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sexta-feira, 13 de março de 2020

Alzheimer&Pesquisas - Pesquisa da UFMG pode ajudar no diagnóstico precoce do Alzheimer

PESQUISA DA UFMG pode ajudar no diagnóstico precoce do ALZHEIMER
O exame, que ainda está em fase experimental, analisa a retina do paciente para verificar a presença de uma proteína relacionada à doença
Método desenvolvido por pesquisadores da UFMG detecta acúmulo de proteína beta-amilóide através da retina. Uma vez acumulada nos neurônios, a substância prejudica os impulsos cerebrais, levando ao Alzheimer (foto: UFMG/Divulgação)

Método desenvolvido por pesquisadores da UFMG detecta acúmulo de proteína beta-amilóide através da retina. Uma vez acumulada nos neurônios, a substância prejudica os impulsos cerebrais, levando ao Alzheimer(foto: UFMG/Divulgação)

Perda de memória, repetição de perguntas, irritabilidade, dificuldade para encontrar as palavras certas. Esses são alguns dos sintomas mais comuns do Mal de Alzheimer, doença degenerativa neurológica, geralmente silenciosa no início, que atinge mais de um milhão de brasileiros. O quadro costuma se manifestar em pessoas de idade mais avançada, sendo responsável por mais de metade dos casos de demência nessa população. Porém, apesar de ser uma doença bem conhecida da Ciência, o diagnóstico é complexo. "Ele pode ser feito clinicamente, analisando os sintomas, ou através de um PET scan, exame muito caro em que o paciente precisa tomar um contraste radioativo", diz Leandro Malard, professor do departamento de física da UFMG.


Ele é um dos integrantes de um projeto que procura uma nova forma de diagnosticar o Alzheimer antes mesmo de os sintomas aparecerem. O famoso ditado diz que "os olhos são a janela para a alma", e eles também podem ser uma janela para o cérebro. "Afinal, a retina é um tecido neuronal, que vai diretamente para o cérebro", destaca Leandro Malard. Desenvolvido em parceria com pesquisadores da área de medicina e biologia, a pesquisa usa um raio laser nos olhos para detectar a presença de uma proteína chamada beta-amilóide. "Essa substância se acumula em placas nos neurônios, lesando a célula e prejudicando as sinapses, levando ao aparecimento dos sintomas do Alzheimer", explica o professor.

Testado em retinas de uma raça de camundongos que desenvolve a doença, o diagnóstico é feito através da análise do comportamento do laser após atingir a membrana. "É uma técnica óptica chamada Espectroscopia Raman. Deste modo, obtemos diversas informações, entre elas, as ligações químicas, fornecendo uma 'impressão digital' da amostra", esclarece Leandro Malard. Caso seja detectada a presença da proteína beta-amilóide na retina, é possível iniciar um tratamento precoce do Alzheimer, evitando o surgimento de alguns sintomas e melhorando a qualidade de vida do paciente.

O próximo passo da pesquisa é mostrar que os exames podem ser feitos com segurança, sem danificar a retina. "Feito isso, será hora de pedir permissão ao comitê de ética da universidade, para começar os exames em pessoas. Ainda tem toda uma legislação por trás, então ainda devem passar alguns anos antes de a tecnologia chegar ao mercado tornando-se um método de diagnóstico eficaz e não invasivo, que poderá ser usado em consultas de rotina", projeta o pesquisador.


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 Alzheimer não é uma piada, mas pode ser poesia de Vida 

domingo, 26 de julho de 2015

ALZHEIMER/NOVOS TRATAMENTOS - Novo medicamento pode ser eficaz para a doença

SOLANEZUMAB: UMA ARMA DE FUTURO CONTRA O ALZHEIMER

solanezumab_01
(imagem - foto da matéria com uma fotografia em preto e branco de uma mulher com uma criança no colo sendo segura por mãos envelhecidas, com a foto desfocada, como representação de lembranças que se apagam na memória)

Investigadores do laboratório Eli Lilley mostram-se bastante animados com os primeiros resultados deste novo medicamento que promete ser uma arma de futuro no combate à doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é a principal forma de demência, afectando 36 milhões de pessoas em todo o Mundo. A doença aumenta exponencialmente com o aumento de idade (30% das pessoas com mais de 80 anos têm Alzheimer) e estima-se que, com o aumento da esperança média de vida, 1 em cada 85 pessoas em 2050 seja afectada. Uma verdadeira epidemia com implicações sociais graves decorrentes da perda de capacidades cognitivas dos doentes.
Os medicamentos existentes no mercado têm resultados moderados, dirigindo-se apenas ao combate dos principais sintomas. Durante anos os investigadores lutaram para encontrar um fármaco que conseguisse ir mais além e actuar directamente na raiz do problema, intervindo ao nível da causa ao invés de tentar controlar os sintomas. E parece que estamos mais próximos desse objectivo, pelo menos a julgar pelo entusiasmo suscitado na equipa de investigação da Eli Lilley que andou a trabalhar nos últimos anos num fármaco.
O medicamento em foco tem de seu nome solanezumab e actua sobre as placas de beta-amilóide que se acumulam nos neurônios de algumas regiões cerebrais específicas, nomeadamente o hipocampo e o nucleo basal de Meyenert. A acumulação de proteínas amilóide nas células neuronais é um dos principais mecanismos fisiopatológicos subjacentes à doença de Alzheimer, sendo que o solanezumab (um anticorpo monoclonal) ataca e impede a ligação destes compostos proteicos.
solanezumab_02
(imagem - representação de neurônio em três fases do Alzheimer, com a proteína beta amilóide sendo produzida e próxima dos axônios (que são extensões e conexões das célunas do SNC), e como as placas de beta amilóide vão inibindo e bloqueando a comunicação entre as células até a sua morte. A nova droga Solanezumab trabalha atacando estas placas, representada por bolinhas pretas que englobam-se às proteínas betaamilóides em pequenos traços vermelhos ao centro.)

