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sábado, 23 de agosto de 2025

ALZHEIMER&PESQUISAS - “Minicérebros” amadurecem com grafeno em estudo sobre Alzheimer

“Minicérebros” amadurecem com grafeno em estudo sobre Alzheimer Cientistas criaram maneira segura e não genética de influenciar a atividade neural, acelerando análise de doenças neurodegenerativas Uma das pesquisas mais revolucionárias sobre Alzheimer acaba de dar mais um passo importante: cientistas criaram um método para amadurecer “minicérebros” usando grafeno, uma folha de carbono com um átomo de espessura. A iniciativa do Instituto de Células-Tronco Sanford da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) conta com a participação do brasileiro Alysson Muotri, professor de pediatria e diretor do Centro Integrado de Pesquisa Orbital de Células-Tronco Espaciais da instituição.
Ilustração de um cérebro humano Organoides cerebrais são modelos tridimensionais do cérebro humano derivados de células-tronco (Imagem: Alexander Sikov/iStock) Uma das pesquisas mais revolucionárias sobre Alzheimer acaba de dar mais um passo importante: cientistas criaram um método para amadurecer “minicérebros” usando grafeno, uma folha de carbono com um átomo de espessura. A iniciativa do Instituto de Células-Tronco Sanford da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) conta com a participação do brasileiro Alysson Muotri, professor de pediatria e diretor do Centro Integrado de Pesquisa Orbital de Células-Tronco Espaciais da instituição. Agora, pesquisadores podem estudar a progressão da doença mais cedo Isso é um divisor de águas para a pesquisa cerebral”, disse ele. “Agora, podemos acelerar a maturação de organoides cerebrais sem alterar seu código genético, abrindo portas para pesquisas sobre doenças, interfaces cérebro-máquina e outros sistemas que combinam células cerebrais vivas com tecnologia.” Cultivando cérebros Organoides cerebrais, popularmente conhecidos como minicérebros, são modelos tridimensionais do cérebro humano derivados de células-tronco cultivados para o estudo de doenças neurológicas; No entanto, eles amadurecem lentamente, podendo levar décadas para atingir as condições necessárias. Até agora, os métodos de estimulação exigiam modificação genética (optogenética) ou correntes elétricas diretas, que podem danificar neurônios frágeis; Na nova pesquisa, os cientistas desenvolveram uma maneira segura, não genética, biocompatível e não prejudicial de influenciar a atividade neural ao longo de dias ou semanas; O método — batizado de Estimulação Óptica Mediada por Grafeno (GraMOS, na sigla em inglês) — utiliza propriedades optoeletrônicas do grafeno para converter luz em sinais elétricos. fonte - Olhar Digital > Medicina e Saúde > Medicina e Saúde Por Bruna Barone, editado por Rodrigo Mozelli 21/08/2025 00h00

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Dor Crônica&Demências - Quanto maior a dor crônica maior o risco de demência

 Quanto maior a dor crónica maior o risco de demência, diz um novo estudo


(imagem publicada - da matéria CNN Portugal - Uma senhora idosa apoiada em uma janela ...)

As dores crónicas, tais como artrite, câncer ou dores nas costas, com duração superior a três meses, aumentam o risco de declínio cognitivo e demência, segundo um novo estudo.

O hipocampo, uma estrutura cerebral associada à aprendizagem e à memória, envelheceu cerca de um ano numa pessoa de 60 anos que tinha uma dor crónica em comparação com pessoas sem dor.

Quando a dor era sentida em dois locais do corpo, o hipocampo encolheu ainda mais - o equivalente a pouco mais de dois anos de envelhecimento, segundo estimativas do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"Por outras palavras, o hipocampo (volume de matéria cinzenta) num indivíduo de 60 anos com dor crónica em dois locais do corpo era semelhante ao volume (sem dor) de um com 62 anos", escreveu o autor Tu Yiheng e os seus colegas. Tu é professor de psicologia na Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

O risco aumentou à medida que o número de locais de dor no corpo aumentou também, segundo o estudo. O volume do hipocampo foi quase quatro vezes menor em pessoas com dores em cinco ou mais locais do corpo, em comparação com as que tinham apenas dois - o equivalente a até oito anos de envelhecimento.

"Perguntar às pessoas sobre quaisquer condições de dor crónica, e defender o seu seguimento por um especialista em dor, pode ser um fator de risco modificável contra o declínio cognitivo que podemos abordar de forma proativa", disse o investigador da doença de Alzheimer, Richard Isaacson, neurologista do instituto de doenças neurodegenerativas da Florida, nos Estados Unidos, que não esteve envolvido no novo estudo.

A cognição diminuiu com a dor

O estudo analisou dados de mais de 19.000 pessoas que tinham sido submetidas a exames ao cérebro como parte do UK Biobank, um estudo governamental a longo prazo com mais de 500.000 participantes do Reino Unido com idades compreendidas entre os 40 e os 69 anos.

Pessoas com vários locais de dor no corpo tiveram um desempenho pior do que as pessoas sem dor em sete de 11 tarefas cognitivas, de acordo com a investigação. Em contraste, as pessoas com apenas um local de dor tiveram pior desempenho em apenas uma tarefa cognitiva - a capacidade de se lembrarem de realizar uma tarefa no futuro.

O estudo controlou uma variedade de condições contributivas - idade, consumo de álcool, massa corporal, etnia, genética, história de cancro, diabetes, problemas vasculares ou cardíacos, medicamentos, sintomas psiquiátricos e tabagismo, para citar algumas. Contudo, o estudo não controlou os níveis de exercício, sublinhou Isaacson.

"O exercício é a ferramenta mais poderosa na luta contra o declínio cognitivo e a demência", defendeu Isaacson. "As pessoas afetadas pela dor crónica podem ser menos capazes de aderir à atividade física regular como um mecanismo potencial para o aumento do risco de demência."

Igualmente importante é uma ligação entre dor crónica e inflamação, disse Isaacson. Uma revisão de estudos de 2019 revelou que a dor desencadeia células imunitárias chamadas micróglia para criar neuroinflamação que pode levar a alterações na conectividade e função cerebral.

Pessoas com níveis de dor mais elevados tinham também maior probabilidade de ter a massa cinzenta reduzida noutras áreas do cérebro que afetam a cognição, como o córtex pré-frontal e o lobo frontal - as mesmas áreas atacadas pela doença de Alzheimer. De facto, mais de 45% dos doentes de Alzheimer vivem com dor crónica, de acordo com um estudo de 2016.

O estudo também não foi capaz de determinar os défices de sono - a dor crónica torna muitas vezes difícil ter uma boa noite de sono. Um estudo de 2021 descobriu que dormir menos de seis horas por noite na meia-idade aumenta o risco de demência em 30%.

Uma incapacidade global

Globalmente, a dor lombar é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, com a  dor no pescoço a ocupar o quarto lugar, de acordo com um estudo de 2016. Artrite, danos nos nervos, dor causada por cancro e lesões são outras das principais causas.

