quarta-feira, 5 de março de 2014

CÂNCER/BIOMEDICINA - Óculos permitem 'ver' e localizar as células cancerígenas em azul

ÓCULOS DE ALTA TECNOLOGIA PERMITEM QUE OS CIRURGIÕES 'VEJAM' O CÂNCER

Óculos  permitem ver o câncer
(imagem - foto colorida de um médico(a) com uma câmera do lado esquerdo do seu rosto, conectada a um óculos de cor branca, que é o invento criado para tornar as cirurgias de câncer mais precisas, uma esperança para o futuro da oncologia, fotografia da matéria CanalTech )

Um novo dispositivo desenvolvido por uma empresa dos Estados Unidos promete dar aos cirurgiões a capacidade de localizar, com mais facilidade, as células cancerosas durante a cirurgia, tornando as operações mais curtas, precisas e eficientes. De acordo com o Natural News, os óculos foram desenvolvidos na Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, e permitem que os médicos enxerguem as células cancerígenas em tons de azul.
A cirurgiã Julie Margenthaler, da Universidade de Washington, disse que os pesquisadores estão “nos estágios iniciais dessa tecnologia, e mais desenvolvimento e testes serão feitos, mas estamos certamente entusiasmados com os benefícios potenciais para os pacientes”. “Imagine o que significaria se esses óculos eliminassem a necessidade de cirurgia acompanhada e a dor associada, transtorno e ansiedade”, acrescentou.

De acordo com os padrões atuais de cuidados, o cirurgião precisa remover os tumores cancerosos, bem como parte dos tecidos circundantes, que podem ou não conter células cancerosas. Margenthaler afirma que cerca de 20% a 25% das pacientes com câncer de mama precisam ser submetidas a uma segunda cirurgia justamente por causa de tecidos cancerígenos restantes, mesmo com o procedimento de remoção de tecidos ao redor dos tumores e demais áreas afetadas.

“Nossa esperança é que esta nova tecnologia possa reduzir ou, idealmente, eliminar a necessidade de uma segunda cirurgia”, afirma Margenthaler. Os óculos funcionam em conjunto com uma tecnologia de vídeo personalizada, em que um display montado sobre a cabeça do médico se combina com um agente molecular – chamado “indocianina verde” –, que se liga às células cancerosas.

Em estudo publicado no Journal of Biomedical Optics, os cientistas escreveram que mesmo os tumores muito pequenos, de um milímetro de diâmetro, poderiam ser detectados usando os novos óculos. Atualmente, a universidade está tentando a aprovação da tecnologia no Food and Drug Administration – órgão dos Estados Unidos similar à Anvisa do Brasil. A aprovação da entidade é, principalmente, para o uso de um novo agente molecular que, além de se ligar especificamente às células cancerosas, permanece com essa ligação por mais tempo.

A tecnologia foi desenvolvida por uma equipe liderada por Samuel Achilefu, professor de radiologia e engenharia biomédica na Universidade de Washington. Um teste deve ser feito ainda no final deste mês, durante a operação para remover um melanoma de um paciente. Ainda há a possibilidade de adaptar o sistema para visualizar qualquer tipo de câncer.

“A limitação da cirurgia [convencional] é que [o câncer] nem sempre é claro a olho nu, a distinção entre o tecido normal e tecido canceroso é difícil”, diz Ryan Fields, professor assistente da Universidade de Washington e cirurgião no Siteman Cancer Center. “Com os óculos desenvolvidos pelo Dr. Achilefu, podemos identificar melhor o tecido que tem de ser removido”. “Esta tecnologia tem um grande potencial para os pacientes e profissionais de saúde. Nosso objetivo é ter certeza de que nenhum caso de câncer seja deixado para trás”.
Matéria completa da FONTE: http://canaltech.com.br/noticia/ciencia/Oculos-de-alta-tecnologia-permitem-que-os-cirurgioes-possam-ver-o-cancer/#ixzz2v7QGHCdQ 


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segunda-feira, 3 de março de 2014

DOR/TRATAMENTOS - Homem com antebraço amputado melhora dores com realidade virtual

Realidade virtual ajuda a diminuir a dor de homem que ficou sem antebraço

Homem sem antebraço há 48 anos sentia dor constante que, com frequência, era muito intensa. Tratamento inovador que usa jogo de computador aplacou dor no braço-fantasma.

(imagem - foto colorida de um homem sentado à frente de uma tela de computador, com fios ligados ao coto do seu antebraço direito, com uma imagem sua projetada por essa realidade virtual com o braço inteiro na tela,  o paciente vê o seu corpo inteiro, com o antebraço virtual que é controlado pelos seus músculos ORTIZ-CATALAN ET AL) 

Um homem de 72 anos que perdeu o antebraço direito em 1965, e, desde aí, sente diariamente dor no braço-fantasma, voltou a ter momentos sem dor depois de “usar” o seu membro perdido num jogo de computador. O caso vem descrito num artigo publicado agora na Frontiers in Neuroscience, uma revista online de acesso livre.

“Estes períodos sem dor são uma coisa quase nova para mim, é uma sensação extremamente agradável”, diz o paciente, citado no artigo da revista.

É relativamente normal às pessoas a quem foi amputado um membro continuarem a senti-lo como se ele estivesse lá. Infelizmente, 70% das pessoas sentem dores no membro-fantasma.
No caso deste homem de 72 anos, que foi submetido a um tratamento inovador na Universidade de Tecnologia de Chalmers, em Gotemburgo, na Suécia, num trabalho liderado pelo investigador Max Ortiz-Catalan, a dor que sentia no antebraço-fantasma, nos últimos 48 anos, era constante. Apesar de usar normalmente um braço artificial, durante a maior parte do tempo tinha uma dor moderada e várias vezes por dia a dor tornava-se insuportável. Além disso, era comum acordar à noite com estas dores.

