Mostrando postagens com marcador Doença de Parkinson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doença de Parkinson. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ALZHEIMER/PESQUISAS - Parkinson e Alzheimer poderão ser detetados por uma caneta digital

Caneta digital pode ajudar a verificar indícios de doenças cerebrais

Cérebro
(imagem - representação gráfica da matéria de um cérebro, em azul, com neurônios conectando-se com ele)
Atualmente, algumas das ferramentas mais usadas pelos médicos no diagnóstico de transtornos cognitivos ou demências envolvem essencialmente apenas duas coisas: papel e caneta. Esses recursos podem ajudar os profissionais a verificar se há sinais precoces de doenças cerebrais, como Alzheimer e Parkinson, por meio de irregularidades nos desenhos feitos por pacientes.
Testes como a Avaliação Cognitiva Montreal (MoCA) e o Teste do Desenho do Relógio (TDR) são frequentemente utilizados para detectar mudanças cognitivas decorrentes de uma vasta gama de causas. Porém, esses testes possuem suas limitações e dependem do julgamento subjetivo dos médicos, como determinar se o círculo do relógio desenhado pelo paciente tem uma "menor distorção."
Apesar de parecer um pouco arcaico, esse ainda é um dos métodos mais eficientes para tentar detectar previamente doenças desse tipo, uma vez que a maioria delas só permite detectar o comprometimento cognitivo depois que ele começa a afetar a vida das pessoas. 
Teste do Desenho do Relógio (TDR)Teste do Desenho do Relógio (TDR) (imagem - três desenhos com relógios desenhados, à esquerda o considerado de pessoa saudável, no centro de pesso com Alzheimer, e à direita de pessoa com Parkinson)
Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão tentando descobrir uma forma de detectar essas condições cerebrais no início, antes que afetem completamente os pacientes. O modelo preditivo apresentado pelos pesquisadores, juntamente com um hardware, abre a possibilidade de detectar demências mais cedo do que nunca.
Ao usar o software de rastreamento personalizado para monitorar a saída de uma caneta digital, eles podem prever com mais precisão o aparecimento de doenças cerebrais com base não só no que o paciente desenhar, mas na forma como ele desenha. As pessoas saudáveis gastam um pouco mais de tempo pensando do que rabiscando, enquanto pessoas com problemas de memória (como portadores do mal de Alzheimer) gastam muito mais tempo pensando, enquanto os doentes com Parkinson tendem a ter problemas na hora de colocar o desenho no papel. 
Os algoritmos envolvidos nas previsões não estão prontos para serem aplicados fora do campo de testes, mas sugerem um grande avanço nas técnicas de diagnóstico. "O trabalho ainda está num estado relativamente inicial, mas tem potencial não apenas para detectar melhor a doença, mas também para ajudar os médicos a economizarem muito tempo", explicou Phil Cohen, vice-presidente da VoiceBox Technologies, que fez uma extensa pesquisa envolvendo as tecnologias da caneta digital.
Fonte: MIT News  http://canaltech.com.br/noticia/saude/caneta-digital-pode-ajudar-a-verificar-indicios-de-doencas-cerebrais-47423/

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Cientistas brasileiros identificam novo mecanismo do Proteassoma e abrem perspectivas terapêuticas

Estudo sobre degradação de proteínas traz base para pesquisa em Alzheimer

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
(imagem - foto colorida da matéria, com um mão com luva azul, de um pesquisador, introduzindo um tubo de ensaios, da pesquisa que pode trazer novas terapias para doenças neurodegenerativas)

Cientistas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), sediado no Instituto de Química (IQ) da USP, identificaram novo mecanismo de funcionamento do proteassoma e sua relação com a degradação de proteínas oxidadas. Tal conhecimento é importante porque as proteínas, quando oxidadas, se agregam. Estas agregações são, em geral, identificadas em doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e Alzheimer, entre outras. “O proteassoma é também uma proteína, porém com a capacidade de degradar as proteínas oxidadas”, explica a professora Marilene Demasi, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan, que integra a equipe do Redoxoma

