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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

EPILEPSIA/MÚSICA CLÁSSICA - O "Efeito Mozart" pode ajudar em crises convulsivas?

Música clássica pode ser usada para evitar crises convulsivas

Cientistas dos EUA descobrem que as áreas cerebrais comprometidas pela epilepsia são ativadas pelo som de compositores eruditos

(efeito que comprovei na prática com minha filha Luana, em 1994, com quadro de Síndrome de West, Espasmos Infantis, na Uti Neonatal da Clínica Perinatal de Laranjeiras, RJ, por anóxia perinatal, e apresentou uma considerável redução de suas convulsões na incubadeira com um cd de músicas de Mozart - concertos para Piano e Orquestra, e duas pequenas caixas de som dentro da mesma...) 

Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (CB/D.A Press)
(imagem - da matéria com a representação gráfica de um cérebro humano com fones de ouvido, tendo ao lado esquerdo a representação do número de pessoas pesquisas, abaixo três cabeças, sendo a do meio com um fone de ouvido, descrevendo que por eletroencefalografia pesquisadores observaram as ondas cerebrai dos voluntários de acordo com a sequência, no meio os Resultados obtidos, depoisa a aplicação e no canto direito uma figura de um homem, com a palavra doença (epilepsia não é uma doença) com a córtex cerebral em vermelho para localizar o córtex motor, com a descrição de que a 'epilepsia é uma desordem do cérebro que leva os neurônios a sinalizarem de forma anormal, pertubando a atividade neuronal e causa reações comportamentais estranhas, com convulsão e espasmos musculares - informações do Correio Braziliense - autoria Vilhena Soares -  VEJA NO LINK http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/08/12/noticia_saudeplena,154564/musica-classica-pode-ser-usada-para-evitar-crises-convulsivas.shtml)

Pérolas de Mozart ou de Bach para amenizar a epilepsia. É o que sugere um estudo apresentado na 123ª Convenção Anual da Associação Psicológica Americana, no Canadá. Os pesquisadores mostraram que o cérebro de pessoas com a enfermidade neural fica mais ativo ao “ouvir” música clássica do que o de não epiléticos. O efeito protetivo ainda não foi totalmente destrinchado, mas os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar a evitar principalmente as crises convulsivas.

A ideia do experimento surgiu com base em mecanismos semelhantes da doença e do processamento cerebral da música. “Aproximadamente, 80% dos epiléticos têm a do lobo temporal, e a música é percebida nessa mesma região. Queríamos ver se e como as pessoas com esse tipo da doença sincronizam sua atividade neural com a música”, explica ao Correio Christine Charyton, professora-assistente de neurologia no Ohio State University Wexner Medical Center, nos Estados Unidos, e uma das autoras do trabalho.

A equipe utilizou um eletroencefalograma, aparelho capaz de visualizar minuciosamente o cérebro, para observar a reação de 21 pacientes com epilepsia e pessoas saudáveis enquanto ouviam músicas clássicas. As sinfonias foram tocadas com intervalos de 10 minutos de silêncio para que fosse possível comparar as duas situações e as reações dos participantes.

Como resultado, observou-se que o nível das ondas cerebrais de todo o grupo aumentava quando eles ouviam as músicas. E o mais interessante: a atividade neural dos epiléticos era maior ainda no momento das sinfonias. “Ficamos surpresos.Trabalhamos com a hipótese de que a música seria processada no cérebro de forma diferente do que o silêncio. Nós não sabíamos se isso seria o mesmo ou diferente para os epiléticos”, conta Charyton.

Para a autora, a constatação ajuda a entender melhor como funciona a epilepsia, um conhecimento a ser utilizado em tratamentos futuros para evitar ataques provocados pela doença. “Pessoas com a doença sincronizam mais as canções no lóbulo temporal. Isso pode ser útil, uma vez que o cérebro pode sincronizar com a música e não provocar uma convulsão. Nossos pacientes não têm convulsões quando escutam a música”, detalha a autora.