Todavia a história do solanezumab foi feita de altos e baixo. Em 2012 o primeiro ensaio no qual esteve envolvido terminou com resultados desapontantes. Mas uma análise cuidada posterior revelou que os doentes com formas mais moderadas da doença que tinham tomado solanezumab mostravam melhores resultados nos testes de funções cognitivas, um declínio 30% mais lento quando comparado com os doentes do grupo placebo.
Em face disto a empresa farmacêutica decidiu estender o ensaio mais algum tempo, de modo a analisar melhor quais os efeitos reais do solanezumab sobre os doentes com formas de doença moderada. Para isso decidiram incluir todos os doentes neste estadio no estudo, tendo sido dado a todos (mesmo àqueles que antes estavam no grupo placebo) o fármaco em questão.
Os resultados da segunda fase do estudo foram apresentados no passado dia 22 de julho na conferência da Associação Internacional de Alzheimer e vieram confirmar a eficácia do solanezumab. Os investigadores verificaram que os doentes que na primeira fase tinham tomado solanezumab mostravam um declíno mais lento da sua função cognitiva. Os doentes do grupo placebo, apesar de mostrarem melhores resultados nos testes após começarem a tomar o solanezumab, não chegaram a igualar os resultados do outro grupo, sugerindo que o fármaco tenha um efeito sobre a história natural da doença e não sobre os sintomas (se fosse este o caso, era expectável que ambos os grupos se equivalessem).
Os resultados deste estudo vêm dar um novo alento na busca de uma cura ou de pelo menos um tratamento mais eficaz da doença de Alzheimer. Por agora o medicamento vai entrar num novo estudo, cujos resultados serão divulgados daqui a 18 meses. Apesar de ainda ter que entrar num novo estudo demorar alguns anos até o solanezumab entrar no mercado, os médicos olham com entusiasmo para este fármaco. Richard Morris, professor de neurociência na Universidade de Edinburgo declarou-se “cautelosamente otimista”. “Da perspectiva do público, eles também deveriam estar assim. Isto não é um estudo em animais, é um estudo em pessoas e isso é significativo.”
FONTE - http://shifter.pt/2015/07/solanezumab-uma-arma-de-futuro-contra-o-alzheimer/
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MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Médica da Clínica Mayo traz respostas importantes sobre o avanço da doença

DOENÇA DE ALZHEIMER - Impacto da doença cresce
em todo o mundo, com o aumento da longevidade.


Pesquisa avança, mas ainda não tem a resposta para a cura.
Estima-se que a doença afete mais de 115 milhões de pessoas até 2050.

(imagem - do meu blog InfoAtivoDefNet - 
uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. 
É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento,
 feita há mais de um século, da Sra. August D.)

Cientistas de todo o mundo lutam para encontrar uma cura para a doença de Alzheimer,
muito temida, que cresce em ritmo acelerado em todo o mundo, em consequência do aumento
da expectativa de vida da população;
 Quanto mais velha, maior o risco de uma pessoa sofrer dessa patologia que afeta o cérebro,
 “apagando as recordações”
e que condena o paciente, bem como sua família, a uma deterioração devastadora e
 inevitável da qualidade de vida.

Até hoje, a medicina conhece as causas desse tipo de demência, porém não conseguiu
descobrir a cura. As estatísticas indicam que aproximadamente 44 milhões de pessoas
convivem com a demência em todo o mundo, número que,
segundo se estima, aumentará para cerca de 115 milhões até o ano 2050.
Por isso, já se faz referência à Alzheimer como uma epidemia mundial.
No entanto, os avanços na pesquisa estão produzindo informações novas e promissoras
sobre a origem do problema e trazendo esperanças de se poder detectar a doença em
estágios mais precoces, como também definir formas mais específicas de tratá-la.

Pesquisadores da Clínica Mayo, de Jacksonville, Flórida, divulgaramrecentemente os
resultados de um amplo estudo realizado em centenas de genes, com mais de
700 amostras de tecidos cerebrais de pacientes com a doença de Alzheimer ou
outros distúrbios neurodegenerativos.
A médica Minerva Carrasquillo, uma das participantes dessa pesquisa, explica o
avanço da doença de Alzheimer e as novas ferramentas para combatê-la à
disposição da ciência. Acompanhe sua entrevista:

Se a ciência já definiu que a doença de Alzheimer decorre de um acúmulo no cérebro
da proteína beta-amilóide e da proteína tau.
Por que tem sido tão difícil encontrar uma droga que cure e previna a doença –
 ou mesmo uma vacina?

A evidência obtida até hoje indica que a patologia da doença de Alzheimer se inicia
com o acúmulo da proteína beta-amilóide, o que resulta em uma cascata de eventos,
que terminam com a destruição de neurônios, em regiões do cérebro essenciais
para a preservação da memória e das funções cognitivas. Ainda que os tratamentos
 já desenvolvidos para reduzir o acúmulo dessa proteína tenham apresentado
 efeito colaterais, temos feito progresso nas tentativas de eliminá-los.
A maior dificuldade tem sido encontrar drogas que possam cruzar a
barreira hematoencefálica (barreira entre o sangue e o cérebro) e que não produzam
efeitos colaterais sérios. Porém, quanto mais aprendemos sobre os
 fatores genéticos e ambientais, que aumentam o risco de
desenvolvimento da doença de Alzheimer, mais aumentamos o
 armamento para combater essa doença.

