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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Paralisia Cerebral&Metaverso - Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

 Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

Com apenas computador e boa conexão com internet, telerreabilitação em pessoas com paralisia cerebral auxiliou no engajamento e na melhora de desempenho, além de estimular a prática de atividade física







(imagem da matéria - Jornal da USP - uma mulher com celular na mão ao lado de uma criança com deficiência sentada em cadeira de rodas, em frente a uma tela de televisão com imagem de uma ilustração com criança e bolinhas coloridas) 

O metaverso é um mundo virtual que tenta replicar a realidade por meio de dispositivos digitais. Ao entrar no metaverso é possível identificar construções, cômodos, móveis, encontrar outras pessoas, por meio de seus avatares, e conversar com elas de modo semelhante a se estivessem no mundo real, o que é caracterizado, por exemplo, com o volume da voz aumentando ou diminuindo de acordo com a distância entre os avatares.

Um grupo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, coordenado pelo professor do curso de Educação Física e Saúde Carlos Monteiro, está estudando como o metaverso pode ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência. Um dos estudos publicados mostrou que, em pessoas com paralisia cerebral, a aplicação de tarefas em realidade virtual por meio da telerreabilitação auxiliou no engajamento, na melhora de desempenho e foi uma opção interessante para incentivar a prática de atividade física, inclusive durante a pandemia. 

Realidade virtual e paralisia cerebral

O estudo sobre a telerreabilitação de pessoas com paralisia cerebral foi realizado entre março e junho de 2020 e contou com a participação de 44 pessoas. O trabalho foi realizado durante o período de quarentena da pandemia de covid-19, que impedia a realização da terapia tradicional.

Carlos Monteiro – Foto: EACH-USP

Com um pesquisador guiando as atividades de maneira remota e com o auxílio de um responsável, os participantes realizavam as práticas desenvolvidas, sendo uma delas um jogo em que os pacientes precisavam “pegar” bolinhas coloridas que caíam no visor do computador, o que era realizado pelos movimentos dos participantes, detectados pela câmera da máquina. Pessoas com paralisia cerebral apresentam distúrbios motores associados a aspectos como mudanças de sensação, aprendizado e comunicação, assim, o jogo buscava melhorar a performance motora.

Durante o jogo, a percepção de esforço dos participantes, ou seja, o cansaço das pessoas foi avaliado. A escala é baseada nas sensações sentidas durante o exercício, como fadiga muscular e aumento da frequência cardíaca e respiratória. Também foram analisadas a performance motora, medida pela precisão dos movimentos e o número de acertos e erros, e a motivação e satisfação dos participantes.

A melhora na performance no jogo não foi constante. Apesar disso, a recepção dos jogos pelos pacientes foi positiva, tendo sido considerado divertido pelos participantes, que se mostraram interessados em continuar a usar o jogo nas suas terapias.

“As pessoas gostam mais, elas têm mais motivação para fazer uma reabilitação em ambiente virtual”, comenta Monteiro sobre a vantagem desse formato de reabilitação em relação a outros.

Metaverso não imersivo

O diferencial das pesquisas realizadas pelo grupo de estudos do professor Monteiro está em não utilizar o metaverso imersivo, ou seja, aquele que utiliza óculos de realidade virtual. Com um computador ou celular e uma boa conexão com a internet é possível realizar várias tarefas no metaverso. Isso facilita o acesso das pessoas a essa forma de reabilitação e evita que elas precisem gastar com óculos virtuais caros ou se deslocar para laboratórios onde existem equipamentos avançados. Com o uso do metaverso não imersivo o terapeuta também pode atender mais de um paciente por vez e pessoas de diferentes Estados passam a ter acesso a esse tratamento. 

Apesar dessas vantagens, Monteiro lembra que o metaverso é um complemento dos métodos de recuperação tradicional, não uma substituição. “Percebemos que, quando tarefas no ambiente virtual são mais difíceis que no real, isso facilita na hora de realizar as atividades na vida real”, conta Monteiro sobre um dos pontos positivos dessa complementaridade.

