Mostrando postagens com marcador USP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador USP. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Paralisia Cerebral&Metaverso - Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

 Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

Com apenas computador e boa conexão com internet, telerreabilitação em pessoas com paralisia cerebral auxiliou no engajamento e na melhora de desempenho, além de estimular a prática de atividade física







(imagem da matéria - Jornal da USP - uma mulher com celular na mão ao lado de uma criança com deficiência sentada em cadeira de rodas, em frente a uma tela de televisão com imagem de uma ilustração com criança e bolinhas coloridas) 

O metaverso é um mundo virtual que tenta replicar a realidade por meio de dispositivos digitais. Ao entrar no metaverso é possível identificar construções, cômodos, móveis, encontrar outras pessoas, por meio de seus avatares, e conversar com elas de modo semelhante a se estivessem no mundo real, o que é caracterizado, por exemplo, com o volume da voz aumentando ou diminuindo de acordo com a distância entre os avatares.

Um grupo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, coordenado pelo professor do curso de Educação Física e Saúde Carlos Monteiro, está estudando como o metaverso pode ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência. Um dos estudos publicados mostrou que, em pessoas com paralisia cerebral, a aplicação de tarefas em realidade virtual por meio da telerreabilitação auxiliou no engajamento, na melhora de desempenho e foi uma opção interessante para incentivar a prática de atividade física, inclusive durante a pandemia. 

Realidade virtual e paralisia cerebral

O estudo sobre a telerreabilitação de pessoas com paralisia cerebral foi realizado entre março e junho de 2020 e contou com a participação de 44 pessoas. O trabalho foi realizado durante o período de quarentena da pandemia de covid-19, que impedia a realização da terapia tradicional.

Carlos Monteiro – Foto: EACH-USP

Com um pesquisador guiando as atividades de maneira remota e com o auxílio de um responsável, os participantes realizavam as práticas desenvolvidas, sendo uma delas um jogo em que os pacientes precisavam “pegar” bolinhas coloridas que caíam no visor do computador, o que era realizado pelos movimentos dos participantes, detectados pela câmera da máquina. Pessoas com paralisia cerebral apresentam distúrbios motores associados a aspectos como mudanças de sensação, aprendizado e comunicação, assim, o jogo buscava melhorar a performance motora.

Durante o jogo, a percepção de esforço dos participantes, ou seja, o cansaço das pessoas foi avaliado. A escala é baseada nas sensações sentidas durante o exercício, como fadiga muscular e aumento da frequência cardíaca e respiratória. Também foram analisadas a performance motora, medida pela precisão dos movimentos e o número de acertos e erros, e a motivação e satisfação dos participantes.

A melhora na performance no jogo não foi constante. Apesar disso, a recepção dos jogos pelos pacientes foi positiva, tendo sido considerado divertido pelos participantes, que se mostraram interessados em continuar a usar o jogo nas suas terapias.

“As pessoas gostam mais, elas têm mais motivação para fazer uma reabilitação em ambiente virtual”, comenta Monteiro sobre a vantagem desse formato de reabilitação em relação a outros.

Metaverso não imersivo

O diferencial das pesquisas realizadas pelo grupo de estudos do professor Monteiro está em não utilizar o metaverso imersivo, ou seja, aquele que utiliza óculos de realidade virtual. Com um computador ou celular e uma boa conexão com a internet é possível realizar várias tarefas no metaverso. Isso facilita o acesso das pessoas a essa forma de reabilitação e evita que elas precisem gastar com óculos virtuais caros ou se deslocar para laboratórios onde existem equipamentos avançados. Com o uso do metaverso não imersivo o terapeuta também pode atender mais de um paciente por vez e pessoas de diferentes Estados passam a ter acesso a esse tratamento. 

Apesar dessas vantagens, Monteiro lembra que o metaverso é um complemento dos métodos de recuperação tradicional, não uma substituição. “Percebemos que, quando tarefas no ambiente virtual são mais difíceis que no real, isso facilita na hora de realizar as atividades na vida real”, conta Monteiro sobre um dos pontos positivos dessa complementaridade.

Ele aponta como desafios para o amplo uso investidores acreditarem no uso do metaverso para fins de saúde, e a dificuldade de algumas pessoas para se adaptarem a plataformas digitais. Para ele, porém, o uso do metaverso na educação e saúde pode ser adiado, mas é inevitável.

 grupo também estuda o uso dessa tecnologia em outros grupos, por exemplo, em pessoas dentro do espectro autista e pessoas com síndrome de Down.

Monteiro conta que o grupo realizou a primeira corrida no metaverso para pessoas com deficiência: na pesquisa, pessoas dentro do espectro autista, por meio de comandos do teclado do computador para direcionar seus avatares, correram em um caminho predeterminado em uma ilha no metaverso. Assim, foi possível identificar que ocorreu aprendizado no controle dos movimentos de avatares. As pessoas dentro do espectro autista não só aprenderam a usar a plataforma como também descobriram sozinhas funções que aumentavam a velocidade e a performance na corrida.

O próximo projeto do grupo é o uso de avatares que se movimentam ao mesmo tempo que as pessoas. “A tecnologia irá permitir o reconhecimento do máximo de capacidade e desempenho de cada pessoa. Por meio disso, o avatar auxiliará a equilibrar dificuldades, permitindo tarefas com igualdade para todos”, diz Monteiro.

Mais informações: e-mail carlosmonteiro@usp.br, com Carlos Monteiro

FONTE - https://jornal.usp.br/ciencias/grupo-propoe-uso-do-metaverso-na-reabilitacao-de-pessoas-com-deficiencia/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ALZHEIMER&Pesquisas - USP pesquisa memória visual para detectar precocemente o Alzheimer

USP PESQUISA memória visual para diagnosticar sinais precoces da Doença de Alzheimer 

Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, testa memória visual de voluntários — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV


imagem da matéria - Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, visa mapear memória visual da população — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV

Testes visam mapear e identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico. Estudo está na fase inicial e busca voluntários.

Pesquisadores do laboratório de psicologia cognitiva da USP de Ribeirão Preto (SP) realizam um estudo sobre memória visual para tentar diagnosticar precocemente possíveis demências como o Alzheimer. A pesquisa visa mapear a memória de pessoas normais para tentar identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico.

