Mostrando postagens com marcador Convulsões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Convulsões. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

PARALISIA CEREBRAL&PREVENÇÃO- Cientistas criam exame para monitorar atividade cerebral de bebês

Cientistas criam exame para monitorar atividade cerebral de bebês


Valdo Virgo/CB/D.A Press
imagem publicada - da matéria - um bebê recém nascido com a representação de ondas cerebrais, escrito Como Funciona - Aparelho portátil consegue monitorar a atividade cerebral infantil com mais eficiência que as tecnologias disponíveis.

Nos anos 1990, os aparelhos de ressonância magnética funcional revolucionaram exames médicos ao permitir a observação da atividade cerebral de humanos. Desde então, busca-se ferramentas que permitam análises cada vez mais apuradas do órgão. Pesquisadores franceses, por exemplo, desenvolvem uma solução capaz de gerar imagens detalhadas do cérebro de recém-nascidos, o que possibilitará a detecção da origem de problemas como as convulsões. Testes iniciais com bebês tiveram resultados positivos, apresentados na última edição da revista Science Translational Medicine.

Os cientistas ressaltam que a pesquisa busca atender demandas não atendidas pelas tecnologias atuais.“A ressonância magnética tem limitações e não é adequada para todas as aplicações clínicas devido ao seu custo e tamanho, que dificulta sua portabilidade. Utilizá-la à beira do leito médico para gerar imagens de recém-nascidos vulneráveis é algo especialmente desafiador”, explicam.

Liderados por Olivier Baud, chefe do serviço de neonatologia do Hospital de Assistência Publica de Paris, na França, os pesquisadores criaram um dispositivo que consiste na combinação do eletroencefalograma (EEG) — aparelho que capta imagens por meio de eletrodos colocados na cabeça — e uma sonda de ultrassom de apenas 40g capaz de fazer um monitoramento mais pontual. “Ao contrário das técnicas convencionais, limitadas às imagens de grandes vasos, a imagem da sonda permite o mapeamento de alterações sutis em pequenos vasos cerebrais. Esse tipo de visualização possibilita correlacionar a atividade neural local e as mudanças relativas ao volume de sangue”, diz Baud.

Os pesquisadores testaram o aparelho em ratos e observaram a conectividade cerebral das cobaias durante o estado de repouso e ataques de epilepsia. Em seguida, foram feitos testes em seis recém-nascidos saudáveis. As medições conseguiram distinguir entre o sono silencioso e o ativo. Ao distinguir essas duas fases, fica mais fácil analisar as atividades neurais de um indivíduo.

A tecnologia também foi empregada para medir a atividade cerebral em dois bebês com distúrbios convulsivos e resistentes aos medicamentos disponíveis. O aparelho detectou ondas de alterações neurovasculares, permitindo o rastreamento de regiões cerebrais em que as convulsões se originaram.

Para a equipe, os testes iniciais sinalizam que o dispositivo poderá ajudar a prevenir complicações que podem ser registradas nos primeiros dias de vida de bebês, como a encefalopatia neonatal hipóxico-isquêmica. “Esse problema de saúde ocorre de um a três a cada mil recém-nascidos e pode desencadear danos como as convulsões. Por isso,  o monitoramento em tempo real da função cerebral em recém-nascidos é de importância crucial para a área médica”, justificam os autores.

Novo padrão

O baixo custo e a facilidade de uso da técnica são os principais atrativos e poderão fazer com que ela se torne a escolha padrão para gerar imagens cerebrais de recém-nascidos em maternidades e centros médicos, dizem os criadores. “Essa pode se tornar uma modalidade de neuroimagem muito útil. Seu baixo custo e sua usabilidade podem torná-la a escolha padrão para a realização de imagens funcionais feitas no leito. Além disso, sua melhor resolução pode fornecer resultados muito mais úteis do que outras técnicas funcionais de imagem.”
Renato Mendonça, neurologista do Laboratório Exame de Brasília, destaca que a nova tecnologia tem potencial para ser bastante explorada na área médica. “Apesar de ainda bastante experimental, esse aparelho mostrou resultados interessantes nos testes com roedores e com bebês e que podem ser extremamente úteis, já que é muito difícil examinar os pequenos. Um aparelho que possa ser utilizado na beira do leito traria a vantagem de não precisar alterar a temperatura da criança, por exemplo, já que atualmente é necessário retirá-la da máquina de estufa para realizar essas análises”, explica.

