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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Pesquisadores da Unicamp/Usp procuram resposta para resistências diferenciadas à doença

Mentes Persistentes

Pesquisadores querem entender o que faz o cérebro de algumas pessoas resistir aos efeitos do mal de Alzheimer
IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 215 - Janeiro de 2014
(imagem - representação de um sistema nervoso central, com referência às áreas mais afetadas pelo desenvolvimento da doença, com o córtex, o hipocampo e a amídala, com esquema sobre o processo de diferenciação de perdas neuronais e sintomas para cada tipo de cérebro pesquisado, com três cérebros diferentes no alto, com cores diferentes - desenho de Ana Paula Campos - Revista Pesquisa).
Os cérebros de quatro senhoras com idades entre 80 e 82 anos que morreram recentemente em São Paulo contam um pouco mais sobre a complexidade do mal de Alzheimer. Amostras desses cérebros, doados ao banco de encéfalos da Universidade de São Paulo (USP), foram analisadas ao microscópio e revelaram o amontoado de placas e emaranhados de proteínas que são a marca típica dos estágios avançados do Alzheimer. Era de esperar, portanto, que essas mulheres tivessem sofrido na última década de vida sérios problemas de perda de memória e de cognição, como dificuldade de se expressar e de perceber o espaço a sua volta. Entrevistas com familiares e cuidadores das idosas, porém, provaram que elas viveram lúcidas até o fim.
“Ninguém entende exatamente por que essas pessoas não desenvolveram demência”, admite o neuroanatomista Carlos Humberto Andrade-Moraes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu doutorado, feito sob a supervisão do neurocientista Roberto Lent, da mesma universidade, é o primeiro no mundo a analisar o número total de células do cérebro de idosos conhecidos como doentes de Alzheimer assintomáticos. O estudo, publicado com outros pesquisadores da UFRJ e da USP em dezembro na Brain, concluiu que o número de neurônios dos assintomáticos é praticamente igual ao de idosos saudáveis, diferentemente do que se vê no cérebro de pessoas com Alzheimer que desenvolvem demência, a perda de memória e da capacidade cognitiva. Na demência há uma redução drástica de neurônios no hipocampo e no córtex, as regiões cerebrais responsáveis pela consolidação da memória e pelo raciocínio.
Em média, uma em cada 10 pessoas com mais de 65 anos apresenta os sinais clínicos do Alzheimer. A doença se manifesta primeiro com pequenos deslizes de memória, que com o tempo ficam mais frequentes, seguidos de falhas no julgamento moral, na percepção do espaço e do tempo e do aumento na dificuldade de se comunicar. A sobrevida média é de oito anos, ao longo dos quais os sintomas se agravam até a incapacitação total.
Há algum tempo se sabe que a demência é provocada pela destruição das sinapses, os trilhões de conexões entre os 86 bilhões de neurônios, as células cerebrais que armazenam e transmitem informações, das quais emergem as memórias e os pensamentos. Um neurônio saudável recebe até 10 mil sinapses de outros neurônios, trocando sinais elétricos e substâncias que o mantêm vivo. Impedidos de manter as sinapses no Alzheimer, os neurônios atrofiam e morrem. Como consequência, o volume do hipocampo e a espessura do córtex diminuem, o que pode ser visto em imagens de ressonância magnética. Segundo o neurologista Márcio Balthazar, que atende pessoas com Alzheimer no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as neuroimagens podem ajudar no diagnóstico da doença, mas ainda não substituem os testes laboratoriais, clínicos e psicológicos.
Em parceria com o neurologista Fernando Cendes, da Unicamp, Balthazar e seus colaboradores vêm apostando no aperfeiçoamento de uma nova forma de identificar o Alzheimer precocemente: o uso de neuroimagens para avaliar a atividade cerebral, e não apenas a anatomia. A ideia é observar em imagens de ressonância magnética funcional a atividade do cérebro quando os pacientes estão relaxados, sem pensar em nada. “Mesmo com a pessoa em repouso, vemos que algumas áreas do cérebro são ativadas simultaneamente, pulsando em uma mesma frequência, o que sugere que sejam grupos de neurônios se comunicando”, explica Balthazar. “Uma pessoa com Alzheimer tem essa rede menos conectada.”
