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quinta-feira, 2 de abril de 2015

AUTISMO/TRABALHO - ONU - Por mais empregabilidade para pessoas vivendo com autismo(s)

ONU quer mais empregos para pessoas com autismo

Secretário-geral está encorajado com o aumento do conhecimento público sobre o problema; Ban Ki-moon fez a declaração para marcar o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, esta quinta-feira 2 de abril.

(Imagem - a representação da ONU para o WORLD AUTISM AWARENESS DAY, com o símbolo da entidade sobre estas palavras, à direita, como o rosto de uma criança enquadrado como uma peça de quebra cabeças, à esquerda)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, quer que as empresas criem mais empregos para as pessoas com autismo. A declaração foi feita para marcar o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, esta quinta-feira 2 de abril.
O tema da campanha deste ano é "Emprego: A Vantagem do Autismo". Ban disse que está encorajado com o aumento do conhecimento público geral sobre o problema.
Tratamentos e Integração
Segundo o chefe da ONU, a data especial não só fornece maior compreensão sobre o assunto, mas também empodera os pais na busca de tratamentos e terapias precoces como busca maior integração das pessoas com autismo na sociedade.
Ban disse ainda que com apoio adequado, os autistas podem e devem frequentar escolas em suas comunidades.
De São Paulo, em entrevista à Rádio ONU, a coordenadora pedagógica da Associação de Amigos do Autista, Carolina Ferreira, falou sobre a dificuldade de se encontrar um emprego para as pessoas nessa condição.
"Nós já tentamos empregos para muitos deles que têm um autismo mais leve, e nós percebemos a grande dificuldade. O Brasil tem a cota para (pessoas) especiais mas não está preparado para receber pessoas com autismo e muitos não conseguem emprego."
A coordenadora pedagógica falou ainda sobre os tipos de trabalho mais apropriados para as pessoas com autismo.
"Olha, as pessoas com autismo executam atividades que sejam mais (ligadas) em linha de montagem, algumas têm facilidade em computação. Eu acho que as profissões ou serviços que lidam muito com pessoas, com o público, são mais difíceis para eles."
Desempregados
Falando sobre emprego, o secretário-geral da ONU convidou as empresas a assumirem um compromisso concreto para contratar pessoas com autismo.
Segundo Ban, 80% dos adultos com autismo estão desempregados. Ele afirmou que essas pessoas têm um potencial enorme, a maioria tem notáveis habilidades visuais, artísticas ou acadêmicas.
Graças ao uso da tecnologia, pessoas que sofrem dessa condição e não conseguem falar podem se comunicar e compartilhar seus conhecimentos e capacidades.
O chefe da ONU pediu a todos que no Dia Mundial da Conscientização do Autismo unam forças para criar as melhores condições possíveis para que essas pessoas possam fazer sua própria contribuição para um futuro mais justo e sustentável.

fonte - Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York. http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/04/onu-quer-mais-empregos-para-pessoas-com-autismo/#.VR1j4JvqOz5.twitter

LEIAM TAMBÉM SOBRE AUTISMO NO MEU BLOG INFOATIVO DEFNET - 

ASPERGER, UMA SÍNDROME DE MENTES BRILHANTES OU NÃO? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/11/asperger-uma-sindrome-de-mentes.html

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

NEGROS/INCLUSÃO NO TRABALHO - Relatório do DIEESE revela que mesmo trabalhando mais sempre ganham menos

Só escolaridade não garante presença de negros no mercado de trabalho, aponta Dieese

Negros representam 48,2% dos trabalhadores nas regiões metropolitanas, mas a média de seu salário chega a ser 36,1% menor do que a de não negros
Negros no Mercado
(imagem - foto colorida de um homem, um operário negro, da construção civil, com parte de seu corpo próximo a uma parede, trazendo uma ferramenta na mão, com a roupa suja de tinta para a pintura, confirmando a maçiça presença negra nesse mercado de trabalho, onde a desigualdade salarial é menor)
São Paulo – O boletim “Os negros no trabalho”, divulgado hoje (13) pelo Dieese, revelou que apesar de a população negra ter maior participação no mercado de trabalho ainda ganha menos do que os não negros e ocupa os postos de serviços menos valorizados. Mesmo quando o nível de escolarização se eleva e se equipara ao da população não negra, os cargos ocupados pelos negros são os de menor prestígio hierárquico e os salários são inferiores.
De fato, o acesso dos negros à universidade e à qualificação é menor. No entanto, quando aumentam o grau de escolaridade, individualmente têm uma melhora de renda. Mas não é suficiente para reduzir desigualdade, porque apesar de melhor remuneração, ela continua menor se comparada com a dos não negros”, observa a socióloga do Dieese Adriana Marcolino.  O estudo resulta de pesquisa feita pelo Dieese, em parceria com a Fundação Seade e o Ministério do Trabalho e Emprego.
Apesar de os índices relativos ao biênio 2011-2012 revelarem progresso em relação à maior ocupação dos negros e menor desemprego – nas regiões metropolitanas pesquisadas, 48,2% eram negros –, essa população segue tendo seu esforço produtivo menos reconhecido. Em média, suas remunerações por hora ficavam limitadas a 63,9% do ganho-hora dos não negros.
A pesquisa englobou as regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. Dos negros ocupados no mercado, 27,3% não haviam concluído o ensino fundamental (que vai do 1º ao 9° ano) e apenas 11,8% concluíram o ensino superior. Entre a população não negra, 17,8% dos ocupados não terminaram o ensino fundamental e 23,4% formaram-se em uma faculdade. Este cenário se reflete nos ganhos salariais, apesar de não ser determinante para as desigualdades constatadas.
Os negros, em todas as estruturas produtivas, estão em ocupação de menos prestígio, e mesmo quando têm maior escolaridade, estão em níveis mais precarizados. Os dados são uma comprovação de que existe um papel grande da discriminação racial no mercado de trabalho. A despeito do aumento da escolaridade, o negro vai se manter na ocupação que exige menos escolaridade. Porque é aquele emprego que é oferecido a ele, que é destinado a ele”, afirma Adriana.
Foi comprovado também que quanto maior o nível do patamar de escolaridade, a desigualdade entre a remuneração de negros e não negros aumenta. Por exemplo, na indústria de transformação, a desigualdade de rendimento por hora dos negros em relação aos não negros era de 18,4% no ensino fundamental incompleto e de 40,1% para aqueles com ensino superior completo. Ou seja, quanto maior o nível de escolaridade, maior a desigualdade entre negros e não negros.
No setor da construção, em que a qualificação exigida se apoia mais na experiência do que na escolaridade, a desigualdade entre os rendimentos por cor é menor: variou de 15,6% dentre os ocupados com ensino fundamental incompleto e 24,4% para aqueles com superior completo.

