácome. Como legítimo guardião da memória, o grupo trabalha em um projeto de pesquisa que será apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos próximos dias.

Eletrochoques eram comuns

A partir dos anos 1930 e até o fim da década de 1970, tratamentos como a lobotomia e o eletrochoque eram comumente utilizados em hospitais psiquiátricos. O presidente da Fundação Mineira de Psiquiatria, Maurício Leão, reitera no entanto que ambos são tratamentos que contribuíram para a evolução da medicina. “Em alguns casos, evidentemente, esses tratamentos foram usados com recursos e de maneira distorcida, mas têm em sua essência o dever de contribuir para a qualidade de vida do ser humano”, explica ele. Hoje a psicocirurgia é considerada como a evolução da lobotomia e o eletrochoque ainda é utilizado em muitos casos.


LEIA TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET SOBRE SAÚDE MENTAL -   

OS MORTOS-VIVOS DO HOSPICIO QUE ENSINAVAM AOS VIVOS SOBRE A VIDA NUA... BARBACENAS NUNCA MAIS! http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/10/os-mortos-vivos-do-hospicio-que.html

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

VIOLÊNCIA/DADOS - A ONU apresenta relatório sobre a América Latina com taxa de homicídios

ONU: América Latina é única região do mundo com aumento de homicídios


A América Latina é a única região do mundo onde o número de homicídios subiu entre 2000 e 2010, com 11 países com taxas consideradas "epidêmicas" pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e um milhão de vítimas de violência criminal em uma década. Essas informações foram divulgadas nesta terça-feira, no relatório apresentado nas Nações Unidas, em Nova York. O Brasil aparece na lista.
"Entre 2000 e 2010, a taxa de homicídios da região cresceu 11%, enquanto que, na maioria das regiões do mundo, caiu ou se estabilizou. Em uma década, mais de um milhão de pessoas morreram na América Latina e no Caribe por causa da violência criminal", alerta o estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Essa "epidemia de violência, acompanhada pelo crescimento e difusão dos crimes, assim como pelo aumento do temor entre os cidadãos" acontece, apesar de a América Latina "mostrar hoje em dia economias mais fortes e integradas, menos pobreza e democracias mais consolidadas", acrescenta o documento.
"Na última década, a América Latina foi cenário de duas grandes expansões: a econômica e a criminosa", resume o estudo de 285 páginas e que oferece uma visão regional da segurança cidadã para 18 países, do México à Argentina, passando pela República Dominicana.
Segundo os dados coletados, 11 países (Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Venezuela) apresentam um "alto nível" de homicídios, com taxas superiores a 10 em cada 100 mil habitantes. Esse percentual é considerado como um "nível de epidemia" pela OMS. Abaixo dele, estão os outros sete países analisados: Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Nicarágua, Peru e Uruguai.
O país com o menor índice de homicídio é o Chile, com 2 a cada 100 mil habitantes. Honduras lidera a lista, com 77,5, enquanto México registra 23,8, e o Brasil, 15,5.
O aumento do homicídio na América Latina afeta, sobretudo, "jovens entre 15 e 25 anos, que não trabalham, nem estudam", afirmou o moderador da apresentação do informe, Carlos Loret de Mola.
Apesar dos números alarmantes, "na maioria dos países, a taxa se estabilizou nos últimos dois, ou três anos, e existe até um grupo de países que mostra uma moderada diminuição", ressalta o documento.
Estiveram presentes a diretora do Pnud, Helen Clark, e o subsecretário-geral da ONU e diretor regional do Pnud, Heraldo Muñoz. Nos últimos 25 anos, os roubos na região triplicaram", afirmou Helen Clark, destacando que os latino-americanos "estão cada vez mais preocupados com sua segurança".
Os países da região com "alto nível" de roubos são Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Peru, Uruguai e Venezuela. "Metade dos latino-americanos consultados acredita que segurança em seu país se deteriorou. Dois terços deixaram de sair à noite por medos ligados à insegurança", acrescentou Clark, citando uma pesquisa.
Segundo uma pesquisa mundial Gallup, apenas 43,44% dos latino-americanos responderam que se sentiam seguros ao andarem sozinhos à noite, menos do que na África Subsaariana (55,3%), Europa e Ásia Central (53%), países árabes (62,9%) e sul da Ásia (66,9%).
O estudo critica, em particular, os "grandes déficits de capacidades em matéria de Justiça e Segurança", que se refletem em "índices de impunidade alarmantes, na crise que seus sistemas carcerários atravessam e na desconfiança dos cidadãos em relação às instituições da Justiça e da Polícia".
Frente a essa situação, o PNUD reconhece que não existe uma solução mágica "para enfrentar os desafios da segurança cidadã na América Latina". O Programa afirma ainda, de forma taxativa, que "é imprescindível reconhecer o fracasso das políticas de linha-dura que foram adotadas na região e deixá-las de lado".
Nesse sentido, recomenda-se fazer uso das "experiências e lições aprendidas", como, por exemplo, a "melhora da atuação policial a partir de sua divisão por quadrantes e do trabalho próximo das comunidades", ou da "adoção de novas tecnologias para localizar pontos nevrálgicos do crime e enfocar nos esforços de prevenção".
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A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA... Dai-nos também. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/11/violencia-ou-melhor-as-variadas-formas.html