Não se sabe muito bem quais as causas da sensação dolorosa, mas existem vários tratamentos para tentar aplacá-la: desde medicação até à acupunctura ou hipnose. Há ainda a técnica do espelho, em que se tenta enganar o cérebro das pessoas. Neste caso, o paciente tem de fazer movimentos com o membro intacto e, ao mesmo tempo, tenta fazer os mesmos movimentos com o membro amputado. Mas estes exercícios são feitos em frente a um espelho que reflecte os movimentos e faz com que a pessoa só veja o membro saudável a mover-se. Este truque dá ao paciente a ilusão de que o membro amputado está a movimentar-se normalmente. No caso do homem de 72 anos, todos os tratamentos falharam, até agora.

O método usado na universidade sueca é um salto em relação à técnica do espelho. A equipa de Max Ortiz-Catalan colocou eléctrodos no braço amputado do homem que transmitem um sinal vindo dos músculos. Estes eléctrodos estão ligados a um programa informático. Os sinais musculares são traduzidos para os movimentos de um antebraço e mão virtuais por um sistema de algoritmos.

O paciente fez vários exercícios de controlo do braço virtual e guiou carros num jogo de corridas. Estes movimentos eram controlados pelos músculos do braço amputado. O paciente, que era ao mesmo tempo filmado, via-se num ecrã a fazer aqueles movimentos com um antebraço e mãos virtuais, num sistema de realidade aumentada.

Os nossos métodos são diferentes dos tratamentos anteriores, porque os sinais que controlam [o braço virtual] são aproveitados a partir do coto do braço”, explica Max Ortiz-Catalan, num comunicado. As sessões de dez minutos de exercícios prolongaram-se durante 18 semanas. Gradualmente, o homem foi sentindo uma dor cada vez mais leve no braço-fantasma. A partir das últimas semanas, a seguir às sessões, o paciente tinha pequenos períodos de tempo sem dor nenhuma.

“Há várias características deste sistema que combinadas podem causar o alívio da dor”, considera Max Ortiz-Cataln. “As áreas motoras do cérebro necessárias para o movimento do braço amputado são reativadas, e o paciente obtém o retorno visual que faz com que o cérebro acredite que existe um braço a executar aqueles comandos motores. O paciente experiencia-se como um todo, com o braço amputado de volta ao seu sítio.

Do punho fechado à mão aberta
Há outras conquistas feitas pelo homem de 72 anos. Durante 48 anos, o paciente continuou a sentir a mão-fantasma, mas sentia a mão fechada com muita força. Depois de seis sessões, a sensação do punho fechado evoluiu para uma mão meio aberta que coincidia com a posição relaxada e neutral da mão virtual que via no ecrã do computador. “Esta é agora a percepção permanente da posição da mão- fantasma que é muito apreciada pelo paciente”, lê-se no artigo.

Antes de iniciar as sessões de tratamento, o paciente sentia ainda que a mão-fantasma estava situada logo a seguir ao coto e não na posição normal, depois do pulso. Mas, quando começou a fazer as sessões virtuais, o homem passou a sentir a posição da mão-fantasma no local correto. Além disso, aprendeu a mover o braço virtual e consegue agora "mexer" cada um dos dedos da mão-fantasma.

A equipa não sabe quais serão os efeitos a longo prazo deste tratamento: se a diminuição da dor se mantém depois de as sessões terminarem. Por isso, decidiram manter os exercícios com este paciente. Uma alternativa é o programa virtual ser instalado na casa do homem. Está ainda em curso um programa que reúne hospitais suecos e clínicas de outros países europeus para aplicarem a técnica a outras pessoas que estão na mesma situação.

A razão de a dor ser suprimida permanece uma incógnita – pode ser causada pela nova atividade dos músculos do braço amputado durante os exercícios ou pode estar ligada ao cérebro acreditar que, afinal, o braço e a mão existem, estão ali e funcionam. De qualquer forma, para os autores, este tratamento poderá ser aplicado a outro tipo de pacientes que “necessitam de reabilitação neuromuscular no caso dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) e de lesões parciais da medula espinal”, explica-se no artigo. A única condição necessária é que ainda haja sinais eléctricos dos músculos que possam ser lidos pelos elétrodos.

Quanto ao homem de 72 anos, as mudanças que ocorreram graças a este tratamento experimental são notadas pela família, diz a mulher, citada no artigo: “O meu marido pode viver mais dez anos do que eu esperava, agora que a dor tem um papel menos importante na sua vida, e os que estão próximos dele vêem isso."

fonte - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/realidade-virtual-ajuda-a-diminuir-a-dor-de-homem-que-ficou-sem-antebraco-1626289
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O APRENDIZADO DA DOR - o alívio da dor é um direito humano? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/imagem-publicada-foto-de-uma-mulher.html

BIOÉTICA/REPRODUÇÃO HUMANA - Inglaterra propõe uso de óvulos de três pessoas (eugenia?)