Os investigadores estimam que mais de 30% das pessoas em todo o mundo sofrem de dor crónica: "A dor é a razão mais comum para as pessoas procurarem cuidados de saúde e a principal causa de incapacidade no mundo", de acordo com artigos publicados na revista The Lancet em 2021.

Só nos Estados Unidos, pelo menos uma em cada cinco pessoas, ou cerca de 50 milhões de americanos, vivem com dor de longa duração, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

Quase 11 milhões de americanos sofrem de dor crónica de alto impacto, definida como dor que dura mais de três meses e que é "acompanhada por pelo menos uma restrição importante de atividade, tal como não poder trabalhar fora de casa, ir à escola, ou fazer tarefas domésticas", segundo National Center for Complementary and Integrative Health dos Estados Unidos.

A dor crónica tem sido associada à ansiedade, depressão, restrições na mobilidade e nas atividades diárias, dependência de Opióides, aumento dos custos com saúde e baixa qualidade de vida. Um estudo de 2019 estimou que cerca de 5 a 8 milhões de americanos utilizavam opioides para controlar a dor crónica.

Tratar a dor crónica

Os programas de controlo da dor normalmente envolvem vários especialistas para encontrar o melhor alívio para os sintomas, ao mesmo tempo que fornecem suporte para a carga emocional e mental da dor, de acordo com a John Hopkins Medicine.

O tratamento médico pode incluir medicamentos de venda livre e prescritos para interromper o ciclo da dor e aliviar a inflamação. As injeções de esteróides também podem ajudar. Os antidepressivos aumentam a quantidade de serotonina, que controla parte do caminho da dor no cérebro. A aplicação de breves choques elétricos nos músculos e terminações nervosas é outro tratamento.

Terapias como a massagem, hidromassagem e exercícios podem ser sugeridas por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Tratamentos quentes e frios e acupuntura também podem ajudar.

Psicólogos especializados em reabilitação podem recomendar técnicas cognitivas e de relaxamento, tais como meditação, tai chi e ioga, que podem tirar a mente da fixação na dor. A terapia cognitivo-comportamental é um tratamento psicológico fundamental para a dor.

Pode ser sugerida uma dieta anti-inflamatória, como a redução de gorduras trans, açúcares e outros alimentos processados. A perda de peso também pode ser útil, especialmente para as dores nas costas e joelhos.

FONTE - https://cnnportugal.iol.pt/demencia/dor/quanto-maior-a-dor-cronica-maior-o-risco-de-demencia-diz-um-novo-estudo/20230225/63f8c1530cf2c84d7fc98ba7

Leia mais sobre Demências e Dor Crônica (o que vivencio há mais de 12 anos) no meu blog INFOATIVO.DEFNET.

domingo, 26 de setembro de 2021

ALZHEIMER&AVANÇOS - Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

 Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

Cientistas mapearam região do cérebro que promete revolucionar diagnóstico da doença


(imagem da matéria - um cérebro que brilha em azul dentro de uma cabeça humana.)

SÃO PAULO — O Alzheimer, doença que provoca falhas de memória e perda cognitiva, tem desafiado médicos há anos, não apenas na busca da cura, mas também por ser difícil de diagnosticar em estágios iniciais. Uma descoberta anunciada nesta semana por cientistas da Universidade Harvard, porém, aponta um caminho promissor para antecipar a detecção do problema.

Em um estudo que mapeou a bioquímica e anatomia do cérebro de 174 pacientes do transtorno neurológico, um grupo liderado pela cientista Heidi Jacobs, Hospital Geral de Massachusetts (ligado à universidade), relacionou uma pequena estrutura cerebral ao mecanismo da doença. Chamada de locus coeruleus (literalmente “local azul”, em latim), essa região localizada no tronco cerebral já estava na lista de subestruturas que cientistas suspeitavam estar envolvida no mecanismo da doença.

Entretanto, por ser uma região muito pequena (uma faixa de 2 mm por 12 mm de largura), cientistas não conseguiam observá-la bem usando máquinas convencionais de imageamento cerebral. Agora, num artigo publicado na revista Science Translational Medicine, Jacobs e seus colegas descrevem ter conseguido encontrar a correlação entre a má preservação do locus coeruleus e o desencadeamento do Alzheimer, usando aparelhos de ressonância magnética de alta resolução.
EXAME BIOQUÍMICO

A descoberta, porém, precisou de mais do que um avanço técnico de maquinário. Para validar o achado, o grupo de cientistas também analisou em detalhes o cérebro de mais de 2 mil pessoas acometidas pela doença que já tinham morrido. Além disso, avaliaram em detalhes a bioquímica cerebral dos pacientes atrás de sinais conhecidos do Alzheimer.

Já é consenso entre os cientistas que esse transtorno neurológico está relacionado ao acúmulo de duas proteínas em certas regiões do cérebro. Chamadas de beta-amiloide e tau, essas duas moléculas adquirem uma estrutura bioquímica errada nas pessoas portadoras da doença, o que atrapalha o trabalho de limpeza que é feito no sistema nervoso, eliminando as proteínas que não estão sendo mais usadas.

Usando máquinas de última geração de uma outra tecnologia de imagem cerebral, o PET scan, os cientistas conseguiram mapear o acúmulo da proteína tau no locus coeruleus, os cientistas conseguiram estabelecer a correlação entre sintomas de perda cognitiva e a presença da forma maligna dessa proteína não apenas nesse organoide cerebral, mas em outras áreas do sistema nervoso.
INDICADOR PROMISSOR 

“Essas descobertas estão alinhadas com os dados de doenças neurológicas nos quais o acúmulo de tau no locus coeruleus se relaciona à progressão da doença”, escreveram Jacobs e seus colegas no trabalho, publicado na quarta-feira. “Isso o identifica como um indicador promissor dos processos iniciais relacionados ao mal de Alzheimer e das mudanças de trajetórias cognitiva em estágio pré-clínico (anterior ao diagnóstico) da doença”.

Os cientistas explicam que faz sentido o locus coeruleus ter um papel tão grande no mecanismo biológico da doença. Apesar de ser pequena, essa região cerebral é responsável pela produção de um grande volume de norepinefrina, um dos neurotransmissores que o sistema nervoso usa na comunicação entre seus diversos componentes.

A capacidade do maquinário usado na pesquisa atualmente não está à disposição de hospitais convencionais, explicam os cientistas, mas com a evolução natural dessa tecnologia é possível que as próximas gerações de equipamentos comerciais já contem com essa precisão.

“Poder detectar e medir o local onde a patologia se inicia será crítico para melhorar a detecção precoce e identificar indivíduos elegíveis para testes clínicos de tratamentos tentando frear o processo da doença”, escrevem os cientistas.   (Rafael Garcia) 

FONTE - https://oglobo.globo.com/saude/estudo-descobre-indicador-precoce-para-desenvolvimento-do-alzheimer-25212700

Leia também no meu blog INFOATIVO DEFNET - outras matérias sobre ALZHEIMER  https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

COVID-19 & Cérebro - Especialista descreve possíveis impactos neurológicos da COVID-19


imagem publicada - da Internet - [Imagem: Gerd Altmann/Pixabay] com cérebro humano sendo tocado como na famosa pintura por um 'dedo' divino donde saem raios e energia, sobre fundo azul predominante.