terça-feira, 15 de outubro de 2013

POLÍTICA/LEGISLAÇÃO - Câmara vota polêmica Lei sobre Vandalismos como crime

Projeto que tipifica crime de vandalismo é recebido com polêmica 

Autor diz que sociedade não pode ficar refém da violência. Jurista acha que penas propostas são desproporcionais e basta aplicar o que já está no Código Penal.

(imagem - foto colorida tirada na manifestação pública em Campinas, SP, em junho de 2013, com uma pessoa segurando um cartaz onde se lê: SEM VIOLÊNCIA, no qual há uma mão desenhada com um flor vermelha, um cartaz alusivo ao desejo de não repressão policial violenta contra a multidão - fotografia de meu arquivo pessoal jmpa)

O Congresso pode tornar mais severa a pena para quem praticar atos de vandalismo em manifestações públicas. Em setembro, três meses após os primeiros protestos que tomaram conta das ruas do Brasil, foi apresentado na Câmara um projeto de lei (PL 6307/13) que insere no Código Penal (Decreto-Lei 2848/40) uma nova modalidade para o tipo penal de dano qualificado, tornando mais rígida a pena para quem praticar o crime sob a “influência de multidão em tumulto que tenha sido provocado deliberadamente”. O projeto prevê pena de reclusão de oito a 12 anos e multa, além da pena correspondente à violência. 

O autor da proposta, o líder do PMDB Eduardo Cunha (RJ), acredita que a mudança na lei “trará uma resposta à sociedade, que não se conforma em ficar refém dessa violência despropositada”. Segundo o deputado, “as manifestações públicas ocorridas recentemente, que deveriam representar a ordem constitucional, o Estado democrático e o exercício da cidadania, trouxeram atos de vandalismo e a presença de baderneiros, que atentaram contra o patrimônio público e privado, de forma anárquica e deliberada”.

“Pena excessiva”

Mas, para o mestre em Direito Penal Euro Bento Maciel Filho, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a pena proposta é excessivamente alta. "No meu entendimento, ainda que se criasse um tipo novo, tem que se manter a proporcionalidade do sistema”, diz o jurista. 

Maciel Filho argumenta que, “seja com bombas, seja com martelo, com pedras ou qualquer objeto, o fato é que quem pratica [o ato] incorre no crime de dano ao patrimônio. Eu não posso ter um delito de mero dano ao patrimônio, como atirar uma pedra em uma vidraça, com uma pena mais alta do que a daquele que põe uma arma na cabeça para levar a tua bolsa”, compara ele. 

O jurista diz que por isso a pena prevista no projeto fere o princípio da proporcionalidade. Ele lembra que, pelas regras vigentes no Código Penal, “o cidadão que carregue um coquetel molotov já passa a ter uma pena bem mais alta. E se houver uma explosão, a pena máxima passa a ser de seis anos”, enfatiza Maciel Filho, para pontuar que “então, eu já tenho como reprimir isso, basta usar as peças certas, só que tem que usar".

Audiências públicas
Para manter o equilíbrio entre o direito constitucional à liberdade de expressão e o impedimento ao vandalismo, o relator do projeto de lei na Comissão de Segurança Pública da Câmara, Efraim Filho (DEM-PB), pretende realizar audiências públicas para ouvir opiniões de especialistas na matéria. 

