quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/FOTOGRAFIA - Em Passo Fundo é criado calendário com alunos da Apae

Alunos da Apae viram modelos em calendário da instituição no RS

Iniciativa ocorreu em Passo Fundo e contou com aparato profissional.
Renda do calendário voltará para a instituição em materiais escolares.

imagem - foto colorida da matéria, com uma menina, à esquerda, manuseando um globo terrestre, com dois outros alunos ao fundo, um menino e outra menina, todos pessoas com deficiência) 
Alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, participaram de uma iniciativa especial. Eles viraram modelos em um projeto da instituição e vão estampar as páginas de um calendário, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço (veja o vídeo).
No dia dos cliques, o grupo de 48 pessoas contou com o aparato de um ensaio profissional. Maquiagem, penteados e vários profissionais entre cabeleireiros, maquiadores e fotógrafo.
"Dá para ver no rosto dela que está contente, brincando. Ela gosta de arrumar o cabelo, ela gosta de lugar diferente", comemorou Carlos Camargo, pai de uma das alunas.

Os flashes foram capazes de levantar a auto-estima até dos homens. "Para mim, é uma honra muito grande. Fui escolhido. Fiquei 'louco de faceiro'", contou Edemar Shons, um dos modelos
O calendário foi uma porta de inclusão e também uma ideia para aumentar a renda da instituição. Todo dinheiro arrecadado com a venda retorna para a Apae como material educativo para os alunos.
"A gente percebeu que foi uma maneira de incluí-los na sociedade e mostrar o trabalho que a Apae faz também", disse Silvia Portillo, presidente da Apae.
Além do exemplo de respeito, inclusão e carinho, a iniciativa contou também com solidariedade. Os profissionais envolvidos na produção trabalharam de forma voluntária. "É um momento muito especial pra mim, o que a gente recebe em troca aqui é bom demais", contou o fotógrafo Guilherme Benck.
"É um momento que se desenvolve a sensibilidade. Nos tornamos muito melhor como pessoa e como profissional também", completa Desirê Koch, diretora de um salão de beleza que participou do projeto.
fonte - http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/10/alunos-da-apae-viram-modelos-em-calendario-da-instituicao-no-rs.html

domingo, 19 de outubro de 2014

ROBÓTICA/EVOLUÇÃO - Robô brasileiro R1T1 é sucesso em Hospital Universitário de Maringá

Robô de telepresença faz sucesso na Semana de Ciência e Tecnologia

 robô de telepresença
imagem - foto colorida da matéria, com o Robô R1T1 com várias crianças ao seu redor no Pavilhão de Exposição, em Brasília, sendo uma torre revestida de fibra de vidro, branca, com aproximadamente, 1,6 m de altura )

robô de telepresença R1T1 não consegue passar despercebido pelo Pavilhão de Exposição da 11ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília. Guiado por controle remoto, ele atrai as crianças por sua autonomia e pelas interações por meio de câmera e tela acopladas ao “pescoço”.

Revestido de fibra de vidro e com, aproximadamente, 1,6 metro de altura, o robô teve seu nome inspirado no R2D2, personagem do filme Star Wars. Assim como seu colega do cinema, o R1T1 pode interagir com aqueles ao seu redor. Conforme o engenheiro Antônio Henrique Dianin, coordenador do Project Robot, da startup brasileira DMS Company, e idealizador do robô, o principal foco é a área hospitalar.