Especialista descreve possíveis impactos neurológicos da COVID-19 

A COVID-19 tem sido analisada por muitos especialistas, e desencadeando cada vez mais descobertas. Ultimamente, foi apontado que muitos pacientes que sofrem de COVID-19 apresentam sintomas neurológicos, desde aumento no risco de ter um acidente vascular cerebral (AVC) até consequências mais duradouras para o cérebro, como síndrome da fadiga crônica. Com isso, os profissionais da área da saúde estão se perguntando: haverá uma onda de déficits de memória e casos de demência relacionados ao COVID-19 no futuro?

Durante um artigo para o veículo The Conversation, a professora de psicologia da Universidade de Michigan, Natalie C. Tronson, explica que muitos dos sintomas atribuídos a uma infecção se devem, na verdade, às respostas protetoras do sistema imunológico. Essas mudanças no cérebro e no comportamento, embora irritantes para nossa vida cotidiana, são altamente adaptativas e imensamente benéficas. Ao descansar, também se permite que a resposta imune, que exige muita energia, faça seu trabalho. A febre torna o corpo menos hospitaleiro a vírus e aumenta a eficiência do sistema imunológico.

Além de mudar o comportamento e regular as respostas fisiológicas durante a doença, o sistema imunológico também desempenha uma série de outras funções. Recentemente, os especialistas apontaram que as células neuroimunes que ficam nas conexões entre as células cerebrais (sinapses), que fornecem energia e quantidades mínimas de sinais inflamatórios, são essenciais para a formação da memória, mas isso também fornece uma maneira de doenças como COVID-19 causarem sintomas neurológicos e problemas de longa duração no cérebro.

A professora explica que tanto o cérebro quanto o sistema imunológico evoluíram especificamente para mudar como consequência da experiência, a fim de neutralizar o perigo e maximizar a sobrevivência, e que no cérebro, as mudanças nas conexões entre os neurônios nos permitem armazenar memórias e mudar rapidamente o comportamento para escapar de ameaças ou buscar comida ou oportunidades sociais. No entanto, mudanças duradouras no cérebro após a doença também estão intimamente ligadas ao aumento do risco de declínio cognitivo relacionado à idade e doença de Alzheimer.

"As ações destrutivas das células neuroimunes e a sinalização inflamatória podem prejudicar permanentemente a memória. Isso pode ocorrer por meio de danos permanentes às conexões neuronais ou aos próprios neurônios e também por meio de mudanças mais sutis no funcionamento dos neurônios", afirma a especialista.

A professora conta que levará muitos anos até sabermos se a infecção COVID-19 causa um aumento no risco de mal de Alzheimer, mas esse risco pode ser diminuído por meio da prevenção e tratamento de COVID-19, e ressalta que a prevenção e o tratamento dependem da capacidade de diminuir a gravidade e a duração da doença e da inflamação.

"A COVID-19 continuará a causar impacto na saúde e no bem-estar muito depois que a pandemia acabar. Como tal, será fundamental continuar a avaliar os efeitos da doença na vulnerabilidade da doença de Alzheimer e a demências", conclui a professora norte-americana, ressaltando que ao fazer isso, os pesquisadores provavelmente terão uma nova visão crítica sobre o papel da inflamação ao longo da vida no declínio cognitivo relacionado à idade, o que ajudará no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento dessas doenças debilitantes.

Fonte: The Conversation  https://canaltech.com.br/saude/especialista-descreve-possiveis-impactos-neurologicos-da-covid-19-169664/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ALZHEIMER&Pesquisas - USP pesquisa memória visual para detectar precocemente o Alzheimer

USP PESQUISA memória visual para diagnosticar sinais precoces da Doença de Alzheimer 

Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, testa memória visual de voluntários — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV


imagem da matéria - Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, visa mapear memória visual da população — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV

Testes visam mapear e identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico. Estudo está na fase inicial e busca voluntários.

Pesquisadores do laboratório de psicologia cognitiva da USP de Ribeirão Preto (SP) realizam um estudo sobre memória visual para tentar diagnosticar precocemente possíveis demências como o Alzheimer. A pesquisa visa mapear a memória de pessoas normais para tentar identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico.

“Esse teste de recordação em que apresentamos formas e cores em localizações diferentes tem sido muito utilizado em outros países e tem se mostrado um bom preditor para manifestação precoce do Alzheimer. É importante que a gente tenha uma base da população normal para entender como esses comprometimentos estão acontecendo e para tentarmos explicar melhor porque eles acontecem”, diz a psicóloga Lorena Macedo.De acordo com o professor de psicologia e diretor da pesquisa César Galera, a memória envelhece com o passar dos anos e não há nada a se fazer para mudar isso.

“Existem vários tipos de memórias e nós focamos na memória visuoespacial, aparentemente, é uma memória simples, mas é extremamente importante no nosso dia a dia. Por exemplo, você precisa saber onde deixou as chaves ou um livro, essa associação local-objeto é muito importante e é uma das memórias que se perde mais rapidamente com o envelhecimento", afirma o diretor da pesquisa.Ainda de acordo com Galera, o envelhecimento não pode ser combatido, mas uma alimentação saudável, exercícios físicos e atividade intelectual podem ajudar a manter a memória em dia.

“Todo mundo a partir dos 25 a 30 anos começa a ter uma pequena perda de memória. Pessoas que perdem essa capacidade de associar cor e forma, nome e face, talvez venham a ter Alzheimer. Essa perda de memória pode ser um indicativo de que a pessoa vai ter um problema no futuro", conta o professor.A pesquisa consiste em observar cores, formas e localizá-las em um programa de computador, que mede o número de acertos e erros em um determinado período de tempo, cerca de 40 minutos. O que parece ser uma tarefa simples, pode confundir na hora dos exercícios.“É fácil, só que é bem rápido e você tem que se concentrar bastante nas formas, porque elas mudam de lugar e, algumas vezes, de cor também e tem que estar bem concentrado”, afirma a voluntária Tainara Albiasetti.

Os pesquisadores explicam que os dados não serão analisados individualmente. Será considerado o comportamento do grupo de voluntários. Além disso, outras linhas de estudo que envolvem emoção e atenção, também estão sendo realizadas.

“Apesar da gente falar muito sobre memória, ainda tem muita coisa que precisamos saber do funcionamento normal da memória para expandir depois para as diferenças clínicas. A partir do tempo de resposta da pessoa e a quantidade de acertos, traçamos um padrão de desempenho”, afirma a psicóloga Lorena.De acordo com a psicóloga, a pesquisa ainda está no estágio inicial e precisa de voluntários. Podem participar dos testes pessoas entre 18 e 35 anos e que tenham visão normal para cor. 

Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (16) 3315-4393.

