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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Paralisia Cerebral&Metaverso - Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

 Grupo propõe uso do metaverso na reabilitação de pessoas com deficiência

Com apenas computador e boa conexão com internet, telerreabilitação em pessoas com paralisia cerebral auxiliou no engajamento e na melhora de desempenho, além de estimular a prática de atividade física







(imagem da matéria - Jornal da USP - uma mulher com celular na mão ao lado de uma criança com deficiência sentada em cadeira de rodas, em frente a uma tela de televisão com imagem de uma ilustração com criança e bolinhas coloridas) 

O metaverso é um mundo virtual que tenta replicar a realidade por meio de dispositivos digitais. Ao entrar no metaverso é possível identificar construções, cômodos, móveis, encontrar outras pessoas, por meio de seus avatares, e conversar com elas de modo semelhante a se estivessem no mundo real, o que é caracterizado, por exemplo, com o volume da voz aumentando ou diminuindo de acordo com a distância entre os avatares.

Um grupo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, coordenado pelo professor do curso de Educação Física e Saúde Carlos Monteiro, está estudando como o metaverso pode ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência. Um dos estudos publicados mostrou que, em pessoas com paralisia cerebral, a aplicação de tarefas em realidade virtual por meio da telerreabilitação auxiliou no engajamento, na melhora de desempenho e foi uma opção interessante para incentivar a prática de atividade física, inclusive durante a pandemia. 

Realidade virtual e paralisia cerebral

O estudo sobre a telerreabilitação de pessoas com paralisia cerebral foi realizado entre março e junho de 2020 e contou com a participação de 44 pessoas. O trabalho foi realizado durante o período de quarentena da pandemia de covid-19, que impedia a realização da terapia tradicional.

Carlos Monteiro – Foto: EACH-USP

Com um pesquisador guiando as atividades de maneira remota e com o auxílio de um responsável, os participantes realizavam as práticas desenvolvidas, sendo uma delas um jogo em que os pacientes precisavam “pegar” bolinhas coloridas que caíam no visor do computador, o que era realizado pelos movimentos dos participantes, detectados pela câmera da máquina. Pessoas com paralisia cerebral apresentam distúrbios motores associados a aspectos como mudanças de sensação, aprendizado e comunicação, assim, o jogo buscava melhorar a performance motora.

Durante o jogo, a percepção de esforço dos participantes, ou seja, o cansaço das pessoas foi avaliado. A escala é baseada nas sensações sentidas durante o exercício, como fadiga muscular e aumento da frequência cardíaca e respiratória. Também foram analisadas a performance motora, medida pela precisão dos movimentos e o número de acertos e erros, e a motivação e satisfação dos participantes.

A melhora na performance no jogo não foi constante. Apesar disso, a recepção dos jogos pelos pacientes foi positiva, tendo sido considerado divertido pelos participantes, que se mostraram interessados em continuar a usar o jogo nas suas terapias.

“As pessoas gostam mais, elas têm mais motivação para fazer uma reabilitação em ambiente virtual”, comenta Monteiro sobre a vantagem desse formato de reabilitação em relação a outros.

Metaverso não imersivo

O diferencial das pesquisas realizadas pelo grupo de estudos do professor Monteiro está em não utilizar o metaverso imersivo, ou seja, aquele que utiliza óculos de realidade virtual. Com um computador ou celular e uma boa conexão com a internet é possível realizar várias tarefas no metaverso. Isso facilita o acesso das pessoas a essa forma de reabilitação e evita que elas precisem gastar com óculos virtuais caros ou se deslocar para laboratórios onde existem equipamentos avançados. Com o uso do metaverso não imersivo o terapeuta também pode atender mais de um paciente por vez e pessoas de diferentes Estados passam a ter acesso a esse tratamento. 

Apesar dessas vantagens, Monteiro lembra que o metaverso é um complemento dos métodos de recuperação tradicional, não uma substituição. “Percebemos que, quando tarefas no ambiente virtual são mais difíceis que no real, isso facilita na hora de realizar as atividades na vida real”, conta Monteiro sobre um dos pontos positivos dessa complementaridade.

Ele aponta como desafios para o amplo uso investidores acreditarem no uso do metaverso para fins de saúde, e a dificuldade de algumas pessoas para se adaptarem a plataformas digitais. Para ele, porém, o uso do metaverso na educação e saúde pode ser adiado, mas é inevitável.

 grupo também estuda o uso dessa tecnologia em outros grupos, por exemplo, em pessoas dentro do espectro autista e pessoas com síndrome de Down.