O deputado considera “muito sensível essa situação e nós vamos ter que discutir qual o limite à manifestação livre, pacífica e cidadã, prevista como garantia fundamental na Constituição Federal, pode ser usada para que acabe com isso que nenhum de nós eu tenho certeza que concorda: o vandalismo, o quebra-quebra e a agressão à sociedade”.

As autoridades da área de segurança pública têm endurecido a reação contra manifestantes acusados de participar de atos vandalismo contra o patrimônio público e privado durante os protestos. Na na terça-feira passada (8), um casal foi preso em São Paulo e enquadrado na Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83). No Rio de Janeiro, a Polícia Civil anunciou que os próximos protestos violentos serão enquadrados na lei que define organização criminosa e estabelece penas para esse tipo de crime (Lei12.850/13).  
Reportagem - Marise Lugullo
Edição - Dourivan Lima

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 MOVIMENTOS, MASSAS, MANIFESTOS E HISTÓRIA: POR UMA MICROPOLÍTICA AMOROSA, URGENTE.
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A PRAÇA É DO POVO? AS RUAS SÃO DOS AUTOMÓVEIS E DOS ÔNIBUS? E OS DIREITOS HUMANOS SÃO DE QUEM? 
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

SAÚDE MENTAL/OMS - Lançado um guia para os estresses pós-traumáticos

OMS lança guia para problemas mentais causados por traumas

Programa de Ação Global de Saúde Mental vai abranger pessoas que sofram da disordem de estresse pós-traumático; documento foi preparado pela agência da ONU e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
(imagem - foto colorida de um rosto humano que expressa angústia e sofrimento, fotografia da Rádio ONU, segundo a qual tem suas etiologias e aumento ligados às grandes cidades) 
A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou, nesta terça-feira, um novo guia com protocolos clínicos para o tratamento de doenças mentais causadas por traumas ou perdas.
Segundo a agência da ONU, as doenças mentais são comuns, incapacitantes e geralmente, não são tratadas. O Programa de Ação Global de Saúde Mental da OMS foi criado em 2008 e agora, a organização decidiu incluir os cuidados com o transtorno de estresse pós-traumático.
Violência
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que os eventos traumáticos e as perdas são comuns nas vidas das pessoas. Um estudo da agência feito em 21 países revelou que 21,8% sofreram algum tipo de violência. Mais de 16% tiveram experiências com guerras e 12% sofreram com a perda de uma pessoa querida.
Para tratar destas pessoas, o novo protocolo produzido em conjunto pela OMS e pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, diz que o atendimento inicial pode ser feito nos hospitais.
Apoio
Segundo o documento, os trabalhadores de saúde podem oferecer apoio psicosocial básico ao doente, assim como controle de estresse. Ele vão ajudar as pessoas a identificar e fortalecer os métodos para enfrentar situações e de apoio social.
O novo protocolo faz um alerta contra certos métodos populares de tratamento, como por exemplo, o uso de remédios que tenham como princípio básico a benzodiapezina, muito usada para controlar a ansiedade.
A OMS diz que o medicamento não deve ser utilizado para casos de transtorno de estresse pós-traumático ou insônia nos primeiros meses após o a ocorrência do evento que causou o trauma.
Recuperação
A agência da ONU afirmou que o remédio pode prolongar o tempo de recuperação e que até o momento, não há nenhuma prova dos benefícios da benzodiapezina.
Ao mesmo tempo, a OMS diz que o medicamento pode ser usado para o tratamento de outras doenças mentais.
Para Mark Van Ommeren, médico do Departamento de Saúde Mental da OMS, o Tept, como é chamado o transtorno, deve ser controlado como outras doenças mentais.
Ele afirmou que o novo guia vai orientar os funcionários de saúde no mundo inteiro no tratamento de adultos e crianças que sofrem de condições especificamente relacionadas ao estresse.
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SOMOS TRABALHADORES COM "SAÚDE"? COM DOR OU ARDOR NAS LUTAS E LABUTAS? ATÉ QUANDO? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/05/somos-trabalhadores-com-saude-com-dor.html

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA/VULNERAÇÃO - Relatório da UNICEF constata o risco de maus-tratos mais alto

Crianças com deficiência têm maior chance de serem vítimas de violência 

Crianças com deficiência têm probabilidade três ou quatro vezes mais alta de serem vítimas de violência, revelou um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Unicef, o fundo das Nações Unidas para a infância.

