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sexta-feira, 17 de abril de 2015

SAÚDE MENTAL/ESQUIZOFRENIA - Novas descobertas sobre a etiologia desse transtorno mental

NOVAS DESCOBERTAS NA ESQUIZOFRENIA
Estudo conclui que a origem do transtorno psiquiátrico pode não ser o que se pensava
A esquizofrenia é considerada um transtorno mental
(IMAGEM - foto preto e branco com três faces representando estados desde alegria até a depressão ou confusão - fotografia da matéria)
Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade de Coimbra (UC) levanta novas informações quanto à origem da esquizofrenia. Até agora a causa neuronal era a principal razão apontada para o aparecimento desta doença, no entanto, o estudo aponta para as células da glia como as possíveis responsáveis. Estas células não neuronais do sistema nervoso central funcionam como uma memória de longa duração do cérebro e são o suporte funcional dos neurônios. Teorias indicam que estas células são também capazes de alterar os sinais nas fendas sinápticas, assim como o lugar em que elas são formadas, podendo, por isso, representar um papel importante na aprendizagem e construção de memórias.
A descoberta alcançada por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra partiu de um estudo desenvolvido ao longo de quatro anos, onde o objetivo era "analisar o papel dos receptores A2A para a adenosina nos problemas de memória", explica a universidade. Nas experiências em laboratório, os receptores A2A estavam presentes nos neurônios e na glia, especialmente nas suas células mais abundantes, os astrócitos. Isto levou os investigadores a retirarem os receptores apenas dos astrócitos e analisar as consequências. Ao realizarem este processo, observaram que a comunicação dos neurônios se via comprometida e os ratinhos, alvos da experiência, passaram a apresentar comportamentos semelhantes aos apresentados na esquizofrenia.
Rodrigo Cunha, coordenador do estudo, explica que, tal como acontece na esquizofrenia, foram registadas três alterações no funcionamento do sistema nervoso central das cobaias. 
Os sintomas negativos, como o isolamento, os sintomas positivos, entre eles as alucinações visuais e auditivas, e os problemas cognitivos, onde se incluem a memória e a concentração. O estudo concluiu que os receptores A2A são a chave para manter o equilíbrio entre as células gliais e os neurônios. Sugerem ainda que estas poderão ter um papel determinante no desenvolvimento de doenças psiquiátricas. A universidade acredita que com esta descoberta poderão ser realizados estudos que permitam novas terapêuticas para este transtorno psiquiátrico, que é considerado como um dos que mais causa incapacidade no doente.

FONTE - http://pt.blastingnews.com/saude/2015/04/novas-descobertas-na-esquizofrenia-00352093.html
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SAÚDE, BIOÉTICA E POLÍTICA – Vendem-se corpos e compram-se consciências? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2015/04/saude-bioetica-e-politica-vendem-se.html

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

SAÚDE MENTAL/ MÚSICA - Grupo mineiro, o São Doidão, lançou disco de MPB, combatendo preconceitos

"São Doidão" canta clássicos da MPB e combate o preconceito à loucura

Pacientes com transtorno mental lançam disco neste sábado


*(imagem - foto dos integrantes da Banda "São Doidão", composta de pessoas que se conheceram em  oficina de canto de centro de referência em saúde mental, com duas mulheres e quatro homens, fotografia de divulgação da banda)

No palco, luzes, movimento e oito vozes ensaiadas cantam clássicos da MPB em releituras ousadas. Por trás de refrões e melodias, histórias de sofrimento mental que encontraram na arte uma ponte para vencer o a doença e o preconceito.

O grupo São Doidão, formado por Andrea Dario, Janice Teixeira, Joao Paulo, Ricardo Rodrigues, Suzane D’Avila e Wander Lopes, pacientes que se conheceram ema oficinas de música do Cersam (Centro de Referência em Saúde Mental) do bairro São Paulo, região nordeste de BH, apresentou neste sábado (dia 30 de novembro), no Cine Theatro Brasil, o repertório do primeiro disco, "Devotos de São Doidão".
Chico Buarque, Tim Maia, Vinícius de Morais e João do Vale são alguns dos cantores e compositores que recebem interpretações do São Doidão. No disco há ainda composições de José Anacleto Teixeira, paciente do centro.

O maestro e violinista Helvécio Viana, que fundou o grupo em 2006, explica que o trabalho nas oficinas de música impulsionou o tratamento dos pacientes.

Muitos não tocavam um instrumento há anos, e as oficinas de canto e coral proporcionaram isso. A arte tem um viés terapêutico, e a gente tem avaliado que há uma melhora na socialização e no campo emocional. Há diversidade no universo da loucura.

As canções ajudam os pacientes-cantores a desafiar o preconceito.  