Políticas afirmativas

O desemprego diminuiu entre os negros e não negros, e apesar de haver maior inserção dos primeiros no mercado, os índices mostram diferenças no acesso. “O mercado teve melhora como todo, e isso é fruto do desempenho econômico, do crescimento, da melhoria de condições gerais. A população negra, em alguma medida se beneficiou, aumentou sua ocupação, mas a desigualdade de inserção se mantém”, comenta a socióloga do Dieese.
Adriana ressalta que apesar da importância de políticas afirmativas na educação, como a adoção de cotas por universidades públicas, para maior inserção social da população negra, elas não são suficientes para mudar significativamente o cenário do mercado de trabalho.
A política de cotas teve impactos positivos, pois cria mais oportunidades e eleva a escolaridade da população negra, mas não é único elemento para acabar com desigualdade no mercado de trabalho”, diz a socióloga, acrescentando que é preciso avançar em outras políticas específicas para o mercado de trabalho. “O movimento sindical tem iniciado esse debate, tem aparecido bastante nas negociações coletivas, para que este tema seja debatido no espaço da empresa. Preconceito racial é subjetivo às vezes, embora tenha um reflexo objetivo no mercado. É importante incluir todos no debate, para ir aos poucos saindo do esquecimento, dessa capa de que há igualdade no mercado”, observa Adriana.
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INCLUSÃO, RACISMO E DIFERENÇA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/05/inclusao-racismo-e-diferenca.html

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/TRABALHO - Mercado de trabalho não cumpre Lei de Cotas

Apenas 8% das empresas cumprem a Lei de Cotas; conheça os entraves

Seite Keffer
*(imagem - foto colorida de um jovem com fones de ouvido, olhando a tela de um computador, ele é Seiti, cego e surdo de um ouvido, que consequiu emprego em uma universidade, fotografia da TV Câmara)
Seiti Kleffer considera-se um vencedor. Aos 23 anos, ele acaba de se formar em Serviço Social e já conseguiu o primeiro emprego. O que diferencia Seiti de outras pessoas é o fato de ser cego e surdo de um ouvido. Essas características, no entanto, nunca o impediram de ir à luta em busca de seus direitos e do próprio crescimento profissional.
Seiti trabalha em uma universidade em Brasília, justamente no setor que busca incluir alunos com deficiência. A tarefa do jovem é digitalizar materiais para outros alunos que, como ele, não enxergam ou enxergam pouco. Faz parte da política da instituição incluir alunos e também contratar pessoas com deficiência para trabalhar no local.
As deficiências de cada pessoa são específicas, o que obriga a empresa a se adequar às necessidades de cada um. Um cego, por exemplo, sofre com a falta de programas de computadores específicos. Já o surdo precisa da ajuda de um intérprete da língua brasileira de sinais ou de legendas. “Existe um trabalho bem específico para cego e um trabalho mais específico para surdo. O trabalho para cego envolve muito telemarketing. E trabalho para surdo eu não posso fazer, porque não consigo ver”, explica Seiti.
No caso de quem utiliza cadeiras de rodas, as dificuldades começam ao sair de casa, como atesta a médica e professora Izabel Maior. “Eu tenho que pensar muito aonde eu vou, antes. Eu preciso saber se o banheiro é acessível. Eu preciso saber quanto tempo eu vou demorar. Se eu vou ter que chamar um carro. Se eu estou com cadeira motorizada, eu tenho que chamar um táxi especial com muita antecedência”, enumera.
Lei de Cotas não é cumprida
São poucos os deficientes que têm a sorte de Seiti e Izabel. O País conta, há 22 anos, com uma lei que obriga empresas com mais de 100 empregados a contratar pessoas com deficiência. Pela regra, as empresas que têm entre 100 e 200 funcionários devem reservar pelo menos 2% das vagas para profissionais com deficiência. Para empresas com até 500 funcionários, a cota sobe para 3%; com até mil, 4%; e acima de mil a cota é de 5%.
Porém, o fato é que são poucas as empresas que cumprem a lei. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais, das mais de 45 mil empresas com 100 ou mais empregados no Brasil, apenas 3.800 – pouco mais de 8% do total - cumpriam a cota mínima de contratação de pessoas com deficiência no fim de 2011.
Calcula-se que, se a lei de cotas fosse cumprida, pelo menos 900 mil trabalhadores com deficiência teriam um emprego, em um universo de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.
Mil empresas multadas por ano
Auditores fiscais do Trabalho fiscalizam o cumprimento da medida em todo o País. A empresa infratora é punida com multa que varia de R$ 1,3 mil a quase R$ 133 mil, conforme o tamanho do negócio.
Em média, mil empresas são autuadas a cada ano. Segundo Fernanda Di Cavalcanti, coordenadora nacional do Projeto de Inserção de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, a fiscalização tem levado muitas empresas a se enquadrar.
A falta de vontade de algumas empresas e o preconceito em admitir pessoas com deficiência não são os únicos entraves ao cumprimento da lei. Em muitos casos, o que há é dificuldade mesmo para se adaptar, como já havia destacado Seiti Kleffer e como afirma Janilton Fernandes Lima, da Confederação Nacional do Comércio: “É preciso investir, de alguma forma, na adaptação. Às vezes é preciso alterar a estrutura física do local, mas o lojista, o comerciante não é o proprietário”.
Em outros casos, o que faltam são profissionais com deficiência qualificados. De qualquer forma, cursos adaptados existem, como explica Adriana Barufaldi Bertoldi, especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai. Segundo ela, o Senai adapta os currículos do curso de interesse da pessoa com deficiência e já incluiu 80 mil profissionais no mercado de trabalho entre 2007 e meados de 2013. A maior dificuldade é fazer com que as pessoas tenham acesso a essa capacitação, mas quem se capacita surpreende. “A gente sempre subestima os deficientes. Eles só precisam que a gente garanta os apoios necessários”.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/TRABALHO - Os Projetos de Lei em andamento em reportagem da Câmara Federal