Grã-Bretanha regulamenta geração de bebês de 'três pais' 

A geração de bebês usando espermatozoides e óvulos de três pessoas será regulamentada na Grã-Bretanha
(imagem - foto colorida com mãos vestindo luvas e manipulando material ligado a esta técnica que propõem uso de espermatozóides e óvulos dos pais, além de um terceiro óvulo, BBC)

A proposta de regras para esse tipo de reprodução - que usa espermatozoide e óvulos dos pais, além de óvulo adicional de uma doadora - será analisada como parte de uma consulta pública e poderá entrar em vigor no final de 2014.
Médicos afirmam que a fertilização in vitro usando material genético de três pessoas pode eliminar doenças debilitantes ou fatais passadas da mãe para os filhos.
Mas críticos afirmam que o procedimento não é ético e poderá abrir caminho para que a Grã-Bretanha comece a usar técnicas para "projetar crianças".
A Secretaria da Saúde britânica (equivalente ao Ministério da Saúde no Brasil) já afirmou que apoia o uso da técnica e acrescentou que a consulta pública não vai colocar em debate se a técnica poderá ser usada, mas sim como ela será implementada.
O órgão regulatório desses procedimento no país, a Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia, terá que decidir caso a caso se existe um "risco significativo" de a criança nascer com alguma deficiência ou doença para justificar o uso da técnica.

Mitocôndria

O uso do espermatozoide e dos óvulos dos pais, mais um óvulo adicional de uma doadora, pode evitar doenças e problemas herdados pela mitocôndria.
A mitocôndria pode ser encontrada em quase todas as células humanas, provendo a energia que essas células precisam para funcionar.
As doenças passadas de mãe para filho através da mitocôndria são conhecidas como distúrbios mitocondriais. Tais doenças afetam uma em cada 6,5 mil crianças britânicas e podem causar incapacidade muscular, cegueira, insuficiência cardíaca e até a morte.
Para evitar essas doenças, é possível usar um óvulo extra de uma doadora, que poderia proporcionar à criança uma mitocôndria saudável.
Mas isso também pode resultar em bebês com DNA dos dois pais e uma quantidade minúscula de material genético da doadora, pois a mitocôndria tem seu próprio DNA.

Técnicas

Existem duas técnicas para criar embriões a partir de três doadores.
Uma delas consiste em tirar o núcleo do óvulo da mãe e inseri-lo em um óvulo de uma doadora que possui mitocôndrias saudáveis e que teve seu núcleo previamente removido. Esse novo óvulo poderá, então, ser fertilizado com o espermatozoide do pai.
A outra forma é fertilizar dois óvulos com o espermatozoide, criando o embrião dos pais e outro dos doadores. Os núcleos, contendo a informação genética, são removidos dos dois embriões, mas apenas o núcleo do embrião dos pais é conservado.
Esse núcleo é implantado no embrião dos doadores, com a mitocôndria saudável, e este embrião é implantado no útero da mãe.

Doação de órgãos

A Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia acredita que apenas as mulheres que sejam portadoras de problemas graves obterão a autorização para este tratamento - ou seja, é possível que o método seja aplicado em apenas dez casos por ano.
E a regulamentação britânica também sugere que a mulher doadora dos óvulos seja tratada da mesma forma que um doador de órgãos.
As crianças que venham a nascer a partir deste processo não saberão a identidade da doadora, o que também é o procedimento para os outros doadores de espermatozoides e óvulos.
"Permitir a doação mitocondrial dará às mulheres que têm (alguma) doença mitocondrial grave a oportunidade de ter filhos sem passar para eles problemas genéticos devastadores", disse Sally Davies, a médica-chefe da Secretaria da Saúde. "Também vai manter a Grã-Bretanha na vanguarda do desenvolvimento científico na área"
David King, diretor do grupo de fiscalização independente Juman Genetis Alert, afirmou que essa foi uma decisão de grande "significado histórico", mas que não foi debatida de forma adequada e tem implicações "antiéticas".
"Se (a medida) for aprovada, será a primeira vez que qualquer governo legaliza a modificação do genoma humano que pode ser herdado, algo que é proibido em todos os outros países europeus. As técnicas não passaram pelos testes de segurança necessários, então é desnecessário e prematuro apressar a legalização", afirmou.
FONTE - BBC http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140227_gra_bretanha_bebes_tres_pais_fn.shtml
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EUGENIA – Como realizar a castração e esterilização de mulheres e homens com deficiência? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/01/eugenia-como-realizar-castracao-e.html