“Esse teste de recordação em que apresentamos formas e cores em localizações diferentes tem sido muito utilizado em outros países e tem se mostrado um bom preditor para manifestação precoce do Alzheimer. É importante que a gente tenha uma base da população normal para entender como esses comprometimentos estão acontecendo e para tentarmos explicar melhor porque eles acontecem”, diz a psicóloga Lorena Macedo.De acordo com o professor de psicologia e diretor da pesquisa César Galera, a memória envelhece com o passar dos anos e não há nada a se fazer para mudar isso.

“Existem vários tipos de memórias e nós focamos na memória visuoespacial, aparentemente, é uma memória simples, mas é extremamente importante no nosso dia a dia. Por exemplo, você precisa saber onde deixou as chaves ou um livro, essa associação local-objeto é muito importante e é uma das memórias que se perde mais rapidamente com o envelhecimento", afirma o diretor da pesquisa.Ainda de acordo com Galera, o envelhecimento não pode ser combatido, mas uma alimentação saudável, exercícios físicos e atividade intelectual podem ajudar a manter a memória em dia.

“Todo mundo a partir dos 25 a 30 anos começa a ter uma pequena perda de memória. Pessoas que perdem essa capacidade de associar cor e forma, nome e face, talvez venham a ter Alzheimer. Essa perda de memória pode ser um indicativo de que a pessoa vai ter um problema no futuro", conta o professor.A pesquisa consiste em observar cores, formas e localizá-las em um programa de computador, que mede o número de acertos e erros em um determinado período de tempo, cerca de 40 minutos. O que parece ser uma tarefa simples, pode confundir na hora dos exercícios.“É fácil, só que é bem rápido e você tem que se concentrar bastante nas formas, porque elas mudam de lugar e, algumas vezes, de cor também e tem que estar bem concentrado”, afirma a voluntária Tainara Albiasetti.

Os pesquisadores explicam que os dados não serão analisados individualmente. Será considerado o comportamento do grupo de voluntários. Além disso, outras linhas de estudo que envolvem emoção e atenção, também estão sendo realizadas.

“Apesar da gente falar muito sobre memória, ainda tem muita coisa que precisamos saber do funcionamento normal da memória para expandir depois para as diferenças clínicas. A partir do tempo de resposta da pessoa e a quantidade de acertos, traçamos um padrão de desempenho”, afirma a psicóloga Lorena.De acordo com a psicóloga, a pesquisa ainda está no estágio inicial e precisa de voluntários. Podem participar dos testes pessoas entre 18 e 35 anos e que tenham visão normal para cor. 

Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (16) 3315-4393.

Fonte - com vídeo da matéria e mais imagens - 
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/01/01/usp-pesquisa-memoria-visual-para-diagnosticar-sinais-precoces-de-doencas-como-alzheimer.ghtml

Leia mais sobre Alzheimer e pesquisas neste blog e no INFOATIVO DEFNET 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

AUTISMO&FAKENEWS - Afirmação que vacina causa autismo é falsa *(USP)

Afirmação que vacina causa autismo é falsa

(imagem publicada - da matéria - uma seringa e um frasco de vacina, com uma pessoa usando luvas apropriadas, foto de Osnei Restio- Prefeitura de Nova Odessa)
No primeiro boletim Pílula Farmacêutica desta semana, o assunto é a afirmação do médico britânico Andrew Wakefield, que declarou, em 1998, que a vacina da tríplice viral era causa de autismo. Porém, após a afirmação, estudos desmentiram o britânico.
Mais tarde, foi descoberto que o médico recebeu pagamento de escritórios de advocacia envolvidos em processos contra indústrias farmacêuticas. Então, Wakefield foi criminalmente responsabilizado e teve seu registro médico cassado.
A principal afirmação do médico foi que o conservante timerosal, presente nessa vacina, era o causador do autismo. Contudo, em 2004, um instituto de medicina dos Estados Unidos comprovou que a substância não tem nenhuma relação com a doença.
O boletim Pílula Farmacêutica é apresentado pelos alunos de graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, com supervisão da professora Regina Célia Garcia de Andrade. Trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana. Ouça, no link acima, a íntegra do boletim.
Leia também no meu blog INFOATIVO DEFNET -
 Vulneração e Mídia no Cotidiano das Pessoas com Deficiência 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SAÚDE MENTAL/ALIMENTAÇÃO - Ingrediente do Curry, o Acafrão da Índia é testado na USP para Depressão

Cúrcuma pode reduzir sintomas da depressão


(imagem - foto colorida da Cúrcuma de cor amarelo para alarajanda dentro de um pote - Foto: Gizele Barankevicz)

Pesquisa da nutricionista Gizele Barankevicz no Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, avaliou a atividade antioxidante e a ação antidepressiva do pó da cúrcuma em experimento empregando modelo animal. O estudo foi realizado em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) UNICAMP, e estiveram envolvidos professores, alunos de pós graduação e iniciação científica. O objetivo é explorar as funções medicinais da cúrcuma, planta usada na indústria alimentícia e farmacêutica. Também conhecida como açafrão-da-índia, a cúrcuma é uma planta asiática, cobiçada por chefes e degustadores gastronômicos em diversos países. Sua principal característica é a forte cor amarela do pó obtido a partir da raiz, conhecido simplesmente como açafrão.

“A cúrcuma, mostrou-se como um alimento promissor, capaz de reduzir alguns comportamentos análogos à depressão humana, em animais submetidos a um modelo experimental para avaliação de substancias antidepressivas”, conta Gizele. Para o desenvolvimento da pesquisa foi necessário aplicar um teste de natação forçada em ratos, quando o animal é colocado em um tanque de acrílico com formato cilíndrico com água para avaliar sua imobilidade.
“Ao serem submetidos ao teste de natação, os animais permaneceram imóveis, com um comportamento típico deprimido, não tentando fugir da situação. Os animais que receberam a cúrcuma, tiveram uma redução nesse comportamento semelhante à depressão. Ao receberem esses tratamentos, eles tentavam a todo momento nadar e fugir da situação de risco, indicando que esse composto preveniu esse comportamento igual ao comportamento da depressão em humanos”, conta a nutricionista.
Sintomas depressivos
A pesquisa resultou em indícios reais das ações antioxidante e antidepressiva do pó da cúrcuma na redução de sintomas depressivos. Segundo Gizele, os estudos serão aprofundados durante os experimentos a serem realizados no doutorado.
A cúrcuma ou açafrão-da-índia além de muito utilizada na culinária para acentuar o sabor e colorir alimentos e bebidas, é também importante no preparo de medicamentos.
A pesquisa foi orientada pela professora Jocelem Mastrodi Salgado, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN), e reforçou a necessidade de estudos com compostos bioativos em alimentos de origem vegetal, que auxiliem na redução ou prevenção do risco de desenvolver doenças como a depressão, cuja a incidência só perde para as doenças coronarianas.
FONTE - matéria de Ana Carolina Brunelli, da Assessoria de Comunicação da Esalq
Mais informações: (19) 3429.4109/4485/4477 e (19) 3447.8613; e-mail acom.esalq@usp.br
acom@esalq.usp.br  