Monteiro conta que o grupo realizou a primeira corrida no metaverso para pessoas com deficiência: na pesquisa, pessoas dentro do espectro autista, por meio de comandos do teclado do computador para direcionar seus avatares, correram em um caminho predeterminado em uma ilha no metaverso. Assim, foi possível identificar que ocorreu aprendizado no controle dos movimentos de avatares. As pessoas dentro do espectro autista não só aprenderam a usar a plataforma como também descobriram sozinhas funções que aumentavam a velocidade e a performance na corrida.

O próximo projeto do grupo é o uso de avatares que se movimentam ao mesmo tempo que as pessoas. “A tecnologia irá permitir o reconhecimento do máximo de capacidade e desempenho de cada pessoa. Por meio disso, o avatar auxiliará a equilibrar dificuldades, permitindo tarefas com igualdade para todos”, diz Monteiro.

Mais informações: e-mail carlosmonteiro@usp.br, com Carlos Monteiro

FONTE - https://jornal.usp.br/ciencias/grupo-propoe-uso-do-metaverso-na-reabilitacao-de-pessoas-com-deficiencia/

domingo, 14 de dezembro de 2014

PARALISIAS CEREBRAIS/TRATAMENTOS INOVADORES - Pedia Suit é um macacão terapêutico e reabilitador que está ajudando crianças com PC

PARALISIA CEREBRAL -  Um novo conceito em tratamento neurológico infantil

Criado em 2006 por Leonardo Oliveira, para o tratamento de reabilitação de seu próprio filho (portador de hemiplegia), o Pedia Suit é o mais moderno macacão terapêutico ortopédico disponível no mundo para tratamento de desordens neurológicas, sensitivas e motoras.
Um novo conceito em tratamento neurológico infantil
(Imagem - foto colorida da matéria, com uma criança, uma menina com paralisia cerebral, dentro de um espaço ligada aos 'cabos elásticos' azuis que prendem a sua ''roupa'' especial, um macacão terapêutico,  desse tratamento fisioterápico e ortopédico, nas cores verde, preto e azul) 
Com base no “Peguin Suit” - roupa desenvolvida pelos Russos para amenizar os efeitos colaterais das viagens ao espaço nos astronautas - Leonardo e um grupo de terapeutas adaptaram a vestimenta, tornando-a mais leve, transpirável e também de fácil aplicação e remoção, além de ser confortável. Essa confecção foi baseada no fato de que a ausência da força da gravidade apresentada pelos astronautas era semelhante aos problemas físicos apresentados pelos portadores de Paralisia Cerebral.

PROTOCOLO 
O Pedia Suit é um protocolo de tratamento intensivo, com utilização do macacão, da spider (gaiola), elásticos e a monkey cage (exercícios de fortalecimento). Realizado durante um período de 01 mês, com aproximadamente 04 horas diárias, 05 dias por semana, levando em conta as condições de cada paciente. É aplicado por Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, com uso do macacão e sistemas de elásticos para alinhar o corpo o mais próximo do normal.

INDICAÇÕES
O uso do macacão terapêutico ortopédico combinado com a terapia intensiva tem sido muito benéfico em crianças que apresentam paralisia cerebral; atraso no desenvolvimento motor; traumatismo crânio-encefálico; AVC; ataxia; atetose; deficiências neurológicas; deficiências ortopédicas; doenças degenerativas; desordens convulsivas; incapacidades pós-cirúrgicas; lesões de medula espinhal; transtornos vestibulares e síndrome de Down. O protocolo é aplicado em crianças acima dos 02 anos de idade ou com peso superior há 09 kilos. Para a faixa etária abaixo da citada, as atividades são adaptadas.

BENEFÍCIOS
Os benefícios terapêuticos proporcionados pelo protocolo são: melhora nas respostas sensoriais e motora; normalização de tônus muscular; melhorar o alinhamento e equilíbrio corporal; minimizar contraturas; aumento da densidade óssea; reforço muscular; estabilidade muscular; propriocepção; ajustar o padrão da marcha; melhorar consciência corporal com relação ao espaço; proporcionar melhor qualidade de vida, desenvolver atividades funcionais e aumentar variedade de movimentos voluntários, dentre outras.