domingo, 2 de março de 2014

GENÉTICA/AVANÇOS - Estudo pioneiro de biologia molecular faz mapeamento do RNA

Cores da vida: método mapeia a atividade do RNA dentro das células

Pesquisadores desenvolveram um método capaz de fotografar cadeias de RNA e obter informações sobre a expressão dos genes nas células. Na imagem acima, cadeias de RNA coloridas com marcadores fluorescentes. Crédito: HMS e Wyss Institute
(imagem - foto colorida dos mapas tridimensionais, como as cores, obtidos pelas fotografias que mostram o RNA sendo mapeado pelo novo método)
Um novo método permite aos cientistas obter fotografias instantâneas da expressão de milhares de genes em amostras de tecidos biológicos diversos. Assim, uma simples lâmina de microscópio pode ser utilizada na criação de mapas tridimensionais (como o visto na imagem de destaque acima) das maneiras como as células interagem umas com as outras, fatores de fundamental importância para a compreensão de doenças como o câncer (cancro).
Detalhada na Science em 27 de fevereiro, a técnica possui outras aplicações. Por exemplo, pesquisadores podem dotar células cerebrais de “códigos de barra” moleculares únicos, possibilitando o mapeamento das conexões cerebrais estabelecidas entre tais células.
Os especialistas em biologia molecular têm dificuldades de observar a configuração espacial da expressão gênica, processo através do qual um trecho de DNA é convertido em RNA que, por sua vez, pode ser traduzido em proteínas. Para realizar os estudos pertinentes à área, os cientistas normalmente empregam duas metodologias: a primeira consiste em triturar um pedaço de tecido e documentar todos os RNAs encontrados ali; a segunda, em aplicar marcadores fluorescentes para traçar a expressão de até 30 RNAs localizados dentro de cada célula de um tecido amostral.
Matrix
A nova técnica “fossiliza” o RNA na célula e o sequencia. Para que isto ocorra, a equipe de cientistas prende uma lâmina de tecido em uma superfície e retira as membranas celulares, mantendo intactos a estrutura da célula, o RNA e as proteínas. Em seguida, compostos químicos promovem a transcrição reversa de cada segmento de RNA, i.e., sintetizam fragmentos circulares de DNA de uma única cadeia molecular (ao contrário do famoso formato de dupla hélice da molécula) a partir destes segmentos de RNA.
Após a adição de outras substâncias, são formadas centenas de cópias de cada círculo de DNA que, quando se agrupam, recebem o nome de nanobolas (nanoballs), estruturas que também se unem quimicamente na formação de uma matriz transparente que se aproxima do exato desenho original da célula. Então, as nanobolas são analisadas pelo programa de sequenciamento SOLiD (Sequenciamento pela Ligação e Detecção de Oligonucleotídeos), método que emprega imagens digitais na captura das cores e localizações de marcadores fluorescentes inseridos no DNA.
Funciona como um endereço postal: se os correios quisessem identificar cada residência com uma cor fluorescente, rapidamente ficariam sem cores suficientes. O mesmo ocorreria com um fabricante que desejasse identificar cada um dos seus produtos com uma cor. O grande diferencial da inserção de marcadores fluorescentes na nova técnica é o de estes não aderirem a moléculas inteiras (o que geraria um enorme número de moléculas de mesma coloração), mas procurarem cada uma das quatro bases — A, T, C e G — do DNA. A sequência de cores é, então, interpretada pelo programa como um RNA específico, o que fornece aos pesquisadores um número praticamente ilimitado de combinações ou “códigos de barra”.
O estudo pioneiro de desenvolvimento da técnica foi realizado pelo biólogo molecular George Church, da Harvard Medical School, e seus colegas de Harvard e do Allen Institute for Brain Science. Os pesquisadores removeram uma camada de células de tecido conjuntivo (ou conectivo) cultivadas em laboratório e sequenciaram o RNA das células que se dirigiam ao ferimento no processo de reparação do tecido. Dos 6.880 genes sequenciados, 12 demonstraram alterações na sua expressão gênica. Por fim, oito dos genes identificados eram conhecidos por sua participação na migração das células, mas ainda não haviam sido estudados no âmbito da cura de ferimentos.
Robert Singer, biólogo da Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, não esteve envolvido no trabalho, mas confirmou que a técnica analisa produtos da expressão gênica de forma muito veloz, opondo-a aos métodos convencionais que requerem a observação dos produtos “um por um”.
Je Hyuk Lee, colega de Church, indica que as aplicações do procedimento devem ir além da identificação de padrões de expressão. A tecnologia mais avançada que conhecemos para rotular e mapear neurônios, a Brainbow, se limita a 100 tonalidades simultâneas. Agora, é possível criar um trilhão (um bilião, em português europeu) de códigos de barra moleculares a partir de curtas cadeias de RNA, diz Lee, para quem a técnica lembra uma cena do filme “Matrix”, na qual o personagem Neo vê o código binário que gera todo o ambiente da Matrix.
A imagem de destaque utilizada neste artigo é propriedade da Harvard Medical School e do Wyss Institute of Biologically Inspired Engineering.
Fontes: NatureHMS http://www.techenet.com/2014/03/cores-da-vida-metodo-mapeia-a-atividade-do-rna-dentro-das-celulas/

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

RACISMO/LEGISLAÇÃO - Nova lei Anti racismos mais severa é proposta na Câmara Federal

Casos recentes de racismo levam a defesa de lei mais severa para punir preconceito

Projeto que revoga a atual Lei Antirracismo para estabelecer regras mais duras está pronto para votação no Plenário da Câmara dos Deputados

Ator negro permanece preso por duas semanas no Rio de Janeiro após ser acusado erroneamente de roubo. Manicure negra em Brasília é ofendida por cliente que se recusa a ser atendida por ela. Cobradora de ônibus negra é xingada na capital federal. São casos recentes de racismo que viraram manchete e reacenderam a discussão sobre a legislação brasileira a respeito do tema.
Há 25 anos, o País definiu o crime de racismo, indicado na Constituição, como inafiançável e imprescritível (Lei 7.716/89). Ao longo dos anos, a norma passou por modificações, ampliando as possibilidades de enquadramento na prática criminosa, caracterizada, por exemplo, pelo impedimento de acesso de alguém a algum serviço ou estabelecimento ou, ainda, pela incitação à discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Na Câmara dos Deputados, está pronta para votação em Plenário proposta que pretende instituir uma nova lei contra o racismo e outros casos de preconceito, mais severa (PL6418/05 e apensados). Pelo relatório do deputado Henrique Afonso (PV-AC) aprovado em dezembro de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, ficaria revogado também artigo do Código Penal sobre injúria racial, cuja prática, diferentemente do crime de racismo, não é inafiançável e imprescritível.
A ideia é que tanto a injúria quanto a apologia ao racismo passem a ser enquadradas como discriminação resultante de preconceito de raça, cor, religião, sexo, aparência, condição social, descendência, origem nacional ou étnica, idade ou condição de pessoa com deficiência. A pena é de reclusão de um a três anos, passível de acréscimo de um terço.
Para Henrique Afonso, a lei atual não atingiu a eficácia esperada. Opinião compartilhada pelo presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous. "A lei atual foi uma grande conquista na época em que foi editada. Pela primeira vez, aprovou-se uma lei que reprovava a prática de atos racistas. Infelizmente, as manifestações de racismo – inclusive manifestações acirradas – recrudesceram ao longo desses anos ao invés de diminuírem. De forma que a constatação é de que a lei não atende mais aos reclamos de uma reprimenda mais forte a manifestações racistas", ressalta.
Postura firme
O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, deputado Luiz Alberto (PT-BA), não vê, contudo, necessidade de mudança da lei, mas, sim, de postura nas instituições brasileiras. "Esse conjunto de eventos que vem ocorrendo no Brasil demonstra que a legislação só precisa ser aplicada conforme foi aprovada. Por exemplo: para um preso em flagrante delito por crime de racismo, não cabe fiança. É imprescritível. É inafiançável. Mas o juiz trata de outra maneira, concede fiança, abre outro tipo de ação penal. Portanto, destoa do objetivo da legislação atual."
Luiz Alberto argumenta que o sistema racial brasileiro é de tal forma complexo que o próprio Estado, muitas vezes, estimula práticas racistas, ao invés de coibi-las.