Em artigo publicado em novembro na Psychiatric Research: Neuroimaging, o grupo da Unicamp conseguiu distinguir com cerca de 70% de acerto as neuroimagens da atividade cerebral em repouso de pessoas com sintomas moderados de demência daquelas de idosos saudáveis. Os pesquisadores observaram ainda uma relação entre as falhas de conexão da rede e o grau de perda de memória.
Quanto mais cedo melhor“Esperamos aperfeiçoar o método para realizar o diagnóstico cada vez mais precocemente”, conta Balthazar. Apesar de o Alzheimer permanecer sem cura, quanto antes o diagnóstico for feito mais eficazes são as intervenções que aliviam os sintomas: o uso de inibidores de acetilcolinesterase e a realização de terapia ocupacional, reabilitação psicológica e atividade física, além do planejamento da família para o futuro.
Como a demência senil pode ter outras causas – problemas vasculares e outras doenças degenerativas –, o diagnóstico do Alzheimer em geral só é confirmado após a morte. A autópsia do tecido cerebral revela um excesso das chamadas placas neuríticas, ancoradas em ramificações dos neurônios, e dos emaranhados neurofibrilares, no interior dos neurônios atrofiados. Esses sinais são encontrados especialmente no hipocampo e no córtex cerebral. Até alguns anos atrás, a maioria dos pesquisadores acreditava que as placas neuríticas eram as responsáveis pelas disfunções sinápticas. Mas estudos recentes feitos pela equipe da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, ambos da UFRJ, vêm demonstrando que as placas, apesar de tóxicas, não são a causa principal da eliminação das sinapses e da morte dos neurônios (ver Pesquisa FAPESP n. 157).
De fato, as placas são formadas pelo acúmulo de pequenas moléculas de beta-amiloide. Normalmente produzida pelo cérebro, essa proteína sofre deformações no Alzheimer. Muitos pesquisadores, porém, hoje acreditam que são amontoados bem menores de beta-amiloide – os oligômeros, capazes de se difundir para dentro e para fora dos neurônios – os responsáveis por interferir nas sinapses. Outras pesquisas sugerem que esses oligômeros também formam os emaranhados neurofibrilares, que impedem o transporte de substâncias dentro dos neurônios e contribuem para a sua morte. Segundo esse raciocínio, a formação das placas seria uma tentativa do organismo de varrer os oligômeros para fora das células e para longe das sinapses. “As placas seriam protetoras e não causadoras da demência”, diz Andrade-Moraes.
A descoberta dos doentes de Alzheimer assintomáticos reforçou essa hipótese. As primeiras descrições desses casos surgiram em estudos que acompanharam centenas de idosos nos Estados Unidos. A comparação dos exames clínicos a que essas pessoas eram submetidas periodicamente com a análise de seus cérebros após a morte revelou que de 25% a 40% dos casos diagnosticados histologicamente como sendo Alzheimer não haviam desenvolvido demência. “Embora permaneça duvidoso se esses indivíduos continuariam clinicamente normais se tivessem vivido mais tempo, eles parecem ter sido capazes de compensar ou atrasar o aparecimento dos sintomas de demência”, escreveu em 2012 o neuropatologista Juan Troncoso, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, um dos primeiros a chamar a atenção para os pacientes assintomáticos.
Segundo Andrade-Moraes, antes do estudo publicado na Brain nenhum trabalho sobre o impacto do Alzheimer no número de células do cérebro havia comparado indivíduos com e sem demência. “Queríamos saber se os assintomáticos teriam alguma alteração na composição das células cerebrais”, ele diz.
A pesquisa foi feita em parceria com a equipe da neuropatologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Encéfalos Humanos da USP, que, além de analisar os cérebros de idosos mortos em São Paulo, investiga, por meio de questionários com familiares e cuidadores, como era o desempenho cognitivo dessas pessoas até 10 anos antes de sua morte.