O estudo, que é coordenado pela professora Marilene, poderá servir de base a novas pesquisas que visem o desenvolvimento de novas terapias contras estas doenças. A pesquisa foi publicada na edição especial da revista internacional Archives of Biochemistry and Biophysics, na edição de setembro deste ano.
Os experimentos foram realizados nos laboratórios do Redoxoma, no Instituto de Biociências (IB) da USP e no Instituto Butantan. Para identificar os mecanismos do proteassoma e sua ação na degradação das proteínas oxidadas, os cientistas utilizaram uma levedura chamada Saccharomyces cerevisiae. “Trabalhamos com as células da levedura em meios de cultura de glicose e glicerol”, descreve Marilene. “Nos testes realizados com a levedura em glicose, observou-se maior capacidade de degradar as proteínas oxidadas”, descreve a pesquisadora. Ela explica que, neste caso, o maior poder de degradação está numa modificação específica do proteassoma, denominada de glutatiolação. “O 20s-proteassoma quando glutatiolado degrada a proteína oxidada com maior velocidade”, observa a professora.

Estrutura do proteassoma

Os experimentos permitiram aos cientistas conhecer a estrutura modificada do proteassoma. Segundo Marilene, a proteína possui uma estrutura cilíndrica, apresentando um núcleo central dito catalítico e outras duas partes, uma em cada extremidade da forma cilíndrica. A estrutura das extremidades regula a abertura e fechamento da câmara catalítica do proteassoma. Quando aberta, facilita a entrada das proteínas oxidadas. Nos experimentos com a glicose, esta abertura mostrou-se maior, o que coincidiu com o aumento do conteúdo de proteínas oxidadas nas células crescidas em glicose, ou seja, nessa condição a célula está adaptada para remover proteínas oxidadas devido à modificação que o proteassoma sofre abrindo sua câmara catalítica.
O artigo 20S proteasome activity is modified via S-glutathionylation based on intracellular redox status of the yeast Saccharomyces cerevisiae: Implications for the degradation of oxidized proteins, foi veiculado na edição especial de setembro da Archives of Biochemistry and Biophysics – Antioxidants and Redox Processes in Health and Disease – Bilateral Meeting Brazil-Japan, com artigos de revisão e artigos completos de alguns dos trabalhos mais importantes apresentados no congresso bilateral organizado em 2013, na USP.
Além da professora Marilene, assinam o artigo a aluna Erina Ohara, o técnico de laboratório Adrian Hand, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan; Cristiano L.P. Oliveira e Renata N. Bicev, do Instituto de Física (IF) da USP; Clelia A. Bertoncini, da Universidade Federal de São Paulo, e Luis E.S. Netto, professor titular do Instituto de Biociências (IB) da USP, também membro do INCT Redoxoma.
Mais informações: email marimasi@butantan.gov.br
fonte - http://www5.usp.br/67963/estudo-sobre-degradacao-de-proteinas-pode-ser-base-para-tratar-doencas-degenerativas/

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MACONHA/MEDICINA - Pesquisa da USP revela que CANABIDIOL é eficaz no Parkinson

Novo tratamento é eficaz em pacientes de Parkinson



imagem - foto colorida da matéria com uma pessoa entrando de cadeira de rodas com uma porta aberta à sua frente, como representação da possibilidade do uso de canabidiol ser uma possibilidade de melhora de sua qualidade de vida.


Pela primeira vez em humanos, estudo com canabidiol (CDB) mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com Doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”.

O professor Crippa explica que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e o movimento, por exemplo. “Essa pode ser a causa de efeitos colaterais como alucinações, náuseas, delírios e de uma outra complicação motora chamada discinesia tardia, entre outras”.

Para o professor, o CDB provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraída a substância canabidiol. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”, diz.

Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

O estudo

Durante seis semanas, 21 pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson, sem demência ou problemas psiquiátricos, participaram do estudo. Os pacientes foram divididos em três grupos, um recebeu placebo, ou seja, somente com o óleo de milho, outro recebeu o CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho e o terceiro o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho.  O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pacientes nem os profissionais que os acompanharam sabiam a que grupo cada sujeito pertencia.

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. A droga dissolvida em óleo de milho foi colocada em cápsulas de gelatina, que foram armazenadas em frascos de vidro escuro. “As cápsulas somente com óleo de milho e com CDB foram fornecidas em cápsulas idênticas”, afirmam os pesquisadores.