Íntegra da proposta:

  • PL-6418/2005  (Reportagem – Ana Raquel Macedo   Edição – Marcos Rossi)
  • FONTE - http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/463024-CASOS-RECENTES-DE-RACISMO-LEVAM-A-DEFESA-DE-LEI-MAIS-SEVERA-PARA-PUNIR-PRECONCEITO.html?utm_campaign=boletim&utm_source=agencia&utm_medium=email
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    RAÇA, RACISMO E IDEOLOGIA: ZUMBI ERA UM VÂNDALO, UM BLACK O QUÊ? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/11/raca-racismo-e-ideologia-zumbi-era-um.html

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

AUTISMOS/PESQUISAS- Cientistas descobrem mecanismo genético que causa a SÍNDROME DO X-FRÁGIL

Descoberto “gatilho” da forma mais comum de atraso mental e autismo

É uma interação anômala e totalmente inédita entre dois tipos de material genético que provoca a síndrome do X frágil. E essa interação talvez possa um dia vir a ser travada com medicamentos.
(imagem - foto colorida de um jovem, um menino, com a mão cobrindo o rosto, com uma parte de uma roda de cadeira de rodas à direita, e uma moça lendo ao fundo, desfocada, fotografia da matéria, com a legenda: A síndrome do X frágil é uma doença genética que afeta cerca de um rapaz em 4000 JIM YOUNG/REUTERS)

Cientistas nos EUA descobriram o mecanismo que, nas primeiras fases do desenvolvimento fetal humano, provoca a síndrome do X frágil ao “desligar” um único gene. Os seus resultados, que também mostram que é possível travar esse “silenciamento” genético in vitro com um composto químico – o que, segundo eles, poderá abrir a via ao tratamento desta e de outras doenças – são publicados na revista Science com data desta sexta-feira.

A síndrome do X frágil é a causa genética mais frequente de atraso mental hereditário e de autismo (é responsável por 5% dos casos de autismo). Surge quando um gene, chamado FMR1 e situado no cromossoma sexual X, é de repente desligado para sempre, por volta da 11.ª semana de gestação, o que impede o fabrico pelas células do cérebro do futuro bebé de uma proteína essencial à transmissão neuronal.

A síndrome é mais frequente nos rapazes, porque estes apenas possuem um cromossoma X (as raparigas possuem dois), afectando cerca de um rapaz em 4000 (contra uma em 8000 raparigas). Provoca não só deficiências intelectuais, como também perturbações emocionais e do comportamento. Não tem cura, nem tratamento.

Sabe-se há anos que a doença surge devido a uma mutação no gene FMR1 que consiste na repetição, centenas de vezes, de um trio das “letras” que compõem as moléculas de ADN: CGG (o “alfabeto” do ADN tem quatro letras, A, C, G, T). Sabe-se ainda que, a partir de mais de 200 repetições consecutivas desta sequência, o gene FMR1 vai literalmente abaixo, com as já referidas consequências.

Mas até aqui ninguém fazia ideia por que é que, abaixo de 200 repetições, uma pessoa pode ser portadora da síndrome, mas não apresentar nenhum dos seus sintomas. Os resultados agora obtidos por Samie Jaffrey, da Universidade Cornell (EUA), e colegas esclarecem este enigma.

Estes cientistas realizaram experiências em culturas de células estaminais derivadas de embriões humanos doados que tinham sido previamente diagnosticados como tendo síndrome do X frágil, uma vez que o seu gene FMR1 continha mais de 400 repetições da nefasta pequena sequência. As células estaminais embrionárias são capazes de dar origem a todos os tecidos do organismo.

Neste caso, a equipa de cientistas “obrigou” essas células a diferenciar-se em neurónios para conseguir monitorizar o que acontecia ao gene FMR1 durante as primeiras fases do desenvolvimento cerebral. Deixaram o sistema evoluir durante 60 dias e constataram então que a diferenciação celular – e o silenciamento do gene FMR1 – ocorriam após cerca de 50 dias. O mesmo acontece nos embriões humanos afectados pela síndrome do X frágil, quase no fim do primeiro trimestre de gravidez.

No início, explicam os autores, o gene FMR1 funcionava normalmente nas células em cultura. Em particular, essas células transcreviam a informação contida no gene FMR1 para uma outra forma de material genético, o ARN mensageiro, moléculas encarregadas de transmitir a ordem de fabrico da dita proteína à maquinaria celular prevista para o efeito. As células também fabricavam a tal proteína essencial ao desenvolvimento cerebral cujo fabrico é normalmente comandado pelo gene FMR1.

