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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Dor Crônica&Demências - Quanto maior a dor crônica maior o risco de demência

 Quanto maior a dor crónica maior o risco de demência, diz um novo estudo


(imagem publicada - da matéria CNN Portugal - Uma senhora idosa apoiada em uma janela ...)

As dores crónicas, tais como artrite, câncer ou dores nas costas, com duração superior a três meses, aumentam o risco de declínio cognitivo e demência, segundo um novo estudo.

O hipocampo, uma estrutura cerebral associada à aprendizagem e à memória, envelheceu cerca de um ano numa pessoa de 60 anos que tinha uma dor crónica em comparação com pessoas sem dor.

Quando a dor era sentida em dois locais do corpo, o hipocampo encolheu ainda mais - o equivalente a pouco mais de dois anos de envelhecimento, segundo estimativas do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"Por outras palavras, o hipocampo (volume de matéria cinzenta) num indivíduo de 60 anos com dor crónica em dois locais do corpo era semelhante ao volume (sem dor) de um com 62 anos", escreveu o autor Tu Yiheng e os seus colegas. Tu é professor de psicologia na Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

O risco aumentou à medida que o número de locais de dor no corpo aumentou também, segundo o estudo. O volume do hipocampo foi quase quatro vezes menor em pessoas com dores em cinco ou mais locais do corpo, em comparação com as que tinham apenas dois - o equivalente a até oito anos de envelhecimento.

"Perguntar às pessoas sobre quaisquer condições de dor crónica, e defender o seu seguimento por um especialista em dor, pode ser um fator de risco modificável contra o declínio cognitivo que podemos abordar de forma proativa", disse o investigador da doença de Alzheimer, Richard Isaacson, neurologista do instituto de doenças neurodegenerativas da Florida, nos Estados Unidos, que não esteve envolvido no novo estudo.

A cognição diminuiu com a dor

O estudo analisou dados de mais de 19.000 pessoas que tinham sido submetidas a exames ao cérebro como parte do UK Biobank, um estudo governamental a longo prazo com mais de 500.000 participantes do Reino Unido com idades compreendidas entre os 40 e os 69 anos.

Pessoas com vários locais de dor no corpo tiveram um desempenho pior do que as pessoas sem dor em sete de 11 tarefas cognitivas, de acordo com a investigação. Em contraste, as pessoas com apenas um local de dor tiveram pior desempenho em apenas uma tarefa cognitiva - a capacidade de se lembrarem de realizar uma tarefa no futuro.

O estudo controlou uma variedade de condições contributivas - idade, consumo de álcool, massa corporal, etnia, genética, história de cancro, diabetes, problemas vasculares ou cardíacos, medicamentos, sintomas psiquiátricos e tabagismo, para citar algumas. Contudo, o estudo não controlou os níveis de exercício, sublinhou Isaacson.

"O exercício é a ferramenta mais poderosa na luta contra o declínio cognitivo e a demência", defendeu Isaacson. "As pessoas afetadas pela dor crónica podem ser menos capazes de aderir à atividade física regular como um mecanismo potencial para o aumento do risco de demência."

Igualmente importante é uma ligação entre dor crónica e inflamação, disse Isaacson. Uma revisão de estudos de 2019 revelou que a dor desencadeia células imunitárias chamadas micróglia para criar neuroinflamação que pode levar a alterações na conectividade e função cerebral.

Pessoas com níveis de dor mais elevados tinham também maior probabilidade de ter a massa cinzenta reduzida noutras áreas do cérebro que afetam a cognição, como o córtex pré-frontal e o lobo frontal - as mesmas áreas atacadas pela doença de Alzheimer. De facto, mais de 45% dos doentes de Alzheimer vivem com dor crónica, de acordo com um estudo de 2016.

O estudo também não foi capaz de determinar os défices de sono - a dor crónica torna muitas vezes difícil ter uma boa noite de sono. Um estudo de 2021 descobriu que dormir menos de seis horas por noite na meia-idade aumenta o risco de demência em 30%.

Uma incapacidade global

Globalmente, a dor lombar é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, com a  dor no pescoço a ocupar o quarto lugar, de acordo com um estudo de 2016. Artrite, danos nos nervos, dor causada por cancro e lesões são outras das principais causas.

Os investigadores estimam que mais de 30% das pessoas em todo o mundo sofrem de dor crónica: "A dor é a razão mais comum para as pessoas procurarem cuidados de saúde e a principal causa de incapacidade no mundo", de acordo com artigos publicados na revista The Lancet em 2021.

Só nos Estados Unidos, pelo menos uma em cada cinco pessoas, ou cerca de 50 milhões de americanos, vivem com dor de longa duração, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

Quase 11 milhões de americanos sofrem de dor crónica de alto impacto, definida como dor que dura mais de três meses e que é "acompanhada por pelo menos uma restrição importante de atividade, tal como não poder trabalhar fora de casa, ir à escola, ou fazer tarefas domésticas", segundo National Center for Complementary and Integrative Health dos Estados Unidos.

A dor crónica tem sido associada à ansiedade, depressão, restrições na mobilidade e nas atividades diárias, dependência de Opióides, aumento dos custos com saúde e baixa qualidade de vida. Um estudo de 2019 estimou que cerca de 5 a 8 milhões de americanos utilizavam opioides para controlar a dor crónica.

