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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Dor Crônica&Demências - Quanto maior a dor crônica maior o risco de demência

 Quanto maior a dor crónica maior o risco de demência, diz um novo estudo


(imagem publicada - da matéria CNN Portugal - Uma senhora idosa apoiada em uma janela ...)

As dores crónicas, tais como artrite, câncer ou dores nas costas, com duração superior a três meses, aumentam o risco de declínio cognitivo e demência, segundo um novo estudo.

O hipocampo, uma estrutura cerebral associada à aprendizagem e à memória, envelheceu cerca de um ano numa pessoa de 60 anos que tinha uma dor crónica em comparação com pessoas sem dor.

Quando a dor era sentida em dois locais do corpo, o hipocampo encolheu ainda mais - o equivalente a pouco mais de dois anos de envelhecimento, segundo estimativas do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"Por outras palavras, o hipocampo (volume de matéria cinzenta) num indivíduo de 60 anos com dor crónica em dois locais do corpo era semelhante ao volume (sem dor) de um com 62 anos", escreveu o autor Tu Yiheng e os seus colegas. Tu é professor de psicologia na Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

O risco aumentou à medida que o número de locais de dor no corpo aumentou também, segundo o estudo. O volume do hipocampo foi quase quatro vezes menor em pessoas com dores em cinco ou mais locais do corpo, em comparação com as que tinham apenas dois - o equivalente a até oito anos de envelhecimento.

"Perguntar às pessoas sobre quaisquer condições de dor crónica, e defender o seu seguimento por um especialista em dor, pode ser um fator de risco modificável contra o declínio cognitivo que podemos abordar de forma proativa", disse o investigador da doença de Alzheimer, Richard Isaacson, neurologista do instituto de doenças neurodegenerativas da Florida, nos Estados Unidos, que não esteve envolvido no novo estudo.

A cognição diminuiu com a dor

O estudo analisou dados de mais de 19.000 pessoas que tinham sido submetidas a exames ao cérebro como parte do UK Biobank, um estudo governamental a longo prazo com mais de 500.000 participantes do Reino Unido com idades compreendidas entre os 40 e os 69 anos.

Pessoas com vários locais de dor no corpo tiveram um desempenho pior do que as pessoas sem dor em sete de 11 tarefas cognitivas, de acordo com a investigação. Em contraste, as pessoas com apenas um local de dor tiveram pior desempenho em apenas uma tarefa cognitiva - a capacidade de se lembrarem de realizar uma tarefa no futuro.

O estudo controlou uma variedade de condições contributivas - idade, consumo de álcool, massa corporal, etnia, genética, história de cancro, diabetes, problemas vasculares ou cardíacos, medicamentos, sintomas psiquiátricos e tabagismo, para citar algumas. Contudo, o estudo não controlou os níveis de exercício, sublinhou Isaacson.

"O exercício é a ferramenta mais poderosa na luta contra o declínio cognitivo e a demência", defendeu Isaacson. "As pessoas afetadas pela dor crónica podem ser menos capazes de aderir à atividade física regular como um mecanismo potencial para o aumento do risco de demência."

Igualmente importante é uma ligação entre dor crónica e inflamação, disse Isaacson. Uma revisão de estudos de 2019 revelou que a dor desencadeia células imunitárias chamadas micróglia para criar neuroinflamação que pode levar a alterações na conectividade e função cerebral.

Pessoas com níveis de dor mais elevados tinham também maior probabilidade de ter a massa cinzenta reduzida noutras áreas do cérebro que afetam a cognição, como o córtex pré-frontal e o lobo frontal - as mesmas áreas atacadas pela doença de Alzheimer. De facto, mais de 45% dos doentes de Alzheimer vivem com dor crónica, de acordo com um estudo de 2016.

O estudo também não foi capaz de determinar os défices de sono - a dor crónica torna muitas vezes difícil ter uma boa noite de sono. Um estudo de 2021 descobriu que dormir menos de seis horas por noite na meia-idade aumenta o risco de demência em 30%.

Uma incapacidade global

Globalmente, a dor lombar é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, com a  dor no pescoço a ocupar o quarto lugar, de acordo com um estudo de 2016. Artrite, danos nos nervos, dor causada por cancro e lesões são outras das principais causas.

Os investigadores estimam que mais de 30% das pessoas em todo o mundo sofrem de dor crónica: "A dor é a razão mais comum para as pessoas procurarem cuidados de saúde e a principal causa de incapacidade no mundo", de acordo com artigos publicados na revista The Lancet em 2021.

Só nos Estados Unidos, pelo menos uma em cada cinco pessoas, ou cerca de 50 milhões de americanos, vivem com dor de longa duração, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

Quase 11 milhões de americanos sofrem de dor crónica de alto impacto, definida como dor que dura mais de três meses e que é "acompanhada por pelo menos uma restrição importante de atividade, tal como não poder trabalhar fora de casa, ir à escola, ou fazer tarefas domésticas", segundo National Center for Complementary and Integrative Health dos Estados Unidos.

A dor crónica tem sido associada à ansiedade, depressão, restrições na mobilidade e nas atividades diárias, dependência de Opióides, aumento dos custos com saúde e baixa qualidade de vida. Um estudo de 2019 estimou que cerca de 5 a 8 milhões de americanos utilizavam opioides para controlar a dor crónica.

Tratar a dor crónica

Os programas de controlo da dor normalmente envolvem vários especialistas para encontrar o melhor alívio para os sintomas, ao mesmo tempo que fornecem suporte para a carga emocional e mental da dor, de acordo com a John Hopkins Medicine.

O tratamento médico pode incluir medicamentos de venda livre e prescritos para interromper o ciclo da dor e aliviar a inflamação. As injeções de esteróides também podem ajudar. Os antidepressivos aumentam a quantidade de serotonina, que controla parte do caminho da dor no cérebro. A aplicação de breves choques elétricos nos músculos e terminações nervosas é outro tratamento.

Terapias como a massagem, hidromassagem e exercícios podem ser sugeridas por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Tratamentos quentes e frios e acupuntura também podem ajudar.

