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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Saúde Mental &Pesquisas - Cientistas descobrem uma das possíveis origens da Esquizofrenia

Cientistas descobrem possível origem da Esquizofrenia

 
(Imagem na matéria - um cérebro humano e suas vascularizações sobre fundo preto)

Pesquisadores norte-americanos afirmam ter identificado a possível causa da esquizofrenia e o local do cérebro em que o distúrbio mental ocorre. De acordo com os cientistas, a condição está associada com a atividade anormal da proteína 97 (SAP97) em uma parte do hipocampo, mais especificamente o giro denteado (DG).

Publicado na revista científica Nature, o estudo que investiga as origens da esquizofrenia foi liderado por pesquisadores da USC Dornsife College of Letters, Arts and Sciences, nos Estados Unidos. Agora, novas pesquisas devem aprofundar as descobertas do grupo.

“A função reduzida da SAP97 pode muito bem dar origem ao maior aumento no risco de esquizofrenia em humanos que conhecemos, mas a função do SAP97 tem sido um mistério total por décadas. Nosso estudo revela onde o SAP97 funciona no cérebro e mostra exatamente o que as mutações associadas à esquizofrenia nessa proteína fazem com os neurônios”, explica Bruce Herring, um dos autores do estudo e professor assistente da USC Dornsife, em comunicado

Vale explicar que a esquizofrenia afeta cerca de 20 milhões de pessoas em todo o mundo. Entre os principais sintomas da condição, estão:

  • Alucinações;
  • Delírios;
  • Perda do senso de identidade pessoal;
  • Perda de memória.

  • Estudo sobre as origens da esquizofrenia

    O estudo sobre as causas da esquizofrenia investigou o comportamento das proteínas SAP97, encontradas em neurônios no cérebro. A proteína tem como função regular a sinalização glutamatérgica entre neurônios e influenciar como as memórias são criadas e armazenadas.

    Anteriormente, outras pesquisas já sugeriram que as mutações que inibem a função desta proteína podem dar origem à esquizofrenia. Segundo os autores do estudo, essas mutações estão ligadas a um aumento de 40 vezes no risco de um indivíduo desenvolver o distúrbio mental. Este é o maior aumento no risco já documentado para qualquer mutação relacionada com a condição.

    Em paralelo, os pesquisadores norte-americanos estudaram uma região do cérebro que é, em teoria, relacionada com a esquizofrenia, o giro denteado, localizado no hipocampo. É a parte que controla a memória episódica — algo como a lembrança consciente de experiências de vida associada com o lugar e o tempo em que ocorreram. Em pessoas com o distúrbio, essa memória é frequentemente afetada roedores com mutações que afetam a proteína SAP97, a equipe de pesquisadores analisou o funcionamento da região do giro denteado. Em comparação com animais sem as alterações, a atividade era anormal.

    Neurônios no giro denteado com função SAP97 reduzida mostraram aumentos extremamente grandes na sinalização glutamatérgica. Por causa disso, os cientistas entenderam que a proteína, em condições normais, deve controlar e reduzir esse tipo de sinalização.

    No experimento, o aumento da sinalização glutamatérgica no giro denteado — causado pela redução da função SAP97 — produzia déficits significativos na memória episódica dos roedores, o que permitiu associar a condição com a esquizofrenia.

    Segundo os pesquisadores, os resultados são os primeiros a confirmar onde a SAP97 está ativa no cérebro e a vincular diretamente as alterações na função do giro denteado ao desenvolvimento da esquizofrenia. Agora, é necessário seguir os estudos em humanos e, no futuro, essa descoberta pode permitir novas terapias para o tratamento do distúrbio.

    Fonte: Nature USC Dornsife  https://canaltech.com.br/saude/cientistas-descobrem-possivel-origem-da-esquizofrenia-209014/

Leiam também no meu blog INFOATIVO DEFNET - O Manicômio morreu? Para que o mantemos vivo em nós? https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/05/o-manicomio-morreu-para-que-o-mantemos.html

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ESQUIZOFRENIA/TECNOLOGIAS - Uso de iPad pode ajudar memória de pessoas com esquizofrenia

Aplicativo para treinar cérebro pode ajudar pessoas com esquizofrenia

cérebro; mente; pensamento (Foto: Thinkstock)
(imagem - um cérebro em azul com suas circunvoluções realçadas por uma claridade que as realça sobre um fundo azul escuro - fonte Thinkstock)

LONDRES (Reuters) - Um jogo de "treino cerebral" para iPad desenvolvido na Grã Bretanha pode melhorar a memória de pacientes com esquizofrenia, ajudando-os em suas vidas cotidianas em casa e no trabalho, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

Cientistas da Universidade de Cambridge disseram que testes feitos com um pequeno número de pacientes que jogaram o game por quatro semanas descobriram que tiveram melhorias na memória e no aprendizado.

O jogo, "Wizard", é desenhado para ajudar a chamada memória episódica - o tipo de memória necessária para lembrar onde você deixou suas chaves algumas horas atrás, ou para lembrar algumas horas depois onde você estacionou seu carro em um estacionamento com muitos andares.
Este estudo, publicado no periódico Philosophical Transactions of the Royal Society B, descobriu que 22 pacientes que jogaram o jogo da memória incorreram significativamente em menos erros para tentar lembrar a localização de diferentes testes de padrões específicos.
"Precisamos de uma maneira de tratar os sintomas cognitivos da esquizofrenia, como problemas com a memória episódica, mas o progresso em desenvolver um tratamento com medicamentos tem sido lento", disse Barbara Sahakian do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge.
"Este estudo de prova de conceito... demonstra que o jogo da memória ajuda onde as drogas falharam até então. E porque o jogo é interessante, até mesmo os pacientes com falta de motivação são estimulados a continuar o treinamento."
fonte - http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRKCN0Q821120150803 © Thomson Reuters 2015 All rights reserved.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