Tratar a dor crónica

Os programas de controlo da dor normalmente envolvem vários especialistas para encontrar o melhor alívio para os sintomas, ao mesmo tempo que fornecem suporte para a carga emocional e mental da dor, de acordo com a John Hopkins Medicine.

O tratamento médico pode incluir medicamentos de venda livre e prescritos para interromper o ciclo da dor e aliviar a inflamação. As injeções de esteróides também podem ajudar. Os antidepressivos aumentam a quantidade de serotonina, que controla parte do caminho da dor no cérebro. A aplicação de breves choques elétricos nos músculos e terminações nervosas é outro tratamento.

Terapias como a massagem, hidromassagem e exercícios podem ser sugeridas por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Tratamentos quentes e frios e acupuntura também podem ajudar.

Psicólogos especializados em reabilitação podem recomendar técnicas cognitivas e de relaxamento, tais como meditação, tai chi e ioga, que podem tirar a mente da fixação na dor. A terapia cognitivo-comportamental é um tratamento psicológico fundamental para a dor.

Pode ser sugerida uma dieta anti-inflamatória, como a redução de gorduras trans, açúcares e outros alimentos processados. A perda de peso também pode ser útil, especialmente para as dores nas costas e joelhos.

FONTE - https://cnnportugal.iol.pt/demencia/dor/quanto-maior-a-dor-cronica-maior-o-risco-de-demencia-diz-um-novo-estudo/20230225/63f8c1530cf2c84d7fc98ba7

Leia mais sobre Demências e Dor Crônica (o que vivencio há mais de 12 anos) no meu blog INFOATIVO.DEFNET.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ALZHEIMER/PESQUISAS- Fruta amazônica pode tratar Alzheimer

Fruta amazônica pode tratar Alzheimer
O grupo de pesquisas agora tenta convencer a indústria farmacêutica da viabilidade da droga. 

Fruta amazônica pode tratar Alzheimer

Uma fruta da Amazônia pode ajudar no tratamento de uma doença que atinge 1 milhão de pessoas no Brasil: o Alzheimer. O camapu (Physalis angulata) é característico da região e é estudado pelo Grupo de Pesquisa de Bioprospecção de Moléculas Ativas da Flora Amazônica, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Os pesquisadores descobriram que suas propriedades estimulam o crescimento de neurônios no hipocampo cerebral, região do cérebro associada à memória, podendo ajudar no tratamento da doença.
Com a produção de novos neurônios, estimulados pela substância, é provável que haja conexões entre as células do cérebro, o que poderia produzir reversão da perda de memória recente, característica comum em doentes de Alzheimer. Os cientistas também apostam que, ao usar o camapu, também seja possível uma reversão da morte neural, muito comum em pacientes que apresentam depressão

Acidental

Os responsáveis pela pesquisa já entraram com o pedido de patente das substâncias e ação farmacológica nos mercados nacional e internacional. “Estamos falando da criação de novos neurônios, algo que não era possível há um tempo atrás”, diz Milton Nascimento da Silva, integrante do grupo. A pesquisa foi iniciada em 2011 e Milton compara os resultados obtidos com os de Alexander Fleming, médico escocês que, acidentalmente, descobriu a penicilina. Foi o que aconteceu, com o extrato da fruta, quando a professora Gilmara Bastos, integrante do grupo, testava o extrato em laboratório visando a atividade anti-inflamatória e descobriu as propriedades benéficas ao cérebro. Com a eficácia e a eficiência da droga comprovadas, os pesquisadores aguardam a 2ª da pesquisa que, segundo o professor Milton Nascimento, é a saída da área acadêmica para a análise de órgãos fiscalizadores e a indústria.

Novos estudos com a planta e testes clínicos em pacientes serão feitos

Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito nessa 2ª fase do projeto. No momento, os pesquisadores estão trabalhando para oferecer mais subsídios que vão agregar valor à pesquisa. Depois de comprovados os efeitos da droga, ainda é preciso pesquisar a capacidade produtiva da planta e sua plantação.Milton Nascimento afirma que o processo se torna ainda mais delicado por se tratar de um produto natural complexo, difícil de ser sintetizado. “Hoje, estamos fazendo o estudo de viabilidade, com o intuito de saber quanto material orgânico pode ser gerado por hectare plantado”, exemplifica o professor. Segundo Gilmara Bastos, os testes já estão sendo feitos em ratos de laboratório. O próximo passo serão os testes clínicos, ainda sem prazo definido.

Para entender O Alzheimer

É uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas que pode ser tratada. Quase todos os doentes são pessoas idosas. A doença se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família. Estima-se que existam no mundo cerca de 35 milhões de pessoas com Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1 milhão de casos.