Psicólogos especializados em reabilitação podem recomendar técnicas cognitivas e de relaxamento, tais como meditação, tai chi e ioga, que podem tirar a mente da fixação na dor. A terapia cognitivo-comportamental é um tratamento psicológico fundamental para a dor.

Pode ser sugerida uma dieta anti-inflamatória, como a redução de gorduras trans, açúcares e outros alimentos processados. A perda de peso também pode ser útil, especialmente para as dores nas costas e joelhos.

FONTE - https://cnnportugal.iol.pt/demencia/dor/quanto-maior-a-dor-cronica-maior-o-risco-de-demencia-diz-um-novo-estudo/20230225/63f8c1530cf2c84d7fc98ba7

Leia mais sobre Demências e Dor Crônica (o que vivencio há mais de 12 anos) no meu blog INFOATIVO.DEFNET.

domingo, 26 de setembro de 2021

ALZHEIMER&AVANÇOS - Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

 Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

Cientistas mapearam região do cérebro que promete revolucionar diagnóstico da doença


(imagem da matéria - um cérebro que brilha em azul dentro de uma cabeça humana.)

SÃO PAULO — O Alzheimer, doença que provoca falhas de memória e perda cognitiva, tem desafiado médicos há anos, não apenas na busca da cura, mas também por ser difícil de diagnosticar em estágios iniciais. Uma descoberta anunciada nesta semana por cientistas da Universidade Harvard, porém, aponta um caminho promissor para antecipar a detecção do problema.

Em um estudo que mapeou a bioquímica e anatomia do cérebro de 174 pacientes do transtorno neurológico, um grupo liderado pela cientista Heidi Jacobs, Hospital Geral de Massachusetts (ligado à universidade), relacionou uma pequena estrutura cerebral ao mecanismo da doença. Chamada de locus coeruleus (literalmente “local azul”, em latim), essa região localizada no tronco cerebral já estava na lista de subestruturas que cientistas suspeitavam estar envolvida no mecanismo da doença.

Entretanto, por ser uma região muito pequena (uma faixa de 2 mm por 12 mm de largura), cientistas não conseguiam observá-la bem usando máquinas convencionais de imageamento cerebral. Agora, num artigo publicado na revista Science Translational Medicine, Jacobs e seus colegas descrevem ter conseguido encontrar a correlação entre a má preservação do locus coeruleus e o desencadeamento do Alzheimer, usando aparelhos de ressonância magnética de alta resolução.
EXAME BIOQUÍMICO

A descoberta, porém, precisou de mais do que um avanço técnico de maquinário. Para validar o achado, o grupo de cientistas também analisou em detalhes o cérebro de mais de 2 mil pessoas acometidas pela doença que já tinham morrido. Além disso, avaliaram em detalhes a bioquímica cerebral dos pacientes atrás de sinais conhecidos do Alzheimer.

Já é consenso entre os cientistas que esse transtorno neurológico está relacionado ao acúmulo de duas proteínas em certas regiões do cérebro. Chamadas de beta-amiloide e tau, essas duas moléculas adquirem uma estrutura bioquímica errada nas pessoas portadoras da doença, o que atrapalha o trabalho de limpeza que é feito no sistema nervoso, eliminando as proteínas que não estão sendo mais usadas.

Usando máquinas de última geração de uma outra tecnologia de imagem cerebral, o PET scan, os cientistas conseguiram mapear o acúmulo da proteína tau no locus coeruleus, os cientistas conseguiram estabelecer a correlação entre sintomas de perda cognitiva e a presença da forma maligna dessa proteína não apenas nesse organoide cerebral, mas em outras áreas do sistema nervoso.
INDICADOR PROMISSOR 

“Essas descobertas estão alinhadas com os dados de doenças neurológicas nos quais o acúmulo de tau no locus coeruleus se relaciona à progressão da doença”, escreveram Jacobs e seus colegas no trabalho, publicado na quarta-feira. “Isso o identifica como um indicador promissor dos processos iniciais relacionados ao mal de Alzheimer e das mudanças de trajetórias cognitiva em estágio pré-clínico (anterior ao diagnóstico) da doença”.

Os cientistas explicam que faz sentido o locus coeruleus ter um papel tão grande no mecanismo biológico da doença. Apesar de ser pequena, essa região cerebral é responsável pela produção de um grande volume de norepinefrina, um dos neurotransmissores que o sistema nervoso usa na comunicação entre seus diversos componentes.

A capacidade do maquinário usado na pesquisa atualmente não está à disposição de hospitais convencionais, explicam os cientistas, mas com a evolução natural dessa tecnologia é possível que as próximas gerações de equipamentos comerciais já contem com essa precisão.

“Poder detectar e medir o local onde a patologia se inicia será crítico para melhorar a detecção precoce e identificar indivíduos elegíveis para testes clínicos de tratamentos tentando frear o processo da doença”, escrevem os cientistas.   (Rafael Garcia) 

FONTE - https://oglobo.globo.com/saude/estudo-descobre-indicador-precoce-para-desenvolvimento-do-alzheimer-25212700

Leia também no meu blog INFOATIVO DEFNET - outras matérias sobre ALZHEIMER  https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

sábado, 26 de junho de 2021

COVID19&ALZHEIMER - Estudo mostra que Covid-19 causa demência similar ao Alzheimer

 Estudo mostra que Covid-19 causa demência similar ao Alzheimer


(imagem - uma representação na matéria de um esquema de cérebro com pontos luminosos como as redes neurais superposto a um laptop e mãos humanas - uma com estetoscópio - indicando a tela do computador)

Desde o início da pandemia, milhares de estudos vêm sendo conduzidos para investigar a relação e o comportamento do novo coronavírus com as demais doenças. No contexto neurológico, já foram encontradas relações entre a Covid-19 e doenças neurodegenerativas, como demência e Alzheimer. Surgiu, então, a necessidade de entender como essa associação acontece.

Para desvendar isso, cientistas da Cleveland Clinic divulgaram seus estudos recentes sobre como usaram inteligência artificial para analisar dados de pacientes com Alzheimer e Covid-19 simultaneamente, a fim de identificar a associação destas doenças por meio da medição de genes e proteínas.