Mais estudos

Apesar de o estudo norte-americano ter trazido esperanças para o aperfeiçoamento de técnicas de tratamento da epilepsia com base em novas informações sobre a atividade neural dos pacientes, os autores destacam que muito ainda precisa ser estudado para que os dados possam ser usados. “Acredito que entender melhor como o cérebro reage à música fará com que, futuramente, possamos pensar nela como uma possibilidade de intervenção, não sozinha, mas incorporada a técnicas já utilizadas”, adianta Charyton.

Christian Muller, especialista em neurologia infantil e médico do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, acredita que o trabalho é interessante, mas ainda precisa responder a mais perguntas. “O que eles mostram é uma alteração na onda cerebral que leva à convulsão, porém não tem como prever como serão essas alterações. Precisamos de mais pesquisas para saber como isso pode ser usado em tratamentos, de que modo traria resultados para evitar as convulsões”, destaca.

Muller também frisa que estudar a música e o efeito dela no organismo pode render muitos frutos, principalmente para resolver problemas relacionados ao cérebro. “Fica difícil definir essa pesquisa como boa ou ruim, mas o estudo é interessante principalmente por abordar esse tema que tem sido bem explorado na área médica, a musicoterapia. Trata-se de um recurso rico, utilizado também em tratamentos para dor” exemplifica.

Efeito contrário
Adelia Henriques Souza, coordenadora do Departamento Científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), destaca que a pesquisa precisa considerar a música também como um fator desencadeante das convulsões. “Não tem como dizermos que esse estímulo melhore as crises, já que muitas delas são causadas pelas próprias canções. É difícil estabelecer uma melhora justamente pela quantidade variada de causa das convulsões, provocadas até pelo ato de comer”, justifica.
Souza frisa ainda que existem muitos tipos de epilepsia além da tratada pelos cientistas — eles analisaram a causada por problemas no lobo temporal e que acomete principalmente os adultos. “As crianças mesmo não apresentam esse subtipo. Temos também a do lobo frontal, a do lobo parental, os locais variam bastante”, diz.

Testes com maconha
Um estudo realizado por pesquisadores do Programa Global de Epilepsia em Denver Health, nos Estados Unidos, mostrou que a maconha pode auxiliar no tratamento da epilepsia. Os cientistas acompanharam uma mãe que medicou a filha com canabidiol. A menina sofria de síndrome de Dravet, uma epilepsia severa da infância. A substância reduziu o número de convulsões de 50 para duas ou três por mês e foi utilizado combinada com medicamentos antiepilépticos. Um trabalho da mesma equipe mostrou que o THC — principal composto psicoativo da erva — apresentou melhoras em convulsões em animais.

Outra opção testada também por pesquisadores norte-americanos baseou-se no uso da estimulação cerebral profunda (ECP). Um dispositivo implantado cirurgicamente nos pacientes emite impulsos elétricos no núcleo anterior do tálamo (NAT), área cerebral ligada à propagação das convulsões. Os testes mostraram resultados positivos, reduzindo a quantidade de crises em pacientes resistentes a medicamentos antiepilépticos.

A ingestão de medicamentos é um dos principais tratamentos da doença. Eles ajudam a diminuir a atividade anormal das células nervosas, reduzindo a quantidade de crises. Outra alternativa é a cirurgia para a remoção do foco epiléptico, local em que as convulsões são desencadeada
Indicações diversas

A música foi utilizada para tratamentos médicos há muito tempo. Um famoso filósofo muçulmano chamado Avicena, que viveu entre 980 e 1037, prescrevia aos seus pacientes canções, em vez de opiáceos, para aliviar a dor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu há 15 anos a musicoterapia como uma atividade importante em centros de saúde, com indicação para aplicação em diversas especialidades.