O especialista ressalta ainda que a maioria dos bebês não precisa ser submetida a exames de imagem apurados, mas, nos casos em que a análise é necessária, é importante ter uma opção mais eficiente. “Observar os diferentes níveis de atividade cerebral, como as fases do sono, também pode ajudar a entender como os neurônios estão funcionando e as reações químicas envolvidas nessa atividade complexa”, complementa. Segundo o médico, uma análise mais ampla poderia ser a próxima etapa do estudo. “Utilizar esse método em um número maior de crianças é necessário para reforçar os dados e também comprovar que ele é seguro, não causa danos aos bebês.”

Oxigênio escasso

Ocorre devido à diminuição da oferta de oxigênio, que pode ser gerada por diversas complicações, como a interrupção do fluxo sanguíneo umbilical e uma insuficiente troca de gases na placenta. A oferta adequada de oxigênio aos tecidos é fundamental para que as células mantenham o metabolismo e as funções vitais. Entre os bebês que sobrevivem a essa complicação, 25% apresentam dano neurológico permanente, manifestado por paralisia cerebral, retardo mental ou crises convulsivas.

FONTE - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/10/12/interna_cidadesdf,633161/cientistas-criam-exame-para-monitorar-atividade-cerebral-de-bebes.shtml

LEIAM TAMBÉM NO MEU BLOG - 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

EPILEPSIA/MÚSICA CLÁSSICA - O "Efeito Mozart" pode ajudar em crises convulsivas?

Música clássica pode ser usada para evitar crises convulsivas

Cientistas dos EUA descobrem que as áreas cerebrais comprometidas pela epilepsia são ativadas pelo som de compositores eruditos

(efeito que comprovei na prática com minha filha Luana, em 1994, com quadro de Síndrome de West, Espasmos Infantis, na Uti Neonatal da Clínica Perinatal de Laranjeiras, RJ, por anóxia perinatal, e apresentou uma considerável redução de suas convulsões na incubadeira com um cd de músicas de Mozart - concertos para Piano e Orquestra, e duas pequenas caixas de som dentro da mesma...) 

Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (CB/D.A Press)
(imagem - da matéria com a representação gráfica de um cérebro humano com fones de ouvido, tendo ao lado esquerdo a representação do número de pessoas pesquisas, abaixo três cabeças, sendo a do meio com um fone de ouvido, descrevendo que por eletroencefalografia pesquisadores observaram as ondas cerebrai dos voluntários de acordo com a sequência, no meio os Resultados obtidos, depoisa a aplicação e no canto direito uma figura de um homem, com a palavra doença (epilepsia não é uma doença) com a córtex cerebral em vermelho para localizar o córtex motor, com a descrição de que a 'epilepsia é uma desordem do cérebro que leva os neurônios a sinalizarem de forma anormal, pertubando a atividade neuronal e causa reações comportamentais estranhas, com convulsão e espasmos musculares - informações do Correio Braziliense - autoria Vilhena Soares -  VEJA NO LINK http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/08/12/noticia_saudeplena,154564/musica-classica-pode-ser-usada-para-evitar-crises-convulsivas.shtml)

Pérolas de Mozart ou de Bach para amenizar a epilepsia. É o que sugere um estudo apresentado na 123ª Convenção Anual da Associação Psicológica Americana, no Canadá. Os pesquisadores mostraram que o cérebro de pessoas com a enfermidade neural fica mais ativo ao “ouvir” música clássica do que o de não epiléticos. O efeito protetivo ainda não foi totalmente destrinchado, mas os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar a evitar principalmente as crises convulsivas.

A ideia do experimento surgiu com base em mecanismos semelhantes da doença e do processamento cerebral da música. “Aproximadamente, 80% dos epiléticos têm a do lobo temporal, e a música é percebida nessa mesma região. Queríamos ver se e como as pessoas com esse tipo da doença sincronizam sua atividade neural com a música”, explica ao Correio Christine Charyton, professora-assistente de neurologia no Ohio State University Wexner Medical Center, nos Estados Unidos, e uma das autoras do trabalho.

A equipe utilizou um eletroencefalograma, aparelho capaz de visualizar minuciosamente o cérebro, para observar a reação de 21 pacientes com epilepsia e pessoas saudáveis enquanto ouviam músicas clássicas. As sinfonias foram tocadas com intervalos de 10 minutos de silêncio para que fosse possível comparar as duas situações e as reações dos participantes.