FONTE: http://www.24horasnews.com.br/noticias/ver/fruta-amazonica-pode-tratar-alzheimer.html#sthash.2lOmwVTY.dpuf

LEIA TAMBÉM NO BLOG INFOATIVO DEFNET -

ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SAÚDE MENTAL /DEPRESSÃO - Um segundo coração artifical ajuda em estudo sobre nossas depressões

Homem 'com dois corações' ajuda cientistas a estudar a depressão

(imagem - uma representação do corpo humano, de um homem de braços abertos,  em azul, como transparência, com o nosso sistema circulatório em vermelho, da matéria BBC Getty imagens)
A cada segundo, aproximadamente, Carlos (nome fictício) sentia um "tum-tum" dentro da barriga, bem na altura do umbigo. Eram as batidas de seu "segundo coração".
A pequena bomba artificial foi implantada para aliviar o esforço realizado pelos enfraquecidos músculos cardíacos do paciente.
Mas, para Carlos, os batimentos do aparelho pareciam ter substituído sua própria pulsação, provocando uma estranha sensação que acabou distorcendo a imagem que ele tinha de si mesmo. Era como se seu peito tivesse ido parar no abdômen.
Quando conheceu Carlos, o neurocientista Agustín Ibañez, da Universidade Favaloro, em Buenos Aires, logo suspeitou que outros efeitos estranhos estavam por acontecer. Para Ibañez, ao mudarem o coração daquele homem, os médicos também mudaram sua cabeça.
Carlos agora pensava, sentia e agia de maneira diferente por causa do implante.
Sempre falamos em "seguir o que o coração manda", mas só recentemente pesquisadores começaram a entender como o órgão contribui para as nossas emoções e o misterioso sentimento de intuição.
A noção já era antiga - basta lembrar que, ao embalsamar corpos, os egípcios mantinham o coração intacto enquanto não viam problemas em retirar do morto seu "recheio craniano".
William James, fundador da psicologia moderna, ajudou a formalizar essas ideias no século 19, ao sugerir que os sentimentos fazem parte de um ciclo de comunicação entre o corpo e o cérebro.
Ele levantou também a seguinte questão: se cada pessoa tem uma consciência corporal diferente, elas também sentiriam emoções de maneira diferente?
Suas ideias foram colocadas à prova recentemente por um grupo de cientistas da Universidade de Munique, na Alemanha. Eles pediram que voluntários contassem seus batimentos cardíacos apenas com o que sentiam no peito, sem tocá-lo. Um em cada quatro acertou metade da contagem, enquanto outro quarto conseguiu 80% de precisão.
Depois disso, os voluntários foram submetidos a vários testes cognitivos. E foi aí que as teorias de James se comprovaram: aqueles com mais consciência de seus corpos tenderam a ter reações mais intensas a imagens emotivas, além de descreverem melhor seus sentimentos. Eles também reconheciam mais as emoções em outros rostos e eram mais rápidos ao reagir a uma ameaça.
Em outras palavras: as pessoas que estão sintonizadas com seu corpo tendem a ter uma vida emocional mais vívida, tanto nos bons quanto nos maus momentos.
Esses sinais secretos do corpo também podem estar por trás da nossa intuição – aquela sensação indefinível de que algo está prestes a acontecer.
Um estudo na Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, examinou voluntários enquanto eles jogavam cartas. O autor da pesquisa, o psicólogo Barney Dunn, afirma que aquelas pessoas que conseguiam contar seus próprios batimentos cardíacos com mais precisão tendiam a fazer escolhas que indicavam que eles seguiam mais sua intuição.
Por isso, pode ser verdadeira a noção de que as pessoas mais "sintonizadas" a seus corações tendem a se guiar mais por instinto.
Voltemos então a Carlos. O que acontece com esses sentimentos quando você tem um coração artificial? Será que o fato de ele ter percebido mudanças em sua vida pode ser uma prova de que nossas mentes vão além do cérebro?
O neurocientista Ibañez conseguiu observar exatamente isso. Carlos só conseguia descrever as batidas do aparelho como sendo as pulsações que ele percebia. Ele também parecia não reagir com empatia quando via imagens de pessoas envolvidas em um grave acidente.
Carlos ainda teve dificuldades em perceber as emoções e intenções de outros indivíduos e, fundamentalmente, parecia ter perdido a capacidade de tomar decisões intuitivamente – tudo conformado à ideia de que o coração comanda a cognição emocional.
Infelizmente, Carlos morreu por causa de complicações em outros tratamentos, mas Ibañez espera poder continuar seus estudos em outros pacientes.
Ele atualmente está fazendo testes em pessoas que receberam transplante completo de coração e investigando se um defeito na ligação entre o corpo e o cérebro poderia levar a um transtorno da despersonalização - que faz com que pacientes tenham a estranha sensação de não viverem em seus próprios corpos.
Já o psicólogo britânico Barney Dunn acredita que as pesquisas do argentino podem ser importantes para o tratamento da depressão. "Atualmente, as terapias se concentram demais em tentar mudar a maneira de um paciente pensar, e esperar que isso transforme também suas emoções", afirma.
Mas mesmo quando alguns pacientes passam a pensar positivamente, muitos têm dificuldade em sentir alegria, por exemplo – um problema que Dunn atribui a uma deficiência no sistema de comunicação entre as sensações e o cérebro.
Os cientistas acreditam ainda que pessoas com depressão profunda não conseguem achar seu próprio batimento cardíaco facilmente. Mas, para Dunn, isso pode ser aprendido com muita prática.
"Ouvir o que o coração diz" pode ser mais que apenas poesia, ou jogo de palavras. É uma atitude que pode enriquecer a vida emocional de uma pessoa.
FONTE David Robson   Da BBC Future- http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150216_vert_fut_homem_dois_coracoes_ml

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SAÚDE MENTAL/ALIMENTAÇÃO - Ingrediente do Curry, o Acafrão da Índia é testado na USP para Depressão