Em que porcentagem a herança genética influencia na neurodegeneração,
 em comparação com a idade avançada e com fatores ambientais de risco?

Estudos epidemiológicos que compararam a relação da Alzheimer
entre gêmeos idênticos (univitelinos) e gêmeos fraternos (bivitelinos)
estimaram que o componente genético dessa doença oscila entre 58% e 79%.
Portanto, não há dúvida de que os genes exercem um papel muito
importante no desenvolvimento da neurodegeneração.
Porém, esses estudos também demonstraram que os fatores ambientais
contribuem em uma percentagem significativa para o desenvolvimento da doença.
Por isso, devem ser estudados, a fim de se determinar se podem ser
modificados a ponto de diminuir, significativamente, os efeitos dos riscos genéticos.
Embora ainda não se tenha avaliada a porcentagem de risco oriundo especificamente
do envelhecimento, sabe-se que a idade avançada também aumenta a deterioração
do cérebro, o que, pelo que sabemos, intensifica os efeitos adversos dos
fatores genéticos que contribuem para o risco de desenvolver a doença de Alzheimer.
Por isso, o estudo de fatores que influenciam na longevidade também pode
contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para a doença de Alzheimer.

As pessoas que têm antecedentes familiares da doença de Alzheimer
contam com alguma forma de prevenção de seu desenvolvimento?

Não. Ainda não se encontrou um tratamento para a prevenção do
desenvolvimento dessa doença.

Atualmente, o mercado farmacêutico oferece medicamentos indicados para
 retardar a progressão dessa doença, quando é diagnosticada.
Quais têm sido os resultados conseguidos com o uso desses medicamentos,
considerando seus altos custos?

Os medicamentos disponíveis atualmente apenas diminuem a progressão
dos sintomas e, infelizmente, o benefício é, com frequência, imperceptível.
Por isso, há tanta urgência em descobrir melhores tratamentos.

Qual a diferença entre o estudo recente da Clínica Mayo em comparação
 com os estudos realizados anteriormente, tanto na Mayo como em outras instituições?

Até há pouco tempo, a maioria dos estudos se concentravam em genes ou
em proteínas com funções relacionadas aos sintomas ou à patologia da doença.
Nos últimos cinco anos, estudos do genoma identificaram 20 variantes
associadas ao risco do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
No entanto, ainda não se sabe exatamente qual é a função dessas variantes.
Portanto, o enfoque de nosso estudo mais recente se concentra
em determinar se essas novas variantes causam mudanças na expressão genética no cérebro.

Qual é o principal mérito dos resultados obtidos?

Graças ao grande número de amostras de tecido de autópsia cerebral
 que foram doadas à Clínica Mayo para a pesquisa de doenças neurodegenerativas,
 temos capacidade estatística suficiente para detectar associações
de variantes com níveis de expressão de genes específicos.
 Os genes que demonstram ser modulados pelas variantes que foram associadas
 ao risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer poderiam
se converter em novos caminhos de intervenções terapêuticas.

De que maneira esse estudo contribui para a possibilidade de desenvolver terapias eficazes?

Nosso estudo está facilitando a identificação dos genes associados à doença
e nos guia para os mecanismos biológicos que contribuem para a doença.
O desenvolvimento de tratamentos eficazes depende do
conhecimento desses mecanismos biológicos.

Há alguma esperança a curto prazo?

Falar de cura tem sido muito difícil até agora. Porém, é preciso manter sempre
a esperança. Milhares de cientistas em todo o mundo trabalham arduamente
 com esse objetivo em mente e, a cada dia, recebemos mais informações
 que nos levam para mais próximos dessa meta.

Na recente Conferência Internacional de Copenhague (julho), foi feita
referência à relação entre a doença de Alzheimer e a perda do olfato.
Essa associação ajudará na detecção mais precoce do problema?

De acordo com os resultados desse estudo, a correlação entre a perda do olfato
e a doença de Alzheimer é significativa, porém não é perfeita.
Por isso, não se pode usá-la para predizer o desenvolvimento dessa doença.
Porém, conforme se especula, será possível utilizá-la em combinação com os
exames já existentes para se poder diagnosticar a doença em pacientes,
antes que eles apresentem todos os sintomas que até agora têm sido
 usados para definir a doença, como, por exemplo, a perda de memória episódica.

Em quanto tempo se poderá aplicar esse conhecimento à prática clínica?
De que depende o desenvolvimento desses testes?

Ainda que o exame de odor, que foi utilizado nesses estudos, seja fácil
 de aplicar e não é caro, é difícil prever quando se poderá utilizar esse
conhecimento, de fato, na prática clínica. Esses estudos ainda estão
em etapas iniciais e requerem confirmação em um grupo maior e independente de pacientes.

Alguns estudos identificaram placas de beta-amilóide na retina de pacientes
 afetados pela doença. Essa é uma descoberta realmente promissora?

De uma forma similar aos estudos sobre a perda de olfato, os estudos que
visualizaram as placas de beta-amilóide no olho concluem que esses exames
poderiam ajudar a diagnosticar a doença de Alzheimer em idade mais precoce,
medir o progresso da doença e as respostas a terapias. De acordo com os pesquisadores
participantes do estudo que visualiza a beta-amilóide no cristalino (a lente dos olhos),
a correlação da densidade de placas na lente com o diagnóstico clínico da doença
de Alzheimer é muito significativa. Porém, ainda são necessários novos estudos
para examinar essa correlação a longo prazo em indivíduos sem demência,
para determinar se, na realidade, esses exames podem ser utilizados para
diagnosticar a doença em idade mais precoce. Esse estudo foi financiado, em parte,
por verbas dos Institutos Nacionais de Saúde e pelo
Centro de Pesquisa da Doença da Alzheimer da Mayo.