Como resultado, observou-se que o nível das ondas cerebrais de todo o grupo aumentava quando eles ouviam as músicas. E o mais interessante: a atividade neural dos epiléticos era maior ainda no momento das sinfonias. “Ficamos surpresos.Trabalhamos com a hipótese de que a música seria processada no cérebro de forma diferente do que o silêncio. Nós não sabíamos se isso seria o mesmo ou diferente para os epiléticos”, conta Charyton.

Para a autora, a constatação ajuda a entender melhor como funciona a epilepsia, um conhecimento a ser utilizado em tratamentos futuros para evitar ataques provocados pela doença. “Pessoas com a doença sincronizam mais as canções no lóbulo temporal. Isso pode ser útil, uma vez que o cérebro pode sincronizar com a música e não provocar uma convulsão. Nossos pacientes não têm convulsões quando escutam a música”, detalha a autora.

Mais estudos

Apesar de o estudo norte-americano ter trazido esperanças para o aperfeiçoamento de técnicas de tratamento da epilepsia com base em novas informações sobre a atividade neural dos pacientes, os autores destacam que muito ainda precisa ser estudado para que os dados possam ser usados. “Acredito que entender melhor como o cérebro reage à música fará com que, futuramente, possamos pensar nela como uma possibilidade de intervenção, não sozinha, mas incorporada a técnicas já utilizadas”, adianta Charyton.

Christian Muller, especialista em neurologia infantil e médico do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, acredita que o trabalho é interessante, mas ainda precisa responder a mais perguntas. “O que eles mostram é uma alteração na onda cerebral que leva à convulsão, porém não tem como prever como serão essas alterações. Precisamos de mais pesquisas para saber como isso pode ser usado em tratamentos, de que modo traria resultados para evitar as convulsões”, destaca.

Muller também frisa que estudar a música e o efeito dela no organismo pode render muitos frutos, principalmente para resolver problemas relacionados ao cérebro. “Fica difícil definir essa pesquisa como boa ou ruim, mas o estudo é interessante principalmente por abordar esse tema que tem sido bem explorado na área médica, a musicoterapia. Trata-se de um recurso rico, utilizado também em tratamentos para dor” exemplifica.

Efeito contrário
Adelia Henriques Souza, coordenadora do Departamento Científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), destaca que a pesquisa precisa considerar a música também como um fator desencadeante das convulsões. “Não tem como dizermos que esse estímulo melhore as crises, já que muitas delas são causadas pelas próprias canções. É difícil estabelecer uma melhora justamente pela quantidade variada de causa das convulsões, provocadas até pelo ato de comer”, justifica.
Souza frisa ainda que existem muitos tipos de epilepsia além da tratada pelos cientistas — eles analisaram a causada por problemas no lobo temporal e que acomete principalmente os adultos. “As crianças mesmo não apresentam esse subtipo. Temos também a do lobo frontal, a do lobo parental, os locais variam bastante”, diz.

Testes com maconha
Um estudo realizado por pesquisadores do Programa Global de Epilepsia em Denver Health, nos Estados Unidos, mostrou que a maconha pode auxiliar no tratamento da epilepsia. Os cientistas acompanharam uma mãe que medicou a filha com canabidiol. A menina sofria de síndrome de Dravet, uma epilepsia severa da infância. A substância reduziu o número de convulsões de 50 para duas ou três por mês e foi utilizado combinada com medicamentos antiepilépticos. Um trabalho da mesma equipe mostrou que o THC — principal composto psicoativo da erva — apresentou melhoras em convulsões em animais.

Outra opção testada também por pesquisadores norte-americanos baseou-se no uso da estimulação cerebral profunda (ECP). Um dispositivo implantado cirurgicamente nos pacientes emite impulsos elétricos no núcleo anterior do tálamo (NAT), área cerebral ligada à propagação das convulsões. Os testes mostraram resultados positivos, reduzindo a quantidade de crises em pacientes resistentes a medicamentos antiepilépticos.

A ingestão de medicamentos é um dos principais tratamentos da doença. Eles ajudam a diminuir a atividade anormal das células nervosas, reduzindo a quantidade de crises. Outra alternativa é a cirurgia para a remoção do foco epiléptico, local em que as convulsões são desencadeada
Indicações diversas

A música foi utilizada para tratamentos médicos há muito tempo. Um famoso filósofo muçulmano chamado Avicena, que viveu entre 980 e 1037, prescrevia aos seus pacientes canções, em vez de opiáceos, para aliviar a dor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu há 15 anos a musicoterapia como uma atividade importante em centros de saúde, com indicação para aplicação em diversas especialidades.