Reportagem especial mostra dificuldades dos deficientes no mercado de trabalho

Conheça os aspectos legais, os projetos de lei em andamento e a opinião de especialistas para ampliar o mercado de trabalho dessa população.

Direitos humanos - minoria - Deficientes visuais fabricam vassouras com restos de garrafa PET
*(imagem: foto colorida de duas pessoas cegas, dois homens realizando um trabalho de montagem de vassouras, de forma artesanal, com a legenda de que apenas 235 mil pessoas com deficiência estão empregadas no Brasil, fotografia de Valter Campanato)
O Brasil tem mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Desse total, quase 13 milhões possuem deficiência severa, segundo o Censo de 2010 do IBGE. O número, porém, não se reflete no mercado de trabalho. Aproximadamente 325 mil, ou menos de 1% dos mais de 44 milhões de trabalhadores com vínculo empregatício são deficientes.
Desde 1991, o Brasil conta com uma lei, conhecida como Lei de Cotas (artigo 93 da Loas), que obriga as empresas com mais de cem empregados a reservar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Apesar disso, o País ainda está longe de ser um exemplo. Os obstáculos no cumprimento da lei passam pelo preconceito e a má vontade dos empregadores, dificuldades da própria empresa em se adaptar à regra, à falta de qualificação dos profissionais interessados.
Na Câmara, tramitam diversas propostas de mudanças nas regras atuais de contratação de deficientes. Algumas delas ampliam o leque de empresas obrigadas a contratar esse tipo de funcionário, tornando a regra obrigatória para os negócios com 50 ou mais empregados, como o PL 1240/11, do deputado Walter Tosta (PSD-MG).
Outras, como o PL 1653/11, do deputado Laercio Oliveira (PR-SE), pretendem flexibilizar a contratação, com a justificativa de que alguns setores não conseguem trabalhadores capacitados para as tarefas ofertadas.
Mudança não é consensual
Embora haja dezenas de projetos de lei para tratar do tema — inclusive a proposta do Estatuto da Pessoa com Deficiência (PL 7699/06) —, a necessidade de mudanças não é consensual. Alguns parlamentares e especialistas reforçam que o mais importante é garantir o acesso de deficientes à educação.
A sugestão da deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), ela própria cadeirante, para o cumprimento da norma é aumentar as penalidades para quem não cumpre a Lei de Cotas. Hoje, a penalidade é de multa, que varia entre R$ 1,3 mil e R$ 132,9 mil. “A legislação é avançada e serve de exemplo para países economicamente mais desenvolvidos que o Brasil, mas infelizmente ainda não é efetiva porque falta uma penalidade maior para quem deixa de cumpri-la”, afirma a deputada. Com esse intuito, a deputada Érika Kokay (PT-DF) apresentou o Projeto de Lei 5059/13, que eleva o valor das multas para R$ R$ 6 mil a R$ 780 mil.
Também para o procurador do Ministério Público do Trabalho Flávio Gondim, não há necessidade de modificar a atual legislação: “Há outros aspectos que precisam ser mais bem trabalhados: a acessibilidade, o acesso à educação. Tudo isso é entrave. O problema vem muito antes do momento de a pessoa com deficiência ingressar no mercado de trabalho.

sábado, 14 de setembro de 2013

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/TRABALHO - No Ceará estatística revela o desafio de sua inclusão no trabalho

Inserir deficiente no mercado ainda é desafio *no Ceará

Apenas 17,9% das pessoas com deficiência no Estado têm acesso à educação, afastando-as do mercado de trabalho
(imagem - foto colorida de uma pessoa com deficiência, amputada, com duas bengalas canadenses, fazendo o esforço de ter de superar uma barreira física, uma escada de muitos degraus, fotografia de Alex Costa) 

Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, ainda há muito a ser conquistado para que os 2,3 milhões de cearenses com algum tipo de deficiência sejam inseridos no mercado de trabalho. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2011, estima-se que dos 35,8 mil empregos formais que deveriam ser ocupados por essa categoria de pessoas no Ceará, atendendo às cotas determinadas pelo governo federal, apenas 11,6 mil estão efetivamente preenchidos - o que corresponde a um hiato de 24,2 mil vagas de trabalho.

No levantamento relativo aos trabalhadores formais com algum tipo de deficiência, 64,6% são homens e 55,6% têm entre 30 e 49 anos  Conforme a pesquisa "As pessoas com deficiência e o mercado de trabalho no Ceará", desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), a baixa escolaridade dessa população e a falta de acessibilidade nas ruas, no transporte público e nas empresas são os principais entraves para a inclusão.

O estudo, divulgado ontem, revela que enquanto 38,6% da população sem deficiência residente no Estado frequentam a escola, entre as pessoas com deficiência, a proporção daqueles que tem acesso à educação é de apenas 17,9%. "Isso demonstra a dificuldade de inserção dos deficiente também nos ciclos escolares", reforça Erle Mesquita, coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT.