Todos os pacientes participantes do estudo foram avaliados quanto aos sintomas motores e não motores da doença, por meio de instrumentos que inclui o Parkinson Disease Questionnaire–39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do paciente com Parkinson, segundo os pesquisadores. “Dentre os sintomas motores, podemos citar os tremores, sendo que entre os não motores estão, por exemplo, a apatia e a depressão, sintomas comuns em quem tem Parkinson”, relata o professor Crippa.

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foi relatada percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “E esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores. E foram significantes para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia”, comemora o professor.

Os resultados acabam de ser publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia. Além do professor Crippa, também participaram do estudo os pesquisadores Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da FMRP, e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
fonte - http://www.usp.br/agen/?p=190102
Mais informações:  (16) 3602.2201 – e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

sexta-feira, 18 de julho de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Cientistas precisam de doação de cérebros para manter estudos científicos

Cientistas ficam sem cérebros para pesquisas sobre Alzheimer

Cientistas estão precisando de mais tecido cerebral, que permite estudar melhor algumas doenças mentais

Kristen Hallam, da 
Mulher olha um cérebro em uma exposição em Briston, na Inglaterra
(imagem - a foto colorida de um cérebro humano dentro de uma visão lateral que tem um desenho como fundo de um crâneo, tendo atrás dessa representação, uma pessoa, uma mulher, com as duas mãos como se fosse segurar esse cérebro, e examiná-lo. fotografia da matéria da Exame)

Londres - Os cientistas têm pouco cérebro.
Não que eles não sejam inteligentes. É que eles precisam de mais tecido cerebral, que permite estudar e entender melhor -- e talvez algum dia tratar -- doenças mentais, assim como lesões na cabeça.
À medida que os diagnósticos de demência aumentam, que mais atletas sofrem concussões e que mais soldados retornam das guerras com lesões, a pressão para encontrar tratamentos adquiriu uma nova urgência.
A demanda dos pesquisadores por tecidos cerebrais está aumentando e os bancos de cérebros estão trabalhando para incentivar as doações.
Embora seja mais fácil convencer os doadores que têm doenças neurológicas e que querem ajudar a encontrar curas, seus cérebros precisam ser comparados em estudos com os de pessoas saudáveis -- e os bancos precisam de mais exemplares dos dois tipos.
Nunca é o suficiente”, disse Thor Stein, professor assistente da Universidade de Boston que estuda o mal de Alzheimer e encefalopatia traumática crônica, conhecida por afetar boxeadores e outros com repetidos traumas cerebrais.
Em termos de oferta de cérebros estamos sempre no vermelho”.
Estudando células cerebrais os cientistas descobriram deficiências na dopamina química no cérebro de pacientes com Parkinson, o que levou a uma terapia que amplia os níveis e melhora o controle motor.
Foi assim também que eles descobriram as placas cerebrais em portadores de Alzheimer, que agora são foco do desenvolvimento de medicamentos.
Os médicos estão reunidos nesta semana em Copenhague para discutir a pesquisa mais recente sobre a doença que rouba a memória.
“Examinar os cérebros de pessoas com uma doença é como examinar a cena de um crime”, disse David Dexter, diretor científico do Banco de Cérebros de Parkinson do Imperial College de Londres no Reino Unido.
“Sem banco de cérebros não vamos curar o Alzheimer nem o Parkinson”.
Escassez de cérebro
No Reino Unido, apenas 730 britânicos doaram seus cérebros para pesquisa no ano passado. A base potencial era muito maior: cerca de 60.000 mortes foram diretamente relacionadas à demência a cada ano no Reino Unido.
Não há estatísticas sobre as doações de cérebros nos EUA, embora os pesquisadores digam que o número está muito aquém do total necessário para acompanhar a demanda.
Existe uma relutância em se desprender de um órgão que sempre foi visto como a morada da alma.
O Departamento de Defesa dos EUA criou um banco de cérebros no ano passado para ajudar os pesquisadores a explorarem as lesões dos soldados após seu retorno ao país.
Meses depois, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA estabeleceu uma rede de compartilhamento de tecidos para acelerar a pesquisa sobre esquizofrenia e esclerose múltipla.
Uma doação pode render até 250 blocos de tecidos para uso em projetos de pesquisa, segundo o banco de Parkinson do Reino Unido.
O principal problema para os bancos de cérebros é a falta de doações de exemplares sem sinais de doenças. Apenas 10 por cento das doações vêm de pessoas saudáveis.
Todos os bancos de cérebros que eu conheço enfrentam problemas de escassez de cérebros saudáveis”, disse Daniel Perl, que gerencia o Banco de Cérebros do Departamento de Defesa. Dexter é mais direto: “Esses 10 por cento estão realmente sustentando as pesquisas”.
Em alguns casos há preocupações religiosas, desencadeadas pela crença de que o corpo de uma pessoa precisa permanecer intacto após a morte para garantir a vida após a morte.
Há um tipo diferente de pós-vida para os doadores, disse Steve Gentleman, professor de neuropatologias do Imperial College que trabalha com Dexter no banco de cérebros de mal de Parkinson. “Se você doa, você vive para sempre”, disse ele.
fonte - http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/cientistas-ficam-sem-cerebros-para-pesquisas-sobre-alzheimer
LEIAM TAMBÉM NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET - 

MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PARKINSON/AVANÇOS- Muitas conquistas em muitos caminhos para a luta contra a doença no seu dia mundial

A luta contra o Parkinson
No Dia Mundial da Doença de Parkinson, a CH On-line apresenta alguns avanços recentes nos estudos e tratamentos da enfermidade, que ainda não tem causa nem cura conhecidas.
 Déborah Araujo
Neuroestimulador usado no DBS
(imagem - reprodução em azul com um homem que tem o aparelho de estimulação implantado que é descrito como: Implantado sob a pele do peito do paciente, o neuroestimulador usado no DBS é um dispositivo parecido com o marca-passo. Ele envia estímulos elétricos por meio de eletrodos colocados em áreas específicas do cérebro, ajudando o parkinsoniano a controlar seus movimentos. (imagem: Medtronic Brasil)
Hoje, 11 de abril, é o Dia Mundial da Doença de Parkinson. A data faz referência ao nascimento de James Parkinson, médico inglês que descreveu a enfermidade em 1817. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 a 2% da população acima dos 65 anos sofre com a doença em todo o planeta. No Brasil, as estatísticas sobem para 3,3% entre pessoas com mais de 70 anos.
A medicina ainda desconhece a causa da doença. Ela pode se desenvolver, a princípio, em qualquer pessoa, mesmo sem histórico de Parkinson na família. O que os especialistas sabem é que ela ataca os neurônios no sistema nervoso, especialmente os que estão localizados em uma região profunda do encéfalo chamada substância negra.
“Essa região abriga a maior parte dos neurônios que produzem dopamina, o neurotransmissor mais afetado pela doença, utilizado pelos neurônios para comunicar-se entre si e, assim, realizar o controle dos movimentos”, explica o neurocirurgião Erich Fonoff, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP). “Por isso o parkinsoniano tem tanta dificuldade de movimentar-se.”
Além da dificuldade motora, Fonoff acrescenta que o Parkinson também pode envolver outros sintomas, como dor crônica nos membros, alterações de equilíbrio e no olfato, prisão de ventre, hipersalivação, depressão e alterações de sono.
A doença ainda não tem cura, mas há tratamentos direcionados à maior coordenação dos movimentos e, consequentemente, à melhora da qualidade de vida do paciente.