O passo seguinte foi analisar duas marcas específicas do Alzheimer na condição cognitiva dos pacientes, como características da neuroinflamação e lesões microvasculares, que evidenciou onde e como o novo coronavírus promove alterações que levam a alterações cognitivas.

De acordo com um comunicado emitido pelo grupo, percebeu-se que “a Covid-19 altera os marcadores de Alzheimer implicados na inflamação do cérebro e que certos fatores de entrada viral são altamente expressos nas células da barreira hematoencefálica. Essas descobertas indicam que o vírus pode impactar vários genes ou vias envolvidas na neuroinflamação e lesão microvascular do cérebro, o que pode levar ao comprometimento cognitivo semelhante à doença de Alzheimer.”

Ao comentar a notícia, a neurocirurgiã Vanessa Holanda, Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), destaca que “há uma séria preocupação em relação às sequelas no Sistema Nervoso Central (SNC) que a infecção pela Covid-19 vem deixando. No futuro pós-pandemia ainda teremos que lidar com estas alterações e devolver à população afetada sua saúde e qualidade de vida. Informações como as deste estudo ajudam a guiar os médicos para a abordagem mais apropriada em cada caso”.

A pesquisa ainda continua e vai focar em alvos terapêuticos para os problemas neurológicos decorrentes da Covid-19.

fonte - https://medicinasa.com.br/covid-alzheimer/

Leia também no meu blog INFOATIVO DEFNET - Alzheimer não é uma piada, mas pode ser poesia de vida - https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

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quarta-feira, 3 de março de 2021

Alzheimer&Prevenção - Alzheimer e diabetes: conheça a relação entre as duas doenças

 Alzheimer e Diabetes: conheça a relação entre as duas doenças 


(imagem publicada na matéria - um cérebro humano como se fosse explodido...Pint it)

Cerca de 463 milhões de pessoas com idade entre 20 e 79 anos —o que corresponde a 9,3% da população adulta mundial— têm diabetes, de acordo com a Federação Internacional do Diabetes (IDF). Em 2030, a estimativa é de que 578 milhões sofrerão com a doença, e, em 2045, 700 milhões. Caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que controla a quantidade de glicose (açúcar) no sangue e garante energia para o organismo, essa patologia crônica cada vez mais tem sido considerada um fator de risco para o desenvolvimento de diversas comorbidades, muitas graves.

Caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que controla a quantidade de glicose (açúcar) no sangue e garante energia para o organismo, essa patologia crônica cada vez mais tem sido considerada um fator de risco para o desenvolvimento de diversas comorbidades, muitas graves.

Na lista das mais comuns, quando não é feito o correto controle, estão hipertensão arterial e problemas cardíacos (como infarto e AVC), renais (nefropatia) e oculares (retinopatia). Nos últimos anos, no entanto, outra condição tem sido relacionada à enfermidade e virou motivo de estudos mundo afora: o Alzheimer. 

De acordo com Hermelinda Pedrosa, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e ex-presidente do Departamento de Diabetes da entidade, pesquisas apontam que pacientes com diabetes tipo 2 têm 65% mais chance de ter este tipo de demência do que os demais indivíduos. Imagem: iStock "Por causa disso, alguns autores têm chamado o Alzheimer de diabete.

"Por causa disso, alguns autores têm chamado o Alzheimer de diabetes tipo 3 e o relacionado com o estado de resistência à insulina cerebral, mas trata-se de uma nomenclatura informal e controversa. Não sabemos se ela será consolidada, até porque, antes disso, precisamos entender melhor as duas doenças e também a associação entre elas", acrescenta a especialista.

Para o endocrinologista Fabio Ferreira de Moura, membro do Departamento de Diabetes no Idoso e Imunização do Diabetes da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), a adoção do termo não deve acontecer, especialmente porque, há dois anos, pesquisadores escandinavos, após a realização de um estudo com 15 mil pacientes, propuseram uma nova classificação para a patologia, dividida em diabetes autoimune grave, diabetes insulino-deficiente grave, diabetes insulino-resistente grave, diabetes leve relacionado à obesidade e diabetes leve relacionado à idade, e não mais em tipo 1 e tipo 2.

 "Isso ainda não foi referendado, mas tem se discutido bastante e é provável que seja assim, portanto não deveremos ter nenhuma nomenclatura relacionando diabetes com Alzheimer. A associação deverá ficar apenas no campo das complicações mesmo"

Relação entre diabetes e Alzheimer: o que já se sabe Mas, afinal, por que diabéticos têm mais chance de desenvolver a doença de Alzheimer? Pedrosa aponta que mais estudos são necessários, porém, o que se sabe até agora é que quem tem essa demência apresenta maior depósito de placas amiloide no cérebro —formadas pela proteína beta-amiloide, elas atacam as conexões entre os neurônios, resultando na perda de memória—, e o que parece favorecer essa condição é justamente a resistência à insulina (neste caso, cerebral), principal característica do diabetes.

"Doenças metabólicas têm por trás um processo inflamatório, que agride, principalmente, a circulação e promove uma aceleração dos processos disfuncionais. E, como os vasos irrigam vários órgãos, isso pode ocorrer no corpo todo, inclusive no cérebro, daí a associação entre as duas patologias", explica a membro da SBEM.

Mais uma condição presente no diabetes —quando o controle não é feito de forma adequada— que, ao que tudo indica, também contribui para o aumento das placas de amiloide é a hiperglicemia (elevação dos níveis de açúcar no sangue)..

"Há uma plausibilidade biológica em relação a isso. Ainda faltam comprovações, mas são fortes os indícios de que certas particularidades do diabetes realmente aumentam a propensão para o Alzheimer", avalia Moura..

Evidências experimentais também têm relacionado o diabetes com a produção endógena de frutose, e um estudo recente, realizado pela Universidade do Colorado, dos Estados Unidos, e publicado no jornal científico Frontiers in Aging Neuroscience, propõe que a doença de Alzheimer pode ser causada justamente pela superativação desse açúcar no cérebro.

Muitas dúvidas, poucas respostas 

Apesar das pessoas com diabetes tipo 2 terem um risco aumentado para Alzheimer, é preciso ficar claro que a patologia não se manifestará em todas, até porque esse tipo de demência não tem como única causa a resistência à insulina. Na verdade, acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos, ambientes e sociais.