Mas de repente, ao 48º dia, tudo mudou. Tanto os níveis do ARNm como da proteína em causa caíram a pique. Por alguma razão, o gene FMR1 tinha sido desligado.

Os cientistas descobriram então que o que provocara essa repentina disrupção genética era que partes do ARN mensageiro transcrito a partir do gene FMR1 mutado tinham literalmente empatado o funcionamento daquele gene, colando-se ao seu ADN e impedindo o seu normal funcionamento. E que isso tinha acontecido precisamente por causa do elevado número de repetições da tríade CGG no gene mutado.
“Descobrimos que o ARN mensageiro é capaz de encravar o ADN do gene FMR1, desligando o gene”, diz Jaffrey em comunicado da sua universidade. “Isto é algo que até aqui ninguém sabia.”
A molécula de ADN é composta por duas cadeias de “letras”, quimicamente ligadas entre si e enroladas uma em torno da outra numa dupla hélice. As duas cadeias são complementares: cada letra C numa delas corresponde a um G na outra e cada A a um T. Mas o que acontece aqui de diferente é que é o ARN mensageiro do gene FMR1 que se liga a uma sequência complementar numa das cadeias de ADN. “Trata-se de um novo tipo de mecanismo biológico, onde uma interacção entre o ARN e o ADN do gene da síndrome do X frágil provoca a doença”, frisa Jaffrey.

Como a mutação no gene FMR1 responsável pela síndrome do X frágil consiste numa longa sequência genética repetitiva”, explica ainda o investigador, “é muito fácil que uma porção suficientemente longa dessa sequência, quando transcrita para ARN mensageiro, encontre a seguir, no próprio ADN do gene, uma sequência complementar.” E, quando isto acontece, o ARN mensageiro agarra-se ao ADN, numa associação híbrida que até aqui não se sabia ser possível e que inactiva definitivamente o gene.

Isto significa, em particular, que é de facto o número de repetições daquela sequência de três letras do ADN presente no gene FMR1 que condiciona a manifestação ou não da síndrome do X frágil. O enigma do número de repetições necessárias para causar doença parece portanto ter sido resolvido.

A seguir, a equipa repetiu a experiência, mas desta vez cultivando as células estaminais em presença de uma substância desenvolvida pelo co-autor Matthew Disney, do Instituto Scripps de Investigação, na Califórnia. Conclusão: nessas condições, o gene FMR1 mutado já não era silenciado. Porém, uma terceira série de experiências mostrou que, uma vez esse gene silenciado, já não era possível voltar atrás.

Para os autores, isto sugere que poderá ser, contudo, possível desenvolver um tratamento contra a síndrome do X frágil. “Se uma mulher grávida for informada de que o seu feto é portador da mutação genética que provoca a síndrome, poderíamos potencialmente intervir e administrar a substância durante a gestação”, diz Jaffrey. “Isso poderia permitir adiar ou impedir o silenciamento do gene, com significativas melhorias potenciais [para o futuro bebé]."

Os investigadores já estão à procura de mecanismos de associação ARN-ADN semelhantes noutras doenças igualmente causadas por repetições genéticas, tais como a Huntington (doença degenerativa do cérebro), a distrofia miotónica (que provoca degeneração muscular, cataratas, problemas cardíacos, etc.), a síndrome de Jacobsen (que causa deficiências cognitivas e físicas) e a forma hereditária da esclerose amiotrófica lateral (ou ALS, a doença que padece o físico britânico Stephen Hawking).

“Este mecanismo completamente novo, no qual fragmentos de ARN conseguem silenciar genes, poderá estar envolvido em muitas outras doenças”, frisa Jaffrey. “Esperamos ser possível um dia encontrar fármacos capazes de interferir com este novo tipo de processo patológico.
FONTE - 
 http://www.publico.pt/ciencia/noticia/descoberto-gatilho-da-forma-mais-comum-de-atraso-mental-e-autismo-1626468

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AUTISMO – TODOS PODEMOS SER/NOS TORNAR UM POUCO AZUIS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/autismo-todos-podemos-sernos-tornar-um.html

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

INCLUSÃO ESCOLAR/PARALISIAS CEREBRAIS - Menina com Paralisia Cerebral revela necessidade de recursos na escola

Menina com paralisia não volta às aulas por falta de estrutura de escola

Escola onde Manuela estuda precisa contratar funcionário para ajudá-la.
Secretaria da Educação de Canoas garante que caso será resolvido.

Manuela, de cinco anos, espera contratação de funcionária para poder voltar à escola (Foto: Reprodução/RBS TV)
(imagem - foto colorida da menina Manuela, com sua mãe sentada ao seu lado, com um quadro de flores ao fundo, tendo um livro apoiado nas pernas de Manuela, sobre um suporte. Fotografia da matéria RBS TV)

Aos cinco anos, a pequena Manuela Soares foi a única aluna de sua turma que não voltou às aulas, iniciadas no dia 6 de fevereiro em uma escola municipal de Canoas, na Região Metropolitana. A menina nasceu nasceu com paralisia cerebral e tem vaga garantida na rede pública do município. No entanto, a escola não tem condições de recebê-la no momento por falta de um funcionário que a acompanhe, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço, da RBS TV. (Veja o vídeo no link - fonte da matéria)

Manuela frequenta a Escola Municipal de Educação Infantil de Canoas desde 2012, mas teve de se afastar em junho do ano passado para fazer uma cirurgia no quadril. Mesmo assim, a rematrícula foi realizada. Só que a instituição não tem uma pessoa para acompanhar a menina de perto e ajudar a professora, como costumava acontecer com a menina.