Fonte - com vídeo da matéria e mais imagens - 
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/01/01/usp-pesquisa-memoria-visual-para-diagnosticar-sinais-precoces-de-doencas-como-alzheimer.ghtml

Leia mais sobre Alzheimer e pesquisas neste blog e no INFOATIVO DEFNET 

sábado, 15 de dezembro de 2018

ALZHEIMER&PESQUISAS - Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Imagem publicada - uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento, feita há mais de um século, da Sra. August D.; onde uma mulher de aparência depressiva e decadente, com olhar esvaziado como a sua mente e memória, vestindo uma provável roupa uniforme do Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos de Frankfurt, na Alemanha. É uma foto em cores ciano com uma mulher olhando para baixo, com as mãos entrelaçadas próximas do corpo, que se curva como as rugas que se pronunciam em sua fronte, anunciando um envelhecimento precoce e intensivo que lhe rouba toda vitalidade.

Segundo os autores, o resultado da pesquisa pode ajudar a entender mecanismos ainda obscuros da doença neurodegenerativa


A origem do Alzheimer intriga especialistas. Já se sabe que o acúmulo de proteínas beta-amiloide no cérebro está relacionado ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa. Agora, pesquisadores ingleses identificaram indícios de que essa condição pode ser repassada. Eles transplantaram em ratos tecidos cerebrais com placas de beta-amiloide retirados de cadáveres humanos e observaram que a proteína se propagou no cérebro dos animais. Os investigadores deixam claro que o trabalho não mostra que o Alzheimer é transmissível. Na verdade, ajuda a entender possíveis novos mecanismos ligados à doença. Os resultados foram publicados na última edição da revista britânica Nature.

Em 2015, a mesma equipe encontrou evidências da patologia amiloide — o acúmulo da proteína — em pessoas que desenvolveram a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) após tratamentos com o hormônio HGH, extraído de glândulas pituitárias removidas de cadáveres. A técnica era usada na década de 1970 para tratar pessoas com problemas de crescimento.

A hipótese principal da equipe era de que a beta-amiloide foi acidentalmente transmitida aos pacientes por meio desse tratamento médico antigo, desencadeando a CJD. “Nosso estudo anterior descobriu que alguns indivíduos que desenvolveram CJD muitos anos após o tratamento também tinham depósitos no cérebro dessa proteína característica da doença de Alzheimer”, explica, em comunicado, John Collinge, um dos autores do trabalho e pesquisador do Institute of Prion Diseases.

Para o estudo atual, a equipe rastreou alguns lotes de HGH com os quais os pacientes foram tratados e os analisou, confirmando que as amostras ainda tinham níveis significativos de proteínas beta-amiloide. “Nossas descobertas de agora confirmam a suspeita de que esse hormônio realmente contém sementes da proteína beta-amiloide encontrada na doença de Alzheimer e que isso se mantém por muito tempo”, ressalta o autor. O uso de HGH cadavérico foi substituído por hormônio sintético que não carrega o risco de transmitir a CJD.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores testaram se esse material era capaz de semear a patologia. Para isso, injetaram amostras dos frascos de hormônio em camundongos geneticamente modificados para serem propensos à patologia beta- amiloide. As cobaias apresentaram patologia no cérebro. Já os grupos de ratos que receberam hormônio de crescimento sintético ou tecido cerebral normal não mostraram o mesmo padrão.

Sem contágio
Segundo os autores, os resultados demonstram que os lotes originais de HGH contêm proteínas beta-amiloide que podem semear patologia amiloide em camundongos, mesmo após décadas de armazenamento, e que certos procedimentos médicos precisam ser mais bem avaliados. “Nós, agora, fornecemos evidências experimentais para apoiar nossa hipótese de que a patologia beta-amiloide pode ser transmitida para pessoas por meio de materiais contaminados. Mas ainda não podemos confirmar se procedimentos médicos ou cirúrgicos já causaram a doença de Alzheimer em si, ou quão comum seria adquirir patologia amiloide dessa maneira”, reforça Collinge.

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que os resultados não mostram um contágio de Alzheimer de pessoa para pessoa. “É muito importante enfatizar que não há nenhuma sugestão em nosso trabalho de que se pode pegar a doença de Alzheimer, ou mesmo a CJD, pelo contato com uma pessoa doente. Nossas descobertas destacam a necessidade de fazer mais pesquisas nessa área”, frisa Collinge.

Otávio Castello, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer na regional do Distrito Federal, acredita que o estudo britânico mostra dados que condizem com suspeitas na área neurológica. “A novidade é que eles conseguiram confirmar essa propagação por meio de animais vivos”, destaca. “Mas isso não quer dizer que a doença seja transmissível, até porque eles não provocaram o Alzheimer nos animais, apenas um dos fatores envolvidos. É importante frisar isso para não criar um alarde.”

O especialista enfatiza que novos dados relacionados ao Alzheimer, como os divulgados pelos cientistas ingleses, são de extrema importância para a área médica. “É uma doença que ainda não tem suas origens bem determinadas, esse é mais um passo para uma maior compreensão dessa enfermidade”, explica.

Em condições excepcionais
“Esse novo trabalho contribui para a discussão em curso das semelhanças entre os mecanismos de distúrbios neurodegenerativos, em particular o Alzheimer e o Parkinson. Ambas as doenças são caracterizadas por proteínas que se espalham pelo cérebro e causam demência. Como visto, a transmissibilidade do amiloide é claramente muito baixa e, portanto, ocorrerá apenas sob condições excepcionais em seres humanos. O tratamento de pacientes com extratos cerebrais humanos é, obviamente, uma dessas condições excepcionais e foi encerrado há mais de 30 anos para evitar esse problema. A segunda via de transmissão possível é via transfusão de sangue. Essa tem sido uma preocupação no campo há algum tempo, e vários estudos usando ratos que foram similarmente geneticamente ‘preparados’ para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer mostraram que essa rota de transmissão é teoricamente possível, mas esses resultados também forneceram evidências reais de que qualquer risco desse tipo é extremamente pequeno. No entanto, vale a pena monitorar esses riscos”.
Bart De Strooper, diretor do Instituto de Pesquisa em Demência no Reino Unido

FONTE - Correio Braziliense http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=85652:-a-importancia-do-apoio-paterno-no-tratamento-contra-o-cancer&catid=47:cat-saude&Itemid=328

Leiam também no meu outro blog INFOATIVO DEFNET -  Alzheimer Não é Uma Piada, mas Pode Ser Poesia de Vida https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

domingo, 4 de novembro de 2018

ALZHEIMER&AVANÇOS - Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer

Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer

Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer
(Imagem publicada na matéria - um desenho com muitos chips de fundo em azul com um cérebro humano no centro, sendo escaneado por vários cortes tridimensionais)

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Granada projetou uma técnica de processamento de imagens que gera um mapa esférico do cérebro.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Granada projetou uma técnica de processamento de imagem que gera um mapa esférico do cérebro, uma ferramenta que converte a informação em ressonâncias e permite diagnosticar a doença de Alzheimer com 90% de precisão.