(imagem - foto da capa do Relatório da UNICEF sobre a Situação da Infância no mundo em 2013, com três crianças vestidas com uniformes azuis, sendo a do meio uma criança com deficiência, tirada de uma fila de alunos na Síria, © uniCef/HQ2007-0745/noorani  do site da Unicef)

O relatório "Situação Mundial da Infância 2013: Crianças com deficiência" constatou que a incidência e o risco de maus-tratos é maior em crianças com deficiência do que em seus pares sem deficiência.
As estimativas foram baseadas na primeira revisão sistemática de estudos existentes sobre violência contra crianças com deficiência (com 18 anos ou mais) realizada por equipes da Universidade John Moores, de Liverpool, na Inglaterra, e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No total, 17 estudos, todos de países de alta renda, atenderam aos critérios de inclusão para o levantamento.
Segundo os pesquisadores, as estimativas sobre prevalecência de violência contra crianças com deficiência variaram de 26,7%, para medidas combinadas de violência, a 20,4%, para violência física, e 13,7%, para violência sexual.
Já, em relação ao risco, o documento assinala que crianças com deficiência têm 3,7 mais chances de serem submetidas a medidas combinadas de violência, 3,6 maior probabilidade de serem vítimas de violência física e 2,9 vezes de sofrerem algum tipo de abuso sexual.
Segundo o documento, também houve indícios, ainda que não conclusivos, de que o tipo de deficiência afetaria a incidência e o risco da violência.

Estresse e exclusão

Entre os motivos para a maior incidência e o maior risco de violência em crianças com deficiência está o estresse dos genitores ou das famílias quanto aos cuidados que elas demandam.
Outro fator de risco, segundo o relatório, é que muitas dessas crianças são colocadas sob cuidados institucionais, o que aumenta o risco de abusos físicos e sexuais.
Além disso, crianças com dificuldades de comunicação ficam mais vulneráveis à violência, uma vez que a limitação pode prejudicar sua capacidade de denunciar experiências abusivas.
O estudo também diz que as crianças com deficiência são as menos propensas a receber cuidados de saúde ou ir à escola.
Como resultado, a Unicef alerta que as crianças com deficiências "estão entre as pessoas mais marginalizadas no mundo".
De acordo com o relatório, a exclusão começa nos primeiros dias de vida, com o não registro do nascimento. Na falta de reconhecimento oficial, elas são cortadas dos serviços sociais e das proteções legais, cruciais para a sua sobrevivência e perspectivas.
"Para que as crianças com deficiência sejam levadas em conta, elas devem ser contadas – ao nascer, na escola e na vida", afirma Antony Lake, diretor-executivo da Unicef.

Dados imprecisos

Segundo o estudo, o apoio e a ajuda às crianças e suas famílias esbarram na falta de dados precisos sobre o número de crianças com deficiência; o tipo de deficiência e como a deficiência afeta a sua vida.
Sem tais informações, poucos governos têm um marco confiável para a alocação de recursos no tratamento dessas crianças, acrescenta a pesquisa.
Além disso, cerca de um terço dos países ainda não ratificaram a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, caso dos Estados Unidos, que apenas assinaram o documento (O Brasil o ratificou em 2008).
No relatório, a Unicef faz um apelo aos governos para que cumpram as promessas de garantir a igualdade de direitos para todos os cidadãos – incluindo suas crianças mais excluídas e vulneráveis.
O Brasil, no entanto, é citado pela Unicef entre os países que vêm adotando iniciativas de proteção social que incluem transferência monetária às crianças com deficiência.
Segundo dados do IBGE, existem no país 24,6 milhões de pessoas com deficiência, sendo 1,9 milhão de crianças e adolescentes.
PARA LER A MATÉRIA DA UNICEF - VEJA A CRIANÇA ANTES DE VER A DEFICIÊNCIA - http://www.unicef.org/brazil/pt/media_25543.htm
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VULNERAÇÃO E MÍDIA NO COTIDIANO DAS DEFICIÊNCIAS http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/04/vulneracao-e-midia-no-cotidiano-das.html

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CINEMA@REALIDADE - A Hora Mais Escura e a naturalização da Tortura