Os pesquisadores da USP e da UFRJ selecionaram 14 cérebros de mulheres que morreram entre os 71 e os 88 anos (a prevalência do Alzheimer é um pouco maior entre as mulheres). Cinco tinham um nível de placas considerado normal para a idade, enquanto as demais apresentavam o excesso característico do Alzheimer. Dessas últimas, cinco apresentavam sinais de demência e quatro eram assintomáticas.
Menos neurônios, mais gliaOs cérebros foram processados na UFRJ em uma máquina, o fracionador isotrópico automático, construído pela equipe de Lent (ver Pesquisa FAPESP nº 192). A máquina transforma porções de cérebro em uma suspensão homogênea, contendo o núcleo das células. Anticorpos coloridos que se ligam ao núcleo dos neurônios permitem distingui-los das demais células do cérebro, as células da glia.
Como esperado, o hipocampo das mulheres com demência tinha metade do número de neurônios encontrado no hipocampo das saudáveis e das assintomáticas – aquelas com demência também tinham menos neurônios no córtex todo. Ao mesmo tempo, o cérebro das pessoas com demência tinha uma proporção maior de células da glia. “Essas células aumentam de número para proteger os neurônios, mas com o progresso da doença provocam uma inflamação que piora os sintomas de demência”, explica Andrade-Moraes. Ele, porém, não encontrou diferença significativa -– no número de neurônios e de células da glia – entre o cérebro de idosos saudáveis e o de idosos com Alzheimer assintomáticos.
“Os assintomáticos devem possuir algum mecanismo fisiológico desconhecido que protege suas redes de neurônios dos efeitos dos oligômeros”, suspeita. “Algo afasta os oligômeros das sinapses, agregando-os rapidamente em placas.”
Para ele, um candidato a explicar esse mecanismo é a atuação mais eficiente da insulina no cérebro dos assintomáticos. Diferentemente do que ocorre em outros órgãos, o papel da insulina no cérebro parece não ser o controle do metabolismo de açúcar, mas a consolidação da memória e a formação de novas sinapses. Experimentos in vitro e com animais feitos por Fernanda De Felice e Sérgio Ferreira vêm demonstrando que a insulina protege os neurônios da ação dos oligômeros. Em artigo publicado em dezembro na Cell Metabolism, eles apresentaram novos mecanismos neuronais que provocam a perda de sinapses em camundongos e macacos com sinais semelhantes aos de Alzheimer. Parte do doutorado de Mychael Lourenço, esse trabalho mostrou ainda que um remédio usado para tratar diabetes tipo 2, a liraglutida, bloqueou os danos neuronais em modelos animais de Alzheimer. Atualmente uma equipe do Imperial College de Londres testa a liraglutida em 200 pessoas com Alzheimer.
Outra hipótese é que os assintomáticos possuem uma maior reserva cognitiva, talvez resultado de uma rede de sinapses mais complexa do que a dos que desenvolvem demência. Essa reserva permitiria resistir mais aos efeitos dos oligômeros. Essa ideia vem da observação de que os assintomáticos costumam ser pessoas com um nível de escolaridade maior ou que aprenderam a falar e a escrever cedo na infância. Na Unicamp, Balthazar tenta confirmar o efeito protetor da reserva cognitiva comparando a conectividade das redes neuronais em pacientes idosos com diferentes graus de escolaridade, hábitos de leitura e vida social. 
ProjetosInstituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia – Brainn (n° 2013/07559-3);Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Coord. Fernando Cendes – FCM/Unicamp; Investimento R$ 13.621.302,32 (FAPESP).
Artigos científicosANDRADE-MORAES, C.H. et al. Cell number changes in Alzheimer’s disease relate to dementia, not to plaques and tangles. Brain. dez. 2013.
LOURENCO, M.V. et al. TNF-  Mediates PKR-dependent memory impairment and brain IRS-1 inhibition induced by Alzheimer’s ß-amyloid oligomers in mice and monkeys. Cell Metabolism. 3 dez. 2013.
BALTHAZAR, M.L. et al. Whole cortical and default mode network mean functional connectivity as potential biomarkers for mild Alzheimer’s disease. Psychiatry Research. 11 nov. 2013.
fonte - http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/01/13/mentes-persistentes/
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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PROJETO BRAIN/NEUROCIÊNCIAS - Projeto INICIATIVA CÉREBRO tem investimento de 100 milhões de dólares