A primeira instituição a receber o projeto foi o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Com estrutura arredondada, o R1T1não acumula resíduos e é fácil de ser esterilizado. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite que ele circule em todas as alas do hospital, inclusive nas UTIs.
- Também pensamos nas pessoas que ficam muito tempo em um hospital. Nas pediatrias, as crianças adoram. O robô consegue tirá-las desse ambiente. Elas podem se conectar e passear em exposições como essa ou visitar outras salas de aula. O melhor é que o robô pode substituir as famílias nos casos de dificuldades de contato com os pacientes – ressaltou o engenheiro.
Segundo Dianin, o R1T1 também pode se conectar ao sistema do hospital, permitindo ao médico consultar dados do paciente. A próxima etapa será instalar equipamentos de ultrassom no robô. “Estamos idealizando uma cirurgia odontológica, com a utilização de câmeras na boca do paciente. O procedimento será feito pela tela do robô”, adiantou.
Lançado em 2013, após um ano de desenvolvimento, esta é a terceira versão do R1T1. A primeira custou R$ 100 mil ao grupo. “Consideramos o HUM nosso grande parceiro. Eles aceitaram o projeto na fase inicial, quando ainda era um protótipo bem rústico, cheio de fios e placas aparentes”, assinalou.
Para o idealizador, o R1T1 é o primeiro robô de telepresença da América Latina e um dos mais avançados do mundo, pois tem autonomia (a bateria funciona 24 horas) e movimentação. O projeto já ganhou prêmios e tem parcerias com universidades nacionais e internacionais. “É muito difícil desenvolver um projeto desse no Brasil. Além da burocracia, a visão e a cultura é muito diferente do exterior. Infelizmente, o apoio para pesquisa é maior fora do nosso país”, lamentou o técncico.
Antônio Dianin acredita que os robôs farão parte do dia a dia da sociedade em futuro bem próximo. “Ano que vem, lançaremos um robô de limpeza. Todos precisarão de um em casa. O custo ainda será alto, mas tende a baratear. Teremos robôs na educação, marketing e em games. Vislumbramos um horizonte que o cinema muitas vezes apresenta em estágio avançado. Inicialmente, eles auxiliarão nas pequenas atividades”, explicou.
De acordo com o engenheiro, haverá uma migração de áreas de especialidade. “Os seres humanos precisarão estar cada vez mais preparados, com mais estudo, de modo que transitem de atividade corriqueiras para as de desenvolvimento. Para fazer tecnologia avançada, é preciso pessoas preparadas e isso requer muito estudo. Os robôs forçarão essa migração, ao mesmo tempo que engrandecerão o ser humano”, observou.
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia será encerrada no domingo em todo país. Em Brasília, as exposições, palestras e oficinas ocorrem no Pavilhão de Exposição do Parque da Cidade.
fonte - http://correiodobrasil.com.br/tecnologia/conexao-hightech/robo-de-telepresenca-faz-sucesso-na-semana-de-ciencia-e-tecnologia/734623/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20141019
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MACONHA/MEDICINA - Pesquisa da USP revela que CANABIDIOL é eficaz no Parkinson

Novo tratamento é eficaz em pacientes de Parkinson



imagem - foto colorida da matéria com uma pessoa entrando de cadeira de rodas com uma porta aberta à sua frente, como representação da possibilidade do uso de canabidiol ser uma possibilidade de melhora de sua qualidade de vida.


Pela primeira vez em humanos, estudo com canabidiol (CDB) mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com Doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”.

O professor Crippa explica que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e o movimento, por exemplo. “Essa pode ser a causa de efeitos colaterais como alucinações, náuseas, delírios e de uma outra complicação motora chamada discinesia tardia, entre outras”.

Para o professor, o CDB provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraída a substância canabidiol. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”, diz.

Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

O estudo

Durante seis semanas, 21 pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson, sem demência ou problemas psiquiátricos, participaram do estudo. Os pacientes foram divididos em três grupos, um recebeu placebo, ou seja, somente com o óleo de milho, outro recebeu o CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho e o terceiro o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho.  O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pacientes nem os profissionais que os acompanharam sabiam a que grupo cada sujeito pertencia.

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. A droga dissolvida em óleo de milho foi colocada em cápsulas de gelatina, que foram armazenadas em frascos de vidro escuro. “As cápsulas somente com óleo de milho e com CDB foram fornecidas em cápsulas idênticas”, afirmam os pesquisadores.

Todos os pacientes participantes do estudo foram avaliados quanto aos sintomas motores e não motores da doença, por meio de instrumentos que inclui o Parkinson Disease Questionnaire–39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do paciente com Parkinson, segundo os pesquisadores. “Dentre os sintomas motores, podemos citar os tremores, sendo que entre os não motores estão, por exemplo, a apatia e a depressão, sintomas comuns em quem tem Parkinson”, relata o professor Crippa.

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foi relatada percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “E esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores. E foram significantes para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia”, comemora o professor.

Os resultados acabam de ser publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia. Além do professor Crippa, também participaram do estudo os pesquisadores Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da FMRP, e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
fonte - http://www.usp.br/agen/?p=190102
Mais informações:  (16) 3602.2201 – e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

sábado, 4 de outubro de 2014

AUTISMO/ROBÓTICA - Um robô auxilia no tratamento de autistas

Autistas interagem com robô que pode auxiliar em tratamento

De tecnologia francesa, NAO é considerado um dos robôs mais avançados do mundo e é capaz de reconhecer comandos de voz, gestos e toques

Japão lança robôs inspirados em animadoras de torcida - Foto: Divulgação
*imagem ilustrativa de um robô utilizado no Japão, de cor vermelha predominante, que é utilizado com se fossem os animadores de torcidas...)