Há um desconhecimento sobre o universo da loucura que gera o preconceito. Mas hoje esse tema tem sido mais abordado, e todo mundo conhece um caso na família ou de amigos com problemas de saúde mental. A perspectiva é de inclusão, de vivência cidadã.
O grupo recebeu, em 2009, o prêmio "Diversidade pela Loucura", do Ministério da Cultura e da Fiocruz
Fonte - http://noticias.r7.com/minas-gerais/sao-doidao-canta-classicos-da-mpb-e-combate-o-preconceito-a-loucura-30112013
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SAÚDE MENTAL: quando a Bioética se encontra com a Resiliência http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/10/saude-mental-quando-bioetica-se_11.html

domingo, 24 de novembro de 2013

SAÚDE MENTAL/MANICÔMIOS - Descoberta de celas de tortura revela o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil em BH

Hospital psiquiátrico infantil abrigou salas de tortura em BH

Hospital psiquiátrico infantil abrigou salas de tortura em BH
(imagem - foto de uma cela forte, um cubículo, agora em escombros, que servia para o castigo e a reclusão de pessoas, jovens com sofrimento psíquico, durante longo tempo, como parte da história de um manicômio, mais um, em Minas Gerais - fotografia colorida de Priscila Musa)

Mais que o glamour de um prédio de arquitetura neoclássica, o casarão construído na rua Manaus, 348, no bairro Santa Efigênia, esconde uma fase de clausura, terror e sofrimento de pequenos internos entre os anos 1947 e 1979 – período no qual a edificação abrigou um Hospital de Neuropsiquiatria Infantil.
Este é um espaço de sofrimento e essa história precisa ser contada”, exige, comovido, um ex-paciente do hospital, que pede anonimato. Já aposentado, o homem revela que foi internado na unidade de saúde aos 5 anos de idade.
“Eu só estou vivo porque consegui fugir pelo telhado. Eu ouvia os gritos das pessoas e muitas vezes passei pelo eletrochoque”.

Memória
Entre os escombros do casarão, que ficou fechado por quase duas décadas, há um corredor de 182 metros de extensão localizado no primeiro andar. Lá, são encontrados cômodos de aproximadamente 15 metros quadrados, com paredes cheias de rabiscos de pequeninas mãos, nomes e desenhos. Não há circulação de ar porque as janelas foram lacradas com tijolos. Um ambiente que causa desconforto físico e moral - tortura, segundo definição no dicionário da Academia Brasileira de Letras.

No final do corredor há outra pequena abertura. A partir dela, descobre-se um labirinto que chega em novas celas, algumas com grades nas janelas lacradas com cimento. Frascos de remédio, ferramentas, sapatos de criança e brinquedos estão espalhados pelo chão.
Eu não apanhava tanto porque ficava muito quieto, mas as crianças mais agitadas iam para o primeiro andar. Algumas não voltavam mais. Os médicos diziam que a família os tinham buscado, mas eu nunca soube se isso era verdade”, conta o ex-interno.

O presidente da Fundação Mineira de Psiquiatria, Maurício Leão, afirma que ambientes insalubres, como os descritos acima, podem prejudicar a saúde mental. “É por isso que hoje a vigilância sanitária é tão severa em suas fiscalizações”.

Descoberta
O desvendar desse espaço até então desconhecido só começou a ser feito há 30 dias, quando artistas e intelectuais ocuparam o casarão, batizado de Espaço Comum Luiz Estrela .Logo nos primeiros dias, criou-se um grupo composto por uma arqueóloga, um historiador e uma arquiteta. Imediatamente eles fecharam a entrada para os espaços apontados como sítio arqueológico urbano.

“Cada cômodo que encontramos é como um arquivo com documentos. É preciso avaliar com cuidado um a um, em um trabalho que exige minúcia e responsabilidade”, explica a arqueóloga Camila Jácome. Como legítimo guardião da memória, o grupo trabalha em um projeto de pesquisa que será apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos próximos dias.

Eletrochoques eram comuns

A partir dos anos 1930 e até o fim da década de 1970, tratamentos como a lobotomia e o eletrochoque eram comumente utilizados em hospitais psiquiátricos. O presidente da Fundação Mineira de Psiquiatria, Maurício Leão, reitera no entanto que ambos são tratamentos que contribuíram para a evolução da medicina. “Em alguns casos, evidentemente, esses tratamentos foram usados com recursos e de maneira distorcida, mas têm em sua essência o dever de contribuir para a qualidade de vida do ser humano”, explica ele. Hoje a psicocirurgia é considerada como a evolução da lobotomia e o eletrochoque ainda é utilizado em muitos casos.