Mapeamento do cérebro pode ser tão importante quanto genoma humano

Presidente americano Barack Obama anuncia investimento de US$ 100 milhões em pesquisas sobre o cérebro
Presidente americano Barack Obama anuncia investimento de US$ 100 milhões em pesquisas sobre o cérebro Foto: Mandel NGAN / AFP
(imagem - foto colorida - com uma projeção em fundo azul com as palavras em inglês: Brain research through advancing innovative neurotechnologies - BRAIN INITIATIVE, com o Presidente dos EUA, Barack Obama no canto direito - fotografia de Mandel NANG/AFP)

No início de abril, Barack Obama anunciou um projeto ousado que promete revolucionar a compreensão da mente humana. Com o objetivo de mapear todos os neurônios do cérebro, a Iniciativa Brain (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies) visa a ajudar os pesquisadores a encontrar novas formas de tratar, curar e prevenir doenças cerebrais como o mal de Alzheimer e a esquizofrenia. Para isso, o presidente americano destinou R$ 100 milhões do orçamento de 2014, que será votado pelo congresso.
Devido a sua grande ambição e a seu alto investimento, a Brain está sendo comparada com o Projeto Genoma Humano, concluído com sucesso em 2003. O próprio Obama, em fevereiro, principiou o cotejo: “Cada dólar que nós investimos para mapear o genoma humano rendeu R$ 140 para a nossa economia - cada dólar. Hoje nossos cientistas estão mapeando o cérebro humano para descobrir as respostas para o Alzheimer. Esta é a hora de atingir um nível de pesquisa e desenvolvimento não visto desde o ápice da Corrida Espacial”.
Por outro lado, alguns pesquisadores veem o projeto com ressalvas. “Muito dinheiro está sendo solicitado sem realmente prestar atenção se essa ciência é uma boa ciência. Questões a respeito de qual é a melhor forma de proceder são muito complicadas, e deve haver uma discussão e um debate muito mais abertos quando os riscos são tão altos”, argumenta o neurologista Donald Stein, professor da Escola de Medicina da Universidade Emory, em Atlanta.
Histórico
A Iniciativa Brain não surgiu por acaso. Nos últimos anos, a ciência avançou muito no estudo do cérebro e no desenvolvimento de novas ferramentas para mapear as conexões neuronais. Houve um aumento notável da resolução de tecnologias de imagem e os primeiros lampejos do que a nanociência ainda pode se transformar. Hoje cientistas podem usar pulsos de luz para determinar como atividades específicas de células no cérebro afetam o comportamento, assim como utilizar imagens de alta resolução para observar como o cérebro é estrutural e funcionalmente conectado em seres humanos vivos.
Embora essas inovações tecnológicas tenham incrementado nosso conhecimento sobre o cérebro humano, ainda há um longo caminho a ser percorrido no tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas. Para isso, novas ferramentas devem ser criadas, e foi com esse escopo que a Iniciativa Brain surgiu.
Objetivos
Com cerca de 100 bilhões de neurônios e 100 trilhões de conexões, o cérebro humano é, ao mesmo tempo, um mistério e um desafio. O projeto Brain promete fornecer respostas para as intrincadas questões que permeiam esse órgão. “A iniciativa é muito importante para o avanço no conhecimento da função cerebral normal e patológica”, acredita Fernando Cendes, professor e Chefe do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
O projeto desenvolverá tecnologias que vão permitir aos pesquisadores produzir imagens dinâmicas do cérebro em ação, a fim de mostrar como células individuais e complexos circuitos neurais interagem na velocidade do pensamento. Com isso, novas portas serão abertas para compreender como o cérebro grava, processa, utiliza, armazena e recupera grandes quantidades de informações.
O esforço é grande, mas pode valer a pena. Se bem sucedido, o projeto vai encontrar novas formas de tratar e curar distúrbios neurológicos e psiquiátricos, como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia, autismo, epilepsia, depressão e lesão cerebral traumática. A Organização Mundial da Saúde estima que, daqui a menos de 20 anos, 65,7 milhões de pessoas tenham algum tipo de demência, o dobro do número atual. Os casos podem chegar a 115,4 milhões em 2050.
Li Li Min, doutor em neurociências pela McGill University, do Canadá, e professor do Departamento de Neurologia da FCM-Unicamp, acredita no sucesso da empreitada. “Na doença de Parkinson, foi visto que havia uma falta de produção do neurotransmissor dopamina, e hoje um dos tratamentos é o uso de medicação que possa repor esse neurotransmissor, e assim deve ocorrer no momento que conhecermos mais sobre como funcionam o cérebro normal e o com doença”, exemplifica.
A cura de doenças como o Alzheimer pode, na verdade, tratar-se de sua prevenção. Esse processo degenerativo ocorre de forma anormal aos 60, 70 anos, ou até mesmo antes, ainda que o princípio da morte celular, que leva à perda de memória e outros sintomas, seria esperado apenas após os 95 ou 100 anos. “A cura de algumas doenças neurodegenerativas é algo complexo, pois isso envolve mudar mecanismos que são inerentes ao envelhecimento normal. Portanto a ‘cura’ aqui seria evitar que o mal de Alzheimer aconteça antes do tempo”, esclarece Cendes.