Ampliando o alvo
Dentre as terapias usadas hoje no tratamento do Parkinson está a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês), que consiste na administração de corrente elétrica controlada para melhorar o controle dos movimentos do corpo.
A DBS – iniciada no fim da década de 1980 – tem sido usada atualmente como um recurso adicional para pacientes de doença de Parkinson em estágio avançado, ou seja, com complicações motoras incapacitantes. Pesquisa recente comprovou, no entanto, que a terapia também pode trazer benefícios para parkinsonianos em estágio intermediário.
EarlyStim é o primeiro grande estudo multicêntrico a enfocar pacientes em fase intermediária da doença. Envolveu 251 participantes em 17 instituições na Alemanha e na França, entre 2006 e 2012. “Os resultados mostram que o tratamento traz melhoras para o paciente em relação à qualidade de vida, aos sinais motores, ao humor, ao seu ajustamento psicossocial e às atividades da vida diária”, afirma o neurologista Michael Schüpbach, do Hospital Universitário Pitié-Salpêtrière, uma das instituições francesas que participaram da pesquisa.
Schüpbach explica que a DBS era recomendada só em último caso por ser invasiva: requer a implantação cirúrgica de um neuroestimulador sob a pele do peito do paciente. Esse dispositivo envia estímulos elétricos ao cérebro por meio de eletrodos também inseridos cirurgicamente sob a pele, em áreas específicas do órgão.
De acordo com Juan Carlos Varela, gerente no Brasil de uma das unidades da Medtronic – empresa que produz o neuroestimulador –, a recuperação do paciente é, em geral, rápida e o procedimento é reversível, ou seja, o dispositivo pode ser removido em caso de complicações. Uma vez dentro do paciente, o neuroestimulador pode ser programado e ajustado de forma não invasiva por um neurologista treinado, a fim de maximizar o controle dos sintomas e minimizar os efeitos colaterais.
Isto leva a outra desvantagem do DBS: o alto custo. Além dos gastos com o próprio dispositivo e a cirurgia, esse tratamento requer o acompanhamento de especialistas, entre outros recursos, para sua manutenção.
De acordo com o neurocirurgião Erich Fonoff, a estimulação cerebral profunda, aplicada no alvo corretamente escolhido, induz modificações nas oscilações cerebrais ocasionadas pela perda dos neurônios que produzem dopamina, ajudando o parkinsoniano a controlar seus movimentos e recuperar a autonomia.

Esforços brasileiros

Em estudo colaborativo envolvendo o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e o Hospital Sírio Libanês de São Paulo, parkinsonianos com indicação estrita de implante de DBS serão tratados comparativamente utilizando-se dois alvos diferentes, que até o momento a literatura médica sugere serem equivalentes.
Esses pacientes serão avaliados em termos de desempenho motor, eventuais mudanças de peso corporal, dosagens de neurotransmissores e seus efeitos sobre os sintomas motores e não motores da doença. “Esse estudo é muito importante para o Brasil, pois vai beneficiar muitos pacientes e produzir conhecimento de ponta partindo de instituições brasileiras”, afirma Fonoff.
Entre as iniciativas brasileiras recentes na área, destaca-se também um projeto de pesquisa que pretende ampliar a compreensão sobre a doença de Parkinson com a ajuda de um sensor em forma de caneta. O estudo, que já está em fase final, é coordenado pela otorrinolaringologista Silke Weber, do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Com a ajuda do equipamento – denominado caneta biométrica BiSP –, o projeto se propõe a examinar periodicamente as minúcias de movimentos manuais voluntários de pacientes parkinsonianos, acompanhar a evolução da execução dos movimentos e as respostas aos tratamentos usados, assim comcomparar esses dados com os de pessoas saudáveis. De acordo com Weber, a precisão dos testes realizados com ajuda da caneta tem atingido índices de até 99% de acerto.
No que tange aos tratamentos com fármacos, o Brasil começou a produzir, no início deste ano, medicamento já usado no combate ao Parkinson à base de dicloridrato de pramipexol. Essa substância tem composição molecular e função semelhantes às da dopamina. “A molécula do remédio tem efeito semelhante ao da molécula do neurotransmissor na comunicação entre os neurônios que controlam os movimentos”, explica o neurocirurgião Erich Fonoff
A produção do medicamento no Brasil é fruto de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Farmanguinhos/Fiocruz) e o laboratório alemão Boehringer Ingelheim. A previsão é que, em 2018, a demanda nacional do pramipexol seja totalmente atendida pela unidade da Fiocruz e distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que, além de ser boa notícia para a saúde, também trará benefícios econômicos para o país. 
VEJA O VÍDEO SOBRE O MEDICAMENTO PRODUZIDO PELA FIOCRUZ - NO LINK DA MATÉRIAhttp://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/04/a-luta-contra-o-parkinson