Um dos pesquisadores deste projeto do Departamento de Teoria de Sinais, Telemática e Telecomunicações da Universidade de Granada, Francisco Jesús Martínez-Murcia, explicou à Efe que o Mapeamento Esférico Cerebral é uma técnica que permite analisar e visualize imagens médicas de uma maneira sem precedentes até agora.

Esse avanço consistiu no processamento de ressonâncias magnéticas do cérebro e na construção de mapas estatísticos que analisam a textura de cada zona graças aos vetores de coordenadas que permitem selecionar cada voxel - como um pixel, mas volumétrico - em todas as dimensões do cérebro. 

Dessa forma, segundo Martínez-Murcia, um tipo de mapa é gerado em duas dimensões que podem ser implantadas para analisar as texturas e diagnosticar doenças que causam deterioração cognitiva, como a doença de Alzheimer. 

"Uma das novidades é que modifica o método de visualização para os médicos, pois apresenta um mapa mais fácil de interpretar que os atuais em três dimensões e que mostra texturas e áreas afetadas por esse tipo de doença", afirmou o pesquisador.

Para verificar a eficácia deste mapa cerebral, que permite verificar como os tecidos variam em cada direção ou suas densidades, os pesquisadores analisaram o banco de dados de ressonância de cerca de mil pessoas afetadas pela doença de Alzheimer. 

Esses testes mostraram que a nova técnica de mapeamento permite diagnosticar a doença de Alzheimer com mais de 90% de precisão, pois demonstra a diminuição da densidade tecidual causada pelo processo de neuro degeneração da doença. 

A visualização bidimensional permite a fácil identificação das áreas que mais contribuem para a diferenciação entre pacientes com Alzheimer e indivíduos saudáveis, localizados principalmente em áreas como o hipocampo ou a amígdala.

"Mas talvez ainda mais importante seja o fato de termos alcançado um diagnóstico de 77% em um problema muito mais sério, para prever se pacientes que já sofrem comprometimento cognitivo leve progredirão para estágios mais avançados da doença de Alzheimer ou permanecerão estáveis ​​por vários anos.", ressaltou o pesquisador. 

Essa técnica também possui código aberto e está disponível para download gratuitamente no "github" da equipe de pesquisadores. EFE


LEIA MAIS NO MEU BLOG SOBRE O TEMA - INFOATIVO DEFNET - MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA https://infoativodefnet.blogspot.com/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ALZHEIMER/PESQUISAS - Parkinson e Alzheimer poderão ser detetados por uma caneta digital

Caneta digital pode ajudar a verificar indícios de doenças cerebrais

Cérebro
(imagem - representação gráfica da matéria de um cérebro, em azul, com neurônios conectando-se com ele)
Atualmente, algumas das ferramentas mais usadas pelos médicos no diagnóstico de transtornos cognitivos ou demências envolvem essencialmente apenas duas coisas: papel e caneta. Esses recursos podem ajudar os profissionais a verificar se há sinais precoces de doenças cerebrais, como Alzheimer e Parkinson, por meio de irregularidades nos desenhos feitos por pacientes.
Testes como a Avaliação Cognitiva Montreal (MoCA) e o Teste do Desenho do Relógio (TDR) são frequentemente utilizados para detectar mudanças cognitivas decorrentes de uma vasta gama de causas. Porém, esses testes possuem suas limitações e dependem do julgamento subjetivo dos médicos, como determinar se o círculo do relógio desenhado pelo paciente tem uma "menor distorção."
Apesar de parecer um pouco arcaico, esse ainda é um dos métodos mais eficientes para tentar detectar previamente doenças desse tipo, uma vez que a maioria delas só permite detectar o comprometimento cognitivo depois que ele começa a afetar a vida das pessoas. 
Teste do Desenho do Relógio (TDR)Teste do Desenho do Relógio (TDR) (imagem - três desenhos com relógios desenhados, à esquerda o considerado de pessoa saudável, no centro de pesso com Alzheimer, e à direita de pessoa com Parkinson)
Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão tentando descobrir uma forma de detectar essas condições cerebrais no início, antes que afetem completamente os pacientes. O modelo preditivo apresentado pelos pesquisadores, juntamente com um hardware, abre a possibilidade de detectar demências mais cedo do que nunca.
Ao usar o software de rastreamento personalizado para monitorar a saída de uma caneta digital, eles podem prever com mais precisão o aparecimento de doenças cerebrais com base não só no que o paciente desenhar, mas na forma como ele desenha. As pessoas saudáveis gastam um pouco mais de tempo pensando do que rabiscando, enquanto pessoas com problemas de memória (como portadores do mal de Alzheimer) gastam muito mais tempo pensando, enquanto os doentes com Parkinson tendem a ter problemas na hora de colocar o desenho no papel. 
Os algoritmos envolvidos nas previsões não estão prontos para serem aplicados fora do campo de testes, mas sugerem um grande avanço nas técnicas de diagnóstico. "O trabalho ainda está num estado relativamente inicial, mas tem potencial não apenas para detectar melhor a doença, mas também para ajudar os médicos a economizarem muito tempo", explicou Phil Cohen, vice-presidente da VoiceBox Technologies, que fez uma extensa pesquisa envolvendo as tecnologias da caneta digital.
Fonte: MIT News  http://canaltech.com.br/noticia/saude/caneta-digital-pode-ajudar-a-verificar-indicios-de-doencas-cerebrais-47423/

sábado, 30 de maio de 2015

RACISMOS/PSICOLOGIA - Os preconceitos podem ser apagados dos nossos cérebros?

Racismo e machismo podem ser apagados do cérebro

Psicólogos eliminam o preconceito racial ou de gênero durante o sono ou com choques

(imagem - a foto da matéria com o ator que representava Alex, submetido a uma máquina que lhe abria os olhos com garras e muitos eletrodos fixados na sua cabeça com uma tira que prende a mesma, no filme de Kubrick, Laranja Mecânica, citado abaixo)

No filme Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971), o protagonista é Alex, um jovem violento e sádico interpretado por um genial Malcolm McDowell. Cansado de seus espancamentos, roubos e estupros, a polícia o coloca nas mãos de sinistros médicos que injetam uma espécie de soro do bom cidadão. Para ativá-lo, submetem o rapaz a eternas sessões de imagens violentas. Finalmente conseguem que Alex sinta aversão à mera possibilidade de matar uma mosca. Mas os cientistas reais não são tão maquiavélicos: bastam para eles 90 minutos de um cochilo ou suaves descargas para apagar o machismo ou o racismo do cérebro.

São poucas as pessoas que, conscientemente, se declaram hoje machistas ou racistas. No entanto, a rejeição ao outro está na base da biologia humana. Entre os seres humanos, a suspeita contra quem não é do grupo é um extra da sobrevivência. Hoje, a cultura suavizou esse preconceito, mas mesmo que inconsciente, ele ainda está lá. Isso fica demonstrado pela tendência a contratar um homem, em vez de uma mulher, ou nos casos persistentes de violência policial contra as minorias étnicas.