Para mais informações sobre tratamento da doença de Alzheimer na
 Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, os interessados devem contatar
 o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 1-904-953-7000
 ou envie e-mail para intl.mcj@mayo.edu.
 Para mais informações em português, visite www.mayoclinic.org/portuguese/.

Sobre a Mayo Clinic
Completando 150 anos de serviços à humanidade em 2014,
a Mayo é uma das principais clínicas mundiais, dedicada à atenção médica,
 pesquisa e educação para pessoas em todas as etapas da vida.
 Não tem fins lucrativos. Para mais informações,
 acesse150years.mayoclinic.org ou newsnetwork.mayoclinic.org/.

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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Pesquisadores da Unicamp/Usp procuram resposta para resistências diferenciadas à doença

Mentes Persistentes

Pesquisadores querem entender o que faz o cérebro de algumas pessoas resistir aos efeitos do mal de Alzheimer
IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 215 - Janeiro de 2014
(imagem - representação de um sistema nervoso central, com referência às áreas mais afetadas pelo desenvolvimento da doença, com o córtex, o hipocampo e a amídala, com esquema sobre o processo de diferenciação de perdas neuronais e sintomas para cada tipo de cérebro pesquisado, com três cérebros diferentes no alto, com cores diferentes - desenho de Ana Paula Campos - Revista Pesquisa).
Os cérebros de quatro senhoras com idades entre 80 e 82 anos que morreram recentemente em São Paulo contam um pouco mais sobre a complexidade do mal de Alzheimer. Amostras desses cérebros, doados ao banco de encéfalos da Universidade de São Paulo (USP), foram analisadas ao microscópio e revelaram o amontoado de placas e emaranhados de proteínas que são a marca típica dos estágios avançados do Alzheimer. Era de esperar, portanto, que essas mulheres tivessem sofrido na última década de vida sérios problemas de perda de memória e de cognição, como dificuldade de se expressar e de perceber o espaço a sua volta. Entrevistas com familiares e cuidadores das idosas, porém, provaram que elas viveram lúcidas até o fim.
“Ninguém entende exatamente por que essas pessoas não desenvolveram demência”, admite o neuroanatomista Carlos Humberto Andrade-Moraes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu doutorado, feito sob a supervisão do neurocientista Roberto Lent, da mesma universidade, é o primeiro no mundo a analisar o número total de células do cérebro de idosos conhecidos como doentes de Alzheimer assintomáticos. O estudo, publicado com outros pesquisadores da UFRJ e da USP em dezembro na Brain, concluiu que o número de neurônios dos assintomáticos é praticamente igual ao de idosos saudáveis, diferentemente do que se vê no cérebro de pessoas com Alzheimer que desenvolvem demência, a perda de memória e da capacidade cognitiva. Na demência há uma redução drástica de neurônios no hipocampo e no córtex, as regiões cerebrais responsáveis pela consolidação da memória e pelo raciocínio.
Em média, uma em cada 10 pessoas com mais de 65 anos apresenta os sinais clínicos do Alzheimer. A doença se manifesta primeiro com pequenos deslizes de memória, que com o tempo ficam mais frequentes, seguidos de falhas no julgamento moral, na percepção do espaço e do tempo e do aumento na dificuldade de se comunicar. A sobrevida média é de oito anos, ao longo dos quais os sintomas se agravam até a incapacitação total.
Há algum tempo se sabe que a demência é provocada pela destruição das sinapses, os trilhões de conexões entre os 86 bilhões de neurônios, as células cerebrais que armazenam e transmitem informações, das quais emergem as memórias e os pensamentos. Um neurônio saudável recebe até 10 mil sinapses de outros neurônios, trocando sinais elétricos e substâncias que o mantêm vivo. Impedidos de manter as sinapses no Alzheimer, os neurônios atrofiam e morrem. Como consequência, o volume do hipocampo e a espessura do córtex diminuem, o que pode ser visto em imagens de ressonância magnética. Segundo o neurologista Márcio Balthazar, que atende pessoas com Alzheimer no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as neuroimagens podem ajudar no diagnóstico da doença, mas ainda não substituem os testes laboratoriais, clínicos e psicológicos.
Em parceria com o neurologista Fernando Cendes, da Unicamp, Balthazar e seus colaboradores vêm apostando no aperfeiçoamento de uma nova forma de identificar o Alzheimer precocemente: o uso de neuroimagens para avaliar a atividade cerebral, e não apenas a anatomia. A ideia é observar em imagens de ressonância magnética funcional a atividade do cérebro quando os pacientes estão relaxados, sem pensar em nada. “Mesmo com a pessoa em repouso, vemos que algumas áreas do cérebro são ativadas simultaneamente, pulsando em uma mesma frequência, o que sugere que sejam grupos de neurônios se comunicando”, explica Balthazar. “Uma pessoa com Alzheimer tem essa rede menos conectada.”
Em artigo publicado em novembro na Psychiatric Research: Neuroimaging, o grupo da Unicamp conseguiu distinguir com cerca de 70% de acerto as neuroimagens da atividade cerebral em repouso de pessoas com sintomas moderados de demência daquelas de idosos saudáveis. Os pesquisadores observaram ainda uma relação entre as falhas de conexão da rede e o grau de perda de memória.
Quanto mais cedo melhorEsperamos aperfeiçoar o método para realizar o diagnóstico cada vez mais precocemente”, conta Balthazar. Apesar de o Alzheimer permanecer sem cura, quanto antes o diagnóstico for feito mais eficazes são as intervenções que aliviam os sintomas: o uso de inibidores de acetilcolinesterase e a realização de terapia ocupacional, reabilitação psicológica e atividade física, além do planejamento da família para o futuro.
Como a demência senil pode ter outras causas – problemas vasculares e outras doenças degenerativas –, o diagnóstico do Alzheimer em geral só é confirmado após a morte. A autópsia do tecido cerebral revela um excesso das chamadas placas neuríticas, ancoradas em ramificações dos neurônios, e dos emaranhados neurofibrilares, no interior dos neurônios atrofiados. Esses sinais são encontrados especialmente no hipocampo e no córtex cerebral. Até alguns anos atrás, a maioria dos pesquisadores acreditava que as placas neuríticas eram as responsáveis pelas disfunções sinápticas. Mas estudos recentes feitos pela equipe da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, ambos da UFRJ, vêm demonstrando que as placas, apesar de tóxicas, não são a causa principal da eliminação das sinapses e da morte dos neurônios (ver Pesquisa FAPESP n. 157).