Um estudo conduzido por cientistas da American Music Therapy Association, nos Estados Unidos, mostrou que, dependendo do ritmo, a respiração, a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos podem se tornar mais lentos ou rápidos, o que ajuda a relaxar ou agitar os humanos. Como mexe com o sistema límbico, centro responsável pelas emoções, a música pode contribuir para a socialização e o aumento da endorfina. Por isso, é indicada para o combate de problemas como estresse e ansiedade.
FONTE - http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/08/12/noticia_saudeplena,154564/musica-classica-pode-ser-usada-para-evitar-crises-convulsivas.shtml

VEJA EM - LINKS - Mozart K.448 listening decreased seizure recurrence and epileptiform discharges in children with first unprovoked seizures: a randomized controlled study  http://www.biomedcentral.com/1472-6882/14/17
https://www.epilepsy.org.uk/info/treatment/effects-of-other-things-on-treatment/mozart-effect
http://www.epilepsyqueensland.com.au/site/content/the-mozart-effect-1


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MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

quinta-feira, 21 de maio de 2015

TECNOLOGIA ASSISTIVA/PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - Criado implante que ajuda pessoas com paralisias a ter autonomia com pensamentos

Implante sem fio ajuda pessoas com paralisia a moverem objetos com a mente

(imagem - foto colorida com um braço robô  com um frasco vermelho, à esquerda, com uma mulher com os dois braços paralisados, à direita, com um homem ao fundo diante de uma tela de computador - fotografia da divulgação)

Pesquisadores da BrainGate e cientistas de universidades renomadas nos Estados Unidos como Stanford e Brown querem utilizar a conexão sem fio para ajudar pessoas com paralisia a se moverem novamente. O projeto desenvolveu um implante sem fio que pode ser integrado no corpo do paciente para enviar ordens e pensamentos para outros dispositivos. Na prática, ele torna possível ligar a tv, o computador e fazer uma cadeira de rodas se moverem pelo pensamento. "É essencial alcançar este objetivo porque os testes feitos até agora necessitam de um aparelho volumoso com um cabo. A tecnologia sem fio facilitaria a utilização do paciente em casa", explica Donoghue.

Para que isso se torne possível, em primeiro lugar, é preciso interpretar os desejos do cérebro e os comandos de movimentos que são dados por ele para executar cada ação. A tarefa é muito complexa porque os padrões elétricos que os neurônios desenham ao fazer algo simples como tomar uma bebida variam a cada dia. "Não sabemos exatamente o que causa a mudança. Estar com fome, por exemplo, pode alterar o padrão. O que fazemos é deixar a máquina aprender a interpretar diferentes padrões com o mesmo fim", explica John Donoghue, um dos líderes do projeto.

Como funciona? 
Segundo o pesquisador, o processo é parecido com o da ativação dos pixels de uma TV: “Se você olhasse atentamente para uma TV, veria o flash de um dos pequenos quadrados que formam a imagem. Olhando de perto não faz sentido, mas vendo o quadro inteiro, faz. Nós fazemos exatamente isso: tomamos amostras parciais e, em seguida, reconstruímos o padrão. E surpreendentemente ele é bastante simples. Ele muda quando você deseja mover a mão para cima, para baixo ou para a esquerda”, conta Donoghue.
Depois disso, o impulso cerebral é traduzido na linguagem binária, que pode ser interpretada por um computador, e a ordem é enviada a um dispositivo externo, como um braço robótico ou um exoesqueleto.

Outras aplicações

De acordo com os cientistas, a interface de comunicação entre cérebro e computadores pode ajudar a superar outros tipos de deficiência, como a de pessoas com membros amputados, por exemplo. O líder do projeto aposta que a tecnologia pode chegar ao mercado antes do que se imagina: “Eu sou uma pessoa otimista e acho que em cinco anos, as pessoas com deficiência serão capazes de usar essa tecnologia em casa para e recuperar sua interação com o mundo"

fonte - http://olhardigital.uol.com.br/noticia/implante-sem-fio-ajuda-pessoas-com-paralisia-a-moverem-objetos-com-a-mente/48654
VEJA O VÍDEO: 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

CEGOS/TECNOLOGIA ASSISTIVA - Nova tecnologia espanhola ligada ao Google Grass ajudará deficientes visuais

Google Glass como aliado para deficientes visuais

Iniciativa da Universidade de Alicante poderá transformar o Google Glass é um novo aliado para os deficientes visuais.
1x1.trans Google Glass como aliado para deficientes visuais
(imagem - foto colorida de uma pessoa com o Google Glass acoplado diante de seu olho, com a câmera 3D, que fazem parte de um protótipo do aplicativo que utiliza as câmeras duplas do LG Optimus 3D Max. fotografia da matéria)