São Paulo - Pela primeira vez no Brasil, pessoas com autismo tiveram contato com um robô capaz de auxiliá-las no tratamento. O Estado acompanhou, na manhã de ontem, a iniciativa com dois adultos e quatro crianças atendidos pela ONG Gaia (Grupo de Apoio ao Indivíduo com Autismo) em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

De tecnologia francesa, o NAO tem 57 centímetros de altura. É composto por duas câmeras, quatro microfones, dois alto-falantes e sensores espalhados pelo corpo revestido de material plástico. É considerado um dos robôs mais avançados, capaz de reconhecer comandos de voz, gestos e toques.
O que parece ser um brinquedo pode ajudar a melhorar a interação de pessoas com autismo e, assim, dar mais qualidade de vida a elas. A equipe da ONG se emocionou com a experiência. Quando o robô começou o gingado de capoeira, um dos pacientes levantou e imitou o movimento. "Isso é uma revolução", diz a psicóloga Ana Maria de Andrade.
Segundo a terapeuta ocupacional Juliana Janei, uma das características do autismo é o isolamento social. "A interação entre os meninos é mínima, dado o grau de severidade. O que vemos neste primeiro contato é que, além da interação, o Daniel (paciente da ONG) gostou da companhia." O garoto, de 17 anos, tocava o robô para continuar a ouvir música.
Estudantes de robótica de um colégio de São José dos Campos que acompanharam a experiência já fazem planos para usar o robô no auxílio de pessoas com autismo. Eles devem iniciar, nos próximos dias, os trabalhos de programação específica para atender às necessidades dos pacientes.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 2 milhões de autistas no Brasil e 70 milhões no mundo.
FONTE - http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/autistas-interagem-com-robo-que-auxilia-tratamento
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SÍNDROME DE DOWN/ELEIÇÕES - Jovem gaúcho com Síndrome de Down é mesário desde 2006

'O Brasil precisa de inclusão', diz mesário com síndrome de Down

Jovem trabalha nas eleições desde 2006 no município de Santo Cristo, RS. Para família, confiança deu autoestima para estudante superar dificuldades.

Vinicius Strada, 27 anos, não abre mão de atuar nas eleições (Foto: Carina Strada/Arquivo Pessoal)
imagem - foto do jovem Vinicius Streda, com uma camisa listrada e com um microfone na mão, fotografia Carina Streda, arquivo pessoal) 
Há oito anos, o dia das eleições tem significado especial na vida do estudante Vinicius Streda, 27 anos, morador do município de Santo Cristo, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Mais do que um exercício de cidadania, para o jovem com síndrome de Down a data significa uma oportunidade de mostrar a todos o quanto as pessoas com necessidades especiais são capazes.
Pela quarta eleição consecutiva, Vinicius se prepara para voltar a ser mesário no próximo domingo (5). Ele assumirá os trabalhos como segundo mesário na seção número 22 do município com menos de 12 mil habitantes, em um salão paroquial no distrito de Linha Bom, área rural onde mora. A mesma função foi desempenhada nos pleitos de 2006, 2008 e 2010.
O Brasil precisa de inclusão, das pessoas com necessidades especiais (o termo correto é Pessoas com Deficiência). E a minha vontade de ser mesário surgiu para ter esse orgulho e satisfação”, disse Vinicius ao G1.
Desafiar preconceitos não é novidade para o jovem. Foi acreditando na própria capacidade intelectual que ele escreveu e publicou um livro, em coautoria com a prima, Carina Streda, que é pedagoga. Publicado neste ano, “Nunca Deixe de Sonhar”, que conta a história pessoal do jovem, já esgotou 2 mil exemplares e está atualmente na terceira edição. “Traz minha experiências de vida, as angústias e dificuldades que passei”, explica.
Para ele, contribuir com a democracia também representa um gesto de reafirmação de competência diante dos eleitores de Santo Cristo. “Quero exercer a cidadania e a democracia. Acredito muito na inclusão. Em centros de reabilitação para quem tem necessidades excepcionais”, diz o jovem.
Trabalho aumenta autoestima
Vinicius, porém, ainda tenta superar as dificuldades para terminar o ensino médio. Segundo a família, ele busca neste ano a aprovação em duas matérias que ficaram pendentes. Além disso, o jovem diz estar desempregado desde o ano passado por conta de dificuldades financeiras da empresa onde trabalhava, e que lhe ofertou um cargo dentro do programa inclusivo de contratações.
O interesse pela política e o processo eleitoral é considerado um fator fundamental para fortalecer a autoestima do jovem, diz a mãe, Cláudia Ergang, 50 anos. “Ele gosta muito porque se sente valorizado. E ele acompanha muito a política. Enquanto quiserem, ele vai continuar sendo mesário. E a Justiça Eleitoral divulgou bastante o trabalho dele aqui. Ficamos muito feliz”, afirmou ela.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), cerca de 106 mil mesários irão atuar no Rio Grande do Sul nas próximas eleições. A Justiça Eleitoral diz que desconhece o total de mesários com necessidades especiais, mas, via assessoria de imprensa, informou que os casos ainda são “raros”.
Chefe do cartório eleitoral de Santo Cristo, Carolina Kretzmann Watthier afirma não ter do que reclamar em relação ao desempenho de Vinicius nas eleições anteriores. “Existe bastante responsabilidade, mas a responsabilidade maior é da presidência. Demos uma função de intermediária a ele. E o Vinícius está muito bem”, garante ela.
FONTE - http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2014/noticia/2014/10/o-brasil-precisa-de-inclusao-diz-mesario-com-sindrome-de-down.html
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Pessoas vivendo com Alzheimer mantêm suas emoções