Cúrcuma pode reduzir sintomas da depressão


(imagem - foto colorida da Cúrcuma de cor amarelo para alarajanda dentro de um pote - Foto: Gizele Barankevicz)

Pesquisa da nutricionista Gizele Barankevicz no Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, avaliou a atividade antioxidante e a ação antidepressiva do pó da cúrcuma em experimento empregando modelo animal. O estudo foi realizado em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) UNICAMP, e estiveram envolvidos professores, alunos de pós graduação e iniciação científica. O objetivo é explorar as funções medicinais da cúrcuma, planta usada na indústria alimentícia e farmacêutica. Também conhecida como açafrão-da-índia, a cúrcuma é uma planta asiática, cobiçada por chefes e degustadores gastronômicos em diversos países. Sua principal característica é a forte cor amarela do pó obtido a partir da raiz, conhecido simplesmente como açafrão.

“A cúrcuma, mostrou-se como um alimento promissor, capaz de reduzir alguns comportamentos análogos à depressão humana, em animais submetidos a um modelo experimental para avaliação de substancias antidepressivas”, conta Gizele. Para o desenvolvimento da pesquisa foi necessário aplicar um teste de natação forçada em ratos, quando o animal é colocado em um tanque de acrílico com formato cilíndrico com água para avaliar sua imobilidade.
“Ao serem submetidos ao teste de natação, os animais permaneceram imóveis, com um comportamento típico deprimido, não tentando fugir da situação. Os animais que receberam a cúrcuma, tiveram uma redução nesse comportamento semelhante à depressão. Ao receberem esses tratamentos, eles tentavam a todo momento nadar e fugir da situação de risco, indicando que esse composto preveniu esse comportamento igual ao comportamento da depressão em humanos”, conta a nutricionista.
Sintomas depressivos
A pesquisa resultou em indícios reais das ações antioxidante e antidepressiva do pó da cúrcuma na redução de sintomas depressivos. Segundo Gizele, os estudos serão aprofundados durante os experimentos a serem realizados no doutorado.
A cúrcuma ou açafrão-da-índia além de muito utilizada na culinária para acentuar o sabor e colorir alimentos e bebidas, é também importante no preparo de medicamentos.
A pesquisa foi orientada pela professora Jocelem Mastrodi Salgado, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN), e reforçou a necessidade de estudos com compostos bioativos em alimentos de origem vegetal, que auxiliem na redução ou prevenção do risco de desenvolver doenças como a depressão, cuja a incidência só perde para as doenças coronarianas.
FONTE - matéria de Ana Carolina Brunelli, da Assessoria de Comunicação da Esalq
Mais informações: (19) 3429.4109/4485/4477 e (19) 3447.8613; e-mail acom.esalq@usp.br
acom@esalq.usp.br  

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SAÚDE MENTAL/SUICÍDIO - Criado app para prevenção de depressão e risco de suicídio

Organização de caridade lança app para detectar depressão e risco de suicídio

A organização de caridade Samaritans lançou um novo aplicativo que notifica usuários do Twitter se uma pessoa que segue seu perfil no site parece ter vontade de se suicidar.
Divulgação
(imagem - foto colorida da matéria, com um smartphone sendo acessado por uma pessoa que dirige o dedo indicador para sua tela de toque - com o programa que acompanha pessoas pelo Twitter para detectar pedidos de ajuda de que está seriamente deprimido)
O programa Samaritans Radar usa um algoritmo para identificar palavras-chave e frases que indicam este estado, como "cansado de estar sozinho", "me odeio", "deprimido", "ajude-me" e "preciso falar com alguém".
Usuários que se inscreveram para participar da iniciativa receberão um alerta por email quando alguém fizer este tipo de declaração.
O aplicativo questiona se os tuítes são motivo de preocupação.
A organização diz que não se envolverá diretamente nestes casos a não ser que isso seja pedido.
Joe Ferns, diretor-executivo de políticas, pesquisa e desenvolvimento da Samaritans, disse à BBC que o aplicativo não foi feito para ser uma ferramenta de monitoramento de usuários.
"O Radar apenas capta tuítes públicos, dando a oportunidade de que eles sejam vistos por aqueles que já os poderiam ver de qualquer forma", ele afirmou.
"Mas imagine que um amigo postou algo de madrugada e que você está a caminho do trabalho, e sua conta tem uma série de tuítes que parecem ser menos importantes - o Radar dá a oportunidade de ver esse tuíte de novo ao destacá-lo. Isso não é bisbilhotar ou invadir a privacidade de alguém. Trata-se apenas de mostrar algo para que você possa fazer alguma coisa sobre isso."
O aplicativo foi criado principalmente para um público com idades entre 18 e 35 anos.
"Eles são 'nativos digitais' - cresceram usando novas tecnologias e são a primeira geração a crescer com computadores em suas casas", disse Patricia Cartes, diretora global de segurança e confiança do Twitter.
"São o grupo mais ativo em plataformas sociais e passam uma média de três horas por dia em redes sociais."
A Samaritans diz que buscará levar o serviço para outras mídias sociais no futuro.
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_app_depressao_suicidio_rb
LEIAM TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIV.DEFNET - 

O SUICÍDIO, ADENTRANDO AO MAR E AO NÃO HÁ MAR...http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2014/08/o-suicidio-adentrando-ao-mar-e-ao-nao.html

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MEMÓRIAS/NEUROCIÊNCIAS - Emoções relacionadas com sofrimentos podem ser ''apagadas''?