De fato, as placas são formadas pelo acúmulo de pequenas moléculas de beta-amiloide. Normalmente produzida pelo cérebro, essa proteína sofre deformações no Alzheimer. Muitos pesquisadores, porém, hoje acreditam que são amontoados bem menores de beta-amiloide – os oligômeros, capazes de se difundir para dentro e para fora dos neurônios – os responsáveis por interferir nas sinapses. Outras pesquisas sugerem que esses oligômeros também formam os emaranhados neurofibrilares, que impedem o transporte de substâncias dentro dos neurônios e contribuem para a sua morte. Segundo esse raciocínio, a formação das placas seria uma tentativa do organismo de varrer os oligômeros para fora das células e para longe das sinapses. “As placas seriam protetoras e não causadoras da demência”, diz Andrade-Moraes.
A descoberta dos doentes de Alzheimer assintomáticos reforçou essa hipótese. As primeiras descrições desses casos surgiram em estudos que acompanharam centenas de idosos nos Estados Unidos. A comparação dos exames clínicos a que essas pessoas eram submetidas periodicamente com a análise de seus cérebros após a morte revelou que de 25% a 40% dos casos diagnosticados histologicamente como sendo Alzheimer não haviam desenvolvido demência. “Embora permaneça duvidoso se esses indivíduos continuariam clinicamente normais se tivessem vivido mais tempo, eles parecem ter sido capazes de compensar ou atrasar o aparecimento dos sintomas de demência”, escreveu em 2012 o neuropatologista Juan Troncoso, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, um dos primeiros a chamar a atenção para os pacientes assintomáticos.
Segundo Andrade-Moraes, antes do estudo publicado na Brain nenhum trabalho sobre o impacto do Alzheimer no número de células do cérebro havia comparado indivíduos com e sem demência. “Queríamos saber se os assintomáticos teriam alguma alteração na composição das células cerebrais”, ele diz.
A pesquisa foi feita em parceria com a equipe da neuropatologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Encéfalos Humanos da USP, que, além de analisar os cérebros de idosos mortos em São Paulo, investiga, por meio de questionários com familiares e cuidadores, como era o desempenho cognitivo dessas pessoas até 10 anos antes de sua morte.
Os pesquisadores da USP e da UFRJ selecionaram 14 cérebros de mulheres que morreram entre os 71 e os 88 anos (a prevalência do Alzheimer é um pouco maior entre as mulheres). Cinco tinham um nível de placas considerado normal para a idade, enquanto as demais apresentavam o excesso característico do Alzheimer. Dessas últimas, cinco apresentavam sinais de demência e quatro eram assintomáticas.
Menos neurônios, mais gliaOs cérebros foram processados na UFRJ em uma máquina, o fracionador isotrópico automático, construído pela equipe de Lent (ver Pesquisa FAPESP nº 192). A máquina transforma porções de cérebro em uma suspensão homogênea, contendo o núcleo das células. Anticorpos coloridos que se ligam ao núcleo dos neurônios permitem distingui-los das demais células do cérebro, as células da glia.
Como esperado, o hipocampo das mulheres com demência tinha metade do número de neurônios encontrado no hipocampo das saudáveis e das assintomáticas – aquelas com demência também tinham menos neurônios no córtex todo. Ao mesmo tempo, o cérebro das pessoas com demência tinha uma proporção maior de células da glia. “Essas células aumentam de número para proteger os neurônios, mas com o progresso da doença provocam uma inflamação que piora os sintomas de demência”, explica Andrade-Moraes. Ele, porém, não encontrou diferença significativa -– no número de neurônios e de células da glia – entre o cérebro de idosos saudáveis e o de idosos com Alzheimer assintomáticos.
Os assintomáticos devem possuir algum mecanismo fisiológico desconhecido que protege suas redes de neurônios dos efeitos dos oligômeros”, suspeita. “Algo afasta os oligômeros das sinapses, agregando-os rapidamente em placas.”
Para ele, um candidato a explicar esse mecanismo é a atuação mais eficiente da insulina no cérebro dos assintomáticos. Diferentemente do que ocorre em outros órgãos, o papel da insulina no cérebro parece não ser o controle do metabolismo de açúcar, mas a consolidação da memória e a formação de novas sinapses. Experimentos in vitro e com animais feitos por Fernanda De Felice e Sérgio Ferreira vêm demonstrando que a insulina protege os neurônios da ação dos oligômeros. Em artigo publicado em dezembro na Cell Metabolism, eles apresentaram novos mecanismos neuronais que provocam a perda de sinapses em camundongos e macacos com sinais semelhantes aos de Alzheimer. Parte do doutorado de Mychael Lourenço, esse trabalho mostrou ainda que um remédio usado para tratar diabetes tipo 2, a liraglutida, bloqueou os danos neuronais em modelos animais de Alzheimer. Atualmente uma equipe do Imperial College de Londres testa a liraglutida em 200 pessoas com Alzheimer.
Outra hipótese é que os assintomáticos possuem uma maior reserva cognitiva, talvez resultado de uma rede de sinapses mais complexa do que a dos que desenvolvem demência. Essa reserva permitiria resistir mais aos efeitos dos oligômeros. Essa ideia vem da observação de que os assintomáticos costumam ser pessoas com um nível de escolaridade maior ou que aprenderam a falar e a escrever cedo na infância. Na Unicamp, Balthazar tenta confirmar o efeito protetor da reserva cognitiva comparando a conectividade das redes neuronais em pacientes idosos com diferentes graus de escolaridade, hábitos de leitura e vida social. 
ProjetosInstituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia – Brainn (n° 2013/07559-3);Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Coord. Fernando Cendes – FCM/Unicamp; Investimento R$ 13.621.302,32 (FAPESP).
Artigos científicosANDRADE-MORAES, C.H. et al. Cell number changes in Alzheimer’s disease relate to dementia, not to plaques and tangles. Brain. dez. 2013.
LOURENCO, M.V. et al. TNF-  Mediates PKR-dependent memory impairment and brain IRS-1 inhibition induced by Alzheimer’s ß-amyloid oligomers in mice and monkeys. Cell Metabolism. 3 dez. 2013.
BALTHAZAR, M.L. et al. Whole cortical and default mode network mean functional connectivity as potential biomarkers for mild Alzheimer’s disease. Psychiatry Research. 11 nov. 2013.
fonte - http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/01/13/mentes-persistentes/
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