A situação preocupa a mãe de Manuela, Berenice Moreira Soares. “Ela já tem essa dificuldade cognitiva, de vivenciar, de conviver com outras crianças. Já tem esse atraso. Quanto mais tempo passar, pior. Para ela e para nós. É uma frustração”, reclama Berenice.
O pai de Manuela trabalha à noite, então precisa descansar durante o dia. “Ficar com ela é uma missão não muito fácil porque ela exige atenção o tempo todo. Não é em qualquer cadeira que ela senta, ela pode sentar e, em um momento de descuido, pode cair”.
A mãe diz que não tem nada contra a escola, mas reclama das falhas no processo de inclusão. “Ela foi muito bem recebida tanto pelos funcionários, quanto pelos alunos. Teve apresentação, ela participou, foi muito bom. Mas, essa questão burocrática é que complica. A inclusão é algo lindo, maravilhoso, mas na prática deixa muito a desejar”, fala Berenice.
A Secretaria Municipal de Educação tem um setor específico para a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência. O responsável pelo setor em Canoas, Eri Domingos da Silva, explica que é difícil conseguir estagiários para fazer esse trabalho nas escolas. “Estamos entrevistando candidatos para estágio, para que possam acompanhar não só essa aluna, mas todos os alunos que precisam de apoio. Além da entrevista, eles passam por uma formação para que saibam qual a realidade e a criança”, explica Silva. Segundo ele, o contato da mãe de Manuela para retornar à aula foi somente na última terça-feira (18).
De acordo com Berenice, a escola sabia que a menina voltaria no dia 6 de fevereiro, já que estava rematriculada. “A escola tem o atestado da médica que fez a cirurgia dizendo o tipo de cirurgia, que ela precisava dos meus cuidados, que ela estava de atestado”, repete a mãe.
Conforme Silva, uma reunião presencial foi marcada para a próxima terça-feira (25) entre a secretaria e a família de Manuela. “A escola chegou a fazer esse relato, como outras escolas, mas nós gostamos de um contato direto com a família para ter a percepção da família, e isso ainda não aconteceu, vai acontecer semana que vem com a mãe”, aponta. “Vamos resolver, com certeza. Como outros casos que surgiram, que às vezes não são na mesma rapidez que gostaríamos, mas acabam tendo uma solução, com a participação da escola e da família”, fala.
FONTE - http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/02/menina-com-paralisia-nao-volta-aulas-por-falta-de-estrutura-de-escola.html
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A INCLUSÃO ESCOLAR AINDA USA FRALDAS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/07/inclusao-escolar-ainda-usa-fraldas.html

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

MÚSICA/CÉREBRO - Pesquisa revela que improvisação musical se processa na mesma área cerebral da linguagem

Improvisação musical envolve áreas cerebrais que processam estrutura das frases faladas

A visualização da atividade cerebral durante “conversas musicais” informais e espontâneas entre músicos de jazz mostra que o processamento da música e da linguagem possuem circuitos neuronais em comum.
(imagem - foto colorida de um teclado de piano, com uma mão de pianista tocando-o, espelhada no próprio piano, fotografia  da divulgação da matéria)

As áreas do cérebro humano que analisam a sintaxe – a estrutura das frases da linguagem – não estão reservadas apenas ao processamento linguístico, sugere um estudo publicado na última edição da revista online de acesso livrePLoS ONE. Essas mesmas áreas, concluem Charles Limb, da Universidade Johns Hopkins (EUA), e colegas, também são utilizadas, em situação de improvisação musical jazzística a dois, quando cada músico processa, antes de responder, as “frases” musicais que vão sendo criadas pelo seu parceiro.

Os cientistas recrutaram para o estudo 11 experientes pianistas de jazz com idades entre os 25 e os 56 anos e puseram-nos a “trocar quatros” – tradução literal da expressão em inglês “trading fours”, que se refere a um exercício de improvisação em que cada um de dois intérpretes vai criando, alternadamente, quatro compassos de música. Durante as sessões, que duravam 10 minutos, um dos dois participantes estava deitado de costas numa máquina de ressonância magnética. Com os pés relativamente elevados graças a um almofadão e um teclado de plástico pousado nas coxas, esse músico conseguia ver a posição dos seus dedos no teclado olhando para um sistema espelhos colocados por cima da sua cabeça.

Nas imagens da função cerebral obtidas ao vivo e em directo durante as improvisações, os investigadores observaram que a essa tarefa musical activava áreas cerebrais associadas ao processamento sintáctico da linguagem. “Até aqui, os estudos de como o cérebro processa a comunicação auditiva entre duas pessoas têm sido feitos no contexto da linguagem falada”, diz Limb em comunicado da sua universidade. "Mas ao olharmos para o jazz, conseguimos investigar as bases neurológicas da comunicação musical interativa fora desse contexto.”

E acrescenta: “Quando dois músicos de jazz a trocar quatros parecem imersos nos seus pensamentos, não estão simplesmente à espera da sua vez para tocar. Pelo contrário, estão a utilizar as áreas sintácticas do seu cérebro para processar o que estão a ouvir de forma a conseguir responder com uma série de notas que nunca tinham sido compostas nem interpretadas.” 

Por outro lado, os cientistas também descobriram uma diferença substancial entre linguagem e música. Mais precisamente, a improvisação musical “desligava” as áreas associadas ao processamento semântico da linguagem – ou seja, aquelas que interpretam o significado do que está a ser dito.