Mesmo sem memória, paciente de Alzheimer mantém emoções

A constatação é da Universidade de Iowa, nos EUA
(imagem - foto colorida da matéria, com um neurocirurgião examinando através de um aparelho uma neuroimagem do cérebro, fotografia AFP)
Manaus - Os pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo quando se esquecem do motivo que as causou por causa da doença, afirmou Edmarie Guzmán-Vélez, que comandou uma pesquisa sobre o tema publicada na revista ‘Cognitive and Behavioral Neurology’.
O estudo assinala que, apesar de os pacientes não conseguirem se lembrar de uma visita recente de um ente querido ou que não receberam os cuidados devidos, essas ações podem ter um impacto em seus sentimentos.
Em entrevista, Edmarie destacou que é importante que familiares e cuidadores aprendam a se comunicar com o paciente com Alzheimer para fazer com que sintam emoções positivas.
“Talvez o paciente não se lembre do motivo que o levou a comer seu prato favorito, mas esse momento de felicidade, esse sentimento positivo vai continuar em sua mente”, garantiu Edmarie, autora principal do estudo e doutoranda em psicologia clínica na Universidade de Iowa (EUA).
“Por outro lado, se acontece alguma coisa que o faça se sentir triste, esse sentimento vai permanecer durante um tempo, o que significa que é extremamente importante que nos dediquemos a tentar induzir emoções positivas e minimizar o máximo possível as emoções negativas”, acrescentou.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou para 17 pessoas sem a doença e a 17 com o mal de Alzheimer fragmentos de filmes tristes e alegres, que resultaram em emoções como risos e lágrimas. Cerca de cinco minutos depois, os pesquisadores entregaram aos participantes um teste de memória para ver se conseguiam se lembrar do que tinham visto.
Como era de se esperar, os pacientes com Alzheimer guardaram significativamente menos informação sobre os filmes. De fato, quatro deles foram incapazes de se lembrar de qualquer informação sobre os filmes e um sequer se recordou que tinha visto um filme.
No entanto, os pacientes mantiveram o sentimento de alegria ou tristeza por um período de até 30 minutos depois de terem assistido o filme.
“Isso confirma que a vida emocional de um paciente com Alzheimer está viva”, afirmou a investigadora, que destacou as implicações diretas que têm suas descobertas para ensinar os cuidadores a melhorar o tratamento com os pacientes.
Para Edmarie, as visitas frequentes, as interações sociais, o exercício físico, a música, a dança e as brincadeiras “são coisas simples que podem ter um impacto emocional durável na qualidade de vida de um paciente e no seu bem-estar subjetivo”.
Estima-se que nos Estados Unidos o mal de Alzheimer afetará 16 milhões de pessoas em 2050, sem que tenha sido descoberto, até o momento, um medicamento para prevenir ou influenciar o desenvolvimento progressivo desse tipo de doença neurodegenerativa.
Edmarie conduziu o estudo com Daniel Tranel, professor de neurologia e psicologia da Universidade de Iowa, e Justin Feinstein, professor assistente na Universidade de Tulsa, no Estado de Oklahoma, e do Laureate Institute for Brain Research.
Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, mais de 35 milhões de pessoas no mundo têm a doença que afeta e gera demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Só no Brasil, são cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.
O mal de Alzheimer atinge principalmente idosos a partir dos 55 anos de idade e leva a problemas sérios, incluindo dificuldade em se realizar atividades básicas do dia a dia. A doença ainda é marcada pela falta de conhecimento e pela crença de que alguns sintomas são naturais do processo do envelhecimento.
Teste de sangue identifica proteínas que causam doença
A novidade ganhou as manchetes da respeitada revista científica Alzheimer’s & Dementia: um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, criou um teste de sangue, tão simples quanto o do colesterol, capaz de identificar um conjunto de proteínas no sangue que pode antever o surgimento da demência com 87% de precisão.
Os resultados do estudo, realizado com mais de mil pessoas, serão usados para aprimorar os testes com novos medicamentos.
Apesar do grande avanço para compreender o mal, que afeta mais de 40 milhões de pessoas em todo mundo, parte da classe científica tem questionado o valor desse tipo de exame, já que o tratamento para a doença ainda não foi descoberto. Basta imaginar a reação de uma pessoa cujo diagnóstico foi positivo e que pouco pode fazer para melhorar seu estado nos anos que lhe sobram de vida. Algo que só tende a piorar com o tempo.
O mal de Alzheimer é uma forma de demência decorrente da degeneração e morte das células cerebrais e seus sintomas mais frequentes são enfraquecimento da memória e do processo cognitivo, aquele relacionado à aprendizagem.
Ele se manifesta com maior frequência a partir dos 65 anos. A boa notícia, no entanto, é que a prevenção, como tudo que diz respeito à saúde, é um caminho promissor para manter as funções cerebrais e corporais azeitadas.
Afinal, não se pode esquecer, que sempre é tempo de fazer mudanças cotidianas para garantir uma boa qualidade de vida, segundo recomendam cientistas que pesquisam a doença.
fonte - http://new.d24am.com/noticias/saude/mesmo-memoria-paciente-alzheimer-mantem-emocoes/120714