Perfil

Segundo a pesquisa, o perfil da população residente no Ceará com deficiência é composto prioritariamente de mulheres (56,8%), moradores da área urbana (75%), possuem cor parda (60,8%) e tem idade igual ou superior a 60 anos (27,1%).
Já no levantamento relativo aos trabalhadores formais no mercado de trabalho cearense, com algum tipo de deficiência, 64,6% são homens e possuem deficiência física (65,5%). Mais da metade estão na faixa entre 30 e 49 anos de idade (55,6%) e possuem, no mínimo, o ensino médio completo (53,6%).

Dentre os trabalhadores formais no Estado que possuem algum tipo de deficiência, segundo a Rais de 2011, além dos 65,5% que possuem problemas físicos, existem 16,9% com deficiência auditiva, 7,8% reabilitados, 7% com deficiência visual, 2% com deficiência intelectual ou mental e apenas 0,8% com multiplicidade de deficiências.

"Mesmo com todas as dificuldades, o Ceará ocupa a 8ª colocação entre os demais estados da federação, em termos absolutos, de pessoas com deficiência no estoque total de empregos formais e a 3ª posição em termos relativos", diz Erle Mesquita.

Para Fátima Almeida, gerente de atendimento especializado a pessoas com deficiência do IDT, a dificuldade dos deficientes de chegar aos bancos escolares está relacionada à falta de acessibilidade. "Alguns nem conseguem sair de casa, andar pelas ruas, usar o transporte público, quanto mais entrar no mercado de trabalho, porque ainda falta sensibilidade do empresariado. Tanto que a maior parte das empresas, quando conseguem inserir, opta por deficientes físicos, que são os que mais se assemelham a pessoas sem deficiência".

Evento

Conforme Antenor Tenório, coordenador de Intermediação de Profissionais do Sine-IDT, para promover a inclusão de pessoas com deficiência no Ceará, o Sine-IDT, em parceria com a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), realizará de 19 a 30 de setembro a 6ª semana de inclusão, com ações simultâneas em todo o Estado. "Queremos mostrar às empresas que elas precisam avançar principalmente em relação à tipologia das deficiências", afirma.

Segundo ele, há mais de 120 trabalhadores homologados no órgão para o mercado de trabalho. Em 2012, foram inseridos no mercado de trabalho do Ceará, por meio do Sine-IDT, 1.149 trabalhadores com deficiência. Dentre as empresas locais, um dos principais destaques, conforme Tenório, é a indústria de calçados Grendene, que será uma das homenageadas no evento.

Ainda conforme o levantamento, as ocupações mais frequentes exercidas por pessoas com deficiência no estoque de emprego formal do Ceará estão na indústria de calçados, como polivalente ou costurador, em variadas de linha de produção no cargo de alimentador, além de auxiliar de escritório, assistente administrativo, operador de máquina de costura e acabamento, zelador e porteiro de edifícios, faxineiro, cobrador em transportes coletivos, embalador, almoxarife, comerciário, recepcionista, operador de triagem e transbordo, operador de caixa, manutenção de edificações e servente de obras.

Lei de Cotas

Segundo a lei 8.213/91, que determina as cotas de contratação que as empresas têm de cumprir, quem possui um quadro de funcionários entre 101 e 200 pessoas deve destinar 2% de suas vagas aos trabalhadores com deficiência. De 201 a 500 trabalhadores a proporção é de 3%. Entre 501 e mil empregados, a cota sobe para 4%. Para empresas com mais de mil funcionários, o percentual de vagas para portadores de deficiência é de 5%. Já no setor público, entre 5% e 20% das vagas devem se destinar a deficientes, variando conforme o edital de cada instituição.

FONTE - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1317149 (*Reportagem Ângela Cavalcante)

terça-feira, 9 de julho de 2013

ASPERGER/VIVÊNCIAS - VIVER COM A SÍNDROME DE ASPERGER segundo Gerhard Gaudard

"Esse diagnóstico mudou minha vida completamente"

Por Thomas Stephensswissinfo.ch 
Gerhard Gaudard.
*(imagem - fotografia preto e branco de Gerhaud Gaudard, divulgaçãoSpecialisterne)
Gerhard Gaudard, técnico de informática, recebeu há dois anos o diagnóstico de portador da chamada síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista. À swissinfo.ch ele conta sobre o trabalho, as dificuldades do cotidiano e o segredo de um casamento feliz.
Gaudard, 38 anos, se formou como técnico de informática e hoje trabalha na filial de Berna da empresa dinamarquesa Specialisterne, onde a maioria dos empregados sofre de alguma forma de autismo. A equipe se ocupa de processamento de dados, programação de software e testes de projetos.

Sua jornada de trabalho dura oito horas, quatro vezes por semana, e ele faz diariamente o trajeto da cidade de Aarau (leste) até a capital suíça, gastando 40 minutos em trem. Ele é prolixo, amigável, divertido e aberto a compartilhar suas experiências com outras pessoas. É o que explica sua decisão de manter um blog dedicado ao cotidiano de uma pessoa que sofre da síndrome de Asperger. O único sinal visível da doença é o fato de nunca olhar os interlocutores nos olhos.

swissinfo.ch: Em que consiste o seu trabalho?

Gerhard Gaudard: Minha principal função é assegurar que todos os nossos clientes tenham trabalho, projetos ou algo a fazer. Eu também me ocupo do apoio técnico e faço todos os reparos. Além disso, eu também preparo os conceitos e as ideias de novos projetos e da negociação destes com os clientes. Habitualmente oito horas por dias não bastam!

swissinfo.ch: Você gosta do que faz?

G.G.: Sim, bastante. Para mim é como ter ganhado na loteria. Poder trabalhar sendo portador da síndrome de Asperger, com e para as pessoas que sofrem da enfermidade, é algo que só acontece uma vez na vida.

swissinfo.ch: Você já trabalha há quase 20 anos para empresas, podemos dizer, "normais". Como é essa experiência?