Para medir esse viés, psicólogos norte-americanos criaram, há mais de uma década, o Teste de Associação Implícita (TAI). Trata-se de um jogo no qual é preciso ligar imagens com palavras, como uma imagem de uma pessoa de raça negra com termos positivos ou negativos. E isso deve ser feito o mais rápido possível, sem pensar. Seu objetivo é distrair o cérebro para enfraquecer sua capacidade de resposta consciente e deixar aflorar o que você realmente sente pelo outro. Na edição espanhola, por exemplo, é possível fazer o teste Negro-Branco, Madri-Catalunha, Jovem-Velho... Uma advertência, você pode não gostar dos resultados.
Agora, pesquisadores da Universidade Northwestern (EUA) usaram uma versão da TAI com 40 alunos, a metade homens e a metade mulheres, todos brancos. Mas seu objetivo não era verificar o seu viés social contra negros ou de gênero, mas se era possível desaprender esse preconceito. Primeiro confirmaram a validade do teste. Metade dos alunos viu imagens de negros e brancos associadas a palavras negativas ou positivas. À outra metade, foram mostradas fotos de casais de meninos e meninas, com termos relacionados com a ciência ou arte e literatura. Em uma escala de zero (sem preconceito) a 1 (preconceito máximo), a pontuação média foi superior a 0,55.
Após o treinamento, os psicólogos mostraram os resultados aos participantes e pediram para que repetissem o teste, mas com a cabeça, pensando a relação entre imagens e palavras e escolhendo as não discriminatórias. Quando acertavam, o programa emitia um som. No final da tarefa, os voluntários foram convidados a dormir durante 90 minutos. O objetivo não era que descansassem, mas aplicar o que a ciência chama de consolidação das memórias através do sono. Além de reparar, o sonho é o mecanismo que o cérebro usa para fixar na memória ou descartar as experiências e lições do dia.
Quando os rapazes estavam na fase do sono de ondas lentas, ou sono profundo, os pesquisadores começaram a emitir para metade deles o mesmo som que tinham ouvido quando associavam negros com palavras boas ou mulheres com termos de ciência. Ao acordarem, como é explicado na revista Science, eles repetiram o TAI. Comprovaram que suas pontuações de preconceito tinham diminuído para 0,17, mas apenas aqueles que tinham sido embalados pelo som. Os outros mostraram a mesma pontuação.
“Nós chamamos isso de reativação dirigida de lembranças, porque os sons reproduzidos durante o sono podem melhorar a memória para a informação reforçada com estímulos do que sem estímulos”, diz em um comunicado o diretor do Programa de Neurociência Cognitiva da Northwestern, Ken Paller. Estudos anteriores tinham mostrado que, durante o sono, era possível estimular o cérebro para fixar conhecimentos e que isso poderia ser associado a estímulos sensoriais, como odores ou sons. Mas, desta vez, foram excluídos os preconceitos de gênero ou de raça.
A coisa mais surpreendente é que essa lavagem cerebral parece persistente. Depois de uma semana, os jovens repetiram os dois exames. Aqueles que não foram estimulados com o som não variaram seus resultados. Mas os que tiveram suas memórias reforçadas durante o sono com o som ainda mostraram uma redução de estereótipos, embora menor do que quando acordaram do primeiro sono.
“É surpreendente que a intervenção sobre o sono ainda possa ter um impacto claro, mesmo uma semana depois”, comenta o principal autor do estudo, Xiaoqing Hu. “Poderíamos esperar que uma única e breve intervenção não fosse forte o suficiente para ter um impacto duradouro e que seria melhor usar mais sessões e treinamento, mas nossos resultados mostram como a aprendizagem, mesmo desse tipo, depende do sono”, acrescenta.

Choques contra o racismo

O estudo não explica o que acontece no cérebro para reduzir o preconceito contra outros. Mas outro trabalho publicado este mesmo mês pode dar algumas pistas. Usando o mesmo Teste de Associação Implícita, psicólogos do Instituto para o Cérebro e a Cognição da Universidade de Leiden (Países Baixos) mediram o preconceito contra os norte-africanos entre um grupo de estudantes holandeses. Mas, neste caso, eles foram curados do racismo com choques elétricos.
Como explicado na revista Brain Stimulation, os 60 participantes foram divididos em três grupos. Todos tiveram que fazer um TAI no qual tinham que relacionar nomes holandeses ou do norte da África com palavras positivas (paz, amor...) ou negativas (dor, tristeza...). Os pesquisadores fizeram com que os estudantes acreditassem que o objetivo do estudo era avaliar a tomada de decisão durante estimulação transcraniana de corrente direta, uma técnica que ativa ou apaga certas áreas do cérebro aplicando uma corrente elétrica de baixa intensidade que, no máximo, causa alguma queimação ou cócegas.
Na realidade, apenas metade dos participantes receberam os choques enquanto realizavam o teste durante 20 minutos. O resto recebeu a corrente por alguns segundos, embora acreditaram que continuavam ligados o resto do tempo. Os psicólogos colocaram eletrodos no córtex pré-frontal, a área do cérebro implicada no controle cognitivo, como uma porta de entrada para o inconsciente.
Comprovaram que, em comparação com aqueles que receberam o estímulo falso, os participantes cujo cérebro recebeu o estímulo elétrico, mostravam uma redução significativa do preconceito racial. Para os autores, isso sugere que ao excitar o córtex pré-frontal, os indivíduos podem controlar suas atitudes implícitas e pensamentos mais profundos. No entanto, esse mecanismo contra o racismo só funciona com o uso dos eletrodos.
Os resultados dos estudos ainda são preliminares. É necessário estudar mais quanto tempo duram os efeitos e como podem ser influenciados pelo ambiente social; e descobrir o mecanismo cerebral exato que leva a essa mudança. Além disso, segundo escreveram na revista Science Gordon Feld y Jan Born, psicólogos da Universidade de Tubinga, há o dilema ético: é aceitável modificar pensamentos e comportamentos indesejáveis?
fonte - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/28/ciencia/1432828182_745841.html
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SAÚDE, BIOÉTICA E POLÍTICA – Vendem-se corpos e compram-se consciências? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/04/saude-bioetica-e-politica-vendem-se.html

RAÇA, RACISMO E IDEOLOGIA: ZUMBI ERA UM VÂNDALO, UM BLACK O QUÊ? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/11/raca-racismo-e-ideologia-zumbi-era-um.html

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Pessoas vivendo com Alzheimer mantêm suas emoções