SAÚDE MENTAL/ESQUIZOFRENIA - Novas descobertas sobre a etiologia desse transtorno mental

NOVAS DESCOBERTAS NA ESQUIZOFRENIA
Estudo conclui que a origem do transtorno psiquiátrico pode não ser o que se pensava
A esquizofrenia é considerada um transtorno mental
(IMAGEM - foto preto e branco com três faces representando estados desde alegria até a depressão ou confusão - fotografia da matéria)
Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade de Coimbra (UC) levanta novas informações quanto à origem da esquizofrenia. Até agora a causa neuronal era a principal razão apontada para o aparecimento desta doença, no entanto, o estudo aponta para as células da glia como as possíveis responsáveis. Estas células não neuronais do sistema nervoso central funcionam como uma memória de longa duração do cérebro e são o suporte funcional dos neurônios. Teorias indicam que estas células são também capazes de alterar os sinais nas fendas sinápticas, assim como o lugar em que elas são formadas, podendo, por isso, representar um papel importante na aprendizagem e construção de memórias.
A descoberta alcançada por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra partiu de um estudo desenvolvido ao longo de quatro anos, onde o objetivo era "analisar o papel dos receptores A2A para a adenosina nos problemas de memória", explica a universidade. Nas experiências em laboratório, os receptores A2A estavam presentes nos neurônios e na glia, especialmente nas suas células mais abundantes, os astrócitos. Isto levou os investigadores a retirarem os receptores apenas dos astrócitos e analisar as consequências. Ao realizarem este processo, observaram que a comunicação dos neurônios se via comprometida e os ratinhos, alvos da experiência, passaram a apresentar comportamentos semelhantes aos apresentados na esquizofrenia.
Rodrigo Cunha, coordenador do estudo, explica que, tal como acontece na esquizofrenia, foram registadas três alterações no funcionamento do sistema nervoso central das cobaias. 
Os sintomas negativos, como o isolamento, os sintomas positivos, entre eles as alucinações visuais e auditivas, e os problemas cognitivos, onde se incluem a memória e a concentração. O estudo concluiu que os receptores A2A são a chave para manter o equilíbrio entre as células gliais e os neurônios. Sugerem ainda que estas poderão ter um papel determinante no desenvolvimento de doenças psiquiátricas. A universidade acredita que com esta descoberta poderão ser realizados estudos que permitam novas terapêuticas para este transtorno psiquiátrico, que é considerado como um dos que mais causa incapacidade no doente.

FONTE - http://pt.blastingnews.com/saude/2015/04/novas-descobertas-na-esquizofrenia-00352093.html
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SAÚDE, BIOÉTICA E POLÍTICA – Vendem-se corpos e compram-se consciências? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/04/saude-bioetica-e-politica-vendem-se.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SAÚDE MENTAL/SUICÍDIO - Criado app para prevenção de depressão e risco de suicídio

Organização de caridade lança app para detectar depressão e risco de suicídio

A organização de caridade Samaritans lançou um novo aplicativo que notifica usuários do Twitter se uma pessoa que segue seu perfil no site parece ter vontade de se suicidar.
Divulgação
(imagem - foto colorida da matéria, com um smartphone sendo acessado por uma pessoa que dirige o dedo indicador para sua tela de toque - com o programa que acompanha pessoas pelo Twitter para detectar pedidos de ajuda de que está seriamente deprimido)
O programa Samaritans Radar usa um algoritmo para identificar palavras-chave e frases que indicam este estado, como "cansado de estar sozinho", "me odeio", "deprimido", "ajude-me" e "preciso falar com alguém".
Usuários que se inscreveram para participar da iniciativa receberão um alerta por email quando alguém fizer este tipo de declaração.
O aplicativo questiona se os tuítes são motivo de preocupação.
A organização diz que não se envolverá diretamente nestes casos a não ser que isso seja pedido.
Joe Ferns, diretor-executivo de políticas, pesquisa e desenvolvimento da Samaritans, disse à BBC que o aplicativo não foi feito para ser uma ferramenta de monitoramento de usuários.
"O Radar apenas capta tuítes públicos, dando a oportunidade de que eles sejam vistos por aqueles que já os poderiam ver de qualquer forma", ele afirmou.
"Mas imagine que um amigo postou algo de madrugada e que você está a caminho do trabalho, e sua conta tem uma série de tuítes que parecem ser menos importantes - o Radar dá a oportunidade de ver esse tuíte de novo ao destacá-lo. Isso não é bisbilhotar ou invadir a privacidade de alguém. Trata-se apenas de mostrar algo para que você possa fazer alguma coisa sobre isso."
O aplicativo foi criado principalmente para um público com idades entre 18 e 35 anos.
"Eles são 'nativos digitais' - cresceram usando novas tecnologias e são a primeira geração a crescer com computadores em suas casas", disse Patricia Cartes, diretora global de segurança e confiança do Twitter.
"São o grupo mais ativo em plataformas sociais e passam uma média de três horas por dia em redes sociais."
A Samaritans diz que buscará levar o serviço para outras mídias sociais no futuro.
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_app_depressao_suicidio_rb
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O SUICÍDIO, ADENTRANDO AO MAR E AO NÃO HÁ MAR...http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2014/08/o-suicidio-adentrando-ao-mar-e-ao-nao.html

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

SAÚDE MENTAL/ DEPRESSÃO MATERNA - Inglaterra tem custos alarmantes por não cuidar de mães com depressão