Neurocientistas querem reescrever lembranças ruins

Mulher em exposição do cérebro humano

(imagem - com uma mulher sobreposta por uma imagem de um desenho que representaria a cabeça humana como em uma radiografia, transparente, que estaria em uma exposição sobre o cérebro humano - da divulgação da matéria - Matty Cards/Getty Imagens)

Cientistas dizem que podem fazer com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores

As emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira na revista científica britânica Nature.
De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico.
"Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente", explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.
A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética - uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz - para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.
Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo - o 'confessionário' do cérebro - e a amígdala - o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade - são mais flexíveis do que se pensava.
"Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos", explicou Tonegawa.
Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem.
Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.
Memória dolorosa
Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.
Enquanto os ratinhos "lembravam" o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.
Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.
"Fizemos um teste na câmara original e a memória de medo original desapareceu", afirmou.
No entanto, reescrever a lembrança só foi possível com a manipulação do hipocampo, que é sensível a contextos. O mesmo resultado não poderia ser alcançado manipulando-se a amígdala.
Tonegawa disse que a conexão entre a memória contextual no hipocampo e as emoções "boas" ou "ruins" na amígdala ficaram mais fortes ou mais fracas, dependendo do que foi vivenciado.
Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.
"No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos", disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987.
"Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins", afirmou.
Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso.
"Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente", escreveram.
FONTE- http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/neurocientistas-dizem-ser-possivel-reescrever-lembrancas-ruins
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PSIQUIATRIA/MEMÓRIA - Uso de ECT para apagamento de memórias seletivas na Holanda  http://infonoticiasdefnet.blogspot.com.br/2014/02/psiquiatriamemoria-uso-de-ect-para.html

sábado, 23 de novembro de 2013

SAÚDE MENTAL/MEMÓRIA- Cientistas estudam papel das recordações como terapêuticas para Alcoolismo e Depressão

Memória terapêutica

Cientistas descobrem que a depressão, o alcoolismo e a obesidade podem ser tratados com a ajuda das recordações dos pacientes 

A possibilidade de recorrer às lembranças armazenadas na mente para ajudar no tratamento de doenças é tema de um conjunto robusto de estudos recentes. Há experimentos nessa linha visando melhorar o tratamento da depressão, do alcoolismo e até para ajudar as pessoas a planejar melhor o seu futuro.
Monica Tarantino

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Um dos trabalhos mais interessantes foi feito pelo cientista Tim Dalgleish, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e teve como alvo a depressão. Primeiramente, Tim e seus colegas convidaram pacientes a reunir 15 recordações positivas. Pesquisas anteriores haviam indicado que recordar situações felizes melhora o humor de quem convive com a enfermidade. Além de comprovar esse dado, os pesquisadores queriam saber qual seria a estratégia mais eficiente para facilitar o acesso a esse banco de boas lembranças e mantê-las vívidas, uma vez que a doença tende a apagar seu brilho. Por isso, o segundo passo foi pedir aos voluntários que organizassem as lembranças empregando métodos diferentes. Enquanto uma ala associou suas reminiscências a um local ou objeto que pudesse ser usado como um gatilho para trazê-las à tona (a visão de um prédio no caminho do trabalho, por exemplo), a outra as agrupou por semelhança. “Aqueles que usaram a técnica de vincular as memórias a locais ou objetos tiveram resultados significativamente melhores”, concluiu Dalgleish.
Autora de pesquisas polêmicas, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia (Eua), estuda de que modo a criação de falsas memórias pode ser útil no controle do alcoolismo e da obesidade. Com esse objetivo, recrutou 147 universitários que se dispuseram a responder a um questionário sobre os seus alimentos e bebidas preferidos antes dos 16 anos. Foram também estimulados a relatar se alguma vez passaram mal após tomar muita vodca ou ingerir rum e questionados se isso realmente aconteceu.
Uma semana depois, receberam seus perfis traçados pelos pesquisadores. Embora a maioria dos textos se restringisse às informações dadas pelos jovens, alguns continham relatos falsos de enfermidades sofridas na adolescência por causa de consumo excessivo de rum ou vodca. Após recontar o que tinha acontecido e preencher outro questionário, cerca de 20% dos participantes realmente assumiram essas memórias inventadas como verdadeiras. A maioria deles reduziu o consumo da bebida associada ao mal-estar. Em trabalhos anteriores, a cientista havia constatado que pessoas que acreditam ter ficado doentes na infância por ter ingerido determinado alimento passavam depois a evitá-lo. “Imaginamos que usar essa engenharia da mente pode direcionar as pessoas para uma vida mais saudável”, disse a pesquisadora.
A estratégia de criar falsas memórias desperta críticas. Mas a cientista ressalta que esse pode ser um recurso para usar a maleabilidade da memória a nosso favor. “O que é preferível: um garoto saudável com um pouco de falsa memória ou com diabetes e obesidade?”, questiona Elizabeth. Experimentos como esse despertam a atenção da comunidade científica. “São pesquisas valiosas para se conhecer melhor os mecanismos da memória”, diz a neurologista Dalva Poyares, da Universidade Federal de São Paulo.
Na Universidade de Harvard (Eua), o cientista Daniel Schacter investiga as semelhanças entre o que se passa no cérebro quando lembramos de acontecimentos do passado e o que imaginamos para o futuro. Com exames de imagem, ele constatou que as duas situações mobilizam as mesmas áreas, como o hipocampo e o córtex pré-frontal. “Portanto, não é surpreendente que alguns desses eventos imaginados possam realmente se transformar em falsas memórias”, disse Schacter à ISTOÉ.
O cientista também estuda maneiras de fazer com que as pessoas comecem a usar o banco de lembranças para que consigam planejar o futuro e tomar as melhores decisões. “Quando usamos as informações guardadas na memória, ficamos mais propensos a ser menos impulsivos e mais ponderados nas decisões a longo prazo”, garante o pesquisador. No Brasil, o cientista Ivan Izquierdo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mundialmente reconhecido por suas investigações sobre a memória, testa, em animais, métodos para impedir que lembranças traumáticas subam à tona. “No futuro, essas técnicas poderão ser aplicadas no tratamento de males como estresse pós-traumático, no qual é imprescindível lidar melhor com o evento que causou o problema”, explica Izquierdo.
Fotos: Rafael Hupsel/Ag. Istoé; Gilson Oliveira/Divulgação PUCRS f