sábado, 3 de janeiro de 2015

CEGOS/TECNOLOGIA ASSISTIVA - Sistema permite a identificação de ambiente pelo som

Sensor de som criado por brasileiros ajuda pessoas com deficiência visual 

Por meio de avisos sonoros, protótipo desenvolvido por pesquisadores brasileiros tem como objetivo dar mais autonomia à portadores de deficiência visual.
(imagem publicada - a foto da matéria com parte de um rosto humano com óculos escuros)
Para auxiliar a realização das atividades diárias de pessoas com deficiência visual, pesquisadores do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAP-SoL), sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desenvolveram um protótipo de sistema que permite ao usuário fazer a identificação de obstáculo e ambiente por intermédio do som. O programa computacional denominado GuideMe funciona em um dispositivo pequeno, ajustável à roupa e utiliza processamento de imagem e localização através do eco para reconhecer o ambiente. O protótipo desenvolvido alcançou o primeiro lugar no II Concurso Intel de Sistemas Embarcados realizado durante o IV Simpósio Brasileiro de Engenharia de Sistemas Computacionais (SBESC), que aconteceu de 4 a 7 de novembro, em Manaus (AM).
A equipe de pesquisa é formada pelos doutorandos do programa de pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional (PPG-CCMC) Renê de Souza, Heitor Freitas e Luiz Nunes, com a coordenação do professor Francisco Monaco, do Laboratório de Sistemas Distribuídos e Programação Concorrente do Departamento de Sistemas de Computação, todos do ICMC. O sistema, por meio de fones de ouvido, estabelece comunicação com o usuário tanto verbalmente, com o uso de um sintetizador de voz, quanto por meio de sons tridimensionais.
“Imagine o deficiente visual aproximando-se de um balcão para pedir informações; se não houver ninguém para atendê-lo, o sistema diz: “ninguém à vista”. Em outra situação, podemos imaginar o deficiente visual procurando por uma pessoa conhecida em um local público; caso a pessoa seja detectada pela câmera, o sistema aponta para a aproximação dela e pode, inclusive, guiar o usuário até o seu amigo”, explica o professor Monaco.
O professor menciona ainda que, em uma situação na qual o usuário caminhe por um corredor, em linha reta, ele deve ouvir um som (suave) que pareça vir de sua frente. Caso o usuário ande em direção a uma das paredes, o som modifica sua direção e passa a ser ouvido como se viesse do lado da parede. Assim, o usuário pode utilizar essa dica sonora para conhecer a geometria do ambiente e corrigir seus passos.
Visão computacional
O sistema explora duas técnicas inovadoras. Uma é baseada em visão computacional que utiliza um webcam convencional e algoritmos de processamento de imagem para detectar a presença de pessoas e identificar rostos conhecidos. A outra técnica é apoiada em psicoacústica (estudo da relação entre estímulos sonoros e suas sensações decorrentes) e utiliza sensores de ultrassom para localizar obstáculos. Porém, em vez de emitir bipes, como sensores de estacionamento utilizados em veículos, por meio de um algoritmo de geração de áudio 3D, o dispositivo produz um som que aparenta surgir da direção e da distância em que está o obstáculo.
O GuideMe utiliza conceitos de wearable computing (tecnologia portátil como peça de vestuário) e sensor fusion (geração de informação combinando múltiplos sensores) e em sua especificação completa, utilizará sensor GPS, bússola e conexão wireless para prover auxílio à locomoção em áreas abertas. O objetivo inicial do projeto foi de aperfeiçoar os algoritmos que utilizam processamento espacial e de imagem. O protótipo atual foi produzido em um equipamento de hardware fornecido pela empresa de tecnologia Intel.
“Pretendemos migrar para um hardware menor, mais leve e com maior eficiência energética, para que possa ser utilizado por mais tempo com auxílio de bateria. Em longo prazo, pretendemos aprimorar a utilidade do dispositivo a partir da avaliação dos usuários”, explica Monaco. Durante o desenvolvimento a equipe fez testes preliminares utilizando o sistema para guiar-se em corredores com outras pessoas presentes. As funções do dispositivo foram executadas como o esperado. O próximo passo é realizar testes em pessoas com deficiência visual. O programa que foi desenvolvido em software livre será disponibilizado para a sociedade.
“Todas as especificações, artefatos de software e aplicações são livres para beneficiar a população e, sobretudo, às pessoas que possam fazer uso do sistema. Acreditamos nos conceitos de free open source software (software livre e de código aberto) e de free open source hardware (hardware livre de projeto livre e aberto) como facilitadores para que a pesquisa possa virar produto, este evolua livremente e chegue às pessoas a custos acessíveis”, complementa o professor “O sistema de orientação psicoacústico utilizado é baseado em técnicas de processamento de áudio tridimensional estudados por pesquisadores na Alemanha. Em conjunto, pretendemos intensificar as pesquisas”, planeja Monaco.
O  II Concurso Intel de Sistemas Embarcados é destinado a estudantes de graduação e pós-graduação e tem a intenção de promover o desenvolvimento de sistemas inteligentes e inovadores com base em tecnologia embarcada.  A equipe fará uma visita técnica ao laboratório da Intel nos Estados Unidos, como parte da premiação, e integrará o programa Intel Developer Forum, além de estar pré-classificada para a edição de 2015. A proposta apresentada para o concurso foi uma das aprovadas que recebeu uma placa de desenvolvimento (hardware) para produzir um protótipo em três meses. Além da continuidade do projeto, a equipe visa a investir em pesquisa na área de acessibilidade.  Para conhecer os demais projetos ganhadores acesse aqui.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
FONTE - http://www.usp.br/agen/?p=194396%22%20%5Ct%20%22_blank
INFORMAÇÕES - Flávia Cayres, da Assessoria de Comunicação NAP-SoL
comunicanapsol@gmail.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Cientistas brasileiros identificam novo mecanismo do Proteassoma e abrem perspectivas terapêuticas