Descaso com depressão materna custa mais de R$ 32 bilhões ao Reino Unido

A sociedade britânica está pagando um preço "alarmante" por não lidar de maneira adequada com problemas psicológicos que afetam gestantes e mães de bebês de até um ano.
Grávida (PA)
(Imagem - foto colorida da matéria BBC - com uma mulher segurando sua barriga grávida, com um relógio no pulso direito, á frente)
A análise é de um estudo feito pelo Centro de Saúde Mental da London School of Economics (LSE) que concluiu que, se contabilizados todos os nascimentos em um ano, há um custo a longo prazo de 8,1 bilhões de libras (o equivalente R$ 32,5 bilhões) proveniente de problemas psicológicos maternos, como a depressão pós-parto.
Uma em cada cinco mulheres britânicas desenvolve algum tipo de distúrbio psicológico durante a gravidez ou nos meses após o nascimento do filho, diz o estudo.
Depressão, ansiedade e problemas como esquizofrenia e bipolaridade são alguns dos riscos.
O estudo afirma que esses problemas são de "importância vital" por prejudicarem o bem-estar da mãe e "causar danos na saúde emocional e no desenvolvimento cognitivo e até físico da criança".
Dos 8,1 bilhões de libras gastos em decorrência desses problemas, um quinto é relativo ao setor público, incluindo o NHS (serviço público de saúde, equivalente ao SUS brasileiro) e a serviços sociais.
Já o restante está relacionado a gastos mais amplos e indiretos, como a perda de emprego por conta da depressão materna.
Investimento
O Ministério da Saúde britânico diz que vem investindo em treinamento de profissionais para lidar com problemas psicológicos maternos.
Os autores do estudo, no entanto, criticam o que chamam de serviços e tratamentos "improvisados" em todo o país, acrescentando que metade dos casos de depressão não foram nem ao menos detectados e que muitas mulheres não recebem tratamento adequado.
"Problemas psicológicos entre gestantes e mães são comuns e custosos", disse Alain Gregoire, chefe do Maternal Mental Health Alliance, instituto corresponsável pelo estudo.
"A boa notícia é que as mulheres podem se recuperar totalmente quando recebem o tratamento adequado. Por isso, é vital que todas as mulheres recebam a ajuda especializada que necessitam."

Impacto nas crianças

A pesquisadora Annette Bauer, principal responsável pelo estudo, disse que as conclusões da pesquisa são "vitais" para a economia e para a sociedade como um todo. "Especialmente por conta do potencial impacto negativo que esses problemas podem ter nas crianças."
"Para proteger a saúde da família no longo prazo, a intervenção precisa começar antes de a criança nascer, ou logo em seguida. Isso porque os benefícios são muito altos e os custos podem ser compensados em um curto período de tempo."
O Ministério da Saúde britânico afirmou que no futuro todas as parteiras (que na Grã-Bretanha são responsáveis por partos de baixo risco e podem acompanhar as mães nos meses seguintes ao nascimento) terão treinamento para lidar com problemas psicológicos das mães.

Realidade brasileira

Segundo o estudo britânico, até 20% das mulheres desenvolvem algum tipo de problema psicológico durante a gravidez ou até um ano após dar à luz.
No Brasil, os números são semelhantes. Embora não haja uma pesquisa ampla e nacional sobre o tema, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que a depressão materna foi detectada em 26% das mães entre 6 e 18 meses após o parto, sendo mais frequente entre as mulheres de baixa condição social e econômica, nas pardas e indígenas, nas mulheres sem companheiro, que não desejavam a gravidez ou que já tinham três ou mais filhos.
"A depressão materna é um evento pouco diagnosticado e muito menos tratado. Poucos países adotam estratégia de rastreio de depressão durante a gestação e após o parto e, mesmo assim, sem cobertura universal, mesmo no Reino Unido", disse Mariza Theme, pesquisadora da Fiocruz responsável pelos dados relativos à depressão materna no estudo Nascer no Brasil.
fonte - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141027_depressao_materna_mdb
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OS NOSSOS CÃES desCOLORIDOS - Nossas "depressões" e o Dia Mundial da Saúde Mental http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/os-nossos-caes-descoloridos-nossas.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

SAÚDE MENTAL/MANICÔMIOS - Documentário Zelal é primeiro a revelar instituições psiquiátrica do Egito