terça-feira, 23 de setembro de 2014

EDUCAÇÃO INCLUSIVA/SÍNDROME DE DOWN - Jovem gaúcha e personagem de documentário dá exemplo de inclusão escolar

Renata, uma história de inclusão

das crianças com síndrome de Down na escola

Jovem sonha em ser atriz e já é uma das estrelas de um documentário sobre inclusão
imagem - foto colorida da jobem Renata, de óculos, e com um sorriso de quem soube superar preconceitos e barreiras com os estímulos da quebra de paradigmas na sua educação, hoje um exemplo para outras pessoas em sua cidade. (divulgação)
Personagem principal do documentário Outro Olhar, que será lançado nesta terça-feira (23), a gaúcha Renata Basso, de 19 anos, é uma das poucas jovens com síndrome de Down de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que se formou no ensino médio depois de estudar em escolas públicas a vida toda. 
Retratando os desafios da educação inclusiva no País, o filme que ela protagoniza mostra como Renata quebrou paradigmas em sua cidade e se tornou um exemplo para outras crianças com necessidades especiais.
— Entrei em uma escola pública quando tinha seis anos. Nunca frequentei outro tipo de colégio. A primeira lembrança que tenho é que me dava muito bem com as minhas amigas, nunca me senti excluída.
Roseane Basso, irmã da jovem, contou que a família foi aconselhada a incluir Renata em atividades com outras crianças que não tinham necessidades especiais.
— Minha mãe foi aconselhada por  um grupo de professoras da Universidade Federal de Santa Maria a colocá-la em uma escola pública. A universidade ofereceu acompanhamento especial para Renata durante todo o ensino fundamental. 
Renata  foi alfabetizada aos oito anos e acompanhava bem a turma, mesmo assim, conta que o ensino médio foi um período especialmente desgastante. Na mudança de escola, a jovem perdeu o acompanhamento especial e teve que lidar com outros desafios. 
A escola era muito grande e eu imaginava que não conseguiria fazer muitos amigos, mas pedi para entrar nos grupos e consegui. Tinha algumas aulas que eu não era capaz de acompanhar bem, mas outras, como biologia, eram bem legais porque a professora explicava tudo bem explicadinho para mim.
Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, que patrocinou o filme, comenta que o desafio da educação inclusiva no ensino médio é ainda maior do que na etapa do fundamental.
Segundo ele, inadequação da estrutura atual da escola, voltada para um ideal de aluno e não para atender à singularidade de cada um deles, vai desde o currículo até a infraestrutura e arquitetura da escola, passando pela formação de professores e gestores.
— A educação inclusiva nos obriga a repensar o ensino como um todo. No que se refere ao currículo, precisamos pensar o que é necessário que as crianças e jovens aprendam para a vida. Além disso, são necessárias políticas públicas para formação dos professores e para apoiar os gestores e as famílias para a garantia da educação inclusiva nas escolas públicas.
O Colégio Estadual Coronel Pilar, onde Renata estudou, se tornou referência em educação inclusiva.  Em 1993 a instituição recebeu o primeiro aluno cego em uma classe de ensino regular, reconheceu a importância social e aceitou o desafio pedagógico de ter salas de aula mais plurais quando tais práticas ainda eram absolutamente incipientes e experimentais na educação brasileira.
Outro Olhar

A apresentação do documentário acontece às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista. O evento também terá um debate, que contará com a participação de Henriques, do diretor geral do Instituto Rodrigo Mendes, Rodrigo Mendes e de Liliane Garcez, mestre em educação e assessora especial da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo.
fonte - http://noticias.r7.com/educacao/renata-uma-historia-de-inclusao-das-criancas-com-sindrome-de-down-na-escola-23092014
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CARTA A UM JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN NA UNIVERSIDADE http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/carta-um-jovem-com-sindrome-de-down-na.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ONU/CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - em 150 países e Decreto no Brasil

Convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência chega ao marco de 150 países

Cerca de um bilhão de pessoas no mundo sofrem com algum tipo de deficiência. Foto: Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (Creative Commons)
(imagem - foto colorida da matéria com uma criança, uma menina que tem ao colo outra criança, com paralisia cerebral, em uma cadeira de rodas, sendo apoiada e levada por outra criança, um menino, Foto: Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (Creative Commons)
Guiana é o 150º país a ratificar a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que estabelece obrigações aos Estados Partes para promover, proteger e garantir os direitos de todas as pessoas com deficiência, bem como a igualdade dos direitos em todas as áreas da vida.
A adesão do país é um marco importante para a Convenção, que está vigor desde 2008 e tem sido aceita rapidamente por vários países.
A ratificação do 150º país é uma prova do compromisso da comunidade internacional para promover e proteger os direitos humanos das pessoas com deficiência”, disse a presidente do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD), Maria Soledad Cisternas Reyes, que pediu aos países que ainda vão ratificar para que o faça. A ratificação do Brasil ocorreu em agosto de 2008.
Segundo Reyes, a Convenção tem sido ratificada em todas as regiões e culturas do mundo e está a caminho de se tornar universalmente reconhecida. Além disso, a rápida e ampla aprovação pelos países destaca o progresso em relação à consciência de que as pessoas com deficiência sofrem graves lacunas no gozo dos seus direitos e que estas lacunas precisam ser abordadas.
FONTE - http://www.onu.org.br/convencao-da-onu-sobre-direitos-das-pessoas-com-deficiencia-chega-ao-marco-de-150-paises/
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PARA ALÉM DO PRECONCEITO - A Convenção, Cidadania e Dignidade http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/12/para-alem-do-preconceito-convencao.html

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MEDICALIZAÇÃO/DEMÊNCIA - Estudo associa uso de benzodiazepínicos com ALZHEIMER

Pesquisa associa uso de remédios para dormir e ansiedade à demência

Usar comprimidos contra ansiedade e distúrbios do sono durante períodos prolongados pode aumentar em até 51% o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer
Comprimidos (Getty)
(imagem - foto da matéria com um pote de vidro que derrama milhares de cápsulas e comprimidos sobre um fundo escuro, com cores as mais variadas e combinações também)

Uma pesquisa franco-canadense publicada na revista médica BMJcomparou 2 mil pacientes com a doença com 7 mil pessoas saudáveis em Quebec, no Canadá.

Todos tinham mais de 66 anos e tomavam remédios à base de benzodiazepina.
Aqueles que usaram os medicamentos por pelo menos três meses apresentaram maiores chances de sofrer de demência.
Os pesquisadores dizem, entretanto, que o estudo não deve ser considerado como prova definitiva deste vínculo, mas que serve de alerta.

'Saúde pública'

"O uso prolongado e injustificado dessas drogas (benzodiazepinas) deve ser considerado um preocupação de saúde pública", escreveu Sophie Billioti de Gage, da Universidade de Bordeaux, na França, que coordenou a pesquisa.
Outros especialistas dizem que a pesquisa não estabeleceu o motivo para a relação entre os remédios e a doença.
"Uma das limitações do estudo é que as benzodiazepinas tratam justamente sintomas que podem ser indicadores do início do Mal de Alzheimer, como ansiedade e distúrbios do sono", disse à BBC Eric Karran, diretor de pesquisas da organização não-governamental Alzheimer's Research UK.
Esta opinião coincide com a de outro especialista, Guy Goodwin, da Faculdade Europeia de Neurofarmacologia.
Já o principal pesquisador da instituição britânica Alzheimer's Society, James Pickett, afirmou que as descobertas são preocupantes, já que só na Grã-Bretanha 1,5 milhão de pessoas são tratadas por benzodiazepinas.
As regras do sistema público de saúde britânico, o NHS, estipulam o uso dos medicamentos por um período de oito e doze semanas.
Especialistas vêm pedindo uma melhor observação dos efeitos colaterais do uso de benzodiazepinas, especialmente entre adultos com mais idade.
FONTE - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140910_pilulasalzheimer_ebc.shtml
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ALZHEIMER NÃO É UMA PIADA, mas pode ser poesia de vida http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ALZHEIMER/PESQUISAS - Médica da Clínica Mayo traz respostas importantes sobre o avanço da doença

DOENÇA DE ALZHEIMER - Impacto da doença cresce
em todo o mundo, com o aumento da longevidade.