Estudo sobre degradação de proteínas traz base para pesquisa em Alzheimer

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
(imagem - foto colorida da matéria, com um mão com luva azul, de um pesquisador, introduzindo um tubo de ensaios, da pesquisa que pode trazer novas terapias para doenças neurodegenerativas)

Cientistas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), sediado no Instituto de Química (IQ) da USP, identificaram novo mecanismo de funcionamento do proteassoma e sua relação com a degradação de proteínas oxidadas. Tal conhecimento é importante porque as proteínas, quando oxidadas, se agregam. Estas agregações são, em geral, identificadas em doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e Alzheimer, entre outras. “O proteassoma é também uma proteína, porém com a capacidade de degradar as proteínas oxidadas”, explica a professora Marilene Demasi, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan, que integra a equipe do Redoxoma

O estudo, que é coordenado pela professora Marilene, poderá servir de base a novas pesquisas que visem o desenvolvimento de novas terapias contras estas doenças. A pesquisa foi publicada na edição especial da revista internacional Archives of Biochemistry and Biophysics, na edição de setembro deste ano.
Os experimentos foram realizados nos laboratórios do Redoxoma, no Instituto de Biociências (IB) da USP e no Instituto Butantan. Para identificar os mecanismos do proteassoma e sua ação na degradação das proteínas oxidadas, os cientistas utilizaram uma levedura chamada Saccharomyces cerevisiae. “Trabalhamos com as células da levedura em meios de cultura de glicose e glicerol”, descreve Marilene. “Nos testes realizados com a levedura em glicose, observou-se maior capacidade de degradar as proteínas oxidadas”, descreve a pesquisadora. Ela explica que, neste caso, o maior poder de degradação está numa modificação específica do proteassoma, denominada de glutatiolação. “O 20s-proteassoma quando glutatiolado degrada a proteína oxidada com maior velocidade”, observa a professora.

Estrutura do proteassoma

Os experimentos permitiram aos cientistas conhecer a estrutura modificada do proteassoma. Segundo Marilene, a proteína possui uma estrutura cilíndrica, apresentando um núcleo central dito catalítico e outras duas partes, uma em cada extremidade da forma cilíndrica. A estrutura das extremidades regula a abertura e fechamento da câmara catalítica do proteassoma. Quando aberta, facilita a entrada das proteínas oxidadas. Nos experimentos com a glicose, esta abertura mostrou-se maior, o que coincidiu com o aumento do conteúdo de proteínas oxidadas nas células crescidas em glicose, ou seja, nessa condição a célula está adaptada para remover proteínas oxidadas devido à modificação que o proteassoma sofre abrindo sua câmara catalítica.
O artigo 20S proteasome activity is modified via S-glutathionylation based on intracellular redox status of the yeast Saccharomyces cerevisiae: Implications for the degradation of oxidized proteins, foi veiculado na edição especial de setembro da Archives of Biochemistry and Biophysics – Antioxidants and Redox Processes in Health and Disease – Bilateral Meeting Brazil-Japan, com artigos de revisão e artigos completos de alguns dos trabalhos mais importantes apresentados no congresso bilateral organizado em 2013, na USP.
Além da professora Marilene, assinam o artigo a aluna Erina Ohara, o técnico de laboratório Adrian Hand, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan; Cristiano L.P. Oliveira e Renata N. Bicev, do Instituto de Física (IF) da USP; Clelia A. Bertoncini, da Universidade Federal de São Paulo, e Luis E.S. Netto, professor titular do Instituto de Biociências (IB) da USP, também membro do INCT Redoxoma.
Mais informações: email marimasi@butantan.gov.br
fonte - http://www5.usp.br/67963/estudo-sobre-degradacao-de-proteinas-pode-ser-base-para-tratar-doencas-degenerativas/

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MACONHA/MEDICINA - Pesquisa da USP revela que CANABIDIOL é eficaz no Parkinson

Novo tratamento é eficaz em pacientes de Parkinson



imagem - foto colorida da matéria com uma pessoa entrando de cadeira de rodas com uma porta aberta à sua frente, como representação da possibilidade do uso de canabidiol ser uma possibilidade de melhora de sua qualidade de vida.


Pela primeira vez em humanos, estudo com canabidiol (CDB) mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com Doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”.

O professor Crippa explica que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e o movimento, por exemplo. “Essa pode ser a causa de efeitos colaterais como alucinações, náuseas, delírios e de uma outra complicação motora chamada discinesia tardia, entre outras”.

Para o professor, o CDB provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraída a substância canabidiol. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”, diz.

Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

O estudo

Durante seis semanas, 21 pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson, sem demência ou problemas psiquiátricos, participaram do estudo. Os pacientes foram divididos em três grupos, um recebeu placebo, ou seja, somente com o óleo de milho, outro recebeu o CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho e o terceiro o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho.  O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pacientes nem os profissionais que os acompanharam sabiam a que grupo cada sujeito pertencia.

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. A droga dissolvida em óleo de milho foi colocada em cápsulas de gelatina, que foram armazenadas em frascos de vidro escuro. “As cápsulas somente com óleo de milho e com CDB foram fornecidas em cápsulas idênticas”, afirmam os pesquisadores.

Todos os pacientes participantes do estudo foram avaliados quanto aos sintomas motores e não motores da doença, por meio de instrumentos que inclui o Parkinson Disease Questionnaire–39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do paciente com Parkinson, segundo os pesquisadores. “Dentre os sintomas motores, podemos citar os tremores, sendo que entre os não motores estão, por exemplo, a apatia e a depressão, sintomas comuns em quem tem Parkinson”, relata o professor Crippa.

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foi relatada percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “E esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores. E foram significantes para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia”, comemora o professor.