Questão manicomial no Egito é retratada em documentário

Cineasta egípcia Marianna Khoury veio ao Brasil divulgar seu filme Zelale falar sobre assuntos relacionados à temática
*(imagem - foto colorida da divulgação do documentário, com um homem que olha através de grossas grades de ferro, denunciando seu enclausuramento)
Zelal é o primeiro registro cinema­tográfico sobre instituições psiquiátricas em países árabes. Dirigido pelos cineas­tas Marianne Khoury e Mustapha Has­naqui e lançado em 2010, ganhou o prê­mio da crítica internacional do Festival de Cinema de Dubai no mesmo ano.
A cineasta egípcia Marianna Khoury veio ao Brasil participar da estreia de Ze­lal e de debates com o público na 9ª Mos­tra Mundo Árabe de Cinema, organizada pelo Instituto da Cultura Árabe (Icara­be), entre agosto e setembro.
Marianna é diretora da Misr Interna­tional Film e do projeto Misr Film Fo­cus, voltado aos talentos egípcios emer­gentes, além de atuar como jurada em di­versos festivais realizados nos países ára­bes. É sobrinha do grande cineasta egíp­cio (falecido em 2008) Youssef Chahi­ne, com quem trabalhou por mais de 30 anos.
Dirigiu seu primeiro documentário, The Times of Laura, em 1999. Em 2002, lançouWomen Who Loved Cinema. Am­bos os documentários tiveram reconhe­cimento pela crítica e abordam o traba­lho inovador de mulheres no Egito há sé­culos.
Em relação às mulheres egípcias, Ma­rianne afirma que o discurso opressor muitas vezes divulgado é parte de um es­tereótipo e não condiz com a realidade.
Desde quando recebeu o convite, a ci­neasta nunca hesitou em vir ao Brasil. Ela inclusive já tinha a representação imaginária do país. Nas ruas do centro de São Paulo, sentiu como se estivesse no Cairo e viu muitas similaridades en­tre as cidades, como o dinamismo e a vi­talidade.
Zelal é um registro muito importan­te para ela. A ideia inicial era entrar nos hospitais psiquiátricos com uma peque­na câmera e fazer tudo sozinha, como som e captação das imagens, mas ao per­ceber a grande dimensão desse projeto, ligou para Mustapha Hasnaqui, co-dire­tor do filme, e o convidou para o realiza­rem juntos.
O documentário foi filmado em Abas­siya, que é o maior hospital psiquiátrico público do Egito. Existem vários hospi­tais internos interligados a essa institui­ção mental, ativa no país há mais de um século. Há alas destinadas aos homens, às mulheres, às crianças, às pessoas que cometeram crimes e tenham suspeita de ter alguma doença mental e outras. O fil­me retrata uma ala feminina e uma ala masculina.
Oito meses
A cineasta conta que isso tudo é parte da vida dela e foram três anos de envol­vimento profundo com o tema, dos quais oito meses são de idas rotineiras ao hos­pital. Mesmo após a realização do filme, ela visitava as famílias dos pacientes.
O mais interessante no filme é a inten­ção em mostrar que as pessoas retratadas podiam ser qualquer um de nós e que­brar a ideia de que essas pessoas, nessas instituições, são pessoas estranhas que fazem coisas estranhas. Quebrar o es­tigma com a saúde mental. Elas não so­mente poderiam ser nossas mães, nossos pais, nossos vizinhos, nós mesmos, mas ressaltar a qualidade da fala dessas pes­soas, do discurso delas.”
A diretora enfatiza a importância de aprender com as experiências de outras pessoas. Cita uma exibição feita na Jor­dânia, com a presença de especialistas, terapeutas e médicos. Havia uma anti­ga paciente que atualmente é diretora de um instituto e cuida de pessoas que pas­sam por problemas mentais. “Isso de­monstra a importância de destacar a au­tossuficiência das pessoas, em todos os sentidos. Autossuficiência, autonomia, independência, inclusive do ponto de vista financeiro.
A motivação que a levou retratar a vida das pessoas que vivem em manicômios partiu da vontade de entender mais so­bre as histórias humanas. Esse é o tipo de trabalho que ela faz e está interessada em desenvolver: poder contar histórias atra­vés de documentários. Ela quis dar voz para essas pessoas e estar próxima delas. Marianne pontua que são “pessoas incrí­veis, porque são pessoas que não men­tem, sendo possível conhecer a socieda­de egípcia”.
A cineasta conta ter tido sorte em con­seguir as permissões para filmar dentro do manicômio, sabendo não ser algo co­mum no Egito. Ela levou alguns filmes referenciais que abordam a questão pa­ra mostrar ao diretor do hospital, como a obra estadunidenseUm Estranho no Ni­nho, além de um filme argelino, um fran­cês e um italiano, e disse o quanto seria interessante produzir algo parecido no país. Ele se animou. Como inspiração pessoal, Marianne também cita os livros de Michel Foucault.
A equipe, composta por cinco pesso­as, circulou de maneira irrestrita e natu­ral dentro do espaço, durante oito meses. Como resultado, conseguiram 100 horas de material bruto, para depois ser edita­do e chegar à versão final, com 90 minu­tos. Marianne teve a preocupação de fa­zer o documentário com as percepções e falas dos internos, ou seja, “as vozes que estão dentro do hospital”, e não as vozes institucionais.
As histórias
Marianne explica que a estrutura nar­rativa de Zelal foi contada como um ci­clo. Primeiro mostra as pessoas sendo in­ternadas no manicômio, depois apresen­ta o cotidiano delas e a terceira parte é a tentativa das pessoas saírem do hospital. “Intencionalmente não há nenhuma tri­lha sonora, nenhuma outra música que não fosse os sons que saíssem lá de den­tro, para manter a originalidade e auten­ticidade do espaço.”
Todos os pacientes que aparecem con­sentiram em participar. Não houve ne­nhuma câmera escondida. A única soli­citação foi para que não exibisse a parte destinada aos detentos, os pacientes com condenação criminal.
Há um ambiente de normalidade den­tro do manicômio que faz questionar o que é a loucura e os motivos pelos quais as pessoas lá internadas são considera­das loucas. “Muitas dessas pessoas quan­do entraram no hospital realmente não tinham nada que pudesse ser considera­do como loucura, entraram por diferen­tes razões, como por exemplo, a mulher cujo irmão queria que ela casasse. Ela deu um tapa no irmão, então, ele a inter­nou”, conta Marianne. Essa senhora ci­tada, que há 20 anos vive no manicômio, diz em uma das cenas: “Enterrei minha miserável juventude aqui”.
Outra situação mostrada é a de uma mulher que insistiu muito para estar no filme, que foi internada após não acei­tar a indiferença do marido depois do casamento. A interna relata que se ar­rumava para ele, que a rejeitava. Com isso, se satisfazia com a masturbação. “Ele não me dava amor e carinho. E fa­ço comigo mesma até sangrar. Graças a Deus, não tive filhos, porque ele iria ti­rá-los de mim”.
A questão de gênero é amplamente apresentada, através dos relatos das mu­lheres internas, cuja maioria foi colocada no manicômio pelos próprios maridos ou familiares que não as aceitam. Esse é um momento importante do filme, enfatiza a cineasta, pois possibilita ao espectador olhar e dizer que essas mulheres não são loucas, porque falam a verdade.
Em Abassiya, há internações obriga­tórias, quando parentes levam a pessoa ao hospital sem o consentimento, e vo­luntárias. Um dos exemplos de paciente voluntário é Walid, um jovem cuja mãe julga ser doente por se negar a seguir a mesma religião que ela e falar sozinho. O rapaz, que não aparenta nenhum tipo de transtorno, argumenta que resolveu se internar para descobrir se tem algum problema neurológico.