É sempre bacana conhecer novos projetos que envolvem tecnologia e acessibilidade, depois do lançamento do primeiro celular em braile que noticiamos aqui no ZUTI, surge mais uma iniciativa bem interessante pensado para os deficientes visuais.
Foi recentemente patenteada uma nova tecnologia para ajudar que os deficientes visuais possam detectar os obstáculos à frente deles, através de avisos de som e vibração, em um projeto que surgiu na Espanha. Este software foi desenvolvido pela Universidade de Alicante e está pronto para chegar para o Google Glass brevemente.
A vibração, bem como o som é o que o aplicativo utiliza a fim de alertar os usuários sobre os obstáculos. Esta tecnologia foi demonstrada através de um telefone, equipado com uma câmera 3D; o LG Optimus 3D Max para ser exato. De acordo com a Live Science, o app foi testado com sucesso em nove participantes deficientes visuais, que usavam o dispositivo em torno de seus pescoços.
Em termos de como funciona,  a câmera 3D apresenta duas lentes diferentes, uma entre elas é usada para a detecção de profundidade. Isso significa que ela pode calcular a distância entre o sujeito e um objeto específico na frente deles.
Desta forma, sempre que a câmera vê algo que é cerca de seis metros de distância, o telefone vibra ou emite um som de alerta. E se a pessoa continua se movendo para mais perto deste objeto, os sinais são intensificados, ajudando-os a mudar a direção facilmente.
Desde que foi demonstrado apenas em um telefone 3D, ainda será um longo caminho até a app se popularizar. Mas esse processo foi acelerado graças a Fundação Vodafone Espanha, que tinha oferecido os desenvolvedores um enorme subsídio para continuar sua pesquisa.
Para trazê-lo para o Google Glass para usuários deficientes visuais, algumas grandes modificações serão necessárias principalmente porque não há nenhuma configuração de câmera dupla neste dispositivo. Os fabricantes do app esperam poder lança-lo já em 2015
FONTE -http://www.zuti.com.br/google-glass-como-aliado-para-deficientes-visuais/

sábado, 23 de novembro de 2013

SAÚDE MENTAL/MEMÓRIA- Cientistas estudam papel das recordações como terapêuticas para Alcoolismo e Depressão

Memória terapêutica

Cientistas descobrem que a depressão, o alcoolismo e a obesidade podem ser tratados com a ajuda das recordações dos pacientes 

A possibilidade de recorrer às lembranças armazenadas na mente para ajudar no tratamento de doenças é tema de um conjunto robusto de estudos recentes. Há experimentos nessa linha visando melhorar o tratamento da depressão, do alcoolismo e até para ajudar as pessoas a planejar melhor o seu futuro.
Monica Tarantino