Ele aponta como desafios para o amplo uso investidores acreditarem no uso do metaverso para fins de saúde, e a dificuldade de algumas pessoas para se adaptarem a plataformas digitais. Para ele, porém, o uso do metaverso na educação e saúde pode ser adiado, mas é inevitável.

 grupo também estuda o uso dessa tecnologia em outros grupos, por exemplo, em pessoas dentro do espectro autista e pessoas com síndrome de Down.

Monteiro conta que o grupo realizou a primeira corrida no metaverso para pessoas com deficiência: na pesquisa, pessoas dentro do espectro autista, por meio de comandos do teclado do computador para direcionar seus avatares, correram em um caminho predeterminado em uma ilha no metaverso. Assim, foi possível identificar que ocorreu aprendizado no controle dos movimentos de avatares. As pessoas dentro do espectro autista não só aprenderam a usar a plataforma como também descobriram sozinhas funções que aumentavam a velocidade e a performance na corrida.

O próximo projeto do grupo é o uso de avatares que se movimentam ao mesmo tempo que as pessoas. “A tecnologia irá permitir o reconhecimento do máximo de capacidade e desempenho de cada pessoa. Por meio disso, o avatar auxiliará a equilibrar dificuldades, permitindo tarefas com igualdade para todos”, diz Monteiro.

Mais informações: e-mail carlosmonteiro@usp.br, com Carlos Monteiro

FONTE - https://jornal.usp.br/ciencias/grupo-propoe-uso-do-metaverso-na-reabilitacao-de-pessoas-com-deficiencia/

segunda-feira, 3 de março de 2014

DOR/TRATAMENTOS - Homem com antebraço amputado melhora dores com realidade virtual

Realidade virtual ajuda a diminuir a dor de homem que ficou sem antebraço

Homem sem antebraço há 48 anos sentia dor constante que, com frequência, era muito intensa. Tratamento inovador que usa jogo de computador aplacou dor no braço-fantasma.

(imagem - foto colorida de um homem sentado à frente de uma tela de computador, com fios ligados ao coto do seu antebraço direito, com uma imagem sua projetada por essa realidade virtual com o braço inteiro na tela,  o paciente vê o seu corpo inteiro, com o antebraço virtual que é controlado pelos seus músculos ORTIZ-CATALAN ET AL) 

Um homem de 72 anos que perdeu o antebraço direito em 1965, e, desde aí, sente diariamente dor no braço-fantasma, voltou a ter momentos sem dor depois de “usar” o seu membro perdido num jogo de computador. O caso vem descrito num artigo publicado agora na Frontiers in Neuroscience, uma revista online de acesso livre.

“Estes períodos sem dor são uma coisa quase nova para mim, é uma sensação extremamente agradável”, diz o paciente, citado no artigo da revista.

É relativamente normal às pessoas a quem foi amputado um membro continuarem a senti-lo como se ele estivesse lá. Infelizmente, 70% das pessoas sentem dores no membro-fantasma.
No caso deste homem de 72 anos, que foi submetido a um tratamento inovador na Universidade de Tecnologia de Chalmers, em Gotemburgo, na Suécia, num trabalho liderado pelo investigador Max Ortiz-Catalan, a dor que sentia no antebraço-fantasma, nos últimos 48 anos, era constante. Apesar de usar normalmente um braço artificial, durante a maior parte do tempo tinha uma dor moderada e várias vezes por dia a dor tornava-se insuportável. Além disso, era comum acordar à noite com estas dores.

Não se sabe muito bem quais as causas da sensação dolorosa, mas existem vários tratamentos para tentar aplacá-la: desde medicação até à acupunctura ou hipnose. Há ainda a técnica do espelho, em que se tenta enganar o cérebro das pessoas. Neste caso, o paciente tem de fazer movimentos com o membro intacto e, ao mesmo tempo, tenta fazer os mesmos movimentos com o membro amputado. Mas estes exercícios são feitos em frente a um espelho que reflecte os movimentos e faz com que a pessoa só veja o membro saudável a mover-se. Este truque dá ao paciente a ilusão de que o membro amputado está a movimentar-se normalmente. No caso do homem de 72 anos, todos os tratamentos falharam, até agora.