As histórias contadas envolvem princi­palmente conflitos familiares. Aliadas às questões religiosas e políticas, são as três principais esferas que os colocam apri­sionados em manicômios.
Segregados de uma sociedade que não aceita o diferente e os julga, as vozes lançadas transbordam lucidez. Yousef, um dos homens internos no manicô­mio, é questionador e apresenta um dis­curso coerente e necessário. Ele mostra as péssimas condições dos móveis nos quartos, a precariedade das instalações elétricas e aponta as injustiças. “Quando se está preso se obedece ordens. O aju­dante acha que é Deus, eu sou só o ca­chorro dele”, fala, com muito esclareci­mento sobre sua situação, e filosofa, em outro momento: “Eu sou louco. Vocês são os lunáticos”.
Outro caso complexo é o do jovem Sa­bry, que por problemas familiares e pres­sões sociais, há anos estabelece uma re­lação de entradas e saídas da instituição psiquiátrica. “Eu chorava no começo. Fu­gi três, quatro vezes. Quando todos dor­miam eu pulava a cerca. Eles me traziam de volta. Eu fugia de novo. Estou aqui há um tempo. Tenho 22 anos. Vim quando tinha 14 anos. Quem vai para um hospí­cio com 14 anos?”, pergunta, para depois completar com a afirmação de que, ca­so tivesse uma relação familiar saudável, não passaria por essa situação.
O jovem também fala dos preconceitos enfrentados ao sair do manicômio, pe­lo estigma que existe em relação à ques­tão manicomial e às doenças mentais. Há uma parte do filme que o mostra toman­do eletrochoque pela equipe médica, tido como parte do tratamento. O rapaz, com argumentos contundentes, afirma que a sociedade julga quem passa por institui­ções psiquiátricas e fala sobre quanto o amparo familiar poderia mudar a reali­dade manicomial. “Eles nos privam de piedade e amor. Ninguém nos quer”.
Quando um funcionário, em uma das cenas, tenta explicar a situação de um paciente o qual ele aponta como um ‘caso especial’, que diz ter sido jogado lá e que eles cuidam (embora sejam aparentes as negligências com o rapaz, debilitado e vi­sivelmente dopado de remédios, ao pon­to de babar enquanto fala), o interno faz denúncias, mesmo deitado e fragilizado. “Mahmoud [funcionário do hospital] ba­teu em mim. São maus comigo”, se po­siciona.
Quem é louco?
Foi justamente por isso que fiz o filme, para questionar o que é loucura. Essa foi a questão que me motivou. Quem é lou­co? São pessoas que fazem coisas excên­tricas? Que fazem coisas diferentes das outras pessoas? Pessoas que não se con­formam às regras? Pessoas que não acei­tam? Pessoas que são muito inteligentes? Como, por exemplo Yousef, que é um ra­paz brilhante e, justamente por isso, atrai uma imensa atenção para ele. No Egito, estar o tempo inteiro cercado por outras pessoas pode ser um indicador de caos. É mais cômodo ter esse rapaz internado ou afastado para evitar esse tipo de situa­ção”, pontua Marianne.
Por ser um hospital público, há limi­tações em termos de tratamento. Não há atenção individualizada, nem tera­pia, todos passam pelo mesmo processo e tomam remédios. As condições higiê­nicas são mínimas. O orçamento atribu­ído pelo Ministério da Saúde é baixo. A rotina burocrática do manicômio impe­de planos mais criativos, além de maior preparo educacional por parte dos fun­cionários para garantir melhorias aos pacientes.
Embora Marianne não tenha presen­ciado nenhuma situação de tortura, ela afirma ter escutado ser muito uti­lizada pelos funcionários como forma de punição.
“Se o paciente não estava fazendo o que era esperado dele, se estava se com­portando mal, tomava eletrochoque, que agora é parte do tratamento.” Ela menciona que há torturas físicas e psi­cológicas. “Eles têm que seguir um pro­cesso disciplinar, passam também por uma tortura mental, pela maneira como são tratados.”
Quebra de estigma
O documentário não é simplesmente observacional. Há algo etnográfico e as pessoas falam o tempo todo e conversam entre si, o que gera aproximação com o público. As reações dos espectadores são várias. A cineasta conta que há quem te­nha saído nos cinco minutos iniciais, por não conseguir lidar com a presença da si­tuação manicomial e há pessoas que se identificam e querem saber mais.
No Brasil, em ambos os debates, o pú­blico foi participativo e interessado. Hou­ve momentos de emoção e relatos pesso­ais que envolvem a questão manicomial, bastante parecida nos dois países. Ma­rianne ressalta a qualidade e intensidade das conversas no Brasil. A afinidade foi grande e ela inclusive começou a enten­der algumas palavras em português.
Durante as filmagens, houve a ética em pensar como representá-los através de uma lente. Algumas situações foram evi­tadas, como momentos de refeições, pa­ra respeitar a privacidade.
Há internos que, por terem passado muitos anos reclusos, sentem dificulda­des de adaptação social e acabam por perder referências externas, permane­cendo no manicômio, como no caso de um senhor, Isaac, que trabalha como en­graxate, que está aprisionado desde os nove anos de idade, e foi o único com um pouco de receio em ser filmado, com me­do de perder o emprego alternativo.
Marianne conta que no Cairo, embo­ra seja uma cidade ‘mágica’, há bastan­te agressividade, como muitas cidades grandes de outros países, o que gera me­do em quem não se sente preparado para voltar ao convívio social.
A questão manicomial é ainda um ta­bu. O ciclo vicioso gerado, de constante permanência na instituição psiquiátrica, frustra os pacientes que, não raro, pas­sam grande parte de suas vidas, reclusos. Muitas vezes, eles permanecem encarce­rados não por suas doenças, mas pela re­cusa familiar e social em os aceitarem.
Outro problema é a falta de centros de reabilitação, que faz com que pessoas que tenham problemas com álcool e dro­gas acabem sendo internadas no manicô­mio. Isso fortalece o problema do estig­ma, pois as pessoas, ao saírem, têm que lidar com familiares, vizinhos e pessoas próximas. “É um sistema que acaba sen­do muito agressivo, devido à ausência de equipamentos de reabilitação. O mais importante é justamente aprender com a experiência das pessoas que vivenciam essa situação”, diz Marianne.
Sobre as reformas na questão mani­comial egípcia, há um processo de cons­cientização sendo iniciado, o que possi­bilitou a entrada dos cineastas para fil­mar o documentário. Há um movimen­to civil que intensifica essa visibilidade. Houve uma mudança recente na lei, com o Artigo 4, que é citado no documentá­rio. Esse item coloca que, se o paciente quiser sair, pode. Porém, é uma questão complexa e cultural, e muitos permane­ceram. Foi colocado que os hospitais psi­quiátricos pioram a condição mental das pessoas internas.
O documentário intensifica o contato entre a comunidade manicomial e a so­ciedade e possibilita diálogos que refle­tem a humanidade, através de situações como as relações familiares, religiosas, sexuais e outras questões importantes, a partir das vozes de pessoas incríveis, ro­tuladas de doentes mentais.
O nome do filme, Zelal, em árabe, sig­nifica “sombras”. Marianne  destaca que essa escolha se deu porque “essas pesso­as estão vivendo na sombra da socieda­de e nas suas próprias sombras, que são as histórias reveladas no documentário”.
FONTE - http://www.brasildefato.com.br/node/30244
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SAÚDE MENTAL: quando a Bioética se encontra com a Resiliência.http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/10/saude-mental-quando-bioetica-se_11.html