G.G.: Há dois anos soube que sofria da síndrome de Asperger. Antes não sabia o que era isso e praticamente toda a minha vida profissional foi uma catástrofe. Agora eu entendo porque não compreendia os outros e o que eles queriam de mim. Por vezes era um pouco como encontrar e perder o emprego.

swissinfo.ch: Esse diagnóstico mudou a sua vida?

G.G.: Ele a virou de pernas para o ar. Eu tive de começar do zero, ou seja, de refletir que tipo de trabalho eu poderia fazer, onde poderia trabalhar, como organizar a minha vida privada, meu relacionamento, tudo. Era muita coisa para fazer...

swissinfo.ch: O que é mais difícil para alguém como você no cotidiano?

G.G.: Nós precisamos de uma rotina e cada dia deve ser igual ao outro. Se alguma coisa muda, é terrível para mim. Por exemplo, ontem tive de ir para Zurique encontrar um cliente. Eu havia sido prevenido na semana passada e assim passei quatro dias refletindo como ir para lá, a que horas iria chegar e o que deveria discutir. Eu tive de refletir quatro dias sobre o tema, pois se tratava de uma mudança na minha vida.

swissinfo.ch: O ambiente de trabalho parece ser muito bom. Qual a sua opinião?

G.G.: Se o Thomas (van der Stad, diretor da Specialisterne) diz que o ambiente é bom, é que ele é bom mesmo. Para mim não existe ambiente. Eu não sei o que é isso. Eu não posso senti-lo ou vê-lo.

É algo como um filtro que me impede de ver as emoções. Na verdade não vejo nada. Também não vejo os rostos. É quase como se eu fosse cego. Por isso não posso responder a essa questão.

swissinfo.ch: Por que você começou a escrever um blog?

G.G.: Por uma razão muito simples: quando recebi o diagnóstico de Asperger, eu comecei a procurar na internet os fóruns de debate sobre o tema, sites e informações, pois tinha necessidade de saber do que se tratava. Depois eu encontrei um fórum, me registrei e li o que era escrever. Assim comecei a me comunicar com as pessoas.

Uma pessoa me escreveu dizendo que eu era um imbecil, que estava completamente enganado e outras coisas. Era uma mãe neurótica (n.r.: termo utilizado por muitos autistas para falar dos não autistas). Eu engoli a história e pensei comigo mesmo que o fórum era feito para pessoas que tem Asperger e não para mães que não sofrem dessa doença. Acabei ficando bastante chateado.

Assim tive a ideia de escrever um blog. Mas como? Era possível fazê-lo com o Google, o que me facilitou bastante o trabalho. Sem ter nenhum conceito na cabeça, simplesmente comecei a escrever. É uma pequena história de sucesso: eu chego a ter 3.500 cliques por mês de todas as partes do mundo. 

swissinfo.ch: A maioria dos seus leitores também sofre da síndrome de Asperger?

G.G.: Eu diria que a metade deles. Algumas pessoas escrevem e contam que o seu parceiro tem a doença e agradecem por um artigo. Outros contam que também sofrem da síndrome, que me compreender e ficam felizes de saber que não estão sós no mundo.

swissinfo.ch: Você tem bastantes lazeres? Penso que o cinema, por exemplo, é difícil para você se não é possível compreender as emoções...

G.G.: O cinema é um dos meus passatempos favoritos! Os filmes de ação são perfeitos para mim. Eu também gosto muito de ficção-científica. Mas as comédias, dramas, histórias de amor e todos esses filmes com sentimentos são incompreensíveis para mim. É como se eles fossem falados em um idioma que eu não compreendesse.
Eu também gosto de ler e ver documentários. A música também é uma paixão: eu toquei guitarra elétrica por quase dez anos. Eu gostava de heavy metal. Para mim o Iron Maiden é o melhor grupo de rock do mundo!

swissinfo.ch: Se você gosta de ler, dá para imaginar escrever um livro?

G.G.: Certamente. Eu tenho um projeto na cabeça de transformar o meu blog em livro.

swissinfo.ch: Você costuma se encontrar nas horas livres com outras pessoas que sofrem da síndrome de Asperger?

G.G.: Não. Eu já tenho contato com eles durante o meu dia de trabalho. No meu andar só tem gente assim. Na minha vida privada não tenho contato com elas. Eu praticamente não tenho contato com outras pessoas a não ser a minha esposa.

swissinfo.ch: Ela é autista também?

G.G.: Não. Ela teve de aprender um monte de coisas. Uma vez ela se informou sobre o tema e me disse: "Bom, para mim não faz diferença se você tem essa doença. Eu te amo como você é. Se há qualquer coisa que eu não entendo, então perguntarei a você."

Nós estamos juntos há quase um ano. Um dos nossos segredos é que não vivemos juntos: ela está aqui, perto de Berna, e eu vivo em Aarau. Antes eu estive com outra pessoa por onze anos, dos quais dez em coabitação. Quando recebi o diagnóstico, ela me abandonou afirmando que não poderia viver comigo sabendo que eu não poderia aprender coisas que eram importantes para ela. Eu tive de superar isso e, assim, decidi dizer à minha mulher desde o início que tinha Asperger.

Hoje, com meu trabalho e a minha esposa, eu estou muito feliz. Para mim essa é a fórmula perfeita para equilibrar a vida profissional e a vida privada.

Síndrome de Asperger (segundo esta matéria)

A Síndrome de Asperger é uma perturbação neurocomportamental de base genética; pode ser definida como uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento.

Embora seja uma disfunção com origem num funcionamento cerebral particular, não existe marcador biológico; o diagnóstico se baseia num conjunto de critérios comportamentais.

Entre as características mais comuns podemos destacar:
-Défice de comportamento social;
-Interesses limitados;
-Comportamentos rotineiros;
-Peculiaridade do discurso e da linguagem;
-Perturbação na comunicação não verbal;
-Descoordenação motora.