Os resultados acabam de ser publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia. Além do professor Crippa, também participaram do estudo os pesquisadores Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da FMRP, e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
fonte - http://www.usp.br/agen/?p=190102
Mais informações:  (16) 3602.2201 – e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Pesquisadores da Unicamp/Usp procuram resposta para resistências diferenciadas à doença

Mentes Persistentes

Pesquisadores querem entender o que faz o cérebro de algumas pessoas resistir aos efeitos do mal de Alzheimer
IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 215 - Janeiro de 2014
(imagem - representação de um sistema nervoso central, com referência às áreas mais afetadas pelo desenvolvimento da doença, com o córtex, o hipocampo e a amídala, com esquema sobre o processo de diferenciação de perdas neuronais e sintomas para cada tipo de cérebro pesquisado, com três cérebros diferentes no alto, com cores diferentes - desenho de Ana Paula Campos - Revista Pesquisa).
Os cérebros de quatro senhoras com idades entre 80 e 82 anos que morreram recentemente em São Paulo contam um pouco mais sobre a complexidade do mal de Alzheimer. Amostras desses cérebros, doados ao banco de encéfalos da Universidade de São Paulo (USP), foram analisadas ao microscópio e revelaram o amontoado de placas e emaranhados de proteínas que são a marca típica dos estágios avançados do Alzheimer. Era de esperar, portanto, que essas mulheres tivessem sofrido na última década de vida sérios problemas de perda de memória e de cognição, como dificuldade de se expressar e de perceber o espaço a sua volta. Entrevistas com familiares e cuidadores das idosas, porém, provaram que elas viveram lúcidas até o fim.
“Ninguém entende exatamente por que essas pessoas não desenvolveram demência”, admite o neuroanatomista Carlos Humberto Andrade-Moraes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Seu doutorado, feito sob a supervisão do neurocientista Roberto Lent, da mesma universidade, é o primeiro no mundo a analisar o número total de células do cérebro de idosos conhecidos como doentes de Alzheimer assintomáticos. O estudo, publicado com outros pesquisadores da UFRJ e da USP em dezembro na Brain, concluiu que o número de neurônios dos assintomáticos é praticamente igual ao de idosos saudáveis, diferentemente do que se vê no cérebro de pessoas com Alzheimer que desenvolvem demência, a perda de memória e da capacidade cognitiva. Na demência há uma redução drástica de neurônios no hipocampo e no córtex, as regiões cerebrais responsáveis pela consolidação da memória e pelo raciocínio.
Em média, uma em cada 10 pessoas com mais de 65 anos apresenta os sinais clínicos do Alzheimer. A doença se manifesta primeiro com pequenos deslizes de memória, que com o tempo ficam mais frequentes, seguidos de falhas no julgamento moral, na percepção do espaço e do tempo e do aumento na dificuldade de se comunicar. A sobrevida média é de oito anos, ao longo dos quais os sintomas se agravam até a incapacitação total.
Há algum tempo se sabe que a demência é provocada pela destruição das sinapses, os trilhões de conexões entre os 86 bilhões de neurônios, as células cerebrais que armazenam e transmitem informações, das quais emergem as memórias e os pensamentos. Um neurônio saudável recebe até 10 mil sinapses de outros neurônios, trocando sinais elétricos e substâncias que o mantêm vivo. Impedidos de manter as sinapses no Alzheimer, os neurônios atrofiam e morrem. Como consequência, o volume do hipocampo e a espessura do córtex diminuem, o que pode ser visto em imagens de ressonância magnética. Segundo o neurologista Márcio Balthazar, que atende pessoas com Alzheimer no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as neuroimagens podem ajudar no diagnóstico da doença, mas ainda não substituem os testes laboratoriais, clínicos e psicológicos.
Em parceria com o neurologista Fernando Cendes, da Unicamp, Balthazar e seus colaboradores vêm apostando no aperfeiçoamento de uma nova forma de identificar o Alzheimer precocemente: o uso de neuroimagens para avaliar a atividade cerebral, e não apenas a anatomia. A ideia é observar em imagens de ressonância magnética funcional a atividade do cérebro quando os pacientes estão relaxados, sem pensar em nada. “Mesmo com a pessoa em repouso, vemos que algumas áreas do cérebro são ativadas simultaneamente, pulsando em uma mesma frequência, o que sugere que sejam grupos de neurônios se comunicando”, explica Balthazar. “Uma pessoa com Alzheimer tem essa rede menos conectada.”
Em artigo publicado em novembro na Psychiatric Research: Neuroimaging, o grupo da Unicamp conseguiu distinguir com cerca de 70% de acerto as neuroimagens da atividade cerebral em repouso de pessoas com sintomas moderados de demência daquelas de idosos saudáveis. Os pesquisadores observaram ainda uma relação entre as falhas de conexão da rede e o grau de perda de memória.
Quanto mais cedo melhorEsperamos aperfeiçoar o método para realizar o diagnóstico cada vez mais precocemente”, conta Balthazar. Apesar de o Alzheimer permanecer sem cura, quanto antes o diagnóstico for feito mais eficazes são as intervenções que aliviam os sintomas: o uso de inibidores de acetilcolinesterase e a realização de terapia ocupacional, reabilitação psicológica e atividade física, além do planejamento da família para o futuro.
Como a demência senil pode ter outras causas – problemas vasculares e outras doenças degenerativas –, o diagnóstico do Alzheimer em geral só é confirmado após a morte. A autópsia do tecido cerebral revela um excesso das chamadas placas neuríticas, ancoradas em ramificações dos neurônios, e dos emaranhados neurofibrilares, no interior dos neurônios atrofiados. Esses sinais são encontrados especialmente no hipocampo e no córtex cerebral. Até alguns anos atrás, a maioria dos pesquisadores acreditava que as placas neuríticas eram as responsáveis pelas disfunções sinápticas. Mas estudos recentes feitos pela equipe da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, ambos da UFRJ, vêm demonstrando que as placas, apesar de tóxicas, não são a causa principal da eliminação das sinapses e da morte dos neurônios (ver Pesquisa FAPESP n. 157).