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MACONHA/MEDICINA - Pesquisa da USP revela que CANABIDIOL é eficaz no Parkinson

Novo tratamento é eficaz em pacientes de Parkinson



imagem - foto colorida da matéria com uma pessoa entrando de cadeira de rodas com uma porta aberta à sua frente, como representação da possibilidade do uso de canabidiol ser uma possibilidade de melhora de sua qualidade de vida.


Pela primeira vez em humanos, estudo com canabidiol (CDB) mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com Doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”.

O professor Crippa explica que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e o movimento, por exemplo. “Essa pode ser a causa de efeitos colaterais como alucinações, náuseas, delírios e de uma outra complicação motora chamada discinesia tardia, entre outras”.

Para o professor, o CDB provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraída a substância canabidiol. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”, diz.

Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

O estudo

Durante seis semanas, 21 pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson, sem demência ou problemas psiquiátricos, participaram do estudo. Os pacientes foram divididos em três grupos, um recebeu placebo, ou seja, somente com o óleo de milho, outro recebeu o CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho e o terceiro o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho.  O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pacientes nem os profissionais que os acompanharam sabiam a que grupo cada sujeito pertencia.

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. A droga dissolvida em óleo de milho foi colocada em cápsulas de gelatina, que foram armazenadas em frascos de vidro escuro. “As cápsulas somente com óleo de milho e com CDB foram fornecidas em cápsulas idênticas”, afirmam os pesquisadores.

Todos os pacientes participantes do estudo foram avaliados quanto aos sintomas motores e não motores da doença, por meio de instrumentos que inclui o Parkinson Disease Questionnaire–39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do paciente com Parkinson, segundo os pesquisadores. “Dentre os sintomas motores, podemos citar os tremores, sendo que entre os não motores estão, por exemplo, a apatia e a depressão, sintomas comuns em quem tem Parkinson”, relata o professor Crippa.

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foi relatada percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “E esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores. E foram significantes para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia”, comemora o professor.

Os resultados acabam de ser publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia. Além do professor Crippa, também participaram do estudo os pesquisadores Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da FMRP, e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
fonte - http://www.usp.br/agen/?p=190102
Mais informações:  (16) 3602.2201 – e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MEDICALIZAÇÃO/DEMÊNCIA - Estudo associa uso de benzodiazepínicos com ALZHEIMER

Pesquisa associa uso de remédios para dormir e ansiedade à demência

Usar comprimidos contra ansiedade e distúrbios do sono durante períodos prolongados pode aumentar em até 51% o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer
Comprimidos (Getty)
(imagem - foto da matéria com um pote de vidro que derrama milhares de cápsulas e comprimidos sobre um fundo escuro, com cores as mais variadas e combinações também)

Uma pesquisa franco-canadense publicada na revista médica BMJcomparou 2 mil pacientes com a doença com 7 mil pessoas saudáveis em Quebec, no Canadá.

Todos tinham mais de 66 anos e tomavam remédios à base de benzodiazepina.
Aqueles que usaram os medicamentos por pelo menos três meses apresentaram maiores chances de sofrer de demência.
Os pesquisadores dizem, entretanto, que o estudo não deve ser considerado como prova definitiva deste vínculo, mas que serve de alerta.