Como consequência destas dificuldades os portadores de Síndrome de Asperger acabam por se isolar e limitar seus interesses a determinados temas assuntos, atitude que prejudica ainda mais a sua relação com o outro.

Calcula-se que em Portugal existam cerca de 40.000 portadores de Síndrome de Asperger afetando na maioria os rapazes.

O Diagnóstico precoce é essencial para proporcionar aos portadores, os recursos necessários e a que têm direito que lhes permitam atingir o seu potencial, o qual muitas vezes é extraordinário, como pessoas verdadeiramente integradas na sociedade. (Fonte: apsa.org.pt)
Thomas Stephens, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele  FONTE 
http://www.swissinfo.ch/por/sociedade/Esse_diagnostico_mudou_minha_vida_completamente.html?cid=36330194

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/LEGISLAÇÃO - Projeto de Lei 5059/13 atualiza multas para desrespeito à Cotas

Projeto reajusta multa de empresa que não contratar deficiente

Valor arrecadado com as multas será destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e aplicado, exclusivamente, na qualificação profissional de trabalhadores com deficiência

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5059/13, da deputada Erika Kokay (PT-DF), que estabelece critérios e atualiza os valores das multas aplicadas contra empresas que não respeitarem a cota de pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários.
Atualmente, a legislação (Lei 8.213/91) determina que a empresa com 100 ou mais empregados é obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:
  • até 200 empregados, 2%;
  • de 201 a 500, 3%;
  • de 501 a 1 mil, 4%; e
  • a partir de 1.001, 5%.
Apesar de a lei não determinar uma cota para empresas com menos de 100 funcionários, a proposta da deputada inclui esse grupo entre as passíveis de penalidades se não contratarem pessoas com deficiência.
O texto apresentado estabelece o seguinte escalonamento nas multas:
  • R$ 6.084 a R$ 7.609 para empresas com até 99 empregados;
  • R$ 7.610 a R$ 9.135 para aquelas com 100 a 200 empregados;
  • R$ 9.136 a R$ 10.661 para empresas de 201 a 500 empregados;
  • R$ 10.662 a R$ 12.187 para a que tiver entre 501 e 1 mil empregados; e
  • R$ 12.188 a R$ 13.713 para empresas com mais 1 mil empregados.

O valor efetivo da multa será obtido multiplicando-se o número total de empregados com deficiência que deixou de ser contratado ou o número de empregados dispensados de forma irregular pelo valor previsto para a faixa de enquadramento da empresa e não será maior que R$ 750 mil.
Para o estabelecimento da multa, serão observados diversos critérios, como a gravidade da infração, as condições da empresa para cumprir a lei, os antecedentes da empresa no cometimento de infração da mesma natureza nos cinco anos anteriores à autuação, a extensão da infração e a situação financeira da empresa infratora.
O montante arrecadado com a aplicação das multas será destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e aplicado, exclusivamente, na qualificação profissional de trabalhadores com deficiência.
Defasagem
Já existem diversas normas que estabelecem multas para esse tipo de infração, mas a deputada Erika Kokay considera os valores defasados. “Partimos da base legal já existente e, simplesmente, promovemos os ajustes necessários nos valores, tendo em mente o objetivo de tornar extremamente oneroso o descumprimento da lei”, declarou.
A deputada também destacou o estabelecimento de critérios para a aplicação da multa. “Além de instituir valores mais condizentes com o objetivo de inibir a violação da norma em vigor, a proposta ora apresentada institui critérios que devem ser considerados para fins de gradação da multa a ser aplicada às empresas que não observarem o disposto na legislação”, concluiu.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Pierre Triboli

quarta-feira, 12 de junho de 2013

AUTISMO/TRABALHO - Mercado de trabalho corporativo busca a Neurodiversidade dos Autistas

Autistas encontram espaço no mercado de trabalho corporativo

Grandes empresas estão apostando em capacidades específicas do transtorno como diferenciais para o sucesso em algumas atividades