ALZHEIMER/PESQUISAS - Cientistas divergem sobre ação do Cobre na doença

Cobre evita ou causa Alzheimer? Novo estudo alimenta debate

Cientistas mostram que o mineral pode provocar o depósito de placas no cérebro que causam a doença

O cobre é encontrado em carne vermelha, laticínios e legumes Foto: Getty Images
(imagem - foto colorida de uma mulher idosa, branca, com sua mão apoiando a cabeça, de modo a expressar possível desânimo, humor alterado ou preocupação - arquivo Getty imagens
Cientistas publicaram novas evidências nesta segunda-feira (19) de que o cobre pode provocar o depósito de placas no cérebro que causam Alzheimer, alimentando novos debates sobre o papel do mineral nesta doença degenerativa.
A comunidade científica está dividida sobre a questão de se o cobre - encontrado na carne vermelha, em legumes, laticínios e dutos usados para canalizar água potável em grande parte dos países em desenvolvimento - causa ou evita o Mal de Alzheimer.
No mais recente estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas observaram como o cobre nos vasos sanguíneos pode causar um colapso na barreira sangue-cérebro, levando a um depósito da proteína beta-amiloide, placas que são a marca registrada do Alzheimer.
De acordo com o principal autor do estudo, Rashid Deane, professor da Universidade do Centro Médico Rochester, experimentos usando células de cobaias e humanas demonstraram que níveis baixos de cobre liberados através da água potável se acumularam nas paredes capilares que levam sangue para o cérebro. "São níveis muito baixos de cobre, equivalentes ao que as pessoas consumiriam em uma dieta normal", disse Deane.
O cobre provocou uma oxidação que interferiu em outra proteína, denominada proteína-1 relacionada a receptor de lipoproteína (LRP1), que normalmente removeria as beta-amiloides do cérebro, destacou este estudo.
Não apenas o cobre pareceu evitar a desobstrução das placas que acredita-se que sejam a principal responsável pelo mal de Alzheimer, como também estimulou os neurônios a produzir mais beta-amiloides.
Em um comunicado à imprensa, os cientistas descreveram suas descobertas como um "golpe duplo", que "fornece fortes evidências de que o cobre tem um papel-chave no Mal de Alzheimer". "O cobre é um metal essencial e é claro que estes efeitos se devem à exposição durante um longo período", disse Deane no comunicado. "A chave será extrair o equilíbrio exato entre o consumo excessivo e escasso de cobre. Atualmente, não podemos dizer qual seria o nível certo, mas a dieta pode finalmente desempenhar um papel importante em regular o processo", acrescentou.
No entanto, outros especialistas que estudaram a relação entre o cobre e o Mal de Alzheimer questionaram as descobertas do estudo. "Pesquisas incluindo a nossa mostram o contrário, que o cobre evita que a (proteína) amieloide forme o tipo de estrutura vista nas placas", afirmou Christopher Exley, professor de Química Bioinorgânica da Universidade Keele em Staffordshire.
Exley e seus colegas publicaram recentemente seu último estudo sobre o tema na edição de fevereiro da revista científica britânica Nature. "Acreditamos como grupo, com base no que sabemos, e nossa pesquisa foi feita com cérebros humanos e tecidos cerebrais, que o cobre protege contra o Alzheimer", afirmou. "É preciso uma quantidade significativa de tecido para produzir resultados em que você tenha um grande nível de confiança. O sistema capilar de um camundongo é algo muito, muito pequeno", disse Exley à AFP.
Outro cientista, George Brewer, professor emérito de medicina interna da escola de medicina da Universidade de Michigan, disse que os "autores perderam um ponto importante sobre a toxicidade do cobre no cérebro". "Eles não diferenciam o cobre transportado na água potável, como apresentado em seu estudo, do cobre encontrado na comida", afirmou Brewer em um e-mail enviado à AFP.
"Sempre tivemos cobre na comida, portanto esta não deve ser a causa desta nova epidemia de Alzheimer", afirmou. "Se eles tivessem vinculado esta quantidade de cobre à comida, ao invés de relacioná-la à água potável, não teria qualquer efeito", concluiu.
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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

domingo, 14 de abril de 2013

ALZHEIMER/SÍNDROME DE DOWN - Em ambas uma proteína SNX27 é associada a déficits cognitivos