"Existem muitos pontos que precisam ser esclarecidos e entendidos, inclusive, o de que mesmo indivíduos sem diabetes podem ter resistência à insulina no cérebro", diz Pedrosa. ... 

Outra questão que aguarda respostas, aponta a especialista, é se a utilização de remédios para tratamento do diabetes em pessoas com Alzheimer, ao menos na fase inicial, seria eficaz.

"Alguns começam a apresentar boas perspectivas, como os análogos dos receptores de GLP1 (glucagon like peptide) GLP1 AR e Pioglitazona, da classe TZD (tiazodelinediona), mas, volto a repetir, ainda temos muito a aprender."

Independentemente das dúvidas, há uma certeza: a de que evitar o diabetes ou, se uma vez instalado, mantê-lo sob controle é importante para a saúde como um todo, até mesmo a cerebral.

Diante disso, a recomendação dos médicos é ter uma dieta equilibrada, rica em alimentos naturais e pobre em industrializados e açúcares; praticar exercícios físico de intensidade moderada regularmente (no mínimo, 150 minutos por semana); tomar os medicamentos necessários e ir às consultas médicas; parar de fumar e manter um peso saudável. 

Além disso, é fundamental gerenciar o estresse, cuidar da saúde mental, ter boas noites de sono e, para combater os declínios cognitivos, estimular o cérebro com atividades como leitura, escrita, jogos, aprendizado de algo novo, palavras-cruzadas e resolução de problemas. 

FONTE - https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/01/alzheimer-e-diabetes-conheca-a-relacao-entre-as-duas-doencas.htm

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

COVID-19 & Cérebro - Especialista descreve possíveis impactos neurológicos da COVID-19


imagem publicada - da Internet - [Imagem: Gerd Altmann/Pixabay] com cérebro humano sendo tocado como na famosa pintura por um 'dedo' divino donde saem raios e energia, sobre fundo azul predominante.

Especialista descreve possíveis impactos neurológicos da COVID-19 

A COVID-19 tem sido analisada por muitos especialistas, e desencadeando cada vez mais descobertas. Ultimamente, foi apontado que muitos pacientes que sofrem de COVID-19 apresentam sintomas neurológicos, desde aumento no risco de ter um acidente vascular cerebral (AVC) até consequências mais duradouras para o cérebro, como síndrome da fadiga crônica. Com isso, os profissionais da área da saúde estão se perguntando: haverá uma onda de déficits de memória e casos de demência relacionados ao COVID-19 no futuro?

Durante um artigo para o veículo The Conversation, a professora de psicologia da Universidade de Michigan, Natalie C. Tronson, explica que muitos dos sintomas atribuídos a uma infecção se devem, na verdade, às respostas protetoras do sistema imunológico. Essas mudanças no cérebro e no comportamento, embora irritantes para nossa vida cotidiana, são altamente adaptativas e imensamente benéficas. Ao descansar, também se permite que a resposta imune, que exige muita energia, faça seu trabalho. A febre torna o corpo menos hospitaleiro a vírus e aumenta a eficiência do sistema imunológico.

Além de mudar o comportamento e regular as respostas fisiológicas durante a doença, o sistema imunológico também desempenha uma série de outras funções. Recentemente, os especialistas apontaram que as células neuroimunes que ficam nas conexões entre as células cerebrais (sinapses), que fornecem energia e quantidades mínimas de sinais inflamatórios, são essenciais para a formação da memória, mas isso também fornece uma maneira de doenças como COVID-19 causarem sintomas neurológicos e problemas de longa duração no cérebro.

A professora explica que tanto o cérebro quanto o sistema imunológico evoluíram especificamente para mudar como consequência da experiência, a fim de neutralizar o perigo e maximizar a sobrevivência, e que no cérebro, as mudanças nas conexões entre os neurônios nos permitem armazenar memórias e mudar rapidamente o comportamento para escapar de ameaças ou buscar comida ou oportunidades sociais. No entanto, mudanças duradouras no cérebro após a doença também estão intimamente ligadas ao aumento do risco de declínio cognitivo relacionado à idade e doença de Alzheimer.

"As ações destrutivas das células neuroimunes e a sinalização inflamatória podem prejudicar permanentemente a memória. Isso pode ocorrer por meio de danos permanentes às conexões neuronais ou aos próprios neurônios e também por meio de mudanças mais sutis no funcionamento dos neurônios", afirma a especialista.

A professora conta que levará muitos anos até sabermos se a infecção COVID-19 causa um aumento no risco de mal de Alzheimer, mas esse risco pode ser diminuído por meio da prevenção e tratamento de COVID-19, e ressalta que a prevenção e o tratamento dependem da capacidade de diminuir a gravidade e a duração da doença e da inflamação.

"A COVID-19 continuará a causar impacto na saúde e no bem-estar muito depois que a pandemia acabar. Como tal, será fundamental continuar a avaliar os efeitos da doença na vulnerabilidade da doença de Alzheimer e a demências", conclui a professora norte-americana, ressaltando que ao fazer isso, os pesquisadores provavelmente terão uma nova visão crítica sobre o papel da inflamação ao longo da vida no declínio cognitivo relacionado à idade, o que ajudará no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento dessas doenças debilitantes.