*(imagem - foto da matéria colorida com um ambiente de trabalho com homens e mulheres, separados por baias, com computadores e telas à sua frente - Thinkstock/Getty Images)
Alguns chamam isso de diversidade neurológica, outros veem como uma revanche contra o preconceito que sempre cercou os autistas.
Expressando a convicção de que "a inovação vem das bordas", a empresa alemã SAP, gigante na área de software, lançou no mês passado uma campanha de recrutamento dirigida para atrair pessoas com autismo a trabalhar como testadores de software.
Uma semana depois, a empresa americana de financiamento Freddie Mac anunciou uma segunda rodada de estágios remunerados, voltados especificamente para alunos autistas ou recém-formados com a mesma condição.
As duas multinacionais dizem que esperam aproveitar os talentos únicos das pessoas autistas, como também conceder a elas, anteriormente marginalizadas no mercado de trabalho, uma oportunidade para prosperar no emprego.
"Somente por meio da contratação de pessoas que pensam de forma diferente e desencadeiam a inovação, a SAP estará preparada para lidar com os desafios do século 21", disse Luisa Delgado, do departamento de Recursos Humanos da empresa.
Para Ari Ne'eman, presidente da Autistic Self Advocacy Network (ASAN), com sede em Washington (EUA), e membro do Conselho Nacional dos Estados Unidos sobre Deficiência, as mudanças são bem-vindas e bem atrasadas.
Precisamos ver a diversidade neurológica da mesma forma como vimos, no passado, os esforços para a diversidade no local de trabalho, com base em raça, gênero e orientação sexual", disse ele.
Estima-se que os distúrbios do espectro autista, incluindo a síndrome de Asperger ou autismo de alto funcionamento, podem afetar cerca 1% da população mundial. Os distúrbios são causados ​​por uma combinação de fatores genéticos e ambientais e pode variar de retardo mental grave, com uma profunda incapacidade de se comunicar, a sintomas relativamente leves, combinados com alguns altos níveis de funcionamento, como aqueles observados em pessoas portadoras da síndrome de Asperger
Entre as principais características do autismo estão habilidades de comunicação deficientes e dificuldades de interação social. No autismo de alto funcionamento, recursos como foco intenso ou obsessivo e atenção constante aos detalhes também são comuns.
Estas qualidades, dizem os especialistas, bem como uma capacidade de abordar um problema de uma maneira diferente – muitas vezes de uma forma criativa ou contraditória – fazem as pessoas autistas serem potencialmente atraentes como empregados em grandes corporações.
"Historicamente, parece haver uma certa percepção de que essa população é incapaz de realizar trabalhos de nível corporativo," disse à Reuters o gerente de diversidade da Freddie’ Mac’s.
"Na realidade, autistas oferecem muito a uma organização disposta a pensar fora da caixa e ver este quadro de talentos como um 'valor agregado'”.
Obsessão e sucesso
Joshua Kendall, autor do livro "Obsessivos da América", argumenta que alguns dos maiores negócios americanos da história – e também alguns líderes políticos – em parte tiveram sucesso por conta dos traços obsessivos de personalidade.
"Essas grandes empresas não estão fazendo por bondade no coração. Estão fazendo isso agora porque perceberam que estavam perdendo alguma coisa”, disse ele em uma entrevista por telefone.
Kendall disse que a questão crucial do recrutamento é provar o sucesso e a sustentabilidade dele. E também o  quanto a sociedade vai tentar acomodar pessoas que pensam diferentemente das outras.
"São pessoas que têm sido tradicionalmente rotuladas como deficientes. Então nós queremos tratá-las ou queremos permitir que elas sejam quem são e nos adaptarmos a elas?”
A empresa alemã SAP diz que sua campanha global de recrutamento de autistas, que visa empregar 650 pessoas – em torno de 1% de sua força de trabalho – até 2020, vem depois de projetos-piloto de sucesso na Índia e na Irlanda. É um projeto colaborativo com a Specialisterne, uma consultoria dinamarquesa que coloca pessoas com autismo em empregos onde elas possam brilhar.
Ne'eman diz que até agora a maioria das empresas que manifestaram interesse nos trabalhadores autistas tendem a ser nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia em matemática. No futuro, ele diz que espera que o sucesso deles incentivem outras a tomar conhecimento sobre o assunto.
"Muitos de nós podem e têm sucesso em uma grande variedade de profissões", disse ele.
"Eu, por exemplo, sou uma pessoa autista trabalhando em políticas públicas, o que certamente não é um campo estereotipado."
Na Grã-Bretanha, apenas 15% dos adultos com autismo têm um emprego em tempo integral, diz Carol Povey, diretora da Sociedade Nacional de Autistas da Grã-Bretanha – apenas uma fração daqueles que poderiam contribuir para o mercado de trabalho, acrescenta ela.
Nos Estados Unidos, de acordo com Ne'eman, não tem sido feito estudos sobre a vida profissional de pessoas autistas, por isso dados comparativos ​​não estão disponíveis.
"É ótimo ver as organizações não apenas fazendo responsabilidade social corporativa, mas, na verdade, reconhecendo que existe um bom negócio por trás de ter mais autistas no mercado de trabalho", disse Povey.
"Essas pessoas vão contribuir para a eficácia e o crescimento do negócio."
*Por Kate Kelland
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AUTISMO – TODOS PODEMOS SER/NOS TORNAR UM POUCO AZUIS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/autismo-todos-podemos-sernos-tornar-um.html


terça-feira, 21 de maio de 2013

AUTISMO/INCLUSÃO NO TRABALHO - Empresa alemã irá contratar Autistas como testadores de softwares

Grupo alemão SAP planeja contratar centenas de autistas no mundo

A gigante alemã SAP informou nesta terça-feira que pretende contratar nos próximos anos centenas de pessoas com autismo para trabalhar em programação ou em testes de software.
A SAP "vai trabalhar a nível mundial para empregar pessoas com autismo como testadores de softwares, programadores e especialistas em qualidade de dados", indicou o grupo em um comunicado.
O grupo acredita que esta iniciativa pode garantir uma vantagem competitiva graças aos "talentos" únicos dessas pessoas.
O objetivo do grupo é que, até 2020, os autistas representem 1% de seus quase 65 mil funcionários em todo o mundo, informou o porta-voz da SAP. Isso corresponde mais ou menos a porcentagem da população mundial com autismo.
Por enquanto, o grupo tem apenas um pequeno grupo de trabalhadores autistas na Índia e Irlanda. Graças a uma parceria com a organização dinamarquesa Specialisterne, especializada no emprego de autistas, principalmente no setor de tecnologia, a SAP vai estender a sua contratação em 2013 para os Estados Unidos, Canadá e Alemanha.
Na Índia, a SAP informou que contratou seis pessoas com autismo que trabalham com testes de softwares. Isto tem "aumentado a produtividade da equipe e coesão em sectores-chave", ressaltou a SAP.
Na Irlanda, estão em processo de contratação cinco pessoas com esta deficiência.
"A SAP estará preparada para enfrentar os desafios do século XXI somente se contratar pessoas que pensam de forma diferente e provoquem a inovação", declara no comunicado Luisa Delgado, diretora de recursos0 humanos da SAP.
Na Alemanha, as empresas com mais de 20 trabalhadores são obrigadas a reservar 5% de sua força de trabalho para deficientes.
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O AUTISMO NÃO É APENAS UMA DOENÇA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/06/o-autismo-nao-e-apenas-uma-doenca.html

sábado, 9 de março de 2013

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/TRABALHO - Em Osasco e região 956 VAGAS foram preenchidas