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SAÚDE MENTAL/DEPRESSÃO PÓS-PARTO - Pesquisa da USP ajuda a entender e desmitificar Depressão pós-parto

Taxa de depressão pós-parto é maior em hospital público da capital

Baixa escolaridade, pouco apoio social, conflitos conjugais e episódios anteriores de depressão foram os fatores mais correlacionados ao surgimento do transtorno 

(imagem- foto colorida de uma criança  recém nascida, branca, coberta com uma manta branca e acolhida sobre o peito de sua mãe, à esquerda, e com a mão de um homem sobre ela, provavelmente seu pai, à direita no canto, fotografia da reportagem Thinkstock)
Estudo realizado com 273 mulheres que deram à luz em um hospital público de São Paulo revelou uma prevalência de depressão pós-parto cerca de duas vezes maior que a média mundial descrita na literatura científica. Os resultados mostram ainda que, no primeiro ano de vida, os filhos das mães deprimidas apresentavam prejuízos no desenvolvimento.
A investigação foi conduzida no âmbito de um Projeto Temático FAPESP coordenado por Emma Otta, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP).
Segundo Otta, a pesquisa foi desenvolvida a partir do enfoque teórico e metodológico da etologia, ciência que estuda o comportamento animal. A perspectiva evolucionista orientou a formulação das várias hipóteses investigadas, como a relação entre a notável dependência do bebê humano, sua predisposição natural para a formação de vínculos (apego e intersubjetividade primária) e a necessidade de imersão em um grupo familiar e cultural para o desenvolvimento cognitivo. Também foi investigada a influência das dificuldades do ambiente social e afetivo sobre as estratégias de investimento parental e de desenvolvimento infantil.
“O tipo de rede de apoio nas diversas fases do ciclo de vida reprodutiva da mãe pode influenciar o investimento parental e a ocorrência de depressão pós-parto", disse Otta. Segundo ela, o Projeto Temático visou ao entendimento dessa rede de determinantes e das possíveis funções adaptativas das reações depressivas e dos efeitos das características da interação mãe-bebê no desenvolvimento, com especial atenção ao desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo da criança, envolvendo a linguagem, a empatia e os comportamentos pró-sociais.
Foram recrutadas, inicialmente, cerca de 400 gestantes que realizaram consultas de pré-natal em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Bairro do Butantã e cujo parto estava previsto para ocorrer no Hospital Universitário (HU-USP) entre setembro e dezembro de 2006. Destas, 273 deram à luz no HU e foram incluídas no estudo.
As mulheres e seus filhos foram acompanhados durante os três anos seguintes ao parto. Durante esse período, diversas entrevistas foram realizadas com o intuito de avaliar a interação entre mãe e bebê, a presença de sintomas depressivos nas mulheres, a percepção materna sobre o relacionamento com a criança e o desenvolvimento infantil. Uma primeira filmagem foi feita ainda na sala de parto, na primeira interação mãe-bebê.
Na avaliação realizada no quarto mês após o parto, as 150 mulheres que ainda participavam do estudo preencheram um questionário de rastreamento para depressão pós-parto e 28% demonstraram sinais do transtorno. Segundo Otta, o índice médio mundial descrito na literatura científica varia entre 10% e 15%.
Em um estudo integrado ao Temático, cujos resultados devem ser publicados em breve, os pesquisadores compararam os dados das mulheres que deram à luz no HU-USP com o de 257 mulheres que tiveram seus filhos em um hospital privado de alto padrão da capital. Nesse segundo caso, a prevalência de depressão pós-parto na amostra foi de 7% – abaixo da média mundial.
Nas duas amostras, os recém-nascidos apresentaram condições de saúde semelhantes. A idade da mãe, a escolaridade, o número de visitas pré-natal e de cesarianas foram maiores entre as mães do hospital privado.
Embora os indícios de depressão fossem menores dependendo do hospital ou do nível socioeconômico, as variáveis mais importantes, segundo o modelo estatístico utilizado na análise, foram escolaridade e apoio social”, contou Maria de Lima Salum e Morais, pesquisadora do Instituto de Saúde de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria do Estado de Saúde.
Outros fatores que mostraram forte correlação com o risco de depressão pós-parto foram a frequência e a gravidade dos conflitos com o parceiro – maior na amostra do hospital público – e a ocorrência de episódios anteriores de depressão.
Um número maior de mães na amostra do hospital privado relatou ter passado anteriormente por consultas e tratamento para depressão, talvez porque essas mulheres tenham mais acesso a serviços de saúde. Na amostra do hospital privado, todas as mães com depressão pós-parto relataram ter vivenciado episódios anteriores de depressão”, disse Morais.
Para Otta, é possível que apenas parte das mulheres diagnosticadas nas duas amostras tenha de fato desenvolvido depressão pós-parto. “Algumas possivelmente já tinham depressão e o problema permaneceu ou retornou após o nascimento do filho”, afirmou.
Outros fatores de risco para depressão pós-parto identificados na pesquisa, porém com menor peso, foram um maior número de filhos, a existência de filhos de relacionamentos anteriores, maior número de crianças morando na mesma casa, gravidez não desejada, rejeição na infância, menarca precoce e menor idade materna. Os dados foram publicados no Boletim do Instituto de Saúde.
Consequências
O impacto da depressão pós-parto na relação entre mãe e filho e no desenvolvimento infantil foi avaliado mais profundamente na amostra do hospital público. Os pesquisadores usaram protocolos para avaliar, entre outros fatores, a disponibilidade emocional materna, o estilo de apego da criança à mãe e seu desenvolvimento neuropsicomotor.
As mães eram filmadas enquanto interagiam com seus filhos em uma sala de observação do laboratório. Em seguida, os pesquisadores entrevistavam as mulheres para conhecer sua percepção sobre o relacionamento com a criança.
“As mulheres com depressão, em geral, se achavam piores mães. Diziam que o bebê dava mais trabalho, que elas tinham mais dificuldades nos cuidados com a criança, eram mais impacientes e dedicavam menos tempo ao filho. Mas quando os vídeos foram analisados por avaliadores que desconheciam a condição psicológica materna, de acordo com a escala de disponibilidade emocional de Biringen, não foi percebida diferença entre as mães com e sem depressão. Isso significa que a sintomatologia depressiva não interferiu significativamente na qualidade da interação mãe-bebê aparente para um observador externo”, contou Otta.