Fonte: The Conversation  https://canaltech.com.br/saude/especialista-descreve-possiveis-impactos-neurologicos-da-covid-19-169664/

sexta-feira, 13 de março de 2020

Alzheimer&Pesquisas - Pesquisa da UFMG pode ajudar no diagnóstico precoce do Alzheimer

PESQUISA DA UFMG pode ajudar no diagnóstico precoce do ALZHEIMER
O exame, que ainda está em fase experimental, analisa a retina do paciente para verificar a presença de uma proteína relacionada à doença
Método desenvolvido por pesquisadores da UFMG detecta acúmulo de proteína beta-amilóide através da retina. Uma vez acumulada nos neurônios, a substância prejudica os impulsos cerebrais, levando ao Alzheimer (foto: UFMG/Divulgação)

Método desenvolvido por pesquisadores da UFMG detecta acúmulo de proteína beta-amilóide através da retina. Uma vez acumulada nos neurônios, a substância prejudica os impulsos cerebrais, levando ao Alzheimer(foto: UFMG/Divulgação)

Perda de memória, repetição de perguntas, irritabilidade, dificuldade para encontrar as palavras certas. Esses são alguns dos sintomas mais comuns do Mal de Alzheimer, doença degenerativa neurológica, geralmente silenciosa no início, que atinge mais de um milhão de brasileiros. O quadro costuma se manifestar em pessoas de idade mais avançada, sendo responsável por mais de metade dos casos de demência nessa população. Porém, apesar de ser uma doença bem conhecida da Ciência, o diagnóstico é complexo. "Ele pode ser feito clinicamente, analisando os sintomas, ou através de um PET scan, exame muito caro em que o paciente precisa tomar um contraste radioativo", diz Leandro Malard, professor do departamento de física da UFMG.


Ele é um dos integrantes de um projeto que procura uma nova forma de diagnosticar o Alzheimer antes mesmo de os sintomas aparecerem. O famoso ditado diz que "os olhos são a janela para a alma", e eles também podem ser uma janela para o cérebro. "Afinal, a retina é um tecido neuronal, que vai diretamente para o cérebro", destaca Leandro Malard. Desenvolvido em parceria com pesquisadores da área de medicina e biologia, a pesquisa usa um raio laser nos olhos para detectar a presença de uma proteína chamada beta-amilóide. "Essa substância se acumula em placas nos neurônios, lesando a célula e prejudicando as sinapses, levando ao aparecimento dos sintomas do Alzheimer", explica o professor.

Testado em retinas de uma raça de camundongos que desenvolve a doença, o diagnóstico é feito através da análise do comportamento do laser após atingir a membrana. "É uma técnica óptica chamada Espectroscopia Raman. Deste modo, obtemos diversas informações, entre elas, as ligações químicas, fornecendo uma 'impressão digital' da amostra", esclarece Leandro Malard. Caso seja detectada a presença da proteína beta-amilóide na retina, é possível iniciar um tratamento precoce do Alzheimer, evitando o surgimento de alguns sintomas e melhorando a qualidade de vida do paciente.

O próximo passo da pesquisa é mostrar que os exames podem ser feitos com segurança, sem danificar a retina. "Feito isso, será hora de pedir permissão ao comitê de ética da universidade, para começar os exames em pessoas. Ainda tem toda uma legislação por trás, então ainda devem passar alguns anos antes de a tecnologia chegar ao mercado tornando-se um método de diagnóstico eficaz e não invasivo, que poderá ser usado em consultas de rotina", projeta o pesquisador.


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 Alzheimer não é uma piada, mas pode ser poesia de Vida 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ALZHEIMER&Pesquisas - USP pesquisa memória visual para detectar precocemente o Alzheimer

USP PESQUISA memória visual para diagnosticar sinais precoces da Doença de Alzheimer 

Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, testa memória visual de voluntários — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV


imagem da matéria - Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, visa mapear memória visual da população — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV

Testes visam mapear e identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico. Estudo está na fase inicial e busca voluntários.

Pesquisadores do laboratório de psicologia cognitiva da USP de Ribeirão Preto (SP) realizam um estudo sobre memória visual para tentar diagnosticar precocemente possíveis demências como o Alzheimer. A pesquisa visa mapear a memória de pessoas normais para tentar identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico.

“Esse teste de recordação em que apresentamos formas e cores em localizações diferentes tem sido muito utilizado em outros países e tem se mostrado um bom preditor para manifestação precoce do Alzheimer. É importante que a gente tenha uma base da população normal para entender como esses comprometimentos estão acontecendo e para tentarmos explicar melhor porque eles acontecem”, diz a psicóloga Lorena Macedo.De acordo com o professor de psicologia e diretor da pesquisa César Galera, a memória envelhece com o passar dos anos e não há nada a se fazer para mudar isso.

“Existem vários tipos de memórias e nós focamos na memória visuoespacial, aparentemente, é uma memória simples, mas é extremamente importante no nosso dia a dia. Por exemplo, você precisa saber onde deixou as chaves ou um livro, essa associação local-objeto é muito importante e é uma das memórias que se perde mais rapidamente com o envelhecimento", afirma o diretor da pesquisa.Ainda de acordo com Galera, o envelhecimento não pode ser combatido, mas uma alimentação saudável, exercícios físicos e atividade intelectual podem ajudar a manter a memória em dia.

“Todo mundo a partir dos 25 a 30 anos começa a ter uma pequena perda de memória. Pessoas que perdem essa capacidade de associar cor e forma, nome e face, talvez venham a ter Alzheimer. Essa perda de memória pode ser um indicativo de que a pessoa vai ter um problema no futuro", conta o professor.A pesquisa consiste em observar cores, formas e localizá-las em um programa de computador, que mede o número de acertos e erros em um determinado período de tempo, cerca de 40 minutos. O que parece ser uma tarefa simples, pode confundir na hora dos exercícios.“É fácil, só que é bem rápido e você tem que se concentrar bastante nas formas, porque elas mudam de lugar e, algumas vezes, de cor também e tem que estar bem concentrado”, afirma a voluntária Tainara Albiasetti.

Os pesquisadores explicam que os dados não serão analisados individualmente. Será considerado o comportamento do grupo de voluntários. Além disso, outras linhas de estudo que envolvem emoção e atenção, também estão sendo realizadas.

“Apesar da gente falar muito sobre memória, ainda tem muita coisa que precisamos saber do funcionamento normal da memória para expandir depois para as diferenças clínicas. A partir do tempo de resposta da pessoa e a quantidade de acertos, traçamos um padrão de desempenho”, afirma a psicóloga Lorena.De acordo com a psicóloga, a pesquisa ainda está no estágio inicial e precisa de voluntários. Podem participar dos testes pessoas entre 18 e 35 anos e que tenham visão normal para cor. 

Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (16) 3315-4393.