A Hora Mais Escura reflete a América na guerra contra o terror


(imagem - foto colorida com uma mulher branca, norteamerica, de braços cruzados que tem sua sombra projetada em quadro onde a bandeira dos EUA está emoldurada.) 
Nas mais de 2 horas e meia de “A Hora Mais Escura”, sua protagonista Maya (Jessica Chastain), uma agente da CIA à caça de Osama bin Laden, nunca fala em capturar o terrorista. Sua clara intenção é somente uma: matar o líder da Al-Qaeda. Uma obsessão de morte que pode ser vista como espelho, no qual Maya se torna o reflexo daquilo que caça. Em seu terninho preto, dispondo de amplo aparato logístico e usando técnicas de tortura, ela personifica uma versão ocidentalizada do jihad islâmico. Não quer servir apenas como o escudo que defende, mas ser a espada flamejante que vinga os mortos da nação.
A personagem Maya, que Jessica Chastain (“A Árvore da Vida”) interpreta com devotado equilíbrio, talvez seja o principal elemento do filme sobre o qual recaia o peso de refletir a América em guerra contra o terror. Logo no início, vemos seu desconforto diante de uma sessão de tortura. Mas esse desconforto não impede que mais adiante ela mesma se mostre dura com o sofrimento do prisioneiro, por saber que ele tem a informação que ela precisa. Uma postura determinada que passa por cima do desconforto e revela sutilmente o abismo moral de sua conduta.
Depois de ter arrebatado seis Oscars em 2010 com seu “Guerra ao Terror” (incluindo Melhor Filme e Melhor Direção), a diretora Kathryn Bigelow abandona a aproximação quase intimista que havia no drama dos soldados de um esquadrão antibombas em operação no Iraque. Desta vez, Bigelow faz todo esforço possível para se manter distante e neutra, construindo um retrato que mescla fatos reais com cinema, ao retratar a caçada verídica ao terrorista Osama bin Laden.
Por isso, “A Hora Mais Escura” se aproxima do tom documental, especialmente no que se refere à sua montagem. Esta opção cria dois problemas. O primeiro diz respeito à polêmica. Pois no tom documental há uma clara omissão da diretora em emitir juízo de valor no que se refere às torturas mostradas no filme. Tem-se um registro frio de situações que aconteciam na época, o que não deixa de refletir a proposta. O segundo problema é que a opção resulta num filme frio, bastante prolixo e que sintetiza de forma irreal a passagem de tempo.
O aspecto prolixo já se prenuncia na extensa duração do filme. Por sua vez, a montagem encontra dificuldades em dar sentido a um registro que quer cobrir um largo espaço de tempo e de locais, mas que é apresentado de forma a dar poucos subsídios para o espectador assimilar onde e quando está ocorrendo o que se vê na tela. Não que as informações sejam omitidas, mas a dinâmica da ação tende a suprimir a noção do tempo despendido.
Um exemplo dessa deficiente amarração fica claro numa sequência em que agentes tentam localizar um suspeito através do seu sinal de celular. É elementar, pelos diálogos entre os agentes, que toda a operação levou meses para ser concluída. No entanto, a montagem realizada passa ao espectador uma sensação de poucos dias, o que causa certa discrepância entre o que se vê (a sensação de temporalidade que a imagem deve passar) e o que se sabe através dos diálogos.
Há também um número razoável de cenas que nada acrescentam ao andamento do filme. Servem, algumas vezes, para tentar criar empatia com algum personagem. Novamente sente-se a discrepância dessa opção em contraste com o tom sempre frio, quase distante, que o filme adota. Essas aproximações apenas travam a narrativa, roubando sua fluidez.
Por outro lado, “A Hora Mais Escura” funciona bem ao criar uma perspectiva da burocracia e dos intermináveis níveis hierárquicos da espionagem americana. Nesse aspecto, tem-se uma boa noção do emaranhado do poder, desde o campo de ação até a dependência de uma decisão presidencial. Em seu registro de bastidores da caçada ao homem mais procurado do mundo, o filme é bastante eficaz. Mesmo com problemas estruturais, serve como registro de um momento histórico.
A cena final, que pode dar a impressão de humanizar sua protagonista para além de sua obsessão em matar Osama bin Laden, é um ótimo reflexo daquilo que Maya simboliza, ainda que muito sutilmente. Há algo de humano em sua reação, mas também há algo de vazio no modo como ela encerra sua jornada.
O que parece ser alívio pode ser também o surgimento de um vácuo. Um vazio a ser preenchido. Mesmo com a missão cumprida. O que talvez seja a grande questão proposta ao fim da exibição.
FONTE - http://pipocamoderna.com.br/a-hora-mais-escura-reflete-a-america-na-guerra-contra-o-terror/232250