Proteína da doença de Alzheimer está ligada à síndrome de Down

Grupo descobriu que falta da proteína SNX27 causa os mesmos déficits cognitivos em ambas doenças. Desafio é encontrar meios de aumentar sua produção no cérebro

O geneticista francês Jérôme Lejeune descobriu há mais de 50 anos que a síndrome de Down é causada pela presença de uma cópia extra do cromossomo 21. Mas até hoje permanece o mistério acerca de porque isso compromete o desenvolvimento físico e cognitivo. Agora, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Médica Sanford-Burnham acreditam ter encontrado uma pista.
Os cientistas, que estavam investigando a doença de Alzheimer, descobriram que ratos que não possuíam uma proteína conhecida como SNX27 tinham muitos dos mesmos déficits de aprendizagem e memória que os ratos com síndrome de Down. Investigando o cérebro de pessoas com a síndrome, os pesquisadores descobriram que eles também não tinham a SNX27. 
Embora o cromossomo 21 não esteja diretamente envolvido na produção SNX27, ele codifica um regulador – miR-155 – que inibe sua produção. De acordo com o estudo, publicado no periódico Nature Medicine, os níveis de miR-155 no cérebro de pessoas com síndrome de Down se correlacionam quase exatamente com a redução da SNX27.
"No cérebro, a SNX27 mantém determinados receptores na superfície celular – os receptores que são necessários para os neurônios dispararem corretamente", disse o autor principal do estudo, Huaxi Xu, em um comunicado divulgado pelo instituto. "Assim, acreditamos que na síndrome de Down a falta de SNX27 é pelo menos parcialmente responsável por déficits cognitivos e de desenvolvimento."
Para testar suas descobertas, a equipe de Xu introduziu mais SNX27 nos ratos com síndrome de Down. Conforme esperado, os ratos mostraram melhoras imediatas na função cognitiva e no comportamento. Agora os pesquisadores estão investigando moléculas que possam aumentar a produção de SNX27 no cérebro humano.
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A PAGAR-SE UMA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/pagar-se-uma-pessoa-com-sindrome-de.html

quarta-feira, 3 de abril de 2013

ALZHEIMER/PESQUISAS - Estudo da Universidade de Coimbra associa Diabetes 2 e Alzheimer

Diabetes tipo 2 pode desencadear Alzheimer

Diabetes tipo 2 pode desencadear Alzheimer

(imagem - uma mão humana segura um ratinho branco dos que são utilizados em pesquisas científicas de laboratório - foto da divulgação da matéria) 
A diabetes tipo 2 (a forma mais comum, especialmente nos países desenvolvidos) é um elevado fator de risco para o aparecimento da doença de Alzheimer. Esta é a principal conclusão de um estudo pioneiro desenvolvido pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular e da faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC), divulgou hoje a instituição em comunicado.

Os nove investigadores envolvidos no projeto partiram do pressuposto de alguns estudos, que indicam que os diabéticos têm mais probabilidades de desenvolver demências, para estudar a relação direta entre a diabetes tipo 2 e a doença de Alzheimer.
Durante três anos foram usados ratinhos diabéticos (a doença foi induzida por ingestão de sacarose) e manipulados geneticamente com a doença de Alzheimer. Os investigadores observaram que "as mitocôndricas (fábricas de energia do organismo) do cérebro destes animais apresentavam um alteração drástica da sua função, provocando uma défice energético e um aumento de stresse oxidativo", explica Paula Moreira, coordenadora do estudo.
Além disso, e tal como acontece no cérebro de quem tem Alzheimer, também os ratinhos diabéticos apresentavam um aumento dos níveis da proteína beta-amiloide que potencia a deposição das placas senis.
Para a coordenadora da investigação, que será publicada em maio no Journal of Alzheimer Diseases, as suas conclusões "além de permitirem conhecer melhor o porquê da diabetes tipo 2 ser um fator de risco para a doença de Alzheimer, assumem relevância para a identificação de estratégias profiláticas. A alteração de estilos de vida, como por exemplo, a adoção de uma dieta equilibrada e o combate ao sedentarismo faz toda a diferença na prevenção das patologias", pode ler-se no comunicado.

quarta-feira, 20 de março de 2013

ALZHEIMER/PESQUISAS - O hiper estresse como risco para a demência

Estresse constante eleva riscos de Alzheimer, diz estudo

Os efeitos do estresse podem ser mais devastadores do que os já conhecidos, que incluem até alterações hormonais que levam ao ganho de peso. Um estudo conduzido pela Universidade Umea, na Suécia, aponta que manter-se em constante estado de alerta aumenta os riscos de desenvolver quadro de demência. As informações são do Daily Mail.
Os hormônios dos estresse inibem a atividade cerebral e, de maneira crônica, levam ao aparecimento de Alzheimer, por exemplo. As conclusões foram baseadas em testes feitos com camundongos, que com níveis elevados de hormônios do estresse, demonstraram dificuldades de aprendizado e perda de memória.