Investimento

Para que os objetivos propostos pela Iniciativa Brain se tornem realidade, um investimento massivo é necessário. Dada a natureza do projeto, cientistas e engenheiros de diversos setores devem fazer parte desse estudo. Por isso, a iniciativa será liderada pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa) e pela Fundação de Ciência Nacional (NSF). Juntas, as três instituições vão somar 100 milhões de dólares em investimentos no orçamento de 2014.
Interesses dessas instituições que lideram a iniciativa norteiam o projeto. A Darpa, por exemplo, quer desenvolver tecnologias que melhorem a compreensão do cérebro humano para transformar a maneira de diagnosticar e tratar soldados feridos que estão sofrendo de estresse pós-traumático, lesão cerebral e perda de memória, de acordo com seu vice-diretor, Geoffrey Ling.
Instituições de pesquisa privadas também vão apoiar e investir no projeto. Entre elas, o Instituto Allen para a Ciência Cerebral (US$ 60 milhões), o Instituto Médico Howard Hughes (US$ 30 milhões), o Instituto Salk para Estudos Biológicos (US$ 28 milhões) e a Fundação Kavli (US$ 4 milhões por ano, nos próximos dez anos).

Projeto Genoma Humano

Outro estudo ambicioso que teve grande investimento, US$ 3,8 bilhões de 1988 até 2003, foi o famoso Projeto Genoma Humano (PGH), com o qual a Iniciativa Brain é comparada. Ao sequenciar o DNA humano, o PGH trouxe avanços na compreensão das doenças genéticas, da mesma forma que o projeto Brain busca entender as doenças cerebrais.
Segundo Ling, assim como o sequenciamento do genoma humano, a Iniciativa Brain constitui-se de uma oportunidade para agregar pesquisadores em prol de conhecimentos que terão impacto duradouro na vida, na economia e na segurança dos Estados Unidos. “Esse tipo de projeto estabelece as bases para futuras inovações e descobertas. Na verdade, o sequenciamento do DNA é um marco entre as descobertas que agora criam a oportunidade de desvendar os mistérios do cérebro”, ressalta o vice-diretor da Darpa. 
Para os neurologistas Min e Cendes, a Iniciativa Brain pode vir a ser tão importante, ou até mais, do que o Projeto Genoma Humano. Mas o êxito do projeto não é consenso entre os cientistas.
Ressalvas