Um estudo conduzido por cientistas da American Music Therapy Association, nos Estados Unidos, mostrou que, dependendo do ritmo, a respiração, a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos podem se tornar mais lentos ou rápidos, o que ajuda a relaxar ou agitar os humanos. Como mexe com o sistema límbico, centro responsável pelas emoções, a música pode contribuir para a socialização e o aumento da endorfina. Por isso, é indicada para o combate de problemas como estresse e ansiedade.
FONTE - http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/08/12/noticia_saudeplena,154564/musica-classica-pode-ser-usada-para-evitar-crises-convulsivas.shtml

VEJA EM - LINKS - Mozart K.448 listening decreased seizure recurrence and epileptiform discharges in children with first unprovoked seizures: a randomized controlled study  http://www.biomedcentral.com/1472-6882/14/17
https://www.epilepsy.org.uk/info/treatment/effects-of-other-things-on-treatment/mozart-effect
http://www.epilepsyqueensland.com.au/site/content/the-mozart-effect-1


LEIA TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - 

MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

sábado, 7 de fevereiro de 2015

EPILEPSIA/TECNOLOGIAS - Criado no Japão um App que avisa sobre crise convulsiva

CIENTISTAS JAPONESES DESENVOLVEM APP QUE AVISA QUANDO O USUÁRIO TERÁ ATAQUE EPILÉPTICO

(imagem da matéria - uma pessoa segura com as mãos um smarthphone à esquerda e um pequeno aparelho à direita, que é o sensor que detecta e avisa sobre a iminência de uma crise convulsiva)
Pesquisadores japoneses desenvolveram um novo sistema para auxiliar as pessoas que sofrem de epilepsia. O intuito do aplicativo é avisar a estes usuários quando eles estiverem próximos de ter uma convulsão.
O aparelho, que funciona em conjunto com o aplicativo, utiliza um sensor que é colocado próximo do coração ou da clavícula, que detecta quando elas estiverem prestes a ter uma convulsão.
Um novo aparelho desenvolvido por pesquisadores japoneses pode avisar pessoas que sofrem de epilepsia quando elas estiverem prestes a ter uma convulsão. Nestes casos, o sensor envia uma alerta para o smartphone com 30 segundos de antecedência antes da convulsão, tempo suficiente para que a pessoa se prepare e evite que ferimentos aconteçam.
O aplicativo foi desenvolvido por cientistas das universidades de Kyoto e Tóquio, e testado com êxito em 60 pacientes locais. Ele ainda não está disponível para download e nem mesmo para uso livre, pois precisa passar por regulamentações. No entanto, os especialistas esperam que o mesmo esteja apto para uso em até cinco anos.
O custo do sistema completo seria de US$ 100, ou o equivalente a cerca de R$ 276 reais em conversão direta e livre dos impostos nacionais.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 50 milhões de pessoas sofrem de epilepsia ao redor do mundo. Deste número, cerca de 30% das pessoas não tem controle sobre suas convulsões.
FONTE - http://www.tudocelular.com/curiosidade/noticias/n49469/app-ajuda-pessoas-com-epilepsia.html

terça-feira, 7 de maio de 2013

EPILEPSIAS/TECNOLOGIAS - Dispositivo implantado no cérebro prevê convulsões

Novo aparelho é capaz de prever crises de epilepsia

O dispositivo, implantado no cérebro e no tórax, atua junto a um aparelho que emite sinais luminosos que variam conforme a chance de ocorrer uma crise

Cientistas desenvolveram um aparelho que, implantado no cérebro, é capaz de prever a ocorrência de crises de epilepsia. O dispositivo atua em conjunto com um implante no tórax, que envia informações a um pequeno aparelho que emite sinais luminosos de cores diferentes para indicar as chances de que uma crise ocorrer nas próximas horas.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Prediction of seizure likelihood with a long-term, implanted seizure advisory system in patients with drug-resistant epilepsy: a first-in-man study 

Onde foi divulgada: periódico Lancet Neurology

Quem fez: Mark J Cook, Terence J O’Brien, Samuel F Berkovic, Lucas Litewka, Sean Hosking, Paul Lightfoot, Vanessa Ruedebusch, W Douglas Sheffield, David Snyder, Kent Leyde, David Himes

Instituição: Universidade de Melbourne, Austrália

Dados de amostragem: 15 pessoas com epilepsia, entre 20 e 62 anos de idade, que tinham entre duas e 12 crises por mês e não haviam conseguido controlar as crises com os tratamentos existentes