CONTRA-INDICAÇÃO ABSOLUTAS

Sub-luxação ou luxação com indicação cirúrgica; escoliose com indicação cirúrgica; osteoporose; deformidades e contraturas ósseas sem capacidade de reversão; pressão arterial elevada; certas doenças cardíacas; alterações vasculares graves.
O macacão terapêutico Pedia Suit auxilia no reaprendizado do sistema nervoso central e possibilita que o paciente supere padrões de movimentos patológicos, executando e repetindo padrões de movimentos até então desconhecidos. Esses movimentos são facilitados pelos ajustes do macacão, adaptando-se às necessidades do paciente. Estímulos de equilíbrio, consciência corporal no espaço, dentre outros, são enviados ao centro motor cerebral com a finalidade de restabelecer as suas funções danificadas, facilitando a formação de novas sequências de movimentos e posicionamento corporal. Os estímulos intensivos e diferenciados, facilitam um novo aprendizado motor e consequentemente melhores evoluções do quadro apresentado pelo paciente.
FONTE - http://tribunadonorte.com.br/noticia/um-novo-conceito-em-tratamento-neurola-gico-infantil/300886
Alini Brito
Fisioterapeuta e Educadora Física
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FREUD E A "INVENÇÃO" DA PARALISIA CEREBRAL http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/freud-e-invencao-da-paralisia-cerebral.html


sexta-feira, 4 de abril de 2014

PARALISIA CEREBRAL/INOVAÇÕES - Um colete ajustada às pernas, da criança e dos pais, estimulam a marcha

Novo equipamento permite que crianças com paralisia cerebral experimentem sensação de andar

Upsee, como é chamado o produto, estará à venda na internet a partir do dia 7 de abril

upsee_firefly_ (Foto: divulgação)

(imagem - foto colorida de três crianças com paralisia cerebral, vestindo o Upsee, que se liga às pernas de seus pais, com sorrisos que revelam a sensação que devem experimentar nessa nova forma de estímulo para a marcha, fotografia da matéria)

A ideia é simples, mas tem potencial para mudar – e muito – a rotina de  crianças com paralisia cerebral. Recém-criado, o UpSee é um equipamento que torna viável a caminhada de quem não tem os movimentos dos membros inferiores. Com a ajuda dos pais, os filhos poderão ver o mundo de outro ângulo, e se encantar com as novas descobertas e sensações.

O produto consiste em um cinto para o adulto prender à cintura, um colete (que lembra o modelo salva-vidas) para a criança vestir e sandálias para a dupla. O colete é feito de brim com forro transpirável especial. Estará disponível em quatro opções de tamanho: extrapequeno (1 a 2 anos), pequeno (2 a 4 anos), médio (4 a 6 anos) e grande (6 a 8 anos).

A inventora do produto é a israelense Debby Elnatan, mãe de Rotem, hoje com 19 anos, que nasceu com paralisia cerebral. Após ouvir de uma médica que o seu filho “não sabia o que as pernas dele eram”, Debby começou a pensar em maneiras de ajudá-lo, há mais de uma década, até chegar à forma do UpSee.

O equipamento começou a ser produzido este ano em grande escala. A ideia foi comprada pela Firefly, uma empresa da Irlanda do Norte, especializada em produtos para crianças com necessidades especiais. O lançamento está previsto para o dia 7 de abril, na loja on-line da Firefly (www.fireflyfriends.com), mas o preço ainda não foi divulgado.

“Pretendemos despachar o produto para todo o mundo, inclusive para o Brasil”, afirma o proprietário da empresa, James Leckey, em entrevista à CRESCER. “Nós trabalhamos por dois anos com Debby no desenho do UpSee, para garantir um conceito incrível”, completa Leckey. De acordo com o empresário, a procura pelo produto já é grande, antes mesmo do lançamento.
Recomendações 

Apesar de animadora, a novidade requer cuidados. Os pais que pretendem comprar o UpSee para o filho devem consultar o médico da criança antes para saber se ela está apta a usá-lo.
“Há diversos quadros de paralisia. Os mais graves, que atingem também os membros superiores, podem dificultar o uso do produto. É preciso avaliar cada criança individualmente”, afirma Edilson Forlin, pediatra ortopedista do Hospital Pequeno Príncipe (PR).