Mesmo sem memória, paciente de Alzheimer mantém emoções

A constatação é da Universidade de Iowa, nos EUA
(imagem - foto colorida da matéria, com um neurocirurgião examinando através de um aparelho uma neuroimagem do cérebro, fotografia AFP)
Manaus - Os pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo quando se esquecem do motivo que as causou por causa da doença, afirmou Edmarie Guzmán-Vélez, que comandou uma pesquisa sobre o tema publicada na revista ‘Cognitive and Behavioral Neurology’.
O estudo assinala que, apesar de os pacientes não conseguirem se lembrar de uma visita recente de um ente querido ou que não receberam os cuidados devidos, essas ações podem ter um impacto em seus sentimentos.
Em entrevista, Edmarie destacou que é importante que familiares e cuidadores aprendam a se comunicar com o paciente com Alzheimer para fazer com que sintam emoções positivas.
“Talvez o paciente não se lembre do motivo que o levou a comer seu prato favorito, mas esse momento de felicidade, esse sentimento positivo vai continuar em sua mente”, garantiu Edmarie, autora principal do estudo e doutoranda em psicologia clínica na Universidade de Iowa (EUA).
“Por outro lado, se acontece alguma coisa que o faça se sentir triste, esse sentimento vai permanecer durante um tempo, o que significa que é extremamente importante que nos dediquemos a tentar induzir emoções positivas e minimizar o máximo possível as emoções negativas”, acrescentou.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou para 17 pessoas sem a doença e a 17 com o mal de Alzheimer fragmentos de filmes tristes e alegres, que resultaram em emoções como risos e lágrimas. Cerca de cinco minutos depois, os pesquisadores entregaram aos participantes um teste de memória para ver se conseguiam se lembrar do que tinham visto.
Como era de se esperar, os pacientes com Alzheimer guardaram significativamente menos informação sobre os filmes. De fato, quatro deles foram incapazes de se lembrar de qualquer informação sobre os filmes e um sequer se recordou que tinha visto um filme.
No entanto, os pacientes mantiveram o sentimento de alegria ou tristeza por um período de até 30 minutos depois de terem assistido o filme.
“Isso confirma que a vida emocional de um paciente com Alzheimer está viva”, afirmou a investigadora, que destacou as implicações diretas que têm suas descobertas para ensinar os cuidadores a melhorar o tratamento com os pacientes.
Para Edmarie, as visitas frequentes, as interações sociais, o exercício físico, a música, a dança e as brincadeiras “são coisas simples que podem ter um impacto emocional durável na qualidade de vida de um paciente e no seu bem-estar subjetivo”.
Estima-se que nos Estados Unidos o mal de Alzheimer afetará 16 milhões de pessoas em 2050, sem que tenha sido descoberto, até o momento, um medicamento para prevenir ou influenciar o desenvolvimento progressivo desse tipo de doença neurodegenerativa.
Edmarie conduziu o estudo com Daniel Tranel, professor de neurologia e psicologia da Universidade de Iowa, e Justin Feinstein, professor assistente na Universidade de Tulsa, no Estado de Oklahoma, e do Laureate Institute for Brain Research.
Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, mais de 35 milhões de pessoas no mundo têm a doença que afeta e gera demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Só no Brasil, são cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.
O mal de Alzheimer atinge principalmente idosos a partir dos 55 anos de idade e leva a problemas sérios, incluindo dificuldade em se realizar atividades básicas do dia a dia. A doença ainda é marcada pela falta de conhecimento e pela crença de que alguns sintomas são naturais do processo do envelhecimento.
Teste de sangue identifica proteínas que causam doença
A novidade ganhou as manchetes da respeitada revista científica Alzheimer’s & Dementia: um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, criou um teste de sangue, tão simples quanto o do colesterol, capaz de identificar um conjunto de proteínas no sangue que pode antever o surgimento da demência com 87% de precisão.
Os resultados do estudo, realizado com mais de mil pessoas, serão usados para aprimorar os testes com novos medicamentos.
Apesar do grande avanço para compreender o mal, que afeta mais de 40 milhões de pessoas em todo mundo, parte da classe científica tem questionado o valor desse tipo de exame, já que o tratamento para a doença ainda não foi descoberto. Basta imaginar a reação de uma pessoa cujo diagnóstico foi positivo e que pouco pode fazer para melhorar seu estado nos anos que lhe sobram de vida. Algo que só tende a piorar com o tempo.
O mal de Alzheimer é uma forma de demência decorrente da degeneração e morte das células cerebrais e seus sintomas mais frequentes são enfraquecimento da memória e do processo cognitivo, aquele relacionado à aprendizagem.
Ele se manifesta com maior frequência a partir dos 65 anos. A boa notícia, no entanto, é que a prevenção, como tudo que diz respeito à saúde, é um caminho promissor para manter as funções cerebrais e corporais azeitadas.
Afinal, não se pode esquecer, que sempre é tempo de fazer mudanças cotidianas para garantir uma boa qualidade de vida, segundo recomendam cientistas que pesquisam a doença.
fonte - http://new.d24am.com/noticias/saude/mesmo-memoria-paciente-alzheimer-mantem-emocoes/120714

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Médica da Clínica Mayo traz respostas importantes sobre o avanço da doença

DOENÇA DE ALZHEIMER - Impacto da doença cresce
em todo o mundo, com o aumento da longevidade.


Pesquisa avança, mas ainda não tem a resposta para a cura.
Estima-se que a doença afete mais de 115 milhões de pessoas até 2050.

(imagem - do meu blog InfoAtivoDefNet - 
uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. 
É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento,
 feita há mais de um século, da Sra. August D.)

Cientistas de todo o mundo lutam para encontrar uma cura para a doença de Alzheimer,
muito temida, que cresce em ritmo acelerado em todo o mundo, em consequência do aumento
da expectativa de vida da população;
 Quanto mais velha, maior o risco de uma pessoa sofrer dessa patologia que afeta o cérebro,
 “apagando as recordações”
e que condena o paciente, bem como sua família, a uma deterioração devastadora e
 inevitável da qualidade de vida.

Até hoje, a medicina conhece as causas desse tipo de demência, porém não conseguiu
descobrir a cura. As estatísticas indicam que aproximadamente 44 milhões de pessoas
convivem com a demência em todo o mundo, número que,
segundo se estima, aumentará para cerca de 115 milhões até o ano 2050.
Por isso, já se faz referência à Alzheimer como uma epidemia mundial.
No entanto, os avanços na pesquisa estão produzindo informações novas e promissoras
sobre a origem do problema e trazendo esperanças de se poder detectar a doença em
estágios mais precoces, como também definir formas mais específicas de tratá-la.

Pesquisadores da Clínica Mayo, de Jacksonville, Flórida, divulgaramrecentemente os
resultados de um amplo estudo realizado em centenas de genes, com mais de
700 amostras de tecidos cerebrais de pacientes com a doença de Alzheimer ou
outros distúrbios neurodegenerativos.
A médica Minerva Carrasquillo, uma das participantes dessa pesquisa, explica o
avanço da doença de Alzheimer e as novas ferramentas para combatê-la à
disposição da ciência. Acompanhe sua entrevista:

Se a ciência já definiu que a doença de Alzheimer decorre de um acúmulo no cérebro
da proteína beta-amilóide e da proteína tau.
Por que tem sido tão difícil encontrar uma droga que cure e previna a doença –
 ou mesmo uma vacina?