Fonte - com vídeo da matéria e mais imagens - 
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/01/01/usp-pesquisa-memoria-visual-para-diagnosticar-sinais-precoces-de-doencas-como-alzheimer.ghtml

Leia mais sobre Alzheimer e pesquisas neste blog e no INFOATIVO DEFNET 

sábado, 15 de dezembro de 2018

ALZHEIMER&PESQUISAS - Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Imagem publicada - uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento, feita há mais de um século, da Sra. August D.; onde uma mulher de aparência depressiva e decadente, com olhar esvaziado como a sua mente e memória, vestindo uma provável roupa uniforme do Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos de Frankfurt, na Alemanha. É uma foto em cores ciano com uma mulher olhando para baixo, com as mãos entrelaçadas próximas do corpo, que se curva como as rugas que se pronunciam em sua fronte, anunciando um envelhecimento precoce e intensivo que lhe rouba toda vitalidade.

Segundo os autores, o resultado da pesquisa pode ajudar a entender mecanismos ainda obscuros da doença neurodegenerativa


A origem do Alzheimer intriga especialistas. Já se sabe que o acúmulo de proteínas beta-amiloide no cérebro está relacionado ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa. Agora, pesquisadores ingleses identificaram indícios de que essa condição pode ser repassada. Eles transplantaram em ratos tecidos cerebrais com placas de beta-amiloide retirados de cadáveres humanos e observaram que a proteína se propagou no cérebro dos animais. Os investigadores deixam claro que o trabalho não mostra que o Alzheimer é transmissível. Na verdade, ajuda a entender possíveis novos mecanismos ligados à doença. Os resultados foram publicados na última edição da revista britânica Nature.

Em 2015, a mesma equipe encontrou evidências da patologia amiloide — o acúmulo da proteína — em pessoas que desenvolveram a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) após tratamentos com o hormônio HGH, extraído de glândulas pituitárias removidas de cadáveres. A técnica era usada na década de 1970 para tratar pessoas com problemas de crescimento.

A hipótese principal da equipe era de que a beta-amiloide foi acidentalmente transmitida aos pacientes por meio desse tratamento médico antigo, desencadeando a CJD. “Nosso estudo anterior descobriu que alguns indivíduos que desenvolveram CJD muitos anos após o tratamento também tinham depósitos no cérebro dessa proteína característica da doença de Alzheimer”, explica, em comunicado, John Collinge, um dos autores do trabalho e pesquisador do Institute of Prion Diseases.

Para o estudo atual, a equipe rastreou alguns lotes de HGH com os quais os pacientes foram tratados e os analisou, confirmando que as amostras ainda tinham níveis significativos de proteínas beta-amiloide. “Nossas descobertas de agora confirmam a suspeita de que esse hormônio realmente contém sementes da proteína beta-amiloide encontrada na doença de Alzheimer e que isso se mantém por muito tempo”, ressalta o autor. O uso de HGH cadavérico foi substituído por hormônio sintético que não carrega o risco de transmitir a CJD.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores testaram se esse material era capaz de semear a patologia. Para isso, injetaram amostras dos frascos de hormônio em camundongos geneticamente modificados para serem propensos à patologia beta- amiloide. As cobaias apresentaram patologia no cérebro. Já os grupos de ratos que receberam hormônio de crescimento sintético ou tecido cerebral normal não mostraram o mesmo padrão.

Sem contágio
Segundo os autores, os resultados demonstram que os lotes originais de HGH contêm proteínas beta-amiloide que podem semear patologia amiloide em camundongos, mesmo após décadas de armazenamento, e que certos procedimentos médicos precisam ser mais bem avaliados. “Nós, agora, fornecemos evidências experimentais para apoiar nossa hipótese de que a patologia beta-amiloide pode ser transmitida para pessoas por meio de materiais contaminados. Mas ainda não podemos confirmar se procedimentos médicos ou cirúrgicos já causaram a doença de Alzheimer em si, ou quão comum seria adquirir patologia amiloide dessa maneira”, reforça Collinge.

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que os resultados não mostram um contágio de Alzheimer de pessoa para pessoa. “É muito importante enfatizar que não há nenhuma sugestão em nosso trabalho de que se pode pegar a doença de Alzheimer, ou mesmo a CJD, pelo contato com uma pessoa doente. Nossas descobertas destacam a necessidade de fazer mais pesquisas nessa área”, frisa Collinge.

Otávio Castello, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer na regional do Distrito Federal, acredita que o estudo britânico mostra dados que condizem com suspeitas na área neurológica. “A novidade é que eles conseguiram confirmar essa propagação por meio de animais vivos”, destaca. “Mas isso não quer dizer que a doença seja transmissível, até porque eles não provocaram o Alzheimer nos animais, apenas um dos fatores envolvidos. É importante frisar isso para não criar um alarde.”

O especialista enfatiza que novos dados relacionados ao Alzheimer, como os divulgados pelos cientistas ingleses, são de extrema importância para a área médica. “É uma doença que ainda não tem suas origens bem determinadas, esse é mais um passo para uma maior compreensão dessa enfermidade”, explica.

Em condições excepcionais
“Esse novo trabalho contribui para a discussão em curso das semelhanças entre os mecanismos de distúrbios neurodegenerativos, em particular o Alzheimer e o Parkinson. Ambas as doenças são caracterizadas por proteínas que se espalham pelo cérebro e causam demência. Como visto, a transmissibilidade do amiloide é claramente muito baixa e, portanto, ocorrerá apenas sob condições excepcionais em seres humanos. O tratamento de pacientes com extratos cerebrais humanos é, obviamente, uma dessas condições excepcionais e foi encerrado há mais de 30 anos para evitar esse problema. A segunda via de transmissão possível é via transfusão de sangue. Essa tem sido uma preocupação no campo há algum tempo, e vários estudos usando ratos que foram similarmente geneticamente ‘preparados’ para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer mostraram que essa rota de transmissão é teoricamente possível, mas esses resultados também forneceram evidências reais de que qualquer risco desse tipo é extremamente pequeno. No entanto, vale a pena monitorar esses riscos”.
Bart De Strooper, diretor do Instituto de Pesquisa em Demência no Reino Unido

FONTE - Correio Braziliense http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=85652:-a-importancia-do-apoio-paterno-no-tratamento-contra-o-cancer&catid=47:cat-saude&Itemid=328

Leiam também no meu outro blog INFOATIVO DEFNET -  Alzheimer Não é Uma Piada, mas Pode Ser Poesia de Vida https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

PARALISIA CEREBRAL&PREVENÇÃO- Cientistas criam exame para monitorar atividade cerebral de bebês

Cientistas criam exame para monitorar atividade cerebral de bebês


Valdo Virgo/CB/D.A Press
imagem publicada - da matéria - um bebê recém nascido com a representação de ondas cerebrais, escrito Como Funciona - Aparelho portátil consegue monitorar a atividade cerebral infantil com mais eficiência que as tecnologias disponíveis.