O médico lembra outras limitações do UpSee, como a questão da pouca praticidade para o dia a dia, o tamanho da criança (se ela for muito grande, será mais difícil), e o bom equilibro que requer dos pais – já que as quedas podem ser perigosas

Feitas as ressalvas, o produto, de acordo com Forlin, parece ser positivo. “A criança fica em movimento, e isso é uma vantagem, é melhor do que mantê-la imobilizada. Este sistema não vai influenciar a capacidade da criança andar, mas beneficia a terapia”, diz. Psicologicamente, também há benefícios segundo o médico, pois a criança tem a chance de ver o mundo de outra altura e de passar momentos de maior proximidade com os pais.

Veja aqui o vídeo em que Debby Elnatan conta sua história (em inglês).
fonte - http://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2014/04/novo-equipamento-permite-que-criancas-com-paralisia-cerebral-experimentem-sensacao-de-andar.html (Por Maria Clara Vieira)

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

PARALISIA CEREBRAL/ESPORTES - Menino melhora sua mobilidade através do surf

Menino com paralisia cerebral começa a andar após praticar surfe

Antes de entrar no mar, garoto faz alongamento e exercícios lúdicos.
Escola Radical, em Santos, é a primeira pública de surfe no país.


Raphael surfando no mar em Santos, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)
(imagem - foto colorida de Raphael, sobre uma prancha de surf no mar, de braços abertos e com um lindo sorriso, demonstrando seu equilíbrio aprimorado pela prática desse esporte adaptado á sua condição de pessoa com paralisia cerebral (que não é uma doença e sim uma deficiência), fotografia de Mariane Rossi G1)

Uma criança de Santos no litoral de São Paulo, diagnosticada com paralisia cerebral, surpreendeu a família e os professores ao aprender a andar 8 meses após começar a praticar aulas de surfe. Raphael dos Santos, de 12 anos, conseguiu deixar a cadeira de rodas aos 10 e, atualmente, chega às aulas caminhando, sempre ao lado da mãe.

A luta do menino começou nos primeiros dias de vida. "Ele nasceu praticamente morto, mas Deus me deu ele de volta", conta a mãe, Fabiana dos Santos. O garoto ficou alguns dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e depois foi levado para casa. Porém, nos primeiros meses, Fabiana percebeu que o filho era diferente das outras crianças. "Uma doutora me disse que ele não tinha capacidade de andar, de falar nem de sentar. A médica disse que ele iria ficar mole, como quando estava no meu colo", diz. Pouco tempo depois, Raphael foi diagnosticado com paralisia cerebral.
Separada do marido, Fabiana passou a levar o menino à Casa da Esperança para receber tratamento específico, com a ajuda da avó dele. O garoto foi crescendo, mas não conseguia andar nem falar, só engatinhava e ficava sentado. Aos 9 anos, Raphael passou por uma cirurgia nas pernas e ficou em uma cadeira de rodas. Logo depois, o surfe surgiu na vida dele.
"Eu conheci um amigo do Cisco (surfista) que trabalha com fisioterapia e ele me indicou as aulas", lembra a mãe.
Mesmo com medo, Fabiana resolveu levar o menino para a Escola Radical, em Santos, a primeira pública de surfe no país, coordenada por Cisco Araña. No primeiro dia de aula, Raphael não saía da cadeira de rodas. Por causa da cirurgia, as pernas dele só ficavam esticadas e ainda não haviam voltado ao normal.
"O Cisco o levou para o mar. Eu pensei que iriam afogar meu filho, fiquei na areia olhando, eu tremia. No dia seguinte, fomos de novo", revela a mãe.
O professor Leonardo Scarpa acompanhou Rapha, como ele começou a ser chamado por todos, nos primeiros dias de aula. O instrutor lembra que o garoto tinha muitas dificuldades de locomoção.
"Ele veio para cá no formato da cadeira de rodas, bem travadinho mesmo. Ele não tinha muito controle do pescoço. Mas, pelo simples fato de ficar deitado na prancha, ele tinha que levantar para não ir água no rosto e na boca dele", explica.
O contato com o professor foi crescendo a cada aula. Antes de entrar no mar, Scarpa incentivava Rapha a fazer exercícios de alongamento e brincadeiras lúdicas. A intenção era fazer com que o garoto soltasse mais as pernas e também sentisse a liberdade de uma vida em meio à natureza.
"Como ele é criança, o importante é brincar mesmo. Por mais difícil que seja, ele está aqui na praia, fazendo amigos, conhecendo pessoas. E, por mais que seja adaptado, ele está se divertindo, fazendo uma atividade de que gosta", destaca o professor.
Depois de uma semana de surfe, as pernas de Rapha começaram a dobrar novamente e ele voltou a engatinhar. Mas a grande superação do menino ainda estava por vir.
"Aconteceu com 8 meses de aulas, foi no Dia das Mães. Eu fui colocar a roupa na máquina de lavar e, quando voltei para a sala, ele estava em pé e deu 8 passos. Foi uma surpresa", recorda a mãe. Segundo Fabiana, em todas as consultas médicas, os profissionais afirmavam que seu filho nunca daria um único passo.
Para a mãe do garoto, o esporte foi responsável pela melhora dele. "Eu pensava que, com o surfe, não aconteceria nada, mas vi meu filho andar. Eu estava esperando por isso há 10 anos. Foi muito rápido, foi o surfe", afirma Fabiana.
Além disso, Raphael desenvolveu a fala. Os professores pediam que o menino conversasse com eles, que deixasse de apontar para os objetos e usasse palavras para dizer o que queria. "Ele tentava falar várias vezes. Na terceira, conseguia falar direito", conta a mãe.
Agora, Rapha já largou a cadeira de rodas. Hoje, o menino caminha com dificuldade até o mar, com a ajuda da mãe, dos colegas e professores da escolinha de surfe.
"Ele não vê a hora de ir para a água. Eu só fico na torcida e, quando ele pega uma onda, brinco dizendo que ele é o 'Titanic da Mamãe'", diz Fabiana. Após o alongamento, Rapha entra na água com a ajuda dos professores. O menino então sobe na prancha – usada normalmente por pessoas cegas, já que é mais macia e tem algumas características que melhoram a postura do deficiente –, dá meia-volta e aguarda uma onda perfeita para fazer aquilo de que mais gosta.