A evidência obtida até hoje indica que a patologia da doença de Alzheimer se inicia
com o acúmulo da proteína beta-amilóide, o que resulta em uma cascata de eventos,
que terminam com a destruição de neurônios, em regiões do cérebro essenciais
para a preservação da memória e das funções cognitivas. Ainda que os tratamentos
 já desenvolvidos para reduzir o acúmulo dessa proteína tenham apresentado
 efeito colaterais, temos feito progresso nas tentativas de eliminá-los.
A maior dificuldade tem sido encontrar drogas que possam cruzar a
barreira hematoencefálica (barreira entre o sangue e o cérebro) e que não produzam
efeitos colaterais sérios. Porém, quanto mais aprendemos sobre os
 fatores genéticos e ambientais, que aumentam o risco de
desenvolvimento da doença de Alzheimer, mais aumentamos o
 armamento para combater essa doença.

Em que porcentagem a herança genética influencia na neurodegeneração,
 em comparação com a idade avançada e com fatores ambientais de risco?

Estudos epidemiológicos que compararam a relação da Alzheimer
entre gêmeos idênticos (univitelinos) e gêmeos fraternos (bivitelinos)
estimaram que o componente genético dessa doença oscila entre 58% e 79%.
Portanto, não há dúvida de que os genes exercem um papel muito
importante no desenvolvimento da neurodegeneração.
Porém, esses estudos também demonstraram que os fatores ambientais
contribuem em uma percentagem significativa para o desenvolvimento da doença.
Por isso, devem ser estudados, a fim de se determinar se podem ser
modificados a ponto de diminuir, significativamente, os efeitos dos riscos genéticos.
Embora ainda não se tenha avaliada a porcentagem de risco oriundo especificamente
do envelhecimento, sabe-se que a idade avançada também aumenta a deterioração
do cérebro, o que, pelo que sabemos, intensifica os efeitos adversos dos
fatores genéticos que contribuem para o risco de desenvolver a doença de Alzheimer.
Por isso, o estudo de fatores que influenciam na longevidade também pode
contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para a doença de Alzheimer.

As pessoas que têm antecedentes familiares da doença de Alzheimer
contam com alguma forma de prevenção de seu desenvolvimento?

Não. Ainda não se encontrou um tratamento para a prevenção do
desenvolvimento dessa doença.

Atualmente, o mercado farmacêutico oferece medicamentos indicados para
 retardar a progressão dessa doença, quando é diagnosticada.
Quais têm sido os resultados conseguidos com o uso desses medicamentos,
considerando seus altos custos?

Os medicamentos disponíveis atualmente apenas diminuem a progressão
dos sintomas e, infelizmente, o benefício é, com frequência, imperceptível.
Por isso, há tanta urgência em descobrir melhores tratamentos.

Qual a diferença entre o estudo recente da Clínica Mayo em comparação
 com os estudos realizados anteriormente, tanto na Mayo como em outras instituições?

Até há pouco tempo, a maioria dos estudos se concentravam em genes ou
em proteínas com funções relacionadas aos sintomas ou à patologia da doença.
Nos últimos cinco anos, estudos do genoma identificaram 20 variantes
associadas ao risco do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
No entanto, ainda não se sabe exatamente qual é a função dessas variantes.
Portanto, o enfoque de nosso estudo mais recente se concentra
em determinar se essas novas variantes causam mudanças na expressão genética no cérebro.

Qual é o principal mérito dos resultados obtidos?

Graças ao grande número de amostras de tecido de autópsia cerebral
 que foram doadas à Clínica Mayo para a pesquisa de doenças neurodegenerativas,
 temos capacidade estatística suficiente para detectar associações
de variantes com níveis de expressão de genes específicos.
 Os genes que demonstram ser modulados pelas variantes que foram associadas
 ao risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer poderiam
se converter em novos caminhos de intervenções terapêuticas.

De que maneira esse estudo contribui para a possibilidade de desenvolver terapias eficazes?

Nosso estudo está facilitando a identificação dos genes associados à doença
e nos guia para os mecanismos biológicos que contribuem para a doença.
O desenvolvimento de tratamentos eficazes depende do
conhecimento desses mecanismos biológicos.

Há alguma esperança a curto prazo?

Falar de cura tem sido muito difícil até agora. Porém, é preciso manter sempre
a esperança. Milhares de cientistas em todo o mundo trabalham arduamente
 com esse objetivo em mente e, a cada dia, recebemos mais informações
 que nos levam para mais próximos dessa meta.

Na recente Conferência Internacional de Copenhague (julho), foi feita
referência à relação entre a doença de Alzheimer e a perda do olfato.
Essa associação ajudará na detecção mais precoce do problema?

De acordo com os resultados desse estudo, a correlação entre a perda do olfato
e a doença de Alzheimer é significativa, porém não é perfeita.
Por isso, não se pode usá-la para predizer o desenvolvimento dessa doença.
Porém, conforme se especula, será possível utilizá-la em combinação com os
exames já existentes para se poder diagnosticar a doença em pacientes,
antes que eles apresentem todos os sintomas que até agora têm sido
 usados para definir a doença, como, por exemplo, a perda de memória episódica.

Em quanto tempo se poderá aplicar esse conhecimento à prática clínica?
De que depende o desenvolvimento desses testes?

Ainda que o exame de odor, que foi utilizado nesses estudos, seja fácil
 de aplicar e não é caro, é difícil prever quando se poderá utilizar esse
conhecimento, de fato, na prática clínica. Esses estudos ainda estão
em etapas iniciais e requerem confirmação em um grupo maior e independente de pacientes.

Alguns estudos identificaram placas de beta-amilóide na retina de pacientes
 afetados pela doença. Essa é uma descoberta realmente promissora?

De uma forma similar aos estudos sobre a perda de olfato, os estudos que
visualizaram as placas de beta-amilóide no olho concluem que esses exames
poderiam ajudar a diagnosticar a doença de Alzheimer em idade mais precoce,
medir o progresso da doença e as respostas a terapias. De acordo com os pesquisadores
participantes do estudo que visualiza a beta-amilóide no cristalino (a lente dos olhos),
a correlação da densidade de placas na lente com o diagnóstico clínico da doença
de Alzheimer é muito significativa. Porém, ainda são necessários novos estudos
para examinar essa correlação a longo prazo em indivíduos sem demência,
para determinar se, na realidade, esses exames podem ser utilizados para
diagnosticar a doença em idade mais precoce. Esse estudo foi financiado, em parte,
por verbas dos Institutos Nacionais de Saúde e pelo
Centro de Pesquisa da Doença da Alzheimer da Mayo.

Para mais informações sobre tratamento da doença de Alzheimer na
 Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, os interessados devem contatar
 o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 1-904-953-7000
 ou envie e-mail para intl.mcj@mayo.edu.
 Para mais informações em português, visite www.mayoclinic.org/portuguese/.

Sobre a Mayo Clinic
Completando 150 anos de serviços à humanidade em 2014,
a Mayo é uma das principais clínicas mundiais, dedicada à atenção médica,
 pesquisa e educação para pessoas em todas as etapas da vida.
 Não tem fins lucrativos. Para mais informações,
 acesse150years.mayoclinic.org ou newsnetwork.mayoclinic.org/.

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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html