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domingo, 26 de setembro de 2021

ALZHEIMER&AVANÇOS - Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

 Estudo descobre indicador precoce para o desenvolvimento do Alzheimer

Cientistas mapearam região do cérebro que promete revolucionar diagnóstico da doença


(imagem da matéria - um cérebro que brilha em azul dentro de uma cabeça humana.)

SÃO PAULO — O Alzheimer, doença que provoca falhas de memória e perda cognitiva, tem desafiado médicos há anos, não apenas na busca da cura, mas também por ser difícil de diagnosticar em estágios iniciais. Uma descoberta anunciada nesta semana por cientistas da Universidade Harvard, porém, aponta um caminho promissor para antecipar a detecção do problema.

Em um estudo que mapeou a bioquímica e anatomia do cérebro de 174 pacientes do transtorno neurológico, um grupo liderado pela cientista Heidi Jacobs, Hospital Geral de Massachusetts (ligado à universidade), relacionou uma pequena estrutura cerebral ao mecanismo da doença. Chamada de locus coeruleus (literalmente “local azul”, em latim), essa região localizada no tronco cerebral já estava na lista de subestruturas que cientistas suspeitavam estar envolvida no mecanismo da doença.

Entretanto, por ser uma região muito pequena (uma faixa de 2 mm por 12 mm de largura), cientistas não conseguiam observá-la bem usando máquinas convencionais de imageamento cerebral. Agora, num artigo publicado na revista Science Translational Medicine, Jacobs e seus colegas descrevem ter conseguido encontrar a correlação entre a má preservação do locus coeruleus e o desencadeamento do Alzheimer, usando aparelhos de ressonância magnética de alta resolução.
EXAME BIOQUÍMICO

A descoberta, porém, precisou de mais do que um avanço técnico de maquinário. Para validar o achado, o grupo de cientistas também analisou em detalhes o cérebro de mais de 2 mil pessoas acometidas pela doença que já tinham morrido. Além disso, avaliaram em detalhes a bioquímica cerebral dos pacientes atrás de sinais conhecidos do Alzheimer.

Já é consenso entre os cientistas que esse transtorno neurológico está relacionado ao acúmulo de duas proteínas em certas regiões do cérebro. Chamadas de beta-amiloide e tau, essas duas moléculas adquirem uma estrutura bioquímica errada nas pessoas portadoras da doença, o que atrapalha o trabalho de limpeza que é feito no sistema nervoso, eliminando as proteínas que não estão sendo mais usadas.

Usando máquinas de última geração de uma outra tecnologia de imagem cerebral, o PET scan, os cientistas conseguiram mapear o acúmulo da proteína tau no locus coeruleus, os cientistas conseguiram estabelecer a correlação entre sintomas de perda cognitiva e a presença da forma maligna dessa proteína não apenas nesse organoide cerebral, mas em outras áreas do sistema nervoso.
INDICADOR PROMISSOR 

“Essas descobertas estão alinhadas com os dados de doenças neurológicas nos quais o acúmulo de tau no locus coeruleus se relaciona à progressão da doença”, escreveram Jacobs e seus colegas no trabalho, publicado na quarta-feira. “Isso o identifica como um indicador promissor dos processos iniciais relacionados ao mal de Alzheimer e das mudanças de trajetórias cognitiva em estágio pré-clínico (anterior ao diagnóstico) da doença”.

Os cientistas explicam que faz sentido o locus coeruleus ter um papel tão grande no mecanismo biológico da doença. Apesar de ser pequena, essa região cerebral é responsável pela produção de um grande volume de norepinefrina, um dos neurotransmissores que o sistema nervoso usa na comunicação entre seus diversos componentes.

A capacidade do maquinário usado na pesquisa atualmente não está à disposição de hospitais convencionais, explicam os cientistas, mas com a evolução natural dessa tecnologia é possível que as próximas gerações de equipamentos comerciais já contem com essa precisão.

“Poder detectar e medir o local onde a patologia se inicia será crítico para melhorar a detecção precoce e identificar indivíduos elegíveis para testes clínicos de tratamentos tentando frear o processo da doença”, escrevem os cientistas.   (Rafael Garcia) 

FONTE - https://oglobo.globo.com/saude/estudo-descobre-indicador-precoce-para-desenvolvimento-do-alzheimer-25212700

Leia também no meu blog INFOATIVO DEFNET - outras matérias sobre ALZHEIMER  https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

sábado, 7 de setembro de 2013

EPILEPSIA/NEUROCIRURGIA - Na PUC de Porto Alegre, RS, neuroimagem ajuda a avaliar segurança para epilépticos

Exames de imagem tornam cirurgia no cérebro para portadores de epilepsia mais segura

No Instituto do Cérebro da PUC de Porto Alegre já é possível realizar um sofisticado exame que permite aos médicos estabelecer se é ou não possível operar uma pessoa epilética com segurança.