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Um dos trabalhos mais interessantes foi feito pelo cientista Tim Dalgleish, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e teve como alvo a depressão. Primeiramente, Tim e seus colegas convidaram pacientes a reunir 15 recordações positivas. Pesquisas anteriores haviam indicado que recordar situações felizes melhora o humor de quem convive com a enfermidade. Além de comprovar esse dado, os pesquisadores queriam saber qual seria a estratégia mais eficiente para facilitar o acesso a esse banco de boas lembranças e mantê-las vívidas, uma vez que a doença tende a apagar seu brilho. Por isso, o segundo passo foi pedir aos voluntários que organizassem as lembranças empregando métodos diferentes. Enquanto uma ala associou suas reminiscências a um local ou objeto que pudesse ser usado como um gatilho para trazê-las à tona (a visão de um prédio no caminho do trabalho, por exemplo), a outra as agrupou por semelhança. “Aqueles que usaram a técnica de vincular as memórias a locais ou objetos tiveram resultados significativamente melhores”, concluiu Dalgleish.
Autora de pesquisas polêmicas, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia (Eua), estuda de que modo a criação de falsas memórias pode ser útil no controle do alcoolismo e da obesidade. Com esse objetivo, recrutou 147 universitários que se dispuseram a responder a um questionário sobre os seus alimentos e bebidas preferidos antes dos 16 anos. Foram também estimulados a relatar se alguma vez passaram mal após tomar muita vodca ou ingerir rum e questionados se isso realmente aconteceu.
Uma semana depois, receberam seus perfis traçados pelos pesquisadores. Embora a maioria dos textos se restringisse às informações dadas pelos jovens, alguns continham relatos falsos de enfermidades sofridas na adolescência por causa de consumo excessivo de rum ou vodca. Após recontar o que tinha acontecido e preencher outro questionário, cerca de 20% dos participantes realmente assumiram essas memórias inventadas como verdadeiras. A maioria deles reduziu o consumo da bebida associada ao mal-estar. Em trabalhos anteriores, a cientista havia constatado que pessoas que acreditam ter ficado doentes na infância por ter ingerido determinado alimento passavam depois a evitá-lo. “Imaginamos que usar essa engenharia da mente pode direcionar as pessoas para uma vida mais saudável”, disse a pesquisadora.
A estratégia de criar falsas memórias desperta críticas. Mas a cientista ressalta que esse pode ser um recurso para usar a maleabilidade da memória a nosso favor. “O que é preferível: um garoto saudável com um pouco de falsa memória ou com diabetes e obesidade?”, questiona Elizabeth. Experimentos como esse despertam a atenção da comunidade científica. “São pesquisas valiosas para se conhecer melhor os mecanismos da memória”, diz a neurologista Dalva Poyares, da Universidade Federal de São Paulo.
Na Universidade de Harvard (Eua), o cientista Daniel Schacter investiga as semelhanças entre o que se passa no cérebro quando lembramos de acontecimentos do passado e o que imaginamos para o futuro. Com exames de imagem, ele constatou que as duas situações mobilizam as mesmas áreas, como o hipocampo e o córtex pré-frontal. “Portanto, não é surpreendente que alguns desses eventos imaginados possam realmente se transformar em falsas memórias”, disse Schacter à ISTOÉ.
O cientista também estuda maneiras de fazer com que as pessoas comecem a usar o banco de lembranças para que consigam planejar o futuro e tomar as melhores decisões. “Quando usamos as informações guardadas na memória, ficamos mais propensos a ser menos impulsivos e mais ponderados nas decisões a longo prazo”, garante o pesquisador. No Brasil, o cientista Ivan Izquierdo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mundialmente reconhecido por suas investigações sobre a memória, testa, em animais, métodos para impedir que lembranças traumáticas subam à tona. “No futuro, essas técnicas poderão ser aplicadas no tratamento de males como estresse pós-traumático, no qual é imprescindível lidar melhor com o evento que causou o problema”, explica Izquierdo.
Fotos: Rafael Hupsel/Ag. Istoé; Gilson Oliveira/Divulgação PUCRS f

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

RACISMO/NEGROS - Para além das cotas os universitários negros enfrentam racismo

Mesmo com avanço pelas cotas, negros enfrentam racismo na universidade

Apesar da gradual entrada do negro no mercado de trabalho e na educação, o caminho para a superação do racismo ainda é longo

Política de cotas garantiu mais oportunidade para os negros no ensino superior Foto: UFRGS / Divulgação
(imagem - foto colorida da reportagem, com uma jovem negra apontando para um mural, com outros estudandes não negros à sua volta, em espaço universitário, fotografia da UFRGS)