Outro sintoma do permanente quadro de tensão foram depósitos maiores da proteína beta-amilóide no cérebro, característica dos sofredores da síndrome de Alzheimer. "É importante lembrar que esse estudo não foi realizado com pessoas. Algumas pesquisas já apontaram a possibilidade de ligação entre o estresse crônico , o declinio cognitivo e o desenvolvimento de Alzheimer e outros estudos são necessários para comprovar esses links", disse Simon Ridley, chefe de uma entidade de pesquisa sobre Alzheimer da Inglaterra, comentando os resultados a publicação.

O Mal de Alzheimer é a causa mais comum de demência e afeta cerca de 27 milhões de pessoas no mundo.
fonte - http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/estresse-constante-eleva-riscos-de-alzheimer-diz-estudo,6dd0f02cec28d31

terça-feira, 19 de março de 2013

ALZHEIMER/PESQUISAS - FDA muda recomendações para testar medicamentos

FDA recomenda novos testes para drogas que combatem Alzheimer numa fase mais precoce
Agência dos Estados Unidos propõe nova regulamentação para promover estudos de produtos químicos que combatam doença neurodegenerativa nos primeiros estádios.

A agência que vigia os medicamentos e os alimentos nos Estados Unidos (Food and Drug Administration, FDA na sigla original) mudou as recomendações para testar a eficácia de medicamentos no tratamento mais precoce da doença de Alzheimer. Desta forma, a agência pretender facilitar o desenvolvimento de tratamentos antes do desenvolvimento dos sintomas avançados da doença e com isso travar os sintomas de um problema que afeta milhões de pessoas no mundo.

Nos últimos anos tornou-se claro que as mudanças fisiológicas que provocam o declínio cognitivo dos doentes de Alzheimer acontecem muito antes dos primeiros sintomas serem visíveis. A doença, caracterizada a nível neurofisiológico pela deposição de placas da proteína beta-amilóide no cérebro, provoca uma incapacidade cognitiva gradual até os pacientes perderem a memória e a autonomia.

Até agora, a FDA defendia que a aplicação à aprovação de novos medicamentos para o combate da doença de Alzheimer exigia provas de uma melhoria nos sintomas fisiológicos das pessoas. Os medicamentos que são agora utilizados para tratar os sintomas de Alzheimer nas fases mais tardias só conseguem adiar a progressão destes sintomas. Por isso, há um maior esforço no desenvolvimento de produtos químicos que actuem nos primeiros estádios da doença.

Mas o pedido de provas de eficácia da FDA é “insustentável no caso [de produtos químicos aplicados nos] primeiros estádios da doença de Alzheimer”, explicam Nicholas Kozauer e Russell Katz, dois médicos que avaliam drogas neurológicas na Divisão de Avaliação e Investigação de Drogas da FDA. “Ainda não tínhamos ferramentas validadas que nos dão medidas de eficácia dos compostos químicos em pacientes com Alzheimer antes do início dos sintomas de demência”, explicam os dois médicos num artigo que saiu na edição da semana 
São essas novas indicações que estão explicitadas no novo documento preliminar da FDA, publicado em Fevereiro e que tenta mudar o paradigma da regulamentação e aprovação passada da revista The New England Journal of Medicine.

São essas novas indicações que estão explicitadas no novo documento preliminar da FDA, publicado em Fevereiro e que tenta mudar o paradigma da regulamentação e aprovação destes compostos químicos. Alguns dos conselhos da agência passam por incorporar nos testes pessoas que mostrem, através de exames clínicos, a acumulação da proteína beta-amilóide; no caso das pessoas que ainda não mostrem sinais claros de demência, fazer uma bateria de testes cognitivos que avaliem os primeiros sinais de perda de capacidade cognitiva. A agência também defende que a aprovação de novos medicamentos é feita sob garantia de que os novos fármacos continuem a ser avaliados em relação à sua eficácia.

Tanto os investigadores como as empresas farmacêuticas vêem esta proposta com bons olhos, apesar de defenderem que até se chegar a uma regulamentação óptima ainda haverá muito trabalho, diz o jornal norte-americano New York Times.

Já estão em marcha vários testes de drogas para se aplicar nos estádios precoces da doença, revela o mesmo jornal. Um desses estudos, financiado a nível federal e liderado por Paul S. Aisen, da Universidade de Califórnia, em San Diego, e por Reisa Sperling, de Harvard, vai focar-se em 1000 pessoas com 70 anos que não apresentam sintomas da doença de Alzheimer mas têm uma acumulação da proteína beta-amilóide, o que pode indiciar o desenvolvimentos dos sintomas dentro de 15 anos. Metade destas pessoas vão receber um produto químico experimental desenvolvido por uma farmacêutica chamada Eli Lilly & Company, o resto irá tomar um placebo.

Os investigadores irão tentar avaliar a eficácia do composto químico fazendo vários testes, incluindo um que será decorar uma lista de palavras e parágrafos. Outro teste vai avaliar a capacidade dos participantes em seguir uma série de instruções para substituir símbolos por letras. Grandes estudos mostram que as pessoas com os primeiros sintomas da doença de Alzheimer pioram rapidamente na execução destes testes. Se o produto químico se revelar eficaz, poderá atrasar estes sintomas ou até mesmo parar o declínio.

FONTE - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/fda-recomenda-novos-testes-para-drogas-que-combatem-alzheimer-numa-fase-mais-precoce-1588225

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