De fato, as placas são formadas pelo acúmulo de pequenas moléculas de beta-amiloide. Normalmente produzida pelo cérebro, essa proteína sofre deformações no Alzheimer. Muitos pesquisadores, porém, hoje acreditam que são amontoados bem menores de beta-amiloide – os oligômeros, capazes de se difundir para dentro e para fora dos neurônios – os responsáveis por interferir nas sinapses. Outras pesquisas sugerem que esses oligômeros também formam os emaranhados neurofibrilares, que impedem o transporte de substâncias dentro dos neurônios e contribuem para a sua morte. Segundo esse raciocínio, a formação das placas seria uma tentativa do organismo de varrer os oligômeros para fora das células e para longe das sinapses. “As placas seriam protetoras e não causadoras da demência”, diz Andrade-Moraes.
A descoberta dos doentes de Alzheimer assintomáticos reforçou essa hipótese. As primeiras descrições desses casos surgiram em estudos que acompanharam centenas de idosos nos Estados Unidos. A comparação dos exames clínicos a que essas pessoas eram submetidas periodicamente com a análise de seus cérebros após a morte revelou que de 25% a 40% dos casos diagnosticados histologicamente como sendo Alzheimer não haviam desenvolvido demência. “Embora permaneça duvidoso se esses indivíduos continuariam clinicamente normais se tivessem vivido mais tempo, eles parecem ter sido capazes de compensar ou atrasar o aparecimento dos sintomas de demência”, escreveu em 2012 o neuropatologista Juan Troncoso, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, um dos primeiros a chamar a atenção para os pacientes assintomáticos.
Segundo Andrade-Moraes, antes do estudo publicado na Brain nenhum trabalho sobre o impacto do Alzheimer no número de células do cérebro havia comparado indivíduos com e sem demência. “Queríamos saber se os assintomáticos teriam alguma alteração na composição das células cerebrais”, ele diz.
A pesquisa foi feita em parceria com a equipe da neuropatologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Encéfalos Humanos da USP, que, além de analisar os cérebros de idosos mortos em São Paulo, investiga, por meio de questionários com familiares e cuidadores, como era o desempenho cognitivo dessas pessoas até 10 anos antes de sua morte.
Os pesquisadores da USP e da UFRJ selecionaram 14 cérebros de mulheres que morreram entre os 71 e os 88 anos (a prevalência do Alzheimer é um pouco maior entre as mulheres). Cinco tinham um nível de placas considerado normal para a idade, enquanto as demais apresentavam o excesso característico do Alzheimer. Dessas últimas, cinco apresentavam sinais de demência e quatro eram assintomáticas.
Menos neurônios, mais gliaOs cérebros foram processados na UFRJ em uma máquina, o fracionador isotrópico automático, construído pela equipe de Lent (ver Pesquisa FAPESP nº 192). A máquina transforma porções de cérebro em uma suspensão homogênea, contendo o núcleo das células. Anticorpos coloridos que se ligam ao núcleo dos neurônios permitem distingui-los das demais células do cérebro, as células da glia.
Como esperado, o hipocampo das mulheres com demência tinha metade do número de neurônios encontrado no hipocampo das saudáveis e das assintomáticas – aquelas com demência também tinham menos neurônios no córtex todo. Ao mesmo tempo, o cérebro das pessoas com demência tinha uma proporção maior de células da glia. “Essas células aumentam de número para proteger os neurônios, mas com o progresso da doença provocam uma inflamação que piora os sintomas de demência”, explica Andrade-Moraes. Ele, porém, não encontrou diferença significativa -– no número de neurônios e de células da glia – entre o cérebro de idosos saudáveis e o de idosos com Alzheimer assintomáticos.
Os assintomáticos devem possuir algum mecanismo fisiológico desconhecido que protege suas redes de neurônios dos efeitos dos oligômeros”, suspeita. “Algo afasta os oligômeros das sinapses, agregando-os rapidamente em placas.”
Para ele, um candidato a explicar esse mecanismo é a atuação mais eficiente da insulina no cérebro dos assintomáticos. Diferentemente do que ocorre em outros órgãos, o papel da insulina no cérebro parece não ser o controle do metabolismo de açúcar, mas a consolidação da memória e a formação de novas sinapses. Experimentos in vitro e com animais feitos por Fernanda De Felice e Sérgio Ferreira vêm demonstrando que a insulina protege os neurônios da ação dos oligômeros. Em artigo publicado em dezembro na Cell Metabolism, eles apresentaram novos mecanismos neuronais que provocam a perda de sinapses em camundongos e macacos com sinais semelhantes aos de Alzheimer. Parte do doutorado de Mychael Lourenço, esse trabalho mostrou ainda que um remédio usado para tratar diabetes tipo 2, a liraglutida, bloqueou os danos neuronais em modelos animais de Alzheimer. Atualmente uma equipe do Imperial College de Londres testa a liraglutida em 200 pessoas com Alzheimer.
Outra hipótese é que os assintomáticos possuem uma maior reserva cognitiva, talvez resultado de uma rede de sinapses mais complexa do que a dos que desenvolvem demência. Essa reserva permitiria resistir mais aos efeitos dos oligômeros. Essa ideia vem da observação de que os assintomáticos costumam ser pessoas com um nível de escolaridade maior ou que aprenderam a falar e a escrever cedo na infância. Na Unicamp, Balthazar tenta confirmar o efeito protetor da reserva cognitiva comparando a conectividade das redes neuronais em pacientes idosos com diferentes graus de escolaridade, hábitos de leitura e vida social. 
ProjetosInstituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia – Brainn (n° 2013/07559-3);Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Coord. Fernando Cendes – FCM/Unicamp; Investimento R$ 13.621.302,32 (FAPESP).
Artigos científicosANDRADE-MORAES, C.H. et al. Cell number changes in Alzheimer’s disease relate to dementia, not to plaques and tangles. Brain. dez. 2013.
LOURENCO, M.V. et al. TNF-  Mediates PKR-dependent memory impairment and brain IRS-1 inhibition induced by Alzheimer’s ß-amyloid oligomers in mice and monkeys. Cell Metabolism. 3 dez. 2013.
BALTHAZAR, M.L. et al. Whole cortical and default mode network mean functional connectivity as potential biomarkers for mild Alzheimer’s disease. Psychiatry Research. 11 nov. 2013.
fonte - http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/01/13/mentes-persistentes/
LEIA TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - 

ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SAÚDE MENTAL/DEPRESSÃO PÓS-PARTO - Pesquisa da USP ajuda a entender e desmitificar Depressão pós-parto

Taxa de depressão pós-parto é maior em hospital público da capital

Baixa escolaridade, pouco apoio social, conflitos conjugais e episódios anteriores de depressão foram os fatores mais correlacionados ao surgimento do transtorno 

(imagem- foto colorida de uma criança  recém nascida, branca, coberta com uma manta branca e acolhida sobre o peito de sua mãe, à esquerda, e com a mão de um homem sobre ela, provavelmente seu pai, à direita no canto, fotografia da reportagem Thinkstock)
Estudo realizado com 273 mulheres que deram à luz em um hospital público de São Paulo revelou uma prevalência de depressão pós-parto cerca de duas vezes maior que a média mundial descrita na literatura científica. Os resultados mostram ainda que, no primeiro ano de vida, os filhos das mães deprimidas apresentavam prejuízos no desenvolvimento.
A investigação foi conduzida no âmbito de um Projeto Temático FAPESP coordenado por Emma Otta, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP).
Segundo Otta, a pesquisa foi desenvolvida a partir do enfoque teórico e metodológico da etologia, ciência que estuda o comportamento animal. A perspectiva evolucionista orientou a formulação das várias hipóteses investigadas, como a relação entre a notável dependência do bebê humano, sua predisposição natural para a formação de vínculos (apego e intersubjetividade primária) e a necessidade de imersão em um grupo familiar e cultural para o desenvolvimento cognitivo. Também foi investigada a influência das dificuldades do ambiente social e afetivo sobre as estratégias de investimento parental e de desenvolvimento infantil.
“O tipo de rede de apoio nas diversas fases do ciclo de vida reprodutiva da mãe pode influenciar o investimento parental e a ocorrência de depressão pós-parto", disse Otta. Segundo ela, o Projeto Temático visou ao entendimento dessa rede de determinantes e das possíveis funções adaptativas das reações depressivas e dos efeitos das características da interação mãe-bebê no desenvolvimento, com especial atenção ao desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo da criança, envolvendo a linguagem, a empatia e os comportamentos pró-sociais.
Foram recrutadas, inicialmente, cerca de 400 gestantes que realizaram consultas de pré-natal em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Bairro do Butantã e cujo parto estava previsto para ocorrer no Hospital Universitário (HU-USP) entre setembro e dezembro de 2006. Destas, 273 deram à luz no HU e foram incluídas no estudo.
As mulheres e seus filhos foram acompanhados durante os três anos seguintes ao parto. Durante esse período, diversas entrevistas foram realizadas com o intuito de avaliar a interação entre mãe e bebê, a presença de sintomas depressivos nas mulheres, a percepção materna sobre o relacionamento com a criança e o desenvolvimento infantil. Uma primeira filmagem foi feita ainda na sala de parto, na primeira interação mãe-bebê.
Na avaliação realizada no quarto mês após o parto, as 150 mulheres que ainda participavam do estudo preencheram um questionário de rastreamento para depressão pós-parto e 28% demonstraram sinais do transtorno. Segundo Otta, o índice médio mundial descrito na literatura científica varia entre 10% e 15%.
Em um estudo integrado ao Temático, cujos resultados devem ser publicados em breve, os pesquisadores compararam os dados das mulheres que deram à luz no HU-USP com o de 257 mulheres que tiveram seus filhos em um hospital privado de alto padrão da capital. Nesse segundo caso, a prevalência de depressão pós-parto na amostra foi de 7% – abaixo da média mundial.
Nas duas amostras, os recém-nascidos apresentaram condições de saúde semelhantes. A idade da mãe, a escolaridade, o número de visitas pré-natal e de cesarianas foram maiores entre as mães do hospital privado.
Embora os indícios de depressão fossem menores dependendo do hospital ou do nível socioeconômico, as variáveis mais importantes, segundo o modelo estatístico utilizado na análise, foram escolaridade e apoio social”, contou Maria de Lima Salum e Morais, pesquisadora do Instituto de Saúde de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria do Estado de Saúde.
Outros fatores que mostraram forte correlação com o risco de depressão pós-parto foram a frequência e a gravidade dos conflitos com o parceiro – maior na amostra do hospital público – e a ocorrência de episódios anteriores de depressão.
Um número maior de mães na amostra do hospital privado relatou ter passado anteriormente por consultas e tratamento para depressão, talvez porque essas mulheres tenham mais acesso a serviços de saúde. Na amostra do hospital privado, todas as mães com depressão pós-parto relataram ter vivenciado episódios anteriores de depressão”, disse Morais.
Para Otta, é possível que apenas parte das mulheres diagnosticadas nas duas amostras tenha de fato desenvolvido depressão pós-parto. “Algumas possivelmente já tinham depressão e o problema permaneceu ou retornou após o nascimento do filho”, afirmou.
Outros fatores de risco para depressão pós-parto identificados na pesquisa, porém com menor peso, foram um maior número de filhos, a existência de filhos de relacionamentos anteriores, maior número de crianças morando na mesma casa, gravidez não desejada, rejeição na infância, menarca precoce e menor idade materna. Os dados foram publicados no Boletim do Instituto de Saúde.
Consequências
O impacto da depressão pós-parto na relação entre mãe e filho e no desenvolvimento infantil foi avaliado mais profundamente na amostra do hospital público. Os pesquisadores usaram protocolos para avaliar, entre outros fatores, a disponibilidade emocional materna, o estilo de apego da criança à mãe e seu desenvolvimento neuropsicomotor.
As mães eram filmadas enquanto interagiam com seus filhos em uma sala de observação do laboratório. Em seguida, os pesquisadores entrevistavam as mulheres para conhecer sua percepção sobre o relacionamento com a criança.
“As mulheres com depressão, em geral, se achavam piores mães. Diziam que o bebê dava mais trabalho, que elas tinham mais dificuldades nos cuidados com a criança, eram mais impacientes e dedicavam menos tempo ao filho. Mas quando os vídeos foram analisados por avaliadores que desconheciam a condição psicológica materna, de acordo com a escala de disponibilidade emocional de Biringen, não foi percebida diferença entre as mães com e sem depressão. Isso significa que a sintomatologia depressiva não interferiu significativamente na qualidade da interação mãe-bebê aparente para um observador externo”, contou Otta.