'Saúde pública'

"O uso prolongado e injustificado dessas drogas (benzodiazepinas) deve ser considerado um preocupação de saúde pública", escreveu Sophie Billioti de Gage, da Universidade de Bordeaux, na França, que coordenou a pesquisa.
Outros especialistas dizem que a pesquisa não estabeleceu o motivo para a relação entre os remédios e a doença.
"Uma das limitações do estudo é que as benzodiazepinas tratam justamente sintomas que podem ser indicadores do início do Mal de Alzheimer, como ansiedade e distúrbios do sono", disse à BBC Eric Karran, diretor de pesquisas da organização não-governamental Alzheimer's Research UK.
Esta opinião coincide com a de outro especialista, Guy Goodwin, da Faculdade Europeia de Neurofarmacologia.
Já o principal pesquisador da instituição britânica Alzheimer's Society, James Pickett, afirmou que as descobertas são preocupantes, já que só na Grã-Bretanha 1,5 milhão de pessoas são tratadas por benzodiazepinas.
As regras do sistema público de saúde britânico, o NHS, estipulam o uso dos medicamentos por um período de oito e doze semanas.
Especialistas vêm pedindo uma melhor observação dos efeitos colaterais do uso de benzodiazepinas, especialmente entre adultos com mais idade.
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140910_pilulasalzheimer_ebc.shtml
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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MEMÓRIAS/NEUROCIÊNCIAS - Emoções relacionadas com sofrimentos podem ser ''apagadas''?

Neurocientistas querem reescrever lembranças ruins

Mulher em exposição do cérebro humano

(imagem - com uma mulher sobreposta por uma imagem de um desenho que representaria a cabeça humana como em uma radiografia, transparente, que estaria em uma exposição sobre o cérebro humano - da divulgação da matéria - Matty Cards/Getty Imagens)

Cientistas dizem que podem fazer com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores

As emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira na revista científica britânica Nature.
De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico.
"Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente", explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.
A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética - uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz - para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.
Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo - o 'confessionário' do cérebro - e a amígdala - o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade - são mais flexíveis do que se pensava.
"Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos", explicou Tonegawa.
Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem.
Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.
Memória dolorosa
Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.
Enquanto os ratinhos "lembravam" o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.
Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.
"Fizemos um teste na câmara original e a memória de medo original desapareceu", afirmou.
No entanto, reescrever a lembrança só foi possível com a manipulação do hipocampo, que é sensível a contextos. O mesmo resultado não poderia ser alcançado manipulando-se a amígdala.
Tonegawa disse que a conexão entre a memória contextual no hipocampo e as emoções "boas" ou "ruins" na amígdala ficaram mais fortes ou mais fracas, dependendo do que foi vivenciado.
Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.
"No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos", disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987.
"Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins", afirmou.
Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso.
"Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente", escreveram.
FONTE- http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/neurocientistas-dizem-ser-possivel-reescrever-lembrancas-ruins
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PSIQUIATRIA/MEMÓRIA - Uso de ECT para apagamento de memórias seletivas na Holanda  http://infonoticiasdefnet.blogspot.com.br/2014/02/psiquiatriamemoria-uso-de-ect-para.html

terça-feira, 5 de agosto de 2014

SAÚDE MENTAL/DIREITOS HUMANOS - Os pacientes psiquiátricos "esquecidos" no sistema prisional

Pacientes psiquiátricos são reféns de impasse jurídico

Vulneráveis, esquecidos e com o estigma de criminosos, infratores com transtorno mental são vítimas de divergências entre Justiça e Saúde