Pesquisa avança, mas ainda não tem a resposta para a cura.
Estima-se que a doença afete mais de 115 milhões de pessoas até 2050.

(imagem - do meu blog InfoAtivoDefNet - 
uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. 
É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento,
 feita há mais de um século, da Sra. August D.)

Cientistas de todo o mundo lutam para encontrar uma cura para a doença de Alzheimer,
muito temida, que cresce em ritmo acelerado em todo o mundo, em consequência do aumento
da expectativa de vida da população;
 Quanto mais velha, maior o risco de uma pessoa sofrer dessa patologia que afeta o cérebro,
 “apagando as recordações”
e que condena o paciente, bem como sua família, a uma deterioração devastadora e
 inevitável da qualidade de vida.

Até hoje, a medicina conhece as causas desse tipo de demência, porém não conseguiu
descobrir a cura. As estatísticas indicam que aproximadamente 44 milhões de pessoas
convivem com a demência em todo o mundo, número que,
segundo se estima, aumentará para cerca de 115 milhões até o ano 2050.
Por isso, já se faz referência à Alzheimer como uma epidemia mundial.
No entanto, os avanços na pesquisa estão produzindo informações novas e promissoras
sobre a origem do problema e trazendo esperanças de se poder detectar a doença em
estágios mais precoces, como também definir formas mais específicas de tratá-la.

Pesquisadores da Clínica Mayo, de Jacksonville, Flórida, divulgaramrecentemente os
resultados de um amplo estudo realizado em centenas de genes, com mais de
700 amostras de tecidos cerebrais de pacientes com a doença de Alzheimer ou
outros distúrbios neurodegenerativos.
A médica Minerva Carrasquillo, uma das participantes dessa pesquisa, explica o
avanço da doença de Alzheimer e as novas ferramentas para combatê-la à
disposição da ciência. Acompanhe sua entrevista:

Se a ciência já definiu que a doença de Alzheimer decorre de um acúmulo no cérebro
da proteína beta-amilóide e da proteína tau.
Por que tem sido tão difícil encontrar uma droga que cure e previna a doença –
 ou mesmo uma vacina?

A evidência obtida até hoje indica que a patologia da doença de Alzheimer se inicia
com o acúmulo da proteína beta-amilóide, o que resulta em uma cascata de eventos,
que terminam com a destruição de neurônios, em regiões do cérebro essenciais
para a preservação da memória e das funções cognitivas. Ainda que os tratamentos
 já desenvolvidos para reduzir o acúmulo dessa proteína tenham apresentado
 efeito colaterais, temos feito progresso nas tentativas de eliminá-los.
A maior dificuldade tem sido encontrar drogas que possam cruzar a
barreira hematoencefálica (barreira entre o sangue e o cérebro) e que não produzam
efeitos colaterais sérios. Porém, quanto mais aprendemos sobre os
 fatores genéticos e ambientais, que aumentam o risco de
desenvolvimento da doença de Alzheimer, mais aumentamos o
 armamento para combater essa doença.

Em que porcentagem a herança genética influencia na neurodegeneração,
 em comparação com a idade avançada e com fatores ambientais de risco?

Estudos epidemiológicos que compararam a relação da Alzheimer
entre gêmeos idênticos (univitelinos) e gêmeos fraternos (bivitelinos)
estimaram que o componente genético dessa doença oscila entre 58% e 79%.
Portanto, não há dúvida de que os genes exercem um papel muito
importante no desenvolvimento da neurodegeneração.
Porém, esses estudos também demonstraram que os fatores ambientais
contribuem em uma percentagem significativa para o desenvolvimento da doença.
Por isso, devem ser estudados, a fim de se determinar se podem ser
modificados a ponto de diminuir, significativamente, os efeitos dos riscos genéticos.
Embora ainda não se tenha avaliada a porcentagem de risco oriundo especificamente
do envelhecimento, sabe-se que a idade avançada também aumenta a deterioração
do cérebro, o que, pelo que sabemos, intensifica os efeitos adversos dos
fatores genéticos que contribuem para o risco de desenvolver a doença de Alzheimer.
Por isso, o estudo de fatores que influenciam na longevidade também pode
contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para a doença de Alzheimer.

As pessoas que têm antecedentes familiares da doença de Alzheimer
contam com alguma forma de prevenção de seu desenvolvimento?

Não. Ainda não se encontrou um tratamento para a prevenção do
desenvolvimento dessa doença.

Atualmente, o mercado farmacêutico oferece medicamentos indicados para
 retardar a progressão dessa doença, quando é diagnosticada.
Quais têm sido os resultados conseguidos com o uso desses medicamentos,
considerando seus altos custos?