A complexidade do cérebro humano e a ambição do projeto Brain deixam alguns cientistas céticos em relação ao mapeamento do cérebro humano ativo. Apesar dos avanços da neurociência nos últimos anos, as causas das doenças neurológicas e psiquiátricas ainda são desconhecidas. “Eu sinto que a Iniciativa Brain não é conceitualmente bem pensada, e não será provável enfrentar a complexidade dos mecanismos que estão subjacentes à função do cérebro. Essa iniciativa está sendo impulsionada por tecnologia não comprovada, sem qualquer consideração do que precisa ser medido e por quanto tempo. Na minha mente, a tecnologia deve seguir os conceitos, e não o contrário”, justifica Stein.
Conforme Iván Izquierdo, coordenador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro da PUCRS e Diretor da Academia Brasileira de Ciências, tudo depende do que se pretende “mapear”, pois essa palavra pode indicar coisas muito diferentes. “Para dar um exemplo da complexidade do assunto, só numa estrutura do lobo temporal, chamada hipocampo (aquela em que se formam muitas memórias), existem 200 milhões de células chamadas piramidais. Cada uma delas recebe sinapses de mil ou 10 mil neurônios, e emite axônios a outras cem a mil. O que vão mapear disso aí, se não sabemos nem onde está a maioria dos neurônios que enviam fibras ou recebem fibras de cada neurônio hipocampal?”, questiona.
Para Stein, outro problema é investir e colocar ênfase em apenas uma abordagem, o que pode impactar todos os outros campos de trabalho biomédico. “É preciso haver múltiplas iniciativas em várias frentes. Colocar ‘todos os ovos na mesma cesta’ pode ser grandioso, mas não vai avançar a ciência em geral. E não há absolutamente nenhuma garantia de que, mesmo que eles possam ‘mapear todas as conexões do cérebro sob todas as suas condições dinâmicas’ (o que não podem), que todas as doenças serão curadas. Eu não sou contra a ‘grande ciência’, desde que seja boa, mas também não acho que outras áreas igualmente válidas de pesquisa biomédica devem ser sacrificadas em seu lugar", alega.
Apesar dos argumentos de colegas cientistas, Ling defende o projeto: “Sem um entendimento completo de como funciona o cérebro ao longo de sua vida útil, é quase impossível compreender como tratar esse órgão quando ele está funcionando de forma anormal. Isso não é exclusivo para o cérebro; pesquisa básica é o alicerce necessário para o desenvolvimento de um novo tratamento, mais eficaz e curas”, destaca. 
E mesmo que o projeto seja ambicioso, Cendes reforça que a iniciativa pode resultar avanços significativos. “Quando iniciaram o projeto genoma, também houve este tipo de crítica (alguns achavam que seria impossível codificar todo genoma humano no prazo estabelecido), mas o projeto foi realizado em tempo, e os avanços foram muito grandes e importantes”, justifica

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SEREMOS, NO FUTURO, CIBORGUES? Para além de nossas deficiências humanas http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/seremos-no-futuro-ciborgues-para-alem.html

quinta-feira, 11 de abril de 2013

AUTISMOS/GENÉTICA - Gene do X Frágil é estudado em sua ligação com autismo

Gene do X  Frágil seria a chave para desvendar mistério do autismo?
Continuam as notícias emocionantes de avanços na pesquisa sobre o gene Frágil X e suas ligações com o autismo. Novas pesquisas estão descobrindo mais vias que ligam Frágil X e autismo. Além disso, cresce no Congresso apoio bipartidário para continuar a aumentar o sucesso da pesquisa do Frágil X com financiamento federal. 
Os pais com crianças inscritas em pesquisas clínicas promissoras sobre fármacos em todos os EUA estão sensibilizando as pessoas por meio de mídia social e tradicional, bem como diretamente junto aos representantes eleitos. Posteriormente nesta primavera do Hemisfério Norte, o congressista Greg Harper (R-MS) e a National Fragile X Foundation organizarão uma mesa redonda no Congresso para discutir como melhor entender o potencial pleno dessas descobertas revolucionárias de pesquisa que ligam Frágil X e autismo. 
A Casa Branca também vê claramente este potencial, uma vez que o projeto de mapeamento do cérebro de $100 milhões certamente acelerará o ritmo da conquista do Frágil X e autismo. Membros da Câmara de Representantes devem também editar legislação posteriormente neste mês para realocar até $200 milhões de financiamento público de eleições presidenciais e convenções partidárias para pesquisa do NIH.
FONTE: National Fragile X Foundation
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AUTISMO – TODOS PODEMOS SER/NOS TORNAR UM POUCO AZUIS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/autismo-todos-podemos-sernos-tornar-um.html