Nos anos 1990, os aparelhos de ressonância magnética funcional revolucionaram exames médicos ao permitir a observação da atividade cerebral de humanos. Desde então, busca-se ferramentas que permitam análises cada vez mais apuradas do órgão. Pesquisadores franceses, por exemplo, desenvolvem uma solução capaz de gerar imagens detalhadas do cérebro de recém-nascidos, o que possibilitará a detecção da origem de problemas como as convulsões. Testes iniciais com bebês tiveram resultados positivos, apresentados na última edição da revista Science Translational Medicine.

Os cientistas ressaltam que a pesquisa busca atender demandas não atendidas pelas tecnologias atuais.“A ressonância magnética tem limitações e não é adequada para todas as aplicações clínicas devido ao seu custo e tamanho, que dificulta sua portabilidade. Utilizá-la à beira do leito médico para gerar imagens de recém-nascidos vulneráveis é algo especialmente desafiador”, explicam.

Liderados por Olivier Baud, chefe do serviço de neonatologia do Hospital de Assistência Publica de Paris, na França, os pesquisadores criaram um dispositivo que consiste na combinação do eletroencefalograma (EEG) — aparelho que capta imagens por meio de eletrodos colocados na cabeça — e uma sonda de ultrassom de apenas 40g capaz de fazer um monitoramento mais pontual. “Ao contrário das técnicas convencionais, limitadas às imagens de grandes vasos, a imagem da sonda permite o mapeamento de alterações sutis em pequenos vasos cerebrais. Esse tipo de visualização possibilita correlacionar a atividade neural local e as mudanças relativas ao volume de sangue”, diz Baud.

Os pesquisadores testaram o aparelho em ratos e observaram a conectividade cerebral das cobaias durante o estado de repouso e ataques de epilepsia. Em seguida, foram feitos testes em seis recém-nascidos saudáveis. As medições conseguiram distinguir entre o sono silencioso e o ativo. Ao distinguir essas duas fases, fica mais fácil analisar as atividades neurais de um indivíduo.

A tecnologia também foi empregada para medir a atividade cerebral em dois bebês com distúrbios convulsivos e resistentes aos medicamentos disponíveis. O aparelho detectou ondas de alterações neurovasculares, permitindo o rastreamento de regiões cerebrais em que as convulsões se originaram.

Para a equipe, os testes iniciais sinalizam que o dispositivo poderá ajudar a prevenir complicações que podem ser registradas nos primeiros dias de vida de bebês, como a encefalopatia neonatal hipóxico-isquêmica. “Esse problema de saúde ocorre de um a três a cada mil recém-nascidos e pode desencadear danos como as convulsões. Por isso,  o monitoramento em tempo real da função cerebral em recém-nascidos é de importância crucial para a área médica”, justificam os autores.

Novo padrão

O baixo custo e a facilidade de uso da técnica são os principais atrativos e poderão fazer com que ela se torne a escolha padrão para gerar imagens cerebrais de recém-nascidos em maternidades e centros médicos, dizem os criadores. “Essa pode se tornar uma modalidade de neuroimagem muito útil. Seu baixo custo e sua usabilidade podem torná-la a escolha padrão para a realização de imagens funcionais feitas no leito. Além disso, sua melhor resolução pode fornecer resultados muito mais úteis do que outras técnicas funcionais de imagem.”
Renato Mendonça, neurologista do Laboratório Exame de Brasília, destaca que a nova tecnologia tem potencial para ser bastante explorada na área médica. “Apesar de ainda bastante experimental, esse aparelho mostrou resultados interessantes nos testes com roedores e com bebês e que podem ser extremamente úteis, já que é muito difícil examinar os pequenos. Um aparelho que possa ser utilizado na beira do leito traria a vantagem de não precisar alterar a temperatura da criança, por exemplo, já que atualmente é necessário retirá-la da máquina de estufa para realizar essas análises”, explica.

O especialista ressalta ainda que a maioria dos bebês não precisa ser submetida a exames de imagem apurados, mas, nos casos em que a análise é necessária, é importante ter uma opção mais eficiente. “Observar os diferentes níveis de atividade cerebral, como as fases do sono, também pode ajudar a entender como os neurônios estão funcionando e as reações químicas envolvidas nessa atividade complexa”, complementa. Segundo o médico, uma análise mais ampla poderia ser a próxima etapa do estudo. “Utilizar esse método em um número maior de crianças é necessário para reforçar os dados e também comprovar que ele é seguro, não causa danos aos bebês.”

Oxigênio escasso

Ocorre devido à diminuição da oferta de oxigênio, que pode ser gerada por diversas complicações, como a interrupção do fluxo sanguíneo umbilical e uma insuficiente troca de gases na placenta. A oferta adequada de oxigênio aos tecidos é fundamental para que as células mantenham o metabolismo e as funções vitais. Entre os bebês que sobrevivem a essa complicação, 25% apresentam dano neurológico permanente, manifestado por paralisia cerebral, retardo mental ou crises convulsivas.

FONTE - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/10/12/interna_cidadesdf,633161/cientistas-criam-exame-para-monitorar-atividade-cerebral-de-bebes.shtml

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terça-feira, 21 de março de 2017

EPILEPSIA/AVANÇOS - Aplicativo auxilia no diagnóstico desta condição neurológica

Aplicativo auxilia médicos a chegar em diagnóstico correto da epilepsia 



A epilepsia como uma condição neurológica, que pode afetar milhares de pessoas no mundo, pode ser uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas comuns a várias doenças e existe provavelmente desde o princípio da humanidade. De origem grega, a palavra significa “surpresa” ou “evento inesperado”. Muitas personalidades históricas, como Júlio Cesar, Alfred Nobel, Machado de Assis e Dostoievski tinham essa síndrome, até hoje tão cercada de preconceitos. 