“Neste estudo, mostramos que existe uma diferença fundamental entre a forma como o significado da música e da linguagem é processado pelo cérebro”, salienta Limb. “Especificamente, é o processamento sintáctico, e não o semântico, que é essencial para este tipo de comunicação musical. Os conceitos convencionais da semântica poderão não ser aplicáveis ao processamento da música pelo cérebro.

FONTE - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/a-improvisacao-musical-envolve-as-mesmas-areas-cerebrais-que-a-interpretacao-da-estrutura-linguistica-das-frases-faladas-1626041
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A MÚSICA QUE ENCANTA DEPENDE DOS OLHOS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/03/musica-que-encanta-depende-dos-olhos.html

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CEGUEIRA/PESQUISA - Medicamento investigado poderá ajudar cegos perceberem a luz

Droga em testes pode dar a cegos capacidade de 'ver' luz

Um medicamento ainda em fase de testes poderá dar a cegos a capacidade de perceber a luz.
Olho (PA)
(imagem - foto colorida em close up, aproximada, de um olho humano, fotografia divulgação BBC)

Estruturas da retina conhecidas como cones e bastonetes são responsáveis pela reação à luz, mas estas estruturas podem ser afetadas e destruídas por doenças.
Um estudo dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que uma droga poderá dar a estas células no olho o poder de responder rapidamente à luz.
O olho é formado por camadas que incluem os bastonetes e cones.
Outras camadas mantêm os bastonetes e cones vivos, além de passar os sinais elétricos produzidos pelas células sensíveis à luz para o cérebro.
Os cientistas se concentraram em um tipo de neurônio presente no olho, as células ganglionares da retina.
Eles desenvolveram um composto químico, chamado Denaq, que muda de forma em resposta à luz. Esta mudança de forma altera a química da célula nervosa e o resultado são sinais elétricos enviados ao cérebro.
O estudo foi publicado na revista especializada Neuron.

Até certo ponto

Os testes mostraram que, ao injetar o Denaq nos olhos de camundongos cegos, os cientistas restauraram parcialmente a visão dos animais. Ocorreram mudanças no comportamento mas não foi possível determinar o quanto os camundongos estavam enxergando.
O efeito da droga acabou rapidamente, mas os camundongos ainda conseguiam detectar a luz uma semana depois da aplicação.
"São necessários mais testes em mamíferos maiores para avaliar a segurança do Denaq no curto e no longo prazo. Serão necessários vários anos, mas se a segurança puder ser estabelecida, estes compostos poderão finalmente ser úteis para restaurar a sensibilidade à luz em humanos cegos", disse Richard Kramer, um dos pesquisadores.
"Ainda precisamos ver o quão perto vão chegar de restabelecer a visão normal", acrescentou.
Os cientistas esperam que a droga possa, no futuro, ajudar no tratamento de doenças como a retinite pigmentosa e degeneração macular relacionada à idade.
Para Astrid Limb, do Instituto de Oftalmologia do University College de Londres, o conceito do Denaq "é muito interessante, poder estimular as células que restam" na retina.
"Mas, ainda é preciso muito trabalho antes de esta pesquisa ser aplicada em humanos", afirmou.
De acordo com ela, a duração do efeito da droga é outra questão que precisa ser resolvida.
A pesquisa dos cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley é mais uma de uma série de estudos que visa restaurar a visão em casos de cegueira, junto com pesquisas com células-tronco e manipulação de DNA para corrigir problemas genéticos que levem à perda da visão.
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140220_remedio_cegos_luz_fn.shtml

SÍNDROME DE DOWN/MÚSICA - Criança com SD desenvolve leitura por estímulo musical

Criança com Síndrome de Down aprende a ler através da música

(imagem - foto colorida de Evie, que usa óculos, no canto esquerdo, olhando para câmera, uma menina loira, com seu pai ao lado sentado e olhando um cd de músicas, fotografia da divulgação da matéria) 

Evie é uma menina de 7 anos que 'sofre' de (termo incorreto pois sua deficiência intelectual não é uma 'doença' - informa o DEFNET, recomendo o uso de "vive com'')  Síndrome de Down. No entanto, com a ajuda dos pais, que todos os dias cantam para ela, está a desenvolver extraordinárias capacidades de leitura.

Simon e Jo Kent sempre acharam que esta era a melhor forma de ajudar a filha. Os dois punham música e cantavam para a menina ainda quando esta se encontrava na barriga da mãe, mas sem nunca imaginar a importância que esse gesto viria a ter no desenvolvimento da criança.

«Bombardeámo-la com música desde o dia que ela nasceu», revelou o pai, Simon Kent, de 35 anos. 

O casal, que vive atualmente no Reino Unido, soube que a filha ia nascer com Síndrome de Down na altura da ecografia das 20 semanas. Desde então, têm procurado tudo o que possa ajudar a estimular a filha.

«Quando ela era mais pequena, cantávamos sempre as instruções para se vestir, tomar banho, ir dormir, etc.», acrescentou Simon. Mais tarde, quando entrou para a escola, Evie usou precisamente esse método para aprender a ler, a escrever e a fazer contas. Hoje, com 7 anos, dá provas de estar cerca de um ano à frente dos colegas no que diz respeito à leitura.

FONTE - http://www.lux.iol.pt/internacionais/sindrome-de-down-ler-musica-aprender-evie-simon-kent/1539156-4997.html
LEIAM TAMBÉM SOBRE SÍNDROME DE DOWN NO MEU BLOG INFOATIVO.DEFNET -

NÃO SOMOS ANORMAIS, SOMOS APENAS CIDA-DOWNS.... http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/03/nao-somos-anormais-somos-apenas-cida.html