Para o surfista Cisco Araña, a evolução do aluno foi resultado de um trabalho feito com amor. Ele conta que Rapha progrediu muito, tanto no aspecto físico quanto mental. E acredita que o esporte, principalmente o surfe, realmente pode mudar vidas.
"O mar tem vários minerais essenciais à saúde. O movimento das ondas faz um trabalho para as pernas melhorarem, ajuda na articulação, na lateralidade [predominância motora de um dos lados do corpo] e na coordenação motora", explica Araña.
Segundo ele, também há a vitamina D vinda do sol e o ar puro da praia. "A atmosfera de amor, de compartilhar com o outro, de trocar experiências faz muita diferença, como fez para o Raphael", enumera o surfista.
A professora Carolina Coelho Leite, que também acompanhou as aulas do garoto, conta que o viu crescendo e se desenvolvendo. Para ela, Rapha é um exemplo para muitos.
"Aqui é um ambiente que proporciona um novo desafio de se portar dentro da água. Eu pego onda e, se para mim já é mágico, imagina para ele. É uma lição de vida. O limite está na cabeça. É bem legal, eu agradeço essa oportunidade", afirma a professora.
Já para o professor Leo, cada superação do garoto é uma alegria diária. Além disso, ele percebe que Rapha fica animado a cada aula de surfe.
"Hoje, ele já brinca, é muito mais tranquilo. O que o motiva a vir aqui é o oceano. É legal estar participando disso, mas o mérito é do mar", diz. Além da melhora física, Leo acredita que o esporte ajuda na autoestima e na vida social do menino.
"Para mim, é gratificante estar participando do processo. Foi o que mais me motivou a ficar aqui. É uma amizade para sempre", ressalta o professor.
Surfe para deficientes
Cisco Araña foi o responsável por criar a escolinha pública de surfe de Santos. Ele teve a oportunidade de lidar com pessoas de todas as idades e com diversas deficiências, promovendo a inclusão. O professor transformou o surfe não apenas em um esporte para essas pessoas, mas também em um meio social para agregar idosos, deficientes e todos os tipos de pessoa no mar.
O surfista criou uma prancha própria para cegos, especialmente para Valdemir Pereira Corrêa, o Val, que foi o primeiro surfista com deficiência visual do Brasil e começou a praticar o esporte em Santos.
"Ele fez muita diferença. A partir do Val, é que vieram outras pessoas. Nós criamos a prancha, daí vieram os outros, com déficit de atenção, síndrome de down, tetraplegia", lembra Araña.