SP: metalúrgicas preenchem 80% das vagas para pessoas com deficiência

De acordo com a Pesquisa sobre Presença de Trabalhadores com Deficiência no Setor Metalúrgico de Osasco e Região, divulgada nesta quarta-feira, das 952 vagas legais previstas pela Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência nas empresas do setor instaladas na região, 784 estavam ocupadas em 2012, o que corresponde a 82,4%.
A pesquisa foi apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, que abrange 12 cidades. De acordo com os números da sondagem, as 104 metalúrgicas da base do sindicato somam 29.732 trabalhadores. No ano passado, índice do cumprimento de cotas chegou a 77,4%.
Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Carlos Aparício Clemente, em alguns setores o número de contratação já superou o número de vagas legais previstas na lei, que varia de acordo com o número de funcionários. No setor automotivo são 308 vagas legais e 332 contratados, e no setor de fundição, foram contratados 24 funcionários, enquanto a lei previa que fossem 14.
A garantia das vagas beneficia pessoas como Rosanei Pascoal, 46 anos, operadora de máquinas, que trabalha na área de engrenagens automotivas há sete anos. Antes, trabalhou em um hospital e no comércio, mas contou que sempre foi difícil conseguir emprego, porque as empresas costumeiramente davam alguma desculpa para não contratá-la.
“Eu tenho escoliose e me vejo como uma profissional. Mas eu sentia, quando as pessoas me negavam a vaga, como uma pessoa incapaz de atingir o objetivo da empresa. E isso não é verdade, porque nós somos tão capazes quanto outros, porque deficiência não é doença”.
Também operador de máquina, Evanilson Viera de Souza, de 46 anos, trabalha há 13 anos na mesma empresa. Essa não foi a primeira vez em que trabalhou lá. Antes, passou cinco anos nessa metalúrgica, mas saiu para desempenhar a mesma função em uma empresa menor, onde sofreu um acidente e perdeu o braço esquerdo.
“Depois de dois anos afastado, a empresa onde eu já havia trabalhado me chamou de volta. Comecei como ajudante, até chegar à mesma função que desempenhava, no torno mecânico. Trabalho com uma prótese e consegui me adaptar às máquinas”, contou.
Assim como Evanilson e Rosanei, muitos trabalhadores estão conseguindo colocação ou recolocação no mercado de trabalho. De acordo com o Artigo 93 da Lei de Cotas, como é conhecida a Lei 8.213, toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar entre 2% e 5% dos postos de trabalho a pessoas com deficiência, segundo escala crescente, proporcional ao número de funcionários.
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Carlos Aparício Clemente, disse que é apenas uma desculpa para não contratar, o preconceito de que pessoas com deficiência não têm qualificação. “O nível de escolaridade das pessoas com deficiência ou sem é semelhante no País. Em São Paulo, segundo o IBGE, temos três pessoas com ensino médio ou superior completo para cada analfabeto. A quantidade é muito maior do que cabe na Lei de Cotas”.
Clemente reforçou que muitas empresas do País inteiro não se importam com o cumprimento da lei e “pagam para ver”, o que também acontecia em Osasco, até que as primeiras multas começaram a acontecer, há dez anos. “Nesse período, nós construímos conhecimento para alavancar a inclusão. A qualificação falta para todo mundo. Qualquer pessoa que vai começar em qualquer trabalho precisa ser qualificada, aprender aquele novo trabalho. Ninguém vai para um novo trabalho e consegue fazer tudo imediatamente”.
FONTE - http://economia.terra.com.br/terra-da-diversidade/sp-metalurgicas-preenchem-80-das-vagas-para-pessoas-com-deficiencia,da80f6e04cd1d310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TRABALHO/DEFICIÊNCIAS - Em Campinas cresceu em 25% ações contra empresas

Inquéritos por discriminação de deficientes no trabalho crescem 25%

Em 2011, foram 28 processos contra 35 no ano passado em Campinas.
Infração faz órgão cogitarem criação de banco de dados com currículos
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O número de inquéritos em andamento no Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre o descumprimento de cotas de deficientes no corpo de funcionários de empresas na região deCampinas cresceu 25% em 2012 em relação a 2011. O problema recorrente fez com que órgãos públicos debatessem, nesta quarta-feira (27), durante fórum sobre o tema, a possibilidade de criação de uma rede de informação compartilhada entre empresas, universidades e estado com dados e currículos de deficientes em busca de emprego.
De acordo com a assessoria do MPT, em 2011, foram 28 processos contra empresas acusadas de discriminação contra pessoas com deficiência. No ano passado, foram 35 inquéritos abertos sobre este tipo de irregularidades. Para a procuradora do trabalho Renata Coelho Vieira, o aumento deve-se ao fato de a região ter recebido várias empresas de grande porte no ano passado e, além disso, pelo fato de muitas empresas com atividades em várias cidades terem sede em Campinas.
“Vieram muitas multinacionais para a região. E estas empresas chegaram aqui acostumadas com a legislação trabalhista do país de onde vieram. E foram obrigadas a se adequar à legislação brasileira”, explica a procuradora. De acordo com ela, no Brasil, uma lei federal obriga toda empresa com mais de 100 funcionários a contratar entre 2% e 5% de deficientes.
Em caso de descumprimento da norma, as empresas sofrem multa que varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por trabalhador que deixou de ser contratado. Além desta autuação feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a empresa pode ser alvo de uma ação civil pública e responder por danos morais coletivos. Nesse caso, em Campinas, há registro de ações no valor de até R$ 5 milhões.
Fórum
Um evento na tarde desta quarta-feira, na Unicamp, reuniu representantes do Ministério Público Estadual, da Receita Fedeal, do Ministério do Trabalho e Emprego e a secretária municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Emanuelle Alckmin.
De acordo com a assessoria do MPT, todas as autoridades se comprometeram a se mobilizar para criação da rede de informações compartilhadas para que as empresas não tentem justificar a falta de funcionários com deficiência pela dificuldade de encontrar os profissionais.
FONTE - http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2013/02/inqueritos-por-discriminacao-de-deficientes-no-trabalho-crescem-25.html