A luta pela valorização do povo afro-brasileiro, relembrada nesta quarta-feira, no Dia da Consciência Negra, ainda encontra obstáculos dentro da universidade. Mesmo que as cotas tenham representado um significativo avanço na inserção do negro no ensino superior, especialistas ainda percebem um forte racismo dentro das instituições.
A questão é muito maior que a própria universidade. O preconceito racial está incrustado na sociedade brasileira, por mais velado que esteja. Apesar da gradual entrada do negro no mercado de trabalho e na educação, o caminho para a superação do racismo ainda é longo, acredita a professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Maria José Cordeiro, a Maju.
"O negro não é mais só consumidor, mas gerador. Agora ele está do outro lado. As cotas colocaram negros qualificados no mercado de trabalho", afirma Maju. Em agosto, celebrando um ano da política de cotas nas universidades e institutos federais, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que o Programa Universidade para Todos (Prouni) mudou a história dos negros no ensino superior. "Em 1997, somente 2,2% de negros frequentavam o ensino superior. Atualmente, são mais de 10%. Com o ProUni, de 1,2 milhão de contratos, mais de 630 mil são bolsistas negros", disse.
O último levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2012, aponta que 35% dos matriculados em cursos de graduação no País são pretos ou pardos, enquanto 62% são brancos - mesmo índice de 2011. O Norte e o Nordeste são as regiões com maior percentual de universitários negros: 63% entre os nortistas e 57% entre os nordestinos. Na região Sul, apenas 10% é preto ou pardo, contra 89% de brancos. Já no Sudeste, 27% dos que frequentam o ensino superior são negros, e no Centro-Oeste, 40%.
Jocélio Teles, professor do departamento de antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ressalta o crescimento da participação de negros em cursos que tradicionalmente formam brancos, como medicina, arquitetura ou administração. Nas graduações em que já havia uma significativa participação de afro-brasileiros o crescimento foi menor.
A entrada do negro em ambientes que foram historicamente de brancos traz também o choque e o preconceito como consequências. "O racismo institucional é muito mais difícil de ser combatido, é inerente ao próprio dia a dia das instituições. Tem muita gente trabalhando junto e isso acaba existindo", diz Maju.
A pesquisadora do Núcleo de Estudos Negros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Joana Passos diz que o racismo segue desafiando negros e indígenas. "O racismo não desapareceu da sociedade brasileira, sendo assim, também não desapareceu da universidade", afirma. Para ela, a estratégia para se superar esse problema é falar sobre o tema e fazer com que as pessoas percebam que ele, junto a questões econômicas e de gênero, estrutura as desigualdades do Brasil. Joana aponta a devida punição, a instituição de programas anti-racismo e a implementação da Lei 10639/03, que obriga o ensino da história e da cultura afro-brasileira na educação básica e ensino superior, como medidas necessárias para um avanço na área.
Pesquisa
Muitos cotistas procuram se integrar a grupos e núcleos de pesquisa para se apropriarem melhor das questões raciais na sociedade brasileira. Mas é preciso que as próprias universidades propiciem isso, afirma a professora. Teles ressalta que é mais comum estudantes negros organizarem eventos e ações pontuais para a conscientização sobre o assunto. De toda forma, não há cobrança de que cotistas se voltem às suas comunidades ou questões étnico-raciais com suas pesquisas. São muitos alunos e bolsas de pesquisa e, naturalmente, não é todo orientador que trabalha com racismo.
"Os estudantes negros e indígenas são estudantes como todos os demais. Eles precisam se sentir livres para a produção acadêmica", diz Joana.
Década Internacional de Afrodescendentes
No último dia 11, o Centro de Informações das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio) antecipou o lançamento de uma campanha para a aprovação da Década Internacional de Afrodescendentes.
A aprovação por parte da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) garantiria o estabelecimento de uma década que promova o fim do racismo, da discriminação e da xenofobia.
LEIAM TAMBÉM MEUS TEXTOS SOBRE RACISMO NO BLOG INFOATIVO.DEFNET  

RAÇA, RACISMO E IDEOLOGIA: ZUMBI ERA UM VÂNDALO, UM BLACK O QUÊ? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/11/raca-racismo-e-ideologia-zumbi-era-um.html

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ALZHEIMER/DESCOBERTAS - Pesquisas precisam de comprovação e tempo

Otimismo com descoberta para cura do Alzheimer se justifica?