Isso acontece porque os ataques convulsivos costumam, ainda,  assustar quem está por perto: a pessoa com epilepsia não tem consciência do que está acontecendo, muitas vezes cai, seus membros ficam rígidos e depois começa a ter convulsões, porque o comando central no cérebro está desorganizado. 

Em geral a crise desaparece espontaneamente e a pessoa volta aos poucos ao estadi de consciência considerado normal. Mas quem está próximo, muitas vezes, não sabe como agir: há quem confunda com problemas psiquiátricos, pois não conhecem os fatores orgânicos que podem ter causado o episódio.


A epilepsia ocorre quando um grupamento de células cerebrais se comporta de maneira hiperexcitável, o que pode gerar as crises. A medicina já identificou centenas de diferentes síndromes epilépticas e por isso os pacientes devem buscar um diagnóstico sobre seu tipo específico.

A condição neurológica é considerada um problema de saúde pública, atingindo de 1% a 2% da população mundial, ou seja, 60 milhões de pessoas. Embora seja o mais comum dos distúrbios neurológicos, não existem dados claros sobre o número de pessoas com a doença no País. Entretanto, algumas estatísticas calculam que três milhões de brasileiros sofram de algum tipo de epilepsia e só 10% a 40% recebem algum tratamento medicamentoso ou cirúrgico.

Purple Day e Atlas da Epilepsia
Com a proximidade do Purple Day, próximo 26 de março, data mundial criada para promover a conscientização sobre a epilepsia, o laboratório farmacêutico Torrent do Brasil lança o Atlas da Epilepsia, um aplicativo pioneiro no Brasil e exclusivo para médicos. O objetivo do app é auxiliar a consulta médica, fornecendo explicações sobre o fenômeno epilético e, principalmente, possibilitando o diagnóstico correto. Isso é essencial porque segundo a Dra. Elza Márcia Yacubian, neurologista chefe da Unidade de Pesquisa e Tratamento de Epilepsias da Escola Paulista de Medicina (EPM) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que supervisionou e indicou todo o conteúdo do aplicativo, somente o diagnóstico correto possibilita um tratamento eficaz. “A abordagem clínica durante as consultas é importantíssima para garantir a exatidão no diagnóstico, e não como geralmente se pensa, através de um eletroencefalograma ou ressonância magnética”.

 o Atlas da Epilepsia está disponível somente para os médicos na Play Store e na App Store, seja para smartphones ou para tablets.  

Atlas da Epilepsia – já com as diretrizes atualizadas pela Liga Internacional da Epilepsia, por meio de recursos gráficos e coloridos, imagens anatômicas e vídeos explicativos, o aplicativo auxilia o epileptologista a obter informações e sintomas mais exatos, tanto do paciente como das pessoas próximas a ele, geralmente, mais familiarizadas com as ocorrências. De posse desses dados o médico pode orientar o tratamento de forma mais eficiente.
Segundo a Dra. Elza, a epilepsia   é um distúrbio que pode trazer uma série de prejuízos se não for tratado. Os portadores podem ter problemas na escola, não conseguir emprego ou serem discriminados.
A manifestação clínica depende da região cerebral acometida. Cerca de 50% das crises epiléticas são do tipo tônico-clônicas, com convulsões, e os outros 50% têm causas diversas. Algumas pessoas sentem formigamento no braço, outras sentem cheiros estranhos e “saem do ar”. Na população infantil são comuns as crises de ausência, ou “liga-desliga”. O mau aproveitamento escolar leva os professores menos avisados a pensar que a criança tem déficit cognitivo, quando ela está tendo várias crises de ausência por dia, às vezes mais de cem, com poucos minutos de duração e sem a menor consciência do que se passa com ela.

Causas - Múltiplos fatores podem causar a epilepsia. A pessoa pode nascer com o problema em razão de má formação cerebral, em que se formam circuitos elétricos exagerados, por exemplo.  Mas também há outras razões.Intercorrências importantes durante a assistência ao parto, processos infecciosos, traumatismos cranianos, tumores cerebrais e doenças degenerativas podem lesar o cérebro e causar crises. À medida que a vida vai passando surgem as causas degenerativas, doença de Alzheimer e todas as doenças vasculares e do cérebro. 
Atualmente a epilepsia é três vezes maior no idoso acima de 60 anos do que na criança. Para fazer o diagnóstico, deve haver recorrência espontânea das crises, porque uma crise única não é indicativa da síndrome. Uma vez feito o diagnóstico se estabelece o tratamento, em geral com fármacos. O tratamento é diferente no caso das crises generalizadas, com hiper desestabilização mais intensa e difusa nos dois hemisférios. Ressalte-se que o tratamento é sempre de longo prazo, algumas vezes por toda a vida. “É uma 'doença' que exige extrema adesão ao tratamento.  Caso esqueça de tomar alguma dose do fármaco, a pessoa fica vulnerável a ter uma crise”, afirma a neurologista. 
(mas não deve, segundo novos conceitos, ser tratada como uma 'doença' e sim como uma condição neurológica humana, tratável na maioria das situações, incluindo hoje o uso de derivado da cannabis, o canabidiol, que exige seguimento e tratamento adequado para cada pessoa e seu quadro ou sintomas...informa o DefNet)

Desde a década de 1990 o tratamento da epilepsia se tornou mais efetivo graças aos novos medicamentos. Pode-se dizer que 70% dos pacientes podem ter as crises plenamente controladas se adequadamente tratadas. Os outros 30% podem se beneficiar de outras abordagens, como a cirúrgica.
fontes consultadas - 
http://www.portalpcdonline.com/2017/03/aplicativo-pioneiro-gratuito-ajuda-no.html 
http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/03/21/aplicativo-auxilia-medicos-chegar-em-diagnostico-correto-da-epilepsia/