Um dia muito especial para Neusa Maria Gattelli, uma dona de casa gaúcha de 47 anos que sofre de epilepsia desde os 25 e agora tem uma possibilidade de ficar finalmente livre da doença.
“Uma em cada quatro pessoas que sofrem de epilepsia, de crises epiléticas recorrentes, que se repetem em frequência variável, apesar de fazer o uso da medicação adequada, ir ao seu médico e tudo mais, seguem tendo crises e essas crises impactam muito na qualidade de vida dessas pessoas”, afirma André Palmini, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da PUC-RS.
Foi o que aconteceu com Neusa. A doença foi limitando cada vez mais a vida dela. “Eu não posso sair sozinha, eu não posso viajar, eu não posso trabalhar”, conta a dona de casa.
“O que ela vive é como se fosse uma criança adulta, sabe? A gente pensa que quer pegar para gente, repartir o problema dela, mas não tem como”, lamenta a irmã, Iris Maria Wagner, aposentada.
“A doença aumentou de uns tempos, os remédios não resolvem. Eles não me deixam cair no chão, mas eu perco consciência”, conta.
O cérebro comanda tudo o que fazemos, mas uma pequena falha nesse controle mestre pode transformar uma vida para sempre. É o que acontece com quem tem epilepsia. As causas podem ser muitas: uma pequena lesão durante o parto, uma má formação. O resultado? Uma desorganização dos sinais elétricos capaz de provocar sérias crises.
No Instituto do Cérebro da PUC de Porto Alegre já é possível realizar um sofisticado exame que permite aos médicos estabelecer se é ou não possível operar uma pessoa epilética com segurança.
“O objetivo de qualquer neurocirurgia e especialmente na cirurgia da epilepsia é retirar o foco epilético, completamente, retirar o máximo então da doença e preservar o máximo do cérebro normal, para não causar sequelas novas. Tem áreas do cérebro que pode retirar 1mm, 2mm, 3mm, que não deixa sequela nenhuma e tem outras áreas que se retirar um centímetro a pessoa para de falar, por exemplo”, afirma Eliseu Paglioli, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital da PUC-RS.
É o desafio no caso da Neusa. Ela tem a doença do lado esquerdo do cérebro, o mesmo lado onde a maioria de nós tem a região da fala. Mas o cérebro do ser humano é capaz de tudo e quando se sente ameaçado pode reagir e criar outros caminhos para funcionar.
“Ela pode ter desenvolvido a linguagem bilateral, então que pode retirar uma parte e não vai causar sequelas, ou a linguagem pode ter se mudado toda para o outro lado, ou em uma hipótese que vai inviabilizar a cirurgia dela é a linguagem continuar no lado esquerdo, na borda da lesão, ou seja, nesses casos não se pode operar, porque você vai causar uma sequela para a qualidade de vida dela”, explica o médico Paglioli.
“Estou com bastante esperança em relação ao exame. Estou muito ansiosa, espero que resolva a minha vida! Vai resolver, eu tenho fé”, diz Neusa.
A decisão cirúrgica é um processo complexo que envolve psicólogos, médicos, linguistas. Neusa recebe um rápido treinamento. No exame ela vai ver as imagens através de um equipamento acoplado ao aparelho da ressonância. Cada vez que uma figura aparecer, Neusa deverá pensar sobre ela. O pensamento ativa a área da fala e a ressonância consegue captar isso.
As primeiras informações são promissoras: “Nós podemos ver que ela tem atividade de linguagem nos dois lados, isso é até bem comum em mulheres. A doença dela está localizada longe dessa área. Então se ela for realizar a cirurgia não vai comprometer a parte, a área de linguagem dela. Isso nos dá mais segurança ao cirurgião. Eu posso retirar essa área. Há esperança para essa paciente”, afirma Alexandre Franco, engenheiro biomédico da PUC-RS.
Em seguida, Neusa fez a cirurgia. Depois disso, não teve mais nenhuma crise.

sábado, 29 de junho de 2013

ALZHEIMER/TRATAMENTOS - Pesquisa no Canada diz reverter a doença com estimulação cerebral profunda

Doença de Alzheimer revertida pela primeira vez

Investigadores canadianos usaram técnica de estimulação cerebral profunda


A doença de Alzheimer foi revertida pela primeira vez. Uma equipa de investigadores canadenses, da Universidade de Toronto, liderada por Andres Lozano, usou uma técnica de estimulação cerebral profunda, diretamente no cérebro de seis pacientes, conseguindo travar a doença há agora já mais de um ano. O estudo foi publicado na«Annals of Neurology».Foram aplicados pequenos impulsos eléctricos perto do fórnix
(imagem - reprodução de um cérebro humano, com um corte sagital, mostrando as estruturas e denominações anatômicos, para indicar o local do Fórnix onde a estimulação foi feita - *com a cor verde) 

Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer. Nos outros quatro, o processo de deterioração parou por completo.

Nos portadores de Alzheimer, a região do hipocampo é uma das primeiras a encolher. O centro de memória funciona nessa área cerebral, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo. Sendo assim, a degradação do hipocampo revela alguns dos primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.

Imagens cerebrais revelam que o lobo temporal, onde está o hipocampo e o cingulado posterior, usam menos glicose do que o normal, sugerindo que estão desligadas e ambas têm um papel importante na memória.

Para tentar reverter esse quadro degenerativo, Lozano e sua equipa recorreram à estimulação cerebral – enviar impulsos eléctricos para o cérebro através de eletrodos implantados.

O grupo instalou os dispositivos perto do fórnix – um aglomerado de neurônios que enviam sinais para o hipocampo – dos pacientes diagnosticados com Alzheimer há pelo menos um ano. Os investigadores aplicaram pequenos impulsos eléctricos 130 vezes por segundo.

Testes realizados um ano depois mostram que a redução da glicose foi revertida nas seis pessoas. Esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer, uma vez que é a primeira vez que foi revertida.

Os cientistas admitem, no entanto, que a técnica ainda não é conclusiva e que necessita de mais investigação. A equipa vai agora iniciar um novo teste que envolve 50 pessoas.
LEIAM TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - 

MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html