O professor conta que o projeto foi surgindo aos poucos. "A primeira turma que veio para cá foi de surdos. A gente começou a trabalhar com eles, e o resultado foi positivo. Os desenhos vieram mais coloridos, começaram a reparar nas coisas e surgiram sorrisos", diz o surfista.

Agora, a ideia de Araña é criar, a partir de maio, um núcleo de terapia com pranchas adaptadas. Para isso, ele busca apoiadores para o projeto.
"Vamos triplicar o nosso amor e a nossa doação por essa causa", acredita.
FONTE - http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/02/menino-com-paralisia-cerebral-comeca-andar-apos-praticar-surfe.html
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UM MUNDO PARA VOAR http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2009/12/um-mundo-para-voar.html

sábado, 1 de fevereiro de 2014

TECNOLOGIA ASSISTIVA/PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - Aplicativo O Que Fala facilitador da comunicação foi criado por jovens

Startup cria tecnologia que ajuda pessoa com deficiência a se comunicar

Grupo de jovens foi um dos vencedores da Maratona de Negócios da Campus Party 2013 e conta com apoio do Sebrae para pôr projeto em prática

Pessoas usam smartphones
(imagem - foto colorida com dois jovens utilizando smarthphones, como alusão ao uso desses meios de comunicação com o novo aplicativo O Que Fala - fotografia de divulgação)

Brasília - Um aplicativo criado por quatro jovens de São Paulo está mudando a vida de pessoas com deficiência na voz (informa o DEFNET - deficiências ligadas à comunicação verbal). Disponível para tablets, smartphones e computadores, o Que Fala transforma frases selecionadas pelo usuário em mensagens de voz, permitindo ao usuário comunicar-se diretamente com seu interlocutor. O grupo de empreendedores foi um dos que venceu a edição de 2013 da Maratona de Negócios da Campus Party, iniciativa que conta com a presença do Sebrae para apoiar o surgimento de startups inovadoras.
O Que Fala funciona por meio de pranchas digitais, que substituem as de papel geralmente usadas em hospitais e clínicas. A tecnologia se baseia na chamada Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA). Conforme as características de cada usuário, como idade, sexo e hábitos, é possível personificar as mensagens. A partir daí, consegue-se usar o aplicativo em lugares como lojas, restaurantes e consultórios.
O engenheiro elétrico Rodrigo Bronzeri é um dos quatro sócios da empresa Métodos Soluções Inteligentes, responsável pelo Que Fala. A startup já reúne uma carteira com 180 clientes, além do governo de São Paulo, que fornece o software a pacientes do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro.
Rodrigo conta que há alguns anos o empreendimento começou a se voltar para soluções de acessibilidade. Na Campus Party, eles apresentaram uma ideia chamada Voo do Dragão, um dispositivo para identificar espaços públicos e privados adaptados a pessoas com deficiência.  “Por uma facilidade maior de colocar em prática o Que Fala, deixamos o Voo do Dragão em espera, mas queremos levar esse projeto adiante. Por isso, buscamos o apoio de investidores”, afirma.
Como prêmio por serem vitoriosos na Maratona de Negócios da Campus Party, os quatro jovens ganharam consultorias do Sebrae. “Esse apoio foi fundamental para estruturar nossa startup e solucionar certas carências. Ajudou-nos a definir nosso público, que não são os pacientes, mas familiares e instituições que os assistem”, conta.
Outra sócia da startup, Juliana Remorini, terapeuta ocupacional, começou a participar do Sebraetec, programa do Sebrae que oferece consultorias em inovação e tecnologia, com até 80% de subsídio. Incentiva o empresário a lidar com diversas ferramentas para tornar seu negócio mais competitivo, como design de ambientes, uso de logomarcas, propriedade intelectual e acesso a fornecedores de equipamentos. “Ouvimos falar muito bem do Sebraetec e acreditamos que vai nos ajudar a dar passos mais largos”, prevê Rodrigo.
FONTE - http://exame.abril.com.br/pme/noticias/startup-cria-tecnologia-que-ajuda-deficientes-a-se-comunicar

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EQUOTERAPIA/LEGISLAÇÃO - Projeto de lei aprova a prática de equoterapia na Câmara