Sistema Prisional
(imagem - foto colorida de uma grade em azul com pessoas atrás delas, sem distinção de seus rostos, vestindo camisetas, fotografia de Gláucio Dettmar/Agência CNJ)
Josiani V., de 36 anos, ficou isolada em uma cela por 45 dias no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico masculino de Manaus. A dona de casa acusada de tentativa de homicídio foi descoberta em setembro do ano passado entre os 27 internos da unidade durante inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Depois disso, juízes determinaram que ela recebesse tratamento psiquiátrico em um estabelecimento adequado. Mas, em apenas um mês, os autos de insanidade mental foram arquivados: um novo laudo médico apontou que a paciente não sofria de distúrbios psiquiátricos. Ela foi transferida para uma cadeia pública.
Assim como Josiani, pessoas com transtornos mentais que cometeram algum tipo de crime no Brasil são reféns das diferentes interpretações da legislação. Pela falta de coordenação entre órgãos oficiais, infratores com problemas psiquiátricos acabam recebendo tratamento degradante em prisões, manicômios judiciários e na rede pública de saúde.
O cumprimento de medidas de segurança – decisões judiciais que preveem internação a pacientes em conflito com a lei – é o principal ponto de divergência.
O CNJ recomenda aos juízes que a medida seja cumprida na rede pública de saúde, como em residências terapêuticas e unidades do Caps (Centros de Atenção Psicossocial). Mas, como o assunto é tratado no Código Penal e na Lei de Execuções Penais, a maioria dos magistrados interpreta que os pacientes devem ser enviados ao sistema penitenciário, em particular aos manicômios judiciários, espécies de hospital-presídio.
De forma generalizada, o tipo de tratamento dado a esses infratores não está condicionado ao quadro clínico deles, mas ao crime que cometeram.
"Temos uma cadeia que não funciona. Deveria prevalecer a lógica do atendimento médico, não a da periculosidade", defende Jefferson Aparecido Dias, integrante da Comissão sobre Pessoas com Transtorno Mental em Conflito com a Lei da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
Reféns
Uma portaria publicada em janeiro pelo Ministério da Saúde estabelece que cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) acompanhar as medidas terapêuticas aplicadas a infratores com problemas psiquiátricos. O ministério admite que os manicômios judiciários são como prisões.
"O espaço não é adequado para a recuperação. Os pacientes ficam atrás das grades. Não são hospitais de fato. Na verdade, são nada mais do que uma unidade prisional", disse à DW Marden Marques, coordenador de Saúde no Sistema Prisional do Ministério da Saúde.
A adesão dos estados à nova política de tratamento a esses infratores, no entanto, é voluntária. Apenas Goiás e Minas Gerais possuem programas específicos para acompanhá-los. Rondônia, Espírito Santo e Maranhão estão começando a implementar medidas de humanização.
"A ideia é andar em consonância com a reforma psiquiátrica e extinguir aos poucos os espaços manicomiais. Essa política também inclui atender quem está no presídio", explica Marques.
Mesmo com a edição da portaria, o Brasil ainda está longe de oferecer atendimento humanizado a infratores em unidades de saúde. Segundo o CNJ, a rede pública de assistência mental oferece resistência em recebê-los.
"É difícil convencer a rede de saúde a tratar o paciente judiciário, especialmente os que cometeram crimes graves. Os profissionais que lidam com essas pessoas tentam de qualquer forma escapar dos loucos considerados 'piores'. A tendência é querer que essas pessoas fiquem no sistema prisional, especialmente nos manicômios judiciários", afirma o juiz Douglas Martins, supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ.
No início de maio, uma inspeção do órgão no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, identificou um detento que come vidro e joga fezes nos demais presos. O rapaz com claros transtornos mentais já passou por vários exames, mas mesmo assim a perícia atesta que ele não possui problemas psiquiátricos. Ele permanece preso.
Segundo o Ministério da Saúde, é possível que "alguns profissionais" ofereçam resistência e, por isso, a equipe deve sensibilizá-los a atender o paciente judiciário de forma adequada.
Alternativas
Apesar da estrutura existente em Goiás e Minas Gerais para tratar loucos infratores no sistema de saúde, eles ainda dividem celas com presos comuns nos dois estados. Ao menos 104 pessoas que não podem aguardar a sentença em liberdade ou que desenvolveram transtornos psiquiátricos dentro da cadeia estão no sistema prisional mineiro. Em Goiás, são 24.
A ideia dos programas é ir na contramão dos manicômios judiciários e acompanhar a aplicação das medidas de segurança na rede de saúde. Goiás já extinguiu todas as unidades de custódia.
Mesmo que ainda não haja sentença, os pacientes são inseridos nos programas desde o início do processo judicial e são encaminhados a serviços públicos de saúde. Para os que estão atrás das grades, o tratamento ocorre dentro da prisão.
"A ação se orienta não pelo crime cometido, mas pela possibilidade de o paciente responder pelo ato que praticou em condições de ampliação de laços sociais, e não de restrição da sua liberdade", explica Fernanda Otoni, coordenadora do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ) de Minas Gerais. O projeto, pioneiro no país, começou em 2000 em Belo Horizonte e foi ampliado para o interior mineiro dez anos depois.
O índice de reincidência entre os pacientes acompanhados em Minas é de 1,4% em crimes como furto, ameaça, roubo e participação no tráfico de drogas. Desde o início do programa, Goiás registrou apenas um caso de reincidência grave.
"Existe um pré-conceito de que o doente mental é perigoso e que, se ele cometeu um delito, tem de ser excluído do convívio social. Isso é uma falácia", opina Maria Aparecida Diniz, coordenadora do Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili) de Goiás.
Segundo o defensor público Marcelo Carneiro Novaes, antes de ser infrator, o paciente em conflito com a lei tem todos os direitos previstos na lei de assistência mental.
"Na prática, o Judiciário usurpa e viola a lei nacional. Com a medida de segurança, o louco infrator precisa ser encaminhado para a rede pública de saúde. Esse é o entendimento mais coerente", defende.
Luta antimanicomial
Nos últimos 11 anos, o número de leitos em hospitais psiquiátricos caiu 44%. Atualmente, são 27.766 leitos no país, de acordo com o Ministério da Saúde.
Como parte da reforma psiquiátrica, o ministério decidiu reduzir as vagas nos hospitais especializados, devido ao estigma de precariedade dos antigos manicômios, e aumentou em cem vezes a capacidade dos Caps.
Para o médico Quirino Cordeiro, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, o governo federal tem uma política irresponsável nessa área. "Tem-se observado um fechamento indiscriminado de leitos em hospitais psiquiátricos sem se oferecer uma contrapartida para o tratamento extra-hospitalar. Em situações agudas a internação é extremamente necessária para a proteção do próprio paciente", avalia.
O Ministério da Saúde afirma que, nos Caps, o paciente recebe "atendimento próximo da família, assistência médica e cuidado terapêutico" e o que o local prevê internação "quando há orientação médica".
Para o juiz Douglas Martins, do CNJ, as instituições envolvidas na questão precisam refletir sobre o tema. Segundo ele, quando o paciente cumpre a medida de segurança e a Justiça concede alvará para que ele volte para casa, a família pode não querer receber. Também é necessário suporte psicológico aos familiares.
O problema envolve de ponta a ponta Estado e sociedade. "Para se cumprir a Política Manicomial também é preciso mudar uma cultura. Quando não há família, a rede de assistência social precisa receber essas pessoas. Nada disso funciona bem. Essa é a realidade: não há estrutura para que a lei seja cumprida."     Autoria Karina Gomes
FONTE -  Deutsche Welle — http://www.cartacapital.com.br/sociedade/pacientes-psiquiatricos-sao-refens-de-impasse-juridico-541.html?utm_content=buffer393ff&utm_medium=social&utm_source=plus.google.com&utm_campaign=buffer
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SAÚDE MENTAL: quando a Bioética se encontra com a Resiliência. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/10/saude-mental-quando-bioetica-se_11.html