Manchetes que anunciam "cura do Alzheimer" ou "grande descoberta em Alzheimer" são comuns e, nesta semana, mais uma se juntou a elas.
Cérebro afetado pelo Alzheimer (SPL)
*(imagem - a foto colorida de um cérebro com os hemisférios, com ação de contrastes, onde se vê à esquerda a atrofia de massa cerebral em cor predominante vermelha, e à direita um hemisfério com menor perda de neurônios e de cor predominante  amarela - Substância química evitou morte de tecido cerebral em camundongo - fotografia BBC)
Pesquisadores britânicos descobriram a primeira substância química capaz de evitar a morte do tecido cerebral em uma doença que causa degeneração dos neurônios.
Ainda são necessárias mais pesquisas para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Mas os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras.
O jornal britânico The Times anunciou "Cura para o Alzheimer 'está ao alcance'" na primeira página. O The Independent saiu com "Cientistas comemoram descoberta histórica na guerra contra o Alzheimer".
Apesar de não se tratarem de manchetes novas, uma grande diferença desta vez é que cientistas cautelosos estão sugerindo que a última descoberta pode ser realmente histórica.
Quase todas as notícias publicadas sobre o assunto têm uma frase do professor Roger Morris, do King's College de Londres.
"Suspeito que esta descoberta será julgada pela história como um momento decisivo na busca de medicamentos para controlar e evitar o Alzheimer", disse o cientista.

Momento importante

A fonte primordial de tanta animação é que a substância química descoberta suspendeu a morte de células do cérebro em um cérebro vivo, que, de outra forma, teria morrido devido a uma doença neurodegenerativa.
Quando entrevistei o professor Morris na noite de quarta-feira, ele usou a palavra "marco" várias vezes.
No estudo do Conselho de Pesquisa Médica na Universidade de Leicester, foram usados camundongos com uma doença semelhante à forma humana da doença da vaca louca. Dentro de oito semanas, os cérebros dos camundongos se deterioraram tanto que a memória e os movimentos estavam afetados. Na 12ª semana, os camundongos estavam mortos.
Mas, quando outros camundongos infectados com a mesma doença receberam um "composto parecido com medicamento", eles sobreviveram às 12 semanas sem sinais de morte de tecido cerebral. A substância química também causou efeitos colaterais como perda de peso e diabetes.
Outra fonte de otimismo são as implicações desta descoberta.
A substância química ajuda o cérebro a lidar com a produção de proteínas defeituosas. O Alzheimer tem uma proteína deformada específica, assim como o Mal de Parkinson e a Doença de Huntington.
A resposta do cérebro a todas estas doenças é suspender a produção de proteínas, mas isto acaba matando as células do cérebro. A substância química descoberta ajuda as células do cérebro a ignorar estas proteínas deformadas, e a continuar funcionando, vivo.

Traços em comum

No passado, a pesquisa em doenças neurodegenerativas se concentrou no que era único àquelas doenças. Esta abordagem analisa o que todas têm em comum. E, se a descoberta realmente funcionar, então levanta a possibilidade de um único medicamento para curar ou evitar quase todas as formas de neurodegeneração.
"Se (a substância) paralisa a degeneração do cérebro, vai parar a doença em pessoas que já têm. E se podemos detectar a doença cedo, vai evitar muita degeneração", afirmou Giovanna Mallucci, que liderou a pesquisa.
"A esperança é deter a morte de células do cérebro e isto é o que é tão animador", acrescentou.
Vale destacar que as descobertas precisas do estudo, uma substância química tóxica que os pesquisadores sequer chamam de medicamento, paralisa a morte de células do cérebro em camundongos.
Claramente, isto não é uma cura, mas abre caminho para uma. Dá às companhias farmacêuticas e cientistas algo para trabalhar.
Este processo levará tempo, provavelmente mais de uma década, sem garantias de sucesso no final.

Exemplos

Na história recente da pesquisa médica há muitos exemplos de medicamentos que pareciam promissores em camundongos, mas acabaram decepcionando quando testados em humanos.
Esta substância química funciona em um cérebro de camundongo, que tem 75 milhões de neurônios. Um cérebro humano, mais complexo e com 85 bilhões de neurônios, é muito diferente.
Simon Ridley, chefe do setor de pesquisa da organização de caridade britânica especializada em Alzheimer, Alzheimer's Research UK, disse à BBC que os pacientes terão que esperar muito.
"Temo que (a espera) será mais longa do que qualquer um de nós gostaria. Acredito que há muitas pessoas que estão desesperadas por qualquer notícia sobre novos tratamentos, que eles gostariam de fazer hoje", afirmou.
"Acho que neste estágio poderíamos esperar uma década antes de sabermos se será eficaz", acrescentou.
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