Essas análises foram realizadas durante o trabalho de pós-doutorado de Vera Regina Jardim Ribeiro Marcondes Fonseca. Os resultados foram divulgados em artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.
Em outro estudo, realizado durante o mestrado de Renata de Felipe, sob orientação de Vera Silvia Bussab, também vinculado ao Temático, observou-se que as mães com depressão pós-parto vocalizavam menos com seus bebês, principalmente quando tinham outros filhos.
De Felipe também relatou que o padrão de interação das mães sem depressão com seus filhos era mais consistente e aquelas que verbalizavam mais também sorriam mais e olhavam mais para seus bebês. Essa correlação entre verbalização, sorriso e olhar não foi observada entre as mães com depressão.
Desenvolvimento infantil
Durante as observações feitas aos quatro meses, os pesquisadores notaram que os filhos das mulheres com depressão pós-parto procuravam menos o olhar da mãe. No entanto, não houve nesse momento diferença no desenvolvimento neuropsicomotor entre os dois grupos.
Quando as crianças completaram 12 meses, foi aplicado o procedimento da Situação Estranha de Ainsworth, que busca avaliar o estilo de apego da criança à mãe e seu grau de segurança. A análise dos vídeos mostrou que os filhos de mães depressivas exploravam menos a sala, manipulavam menos os brinquedos e apresentavam mais movimentos repetitivos com as mãos, braços e cabeça quando interagiam com uma pessoa estranha na ausência temporária da mãe.
Essa análise foi realizada durante o trabalho de pós-doutorado de Carla Cristine Vicente, comapoio da FAPESP.
“Podemos dizer que as crianças apresentaram desenvolvimento típico, mas que algumas diferenças de ritmo foram identificadas. Os filhos de mães com depressão apresentaram um desempenho inferior em desenvolvimento motor fino [manipulação de objetos, movimentos delicados] e motor grosso [andar, subir escadas]. Curiosamente, essas crianças se saíram melhor na avaliação de linguagem do que os filhos de mãe sem depressão. Talvez por terem uma mãe menos responsiva, tivessem de aprender a se expressar mais verbalmente”, contou Tania Lucci, que fez seu mestrado sobre o tema .
Durante o Projeto Temático, foram aplicados vários protocolos de pesquisa para avaliação de empatia e comportamentos sociais. Aos 24 meses, foi realizado o teste do Teddy Bear, que busca avaliar a reação das crianças diante de uma pessoa em dificuldades.
“Mais de 60% dos bebês tentou ajudar o experimentador quando este começou a chorar depois que o seu ursinho de pelúcia quebrou. Algumas chamaram a mãe e outras chegaram a dar seu próprio brinquedo na tentativa de consolar o pesquisador. Não foi identificada relação com a condição materna”, contou Otta. Esta análise foi realizada durante o mestrado de Gabriela Sintra Rios.
Em tarefas de cooperação social, aos 36 meses de idade, os filhos de mães com depressão ignoraram mais o pedido materno para interromper a brincadeira e ajudaram menos a guardar os brinquedos em uma caixa. Além disso, ajudaram menos a pesquisadora em dificuldades.
“As crianças filhas de mães sem depressão negociam mais com as mães”, comentou Vera Bussab, orientadora do doutorado de Laura Cristina Stobäus.
Avaliou-se também, aos três anos, a compreensão da direção do olhar e da intencionalidade, por meio de desenhos. Quanto maior o escore de depressão das mães, menor a adesão das crianças à tarefa proposta e menor o desempenho. A análise foi feita durante o doutorado de Alessandra Bonassoli Prado, sob orientação de Bussab.
Desenvolvimento adequado
No oitavo e último encontro, realizado 36 meses após o parto, 45 pais também participaram das entrevistas e gravaram vídeos de interação com as crianças. A análise dos resultados foi realizada durante o pós-doutorado de Julia Scarano de Mendonça e mostrou que parceiros de mães com depressão pós-parto apresentavam maior envolvimento com as crianças.
“Podemos imaginar que o pai esteja compensando a atenção que a mãe não está conseguindo dar”, avaliou Bussab. Os dados foram divulgados em artigo publicado no periódico Family Science.
Os pais também responderam uma escala que avalia risco de depressão. Detectou-se uma associação entre a depressão materna e a paterna. Além disso, os pais com mais indicadores de depressão foram também os que se autoavaliavam mais envolvidos com a família.
“A associação entre esses dois resultados sugere que a depressão paterna induzida pela depressão materna funciona aumentando o envolvimento do pai com a família, o que corrobora uma hipótese da função adaptativa da depressão que consiste em angariar apoio social”, disse Bussab.
Três anos após o parto, 65% das mulheres identificadas no quarto mês com depressão pós-parto ainda apresentavam sintomas depressivos. Para Morais, os resultados reforçam a importância de dar maior atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade social e de criar políticas públicas de prevenção e intervenção precoce.
Ficou claro que o problema é crônico. É uma questão que precisa ser abordada pelos profissionais de saúde na atenção básica, levando em conta aspectos emocionais integrados aos aspectos físicos”, disse Morais.
Na opinião da pesquisadora do Instituto de Saúde, além de treinar médicos generalistas para que possam dar maior atenção à saúde mental de seus pacientes, seria recomendável que agentes comunitários acompanhassem de perto as mulheres que apresentam fatores de risco para depressão pós-parto e as estimulassem a participar de grupos de gestantes ou de pós-parto em suas comunidades.
“A pesquisa mostrou que as mães com depressão pós-parto lidam com os sintomas de tal forma que conseguem preservar o desenvolvimento adequado do filho. As crianças também têm mecanismos protetores, de resiliência. Ainda assim, encontramos alguns prejuízos no desenvolvimento. Acompanhamos até o terceiro ano de idade, mas existem problemas que podem aparecer mais tarde”, afirmou.
O estudo longitudinal e multicêntrico contou com pesquisadores do IP-USP, da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Universitário da USP, do Centro de Saúde Escola do Butantã e do Instituto de Saúde de São Paulo.
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OS NOSSOS CÃES desCOLORIDOS - Nossas "depressões" e o Dia Mundial da Saúde Mental http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/os-nossos-caes-descoloridos-nossas.html