Os medicamentos disponíveis atualmente apenas diminuem a progressão
dos sintomas e, infelizmente, o benefício é, com frequência, imperceptível.
Por isso, há tanta urgência em descobrir melhores tratamentos.

Qual a diferença entre o estudo recente da Clínica Mayo em comparação
 com os estudos realizados anteriormente, tanto na Mayo como em outras instituições?

Até há pouco tempo, a maioria dos estudos se concentravam em genes ou
em proteínas com funções relacionadas aos sintomas ou à patologia da doença.
Nos últimos cinco anos, estudos do genoma identificaram 20 variantes
associadas ao risco do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
No entanto, ainda não se sabe exatamente qual é a função dessas variantes.
Portanto, o enfoque de nosso estudo mais recente se concentra
em determinar se essas novas variantes causam mudanças na expressão genética no cérebro.

Qual é o principal mérito dos resultados obtidos?

Graças ao grande número de amostras de tecido de autópsia cerebral
 que foram doadas à Clínica Mayo para a pesquisa de doenças neurodegenerativas,
 temos capacidade estatística suficiente para detectar associações
de variantes com níveis de expressão de genes específicos.
 Os genes que demonstram ser modulados pelas variantes que foram associadas
 ao risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer poderiam
se converter em novos caminhos de intervenções terapêuticas.

De que maneira esse estudo contribui para a possibilidade de desenvolver terapias eficazes?

Nosso estudo está facilitando a identificação dos genes associados à doença
e nos guia para os mecanismos biológicos que contribuem para a doença.
O desenvolvimento de tratamentos eficazes depende do
conhecimento desses mecanismos biológicos.

Há alguma esperança a curto prazo?

Falar de cura tem sido muito difícil até agora. Porém, é preciso manter sempre
a esperança. Milhares de cientistas em todo o mundo trabalham arduamente
 com esse objetivo em mente e, a cada dia, recebemos mais informações
 que nos levam para mais próximos dessa meta.

Na recente Conferência Internacional de Copenhague (julho), foi feita
referência à relação entre a doença de Alzheimer e a perda do olfato.
Essa associação ajudará na detecção mais precoce do problema?

De acordo com os resultados desse estudo, a correlação entre a perda do olfato
e a doença de Alzheimer é significativa, porém não é perfeita.
Por isso, não se pode usá-la para predizer o desenvolvimento dessa doença.
Porém, conforme se especula, será possível utilizá-la em combinação com os
exames já existentes para se poder diagnosticar a doença em pacientes,
antes que eles apresentem todos os sintomas que até agora têm sido
 usados para definir a doença, como, por exemplo, a perda de memória episódica.

Em quanto tempo se poderá aplicar esse conhecimento à prática clínica?
De que depende o desenvolvimento desses testes?

Ainda que o exame de odor, que foi utilizado nesses estudos, seja fácil
 de aplicar e não é caro, é difícil prever quando se poderá utilizar esse
conhecimento, de fato, na prática clínica. Esses estudos ainda estão
em etapas iniciais e requerem confirmação em um grupo maior e independente de pacientes.

Alguns estudos identificaram placas de beta-amilóide na retina de pacientes
 afetados pela doença. Essa é uma descoberta realmente promissora?

De uma forma similar aos estudos sobre a perda de olfato, os estudos que
visualizaram as placas de beta-amilóide no olho concluem que esses exames
poderiam ajudar a diagnosticar a doença de Alzheimer em idade mais precoce,
medir o progresso da doença e as respostas a terapias. De acordo com os pesquisadores
participantes do estudo que visualiza a beta-amilóide no cristalino (a lente dos olhos),
a correlação da densidade de placas na lente com o diagnóstico clínico da doença
de Alzheimer é muito significativa. Porém, ainda são necessários novos estudos
para examinar essa correlação a longo prazo em indivíduos sem demência,
para determinar se, na realidade, esses exames podem ser utilizados para
diagnosticar a doença em idade mais precoce. Esse estudo foi financiado, em parte,
por verbas dos Institutos Nacionais de Saúde e pelo
Centro de Pesquisa da Doença da Alzheimer da Mayo.

Para mais informações sobre tratamento da doença de Alzheimer na
 Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, os interessados devem contatar
 o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 1-904-953-7000
 ou envie e-mail para intl.mcj@mayo.edu.
 Para mais informações em português, visite www.mayoclinic.org/portuguese/.

Sobre a Mayo Clinic
Completando 150 anos de serviços à humanidade em 2014,
a Mayo é uma das principais clínicas mundiais, dedicada à atenção médica,
 pesquisa e educação para pessoas em todas as etapas da vida.
 Não tem fins lucrativos. Para mais informações,
 acesse150years.mayoclinic.org ou newsnetwork.mayoclinic.org/.

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