Comissão aprova regulamentação da prática da equoterapia


A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou projeto de lei (4761/12) que regulamenta a prática da equoterapia, ou seja, método de reabilitação que utiliza o cavalo em abordagem interdisciplinar, voltado para o desenvolvimento da pessoa com deficiência.
A equoterapia pode ser feita várias vezes por semana, não havendo limite de idade, cujos resultados aparecem já nas primeiras sessões.
(imagem - foto colorida de um menino segurando com os cotovelos uma bola, montado em um cavalo, com um lindo sorriso em sua sessão de equoterapia - fotografia TV Integração)
O texto aprovado é o substitutivo da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB), que alterou o projeto para definir que os centros de equoterapia deverão contar com equipe de apoio composta essencialmente por fisioterapeuta, psicólogo e profissional de equitação e uma consultoria de médico e médico veterinário, sem, contudo, com a obrigatoriedade de tempo integral. “Tanto o médico quanto o médico veterinário não participam das sessões de equoterapia, somente estão relacionadas a avaliação de indicação ou contra indicação da prática e da saúde do animal.”
Curso específico
O substitutivo também exige que a equipe de apoio tenha curso específico em equoterapia, e que, além desses profissionais essenciais ligados diretamente ao método de reabilitação, a equipe poderá ser integrada por pedagogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e professor de educação física, vez que inserido na área de exercício físico.
Além disso, a relatora incluiu no texto a exigência de que essa terapia de reabilitação seja feita com cavalo exclusivo para a equoterapia, “pelo simples fato que o animal tem adestramento específico para a atividade, vez que cada raça de equino possui características próprias, sendo a docilidade do animal fundamental para segurança e obtenção dos resultados esperados”, assinalou a deputada.
O texto aprovado exige ainda que a remoção do acidentado somente ocorrerá em localidades onde não haja serviço de atendimento móvel de urgência – Samu e/ou atendimento similar. “Observando-se que somente pessoas com capacitação profissional poderão assistir e dar ao acidentado o primeiro atendimento.”
A deputada também sugeriu nova redação por considerar as dificuldades geralmente enfrentadas pelos municípios que se encontram mais distantes das unidades estaduais de vigilância sanitária, cujos agendamentos para vistoriais locais acabam se arrastando meses afora, para que o órgão fiscalizador realize os procedimentos de praxe e, por conseguinte, libere o alvará. “Por isso facultamos a possibilidade de intervenção do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) para emitir o laudo técnico atestando as condições de higiene das instalações e sanidade dos animais.”
Além disso, a relatora acatou sugestão da Associação Nacional de Equoterapia (Ande), substituindo o termo “esporte” por “equitação”, vez que a palavra “esporte” no meio equestre engloba diversas modalidades (Tambor, Baliza, Polo, Salto, Vaquejada, Adestramento, etc), enquanto equitação (como a arte de montar a cavalo). “No contexto do projeto de lei é direcionada ao desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência.”
Tramitação
O projeto segue para tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em caráter conclusivo.

Íntegra da proposta:

Da Redação - RCA


fonte - http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/460788-COMISSAO-APROVA-REGULAMENTACAO-DA-PRATICA-DA-EQUOTERAPIA.html?utm_campaign=boletim&utm_source=agencia&utm_medium=email

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TECNOLOGIA ASSISTIVA/DEFICIÊNCIAS - Mão robótica ajuda mulher inglesa no seu cotidiano

Luva robótica ajuda britânica a recuperar movimento da mão

A britânica Gerry Lambert teve um derrame há mais de 15 anos e, desde então, perdeu a sensibilidade e parte dos movimentos do lado direito do corpo.
Gerry Lambert usa a mão robótica para pegar um copo (BBC)
(imagem - foto colorida da mão robótica utilizada pela Sra. Gerry para as suas atividades dentro da cozinha de sua casa na Inglaterra, foto BBC)

Mas agora a dona de casa conta com a ajuda de um dispositivo desenvolvido por cientistas do Laboratório de Robótica da Universidade de Bristol, que criaram um protótipo de luva robótica para acelerar a recuperação do movimento da mão.
A dona de casa conta que, no começo, foi estranho, porque ela queria controlar o que estava fazendo. Mas era a luva quem fazia tudo para ela, e automaticamente soltava os objetos. Antes, era Gerry quem tinha que, com a outra mão, abrir os dedos.
O projeto do dispositivo é do cientista Thomas Burton e usa novas tecnologias, como a impressão em 3D, para que o equipamento seja adaptado para qualquer tamanho.
O cientista afirma que a próxima versão da mão robótica, já em desenvolvimento, é menor, mais leve e qualquer um poderá usar como uma ferramenta de reabilitação.
A terapeuta ocupacional Allie Turton, da Universidade do Oeste da Inglaterra, supervisiona o projeto e diz que é difícil para um paciente em recuperação fazer exercícios o tempo todo. Ela diz esperar que, com a mão robótica, as pessoas em recuperação possam fazer os exercícios em casa, como parte da rotina.
VEJA VIDEO SOBRE A MATÉRIA ACESSANDO O LINK ABAIXO:

segunda-feira, 11 de março de 2013

CEGOS/DIREITOS - Projeto de Lei 4814/12 garante semáforos sonoros nas ruas próximo locais de reabilitação

Projeto exige alerta sonoro em semáforo próximo a serviço de reabilitação


Mara Gabrilli
(imagem descrita - foto da Deputada Mara Gabrilli: medida vai facilitar a travessia de pedestres com deficiência visual.)
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4814/12, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que torna obrigatória a existência de semáforo com dispositivo sonoro nas vias públicas que deem acesso a serviços de reabilitação. O objetivo principal da medida é facilitar a travessia de pessoas com deficiência visual.
“Privar o pedestre com deficiência visual da informação sonora dos semáforos equipara-se a privá-lo do próprio direito de ir e vir, tal como a falta de guia rebaixada para um cadeirante”, diz a deputada.
O projeto altera a lei que trata das normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida (Lei 10.098/00). Atualmente, essa lei já exige semáforos com dispositivo sonoro nas vias de grande circulação.
Mara Gabrilli afirma, no entanto, que o Poder Público também precisa facilitar o acesso das pessoas com deficiência aos serviços de reabilitação, “como medida última para garantir o mínimo de dignidade, autonomia, socialização e segurança dessas pessoas”.
Tramitação
A proposta tramita em conjunto com o PL 7699/06, que cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência e aguarda inclusão na pauta no Plenário.

Íntegra da proposta:

  • PL-4814/2012  fonte - http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRANSPORTE-E-TRANSITO/437277-PROJETO-EXIGE-ALERTA-SONORO-EM-SEMAFORO-PROXIMO-A-SERVICO-DE-REABILITACAO.html
Reportagem – Oscar Telles
Edição – Pierre Triboli

segunda-feira, 4 de março de 2013

EQUOTERAPIA/LEIS - Projeto de Lei 4761/2012 regulará a sua prática

Proposta regulamenta prática de equoterapia

A Câmara analisa o Projeto de Lei 4761/12, do Senado, que regulamenta a prática de Equoterapia (método de reabilitação que utiliza o cavalo para o desenvolvimento de pessoa com deficiência).

Pela proposta, a prática de Equoterapia deverá ser condicionada a parecer favorável em avaliação médica, psicológica e fisioterápica. Ela será orientada pelas seguintes condições, conforme regulamento posterior:
  • equipe multiprofissional, constituída, no mínimo, por médico, veterinário, psicólogo, fisioterapeuta e um profissional de equitação;
  • programas individualizados, a partir das necessidades e potencialidades do praticante;
  • acompanhamento das atividades desenvolvidas pelo praticante, com o registro periódico, sistemático e individualizado das informações em prontuário;
  • condições que assegurem a integridade física do praticante, como instalações apropriadas, cavalo adestrado, equipamento de proteção individual e de montaria disponível, vestimenta adequada e garantia de atendimento médico de urgência ou de remoção para serviço de saúde em caso de necessidade.
Benefícios
“A equoterapia emprega o cavalo como agente promotor de benefícios físicos, psicológicos e educacionais de seus praticantes. A atividade exercita tanto o organismo quanto a psique humana, contribuindo para o desenvolvimento da força e tônus musculares, flexibilidade, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio”, diz o autor do projeto, ex-senador Flavio Arns.
“A interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, o ato de montar e o manuseio final, desenvolve novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima”, acrescenta.
Alvará de funcionamento
Segundo o projeto, os centros de equoterapia só poderão operar depois de receber alvará de funcionamento da vigilância sanitária, de acordo com as normas previstas em regulamento.
A prática será subordinada à legislação de proteção animal, e o cavalo utilizado deverá apresentar boa condição de saúde; ser submetido a inspeções veterinárias regulares; e ser mantido em instalações apropriadas.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Pierre Triboli