sábado, 28 de setembro de 2013

SAÚDE MENTAL/PESQUISAS - Estudo associa Diabetes 2 com uso de antidepressivos

Estudo liga consumo de antidepressivos a risco de diabetes 

Uma pesquisa britânica afirma que pessoas que tomam antidepressivos têm um risco considerável de contrair diabetes do tipo 2.
Remédio antidepressivo. Foto: Reuters
(imagem - foto colorida de um comprimido sendo seguro por dois dedos, em close, fotografia Reuters)
Uma equipe de cientistas da Universidade de Southampton analisou diversos estudos médicos e disse ter encontrado sinais de que há uma ligação entre os dois fenômenos — mas deixaram claro que essa ligação não é necessariamente de causa e efeito.
A hipótese sugerida por eles é de que pessoas que tomam este tipo de medicamento costumam ganhar peso, e esse seria o fator ligado ao diabetes. Outra possibilidade é de que os antidepressivos tenham algum tipo de interferência no nível de açúcar no sangue.
As conclusões foram publicadas na revista científica Diabetes Care.
Eles analisaram 22 estudos que envolvem milhares de pacientes usuários de antidepressivos. O professor Richard Holt, um dos autores do artigo, afirma que é preciso realizar mais pesquisas para estabelecer uma conexão mais sólida entre a doença e o tipo de medicamento.
Ele recomenda que médicos fiquem atentos para indícios de diabetes em pacientes que começam a tomar antidepressivos.
"Pode haver muitas coincidências, mas há um sinal de que pessoas que são tratadas com antidepressivos acabam tendo um risco alto de desenvolver diabetes", diz Holt.
O diagnóstico do diabetes é simples, podendo ser detectado apenas com um exame de sangue.
"O diabetes pode ser prevenido com mudanças na alimentação e também com mais atividade física."
O cientista Matthew Hobbs, da entidade Diabetes UK, disse que o novo artigo não consegue estabelecer sinais claros de que o uso de antidepressivos aumentam de fato o risco de diabetes do tipo 2.
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