O método usado na universidade sueca é um salto em relação à técnica do espelho. A equipa de Max Ortiz-Catalan colocou eléctrodos no braço amputado do homem que transmitem um sinal vindo dos músculos. Estes eléctrodos estão ligados a um programa informático. Os sinais musculares são traduzidos para os movimentos de um antebraço e mão virtuais por um sistema de algoritmos.

O paciente fez vários exercícios de controlo do braço virtual e guiou carros num jogo de corridas. Estes movimentos eram controlados pelos músculos do braço amputado. O paciente, que era ao mesmo tempo filmado, via-se num ecrã a fazer aqueles movimentos com um antebraço e mãos virtuais, num sistema de realidade aumentada.

Os nossos métodos são diferentes dos tratamentos anteriores, porque os sinais que controlam [o braço virtual] são aproveitados a partir do coto do braço”, explica Max Ortiz-Catalan, num comunicado. As sessões de dez minutos de exercícios prolongaram-se durante 18 semanas. Gradualmente, o homem foi sentindo uma dor cada vez mais leve no braço-fantasma. A partir das últimas semanas, a seguir às sessões, o paciente tinha pequenos períodos de tempo sem dor nenhuma.

“Há várias características deste sistema que combinadas podem causar o alívio da dor”, considera Max Ortiz-Cataln. “As áreas motoras do cérebro necessárias para o movimento do braço amputado são reativadas, e o paciente obtém o retorno visual que faz com que o cérebro acredite que existe um braço a executar aqueles comandos motores. O paciente experiencia-se como um todo, com o braço amputado de volta ao seu sítio.

Do punho fechado à mão aberta
Há outras conquistas feitas pelo homem de 72 anos. Durante 48 anos, o paciente continuou a sentir a mão-fantasma, mas sentia a mão fechada com muita força. Depois de seis sessões, a sensação do punho fechado evoluiu para uma mão meio aberta que coincidia com a posição relaxada e neutral da mão virtual que via no ecrã do computador. “Esta é agora a percepção permanente da posição da mão- fantasma que é muito apreciada pelo paciente”, lê-se no artigo.

Antes de iniciar as sessões de tratamento, o paciente sentia ainda que a mão-fantasma estava situada logo a seguir ao coto e não na posição normal, depois do pulso. Mas, quando começou a fazer as sessões virtuais, o homem passou a sentir a posição da mão-fantasma no local correto. Além disso, aprendeu a mover o braço virtual e consegue agora "mexer" cada um dos dedos da mão-fantasma.

A equipa não sabe quais serão os efeitos a longo prazo deste tratamento: se a diminuição da dor se mantém depois de as sessões terminarem. Por isso, decidiram manter os exercícios com este paciente. Uma alternativa é o programa virtual ser instalado na casa do homem. Está ainda em curso um programa que reúne hospitais suecos e clínicas de outros países europeus para aplicarem a técnica a outras pessoas que estão na mesma situação.

A razão de a dor ser suprimida permanece uma incógnita – pode ser causada pela nova atividade dos músculos do braço amputado durante os exercícios ou pode estar ligada ao cérebro acreditar que, afinal, o braço e a mão existem, estão ali e funcionam. De qualquer forma, para os autores, este tratamento poderá ser aplicado a outro tipo de pacientes que “necessitam de reabilitação neuromuscular no caso dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) e de lesões parciais da medula espinal”, explica-se no artigo. A única condição necessária é que ainda haja sinais eléctricos dos músculos que possam ser lidos pelos elétrodos.

Quanto ao homem de 72 anos, as mudanças que ocorreram graças a este tratamento experimental são notadas pela família, diz a mulher, citada no artigo: “O meu marido pode viver mais dez anos do que eu esperava, agora que a dor tem um papel menos importante na sua vida, e os que estão próximos dele vêem isso."

fonte - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/realidade-virtual-ajuda-a-diminuir-a-dor-de-homem-que-ficou-sem-antebraco-1626289
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O APRENDIZADO DA DOR - o alívio da dor é um direito humano? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/imagem-publicada-foto-de-uma-mulher.html