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OS MORTOS-VIVOS DO HOSPICIO QUE ENSINAVAM AOS VIVOS SOBRE A VIDA NUA... BARBACENAS NUNCA MAIS! http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/10/os-mortos-vivos-do-hospicio-que.html

sábado, 23 de novembro de 2013

SAÚDE MENTAL/MEMÓRIA- Cientistas estudam papel das recordações como terapêuticas para Alcoolismo e Depressão

Memória terapêutica

Cientistas descobrem que a depressão, o alcoolismo e a obesidade podem ser tratados com a ajuda das recordações dos pacientes 

A possibilidade de recorrer às lembranças armazenadas na mente para ajudar no tratamento de doenças é tema de um conjunto robusto de estudos recentes. Há experimentos nessa linha visando melhorar o tratamento da depressão, do alcoolismo e até para ajudar as pessoas a planejar melhor o seu futuro.
Monica Tarantino

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Um dos trabalhos mais interessantes foi feito pelo cientista Tim Dalgleish, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e teve como alvo a depressão. Primeiramente, Tim e seus colegas convidaram pacientes a reunir 15 recordações positivas. Pesquisas anteriores haviam indicado que recordar situações felizes melhora o humor de quem convive com a enfermidade. Além de comprovar esse dado, os pesquisadores queriam saber qual seria a estratégia mais eficiente para facilitar o acesso a esse banco de boas lembranças e mantê-las vívidas, uma vez que a doença tende a apagar seu brilho. Por isso, o segundo passo foi pedir aos voluntários que organizassem as lembranças empregando métodos diferentes. Enquanto uma ala associou suas reminiscências a um local ou objeto que pudesse ser usado como um gatilho para trazê-las à tona (a visão de um prédio no caminho do trabalho, por exemplo), a outra as agrupou por semelhança. “Aqueles que usaram a técnica de vincular as memórias a locais ou objetos tiveram resultados significativamente melhores”, concluiu Dalgleish.
Autora de pesquisas polêmicas, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia (Eua), estuda de que modo a criação de falsas memórias pode ser útil no controle do alcoolismo e da obesidade. Com esse objetivo, recrutou 147 universitários que se dispuseram a responder a um questionário sobre os seus alimentos e bebidas preferidos antes dos 16 anos. Foram também estimulados a relatar se alguma vez passaram mal após tomar muita vodca ou ingerir rum e questionados se isso realmente aconteceu.
Uma semana depois, receberam seus perfis traçados pelos pesquisadores. Embora a maioria dos textos se restringisse às informações dadas pelos jovens, alguns continham relatos falsos de enfermidades sofridas na adolescência por causa de consumo excessivo de rum ou vodca. Após recontar o que tinha acontecido e preencher outro questionário, cerca de 20% dos participantes realmente assumiram essas memórias inventadas como verdadeiras. A maioria deles reduziu o consumo da bebida associada ao mal-estar. Em trabalhos anteriores, a cientista havia constatado que pessoas que acreditam ter ficado doentes na infância por ter ingerido determinado alimento passavam depois a evitá-lo. “Imaginamos que usar essa engenharia da mente pode direcionar as pessoas para uma vida mais saudável”, disse a pesquisadora.
A estratégia de criar falsas memórias desperta críticas. Mas a cientista ressalta que esse pode ser um recurso para usar a maleabilidade da memória a nosso favor. “O que é preferível: um garoto saudável com um pouco de falsa memória ou com diabetes e obesidade?”, questiona Elizabeth. Experimentos como esse despertam a atenção da comunidade científica. “São pesquisas valiosas para se conhecer melhor os mecanismos da memória”, diz a neurologista Dalva Poyares, da Universidade Federal de São Paulo.
Na Universidade de Harvard (Eua), o cientista Daniel Schacter investiga as semelhanças entre o que se passa no cérebro quando lembramos de acontecimentos do passado e o que imaginamos para o futuro. Com exames de imagem, ele constatou que as duas situações mobilizam as mesmas áreas, como o hipocampo e o córtex pré-frontal. “Portanto, não é surpreendente que alguns desses eventos imaginados possam realmente se transformar em falsas memórias”, disse Schacter à ISTOÉ.
O cientista também estuda maneiras de fazer com que as pessoas comecem a usar o banco de lembranças para que consigam planejar o futuro e tomar as melhores decisões. “Quando usamos as informações guardadas na memória, ficamos mais propensos a ser menos impulsivos e mais ponderados nas decisões a longo prazo”, garante o pesquisador. No Brasil, o cientista Ivan Izquierdo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mundialmente reconhecido por suas investigações sobre a memória, testa, em animais, métodos para impedir que lembranças traumáticas subam à tona. “No futuro, essas técnicas poderão ser aplicadas no tratamento de males como estresse pós-traumático, no qual é imprescindível lidar melhor com o evento que causou o problema”, explica Izquierdo.
Fotos: Rafael Hupsel/Ag. Istoé; Gilson Oliveira/Divulgação PUCRS f