Essas análises foram realizadas durante o trabalho de pós-doutorado de Vera Regina Jardim Ribeiro Marcondes Fonseca. Os resultados foram divulgados em artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.
Em outro estudo, realizado durante o mestrado de Renata de Felipe, sob orientação de Vera Silvia Bussab, também vinculado ao Temático, observou-se que as mães com depressão pós-parto vocalizavam menos com seus bebês, principalmente quando tinham outros filhos.
De Felipe também relatou que o padrão de interação das mães sem depressão com seus filhos era mais consistente e aquelas que verbalizavam mais também sorriam mais e olhavam mais para seus bebês. Essa correlação entre verbalização, sorriso e olhar não foi observada entre as mães com depressão.
Desenvolvimento infantil
Durante as observações feitas aos quatro meses, os pesquisadores notaram que os filhos das mulheres com depressão pós-parto procuravam menos o olhar da mãe. No entanto, não houve nesse momento diferença no desenvolvimento neuropsicomotor entre os dois grupos.
Quando as crianças completaram 12 meses, foi aplicado o procedimento da Situação Estranha de Ainsworth, que busca avaliar o estilo de apego da criança à mãe e seu grau de segurança. A análise dos vídeos mostrou que os filhos de mães depressivas exploravam menos a sala, manipulavam menos os brinquedos e apresentavam mais movimentos repetitivos com as mãos, braços e cabeça quando interagiam com uma pessoa estranha na ausência temporária da mãe.
Essa análise foi realizada durante o trabalho de pós-doutorado de Carla Cristine Vicente, comapoio da FAPESP.
“Podemos dizer que as crianças apresentaram desenvolvimento típico, mas que algumas diferenças de ritmo foram identificadas. Os filhos de mães com depressão apresentaram um desempenho inferior em desenvolvimento motor fino [manipulação de objetos, movimentos delicados] e motor grosso [andar, subir escadas]. Curiosamente, essas crianças se saíram melhor na avaliação de linguagem do que os filhos de mãe sem depressão. Talvez por terem uma mãe menos responsiva, tivessem de aprender a se expressar mais verbalmente”, contou Tania Lucci, que fez seu mestrado sobre o tema .
Durante o Projeto Temático, foram aplicados vários protocolos de pesquisa para avaliação de empatia e comportamentos sociais. Aos 24 meses, foi realizado o teste do Teddy Bear, que busca avaliar a reação das crianças diante de uma pessoa em dificuldades.
“Mais de 60% dos bebês tentou ajudar o experimentador quando este começou a chorar depois que o seu ursinho de pelúcia quebrou. Algumas chamaram a mãe e outras chegaram a dar seu próprio brinquedo na tentativa de consolar o pesquisador. Não foi identificada relação com a condição materna”, contou Otta. Esta análise foi realizada durante o mestrado de Gabriela Sintra Rios.
Em tarefas de cooperação social, aos 36 meses de idade, os filhos de mães com depressão ignoraram mais o pedido materno para interromper a brincadeira e ajudaram menos a guardar os brinquedos em uma caixa. Além disso, ajudaram menos a pesquisadora em dificuldades.
“As crianças filhas de mães sem depressão negociam mais com as mães”, comentou Vera Bussab, orientadora do doutorado de Laura Cristina Stobäus.
Avaliou-se também, aos três anos, a compreensão da direção do olhar e da intencionalidade, por meio de desenhos. Quanto maior o escore de depressão das mães, menor a adesão das crianças à tarefa proposta e menor o desempenho. A análise foi feita durante o doutorado de Alessandra Bonassoli Prado, sob orientação de Bussab.
Desenvolvimento adequado
No oitavo e último encontro, realizado 36 meses após o parto, 45 pais também participaram das entrevistas e gravaram vídeos de interação com as crianças. A análise dos resultados foi realizada durante o pós-doutorado de Julia Scarano de Mendonça e mostrou que parceiros de mães com depressão pós-parto apresentavam maior envolvimento com as crianças.
“Podemos imaginar que o pai esteja compensando a atenção que a mãe não está conseguindo dar”, avaliou Bussab. Os dados foram divulgados em artigo publicado no periódico Family Science.
Os pais também responderam uma escala que avalia risco de depressão. Detectou-se uma associação entre a depressão materna e a paterna. Além disso, os pais com mais indicadores de depressão foram também os que se autoavaliavam mais envolvidos com a família.
“A associação entre esses dois resultados sugere que a depressão paterna induzida pela depressão materna funciona aumentando o envolvimento do pai com a família, o que corrobora uma hipótese da função adaptativa da depressão que consiste em angariar apoio social”, disse Bussab.
Três anos após o parto, 65% das mulheres identificadas no quarto mês com depressão pós-parto ainda apresentavam sintomas depressivos. Para Morais, os resultados reforçam a importância de dar maior atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade social e de criar políticas públicas de prevenção e intervenção precoce.
Ficou claro que o problema é crônico. É uma questão que precisa ser abordada pelos profissionais de saúde na atenção básica, levando em conta aspectos emocionais integrados aos aspectos físicos”, disse Morais.
Na opinião da pesquisadora do Instituto de Saúde, além de treinar médicos generalistas para que possam dar maior atenção à saúde mental de seus pacientes, seria recomendável que agentes comunitários acompanhassem de perto as mulheres que apresentam fatores de risco para depressão pós-parto e as estimulassem a participar de grupos de gestantes ou de pós-parto em suas comunidades.
“A pesquisa mostrou que as mães com depressão pós-parto lidam com os sintomas de tal forma que conseguem preservar o desenvolvimento adequado do filho. As crianças também têm mecanismos protetores, de resiliência. Ainda assim, encontramos alguns prejuízos no desenvolvimento. Acompanhamos até o terceiro ano de idade, mas existem problemas que podem aparecer mais tarde”, afirmou.
O estudo longitudinal e multicêntrico contou com pesquisadores do IP-USP, da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Universitário da USP, do Centro de Saúde Escola do Butantã e do Instituto de Saúde de São Paulo.
LEIAM TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - 

OS NOSSOS CÃES desCOLORIDOS - Nossas "depressões" e o Dia Mundial da Saúde Mental http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/os-nossos-caes-descoloridos-nossas.html