Resultado: O aparelho previu corretamente as crises com um alerta de "chances elevadas" em 65% dos casos, e funcionou em mais da metade dos casos em 11 dos 15 participantes.
"Saber quando uma crise vai acontecer pode melhorar drasticamente a qualidade de vida e independência de pessoas com epilepsia", afirma Mark Cook, principal autor do estudo, publicado no periódico Lancet Neurology.
O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, em parceria com a empresa americana NeuroVista, que desenvolveu o aparelho de detecção. Implantado entre o crânio e a superfície do cérebro, ele monitora os sinais elétricos do cérebro.
Sinais luminosos – Os pesquisadores também desenvolveram um segundo dispositivo, que é implantado no tórax e transmite os sinais elétricos gravados no cérebro para um pequeno aparelho que emite avisos luminosos de diferentes cores. As cores indicam ao paciente a chance de ele ter uma crise nas próximas horas: para uma chance elevada, as luzes que se acendem são vermelhas. A cor branca indica uma chance moderada e azul representa uma baixa possibilidade.
O estudo teve duração de dois anos e incluiu 15 pessoas com epilepsia, entre 20 e 62 anos de idade, que tinham entre duas e 12 crises por mês e não haviam conseguido controlar as crises com os tratamentos existentes.
Durante o primeiro mês, o dispositivo estava programado apenas para gravar os dados de eletroencefalograma, o que permitiu aos pesquisadores elaborar um algoritmo capaz de prever as crises para cada paciente.
Acertos – O aparelho previu corretamente as crises com um alerta de "chances elevadas" em 65% dos casos, e funcionou em mais da metade dos casos em 11 dos 15 participantes. Dentre esses 11 voluntários, oito tiveram as crises previstas corretamente entre 56% e 100% do tempo.
A epilepsia afeta, em média, de 1% a 1,5% da população mundial. "As pessoas que têm epilepsia ficam muito bem na maior parte do tempo. Mas suas atividades são limitadas por essa condição, que pode afetar apenas alguns minutos de cada ano de suas vidas, e ainda assim ter consequências catastróficas, como quedas e até afogamentos", diz Cook.
De acordo com o pesquisador, o próximo passo da pesquisa será replicar esses resultados e um estudo clínico mais amplo. Para ele, essa estratégia pode levar a uma melhora das estratégias para controle da epilepsia no futuro.

Opinião da especialista

Elza Márcia Yacubian Neurologista, professora da Unifesp e membro da Academia Brasileira de Neurologia
"Embora as crises epilépticas possam ocorrer sem aviso algum na maioria dos pacientes, é possível que ocorram mudanças específicas na dinâmica do cérebro antes de uma crise. Assim, por exemplo, algumas mães podem perceber em seus filhos com epilepsia sintomas sutis como alterações comportamentais ou mudanças na expressão facial horas ou dias antes da ocorrência das crises. É possível que esses sintomas se reflitam em alterações elétricas no cérebro, responsáveis pela geração das crises antes do aparecimento das mesmas. Se essas mudanças pudessem ser detectadas de forma segura, ou um estado de maior probabilidade de crises pudesse ser definido, seria possível evitar o tratamento crônico com fármacos antiepilépticos, algumas vezes feito por toda a vida.  Assim, o medicamento antiepiléptico poderia ser utilizado apenas quando o risco ou a probabilidade de ter crises fosse iminente.
Até recentemente, todos os estudos sobre a previsão de crises foram baseados em avaliações retrospectivas de registros eletroencefalográficos obtidos com eletrodos implantados diretamente sobre o cérebro. Poucos estudos têm tentado avaliar os chamados 'algoritmos de previsão'. Neste sentido, os resultados apresentados pelos autores são um marco importante, mostrando pela primeira vez que a previsão das crises é possível.
No entanto, é preciso cautela. Embora os autores tenham demonstrado que o algoritmo de predição funcionou acima do nível do acaso, ainda não esclareceu que se este desempenho também é suficiente para a aplicação clínica. A utilidade deste método obviamente dependerá  da forma como diferentes pacientes tolerarão alarmes falsos ou crises perdidas, e sua eficácia deverá ser interpretada de forma individual. Os resultados apresentados sugerem que pelo menos alguns dos pacientes poderiam ser beneficiados pelo sistema de alerta da iminência de crises."
fonte - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/pesquisadores-criam-aparelho-capaz-de-prever-crises-de-epilepsia