domingo, 20 de janeiro de 2019

TECNOLOGIA ASSISTIVA - Como a inteligência artificial pode melhorar a vida de pessoas com deficiência

Como a IA - Inteligência Artificial pode melhorar a vida de pessoas com deficiência
Recursos de inteligência artificial vão melhorando com o uso, já que computador aprende e se aperfeiçoa — Foto: Pixabay

Aplicativos ajudam a reconhecer imagens, rótulos de produtos e cédulas de dinheiro...
(na foto da matéria está uma imagem publicada de um cérebro em azul com placas de comunicação da internet e computadores simulando a complexa rede ''neural' de dados e comunicações da Era Digital)


"A inteligência artificial revolucionou não só a minha vida como as
dos meus alunos."
É essa frase que Luciane Molina, professora universitária e de
tecnologia assistiva
na Universidade de Taubaté, em São Paulo, usa para definir a
relação que tem com as iniciativas que surgiram para 
melhorar a autonomia 
das pessoas com deficiência por meio de algoritmos.

No Brasil, de acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), existem 45,6 milhões
de pessoas com deficiência no país 
(23,9% da população à época).
Luciane é cega e faz uso de diversos aplicativos
no smartphone para reconhecer imagens, 
rótulos de produtos, cédulas de dinheiro e
acessar  materiais impressos.
Com essas soluções de acessibilidade, ela já pôde descobrir a senha do Wi-Fi 
sozinha em casa e também quando, por exemplo, seu computador estava passando
por uma uma atualização. Isso porque os atuais softwares de leitura de tela para 
cegos não têm acesso a telas como a de atualização do Windows.
A professora também apresenta os recursos tecnológicos a seus alunos. 
"A cada  novidade que eu apresento, a vida deles se torna mais fácil", diz.
Recentemente, uma aluna de Luciane ganhou mais autonomia com um aplicativo
leitorde cédulas de real. "Ela tinha muita vontade de ficar sozinha em casa e 
conseguir pagar marmita sem a ajuda de outras pessoas", conta.
Grande parte dessas soluções foi desenvolvida por meio de sistemas que "aprendem"
 com um alto volume de dados. A partir dessas informações, eles são capazes de
 identificar padrões e tomar decisões com o mínimo de intervenção humana.
 É o chamado "aprendizado de máquina".
Mas a transcrição de fala para texto em tempo real e os recursos de visão 
computacional são só alguns exemplos de aplicações 
de inteligência artificial.
"Quanto mais usamos [os recursos de inteligência artificial para pessoas 
com deficiência, melhores eles ficam", diz a professora. Entre os aplicativos 
que ela usa  estão o TapTapSee, para ler rótulos de produtos, e o Seeing AI,
para organizar documentos diplomas em pastas e reconhecer os textos
das fotos que recebe por email ou redes sociais como o Facebook.
A professora até desenvolveu um suporte de madeira para apoiar os livros e 
materiais impressos para conseguir fotografar com o ângulo ideal e com uma
boa iluminação. O Seeing AI é uma iniciativa de inteligência artificial da
Microsoft para pessoas cegas e com baixa visão. 
O app usa visão computacional e redes neurais para identificar objetos,
cores, textos, cenas e até mesmo características físicase expressões faciais 
de uma pessoa. Por enquanto, só está disponível para iOS,  o sistema operacional
utilizado pelos dispositivos da Apple.
APORTE MILIONÁRIO

O aplicativo é só uma das ações de acessibilidade desenvolvidas pela Microsoft.  
Em maio de 2018, o CEO da empresa, Satya Nadela, anunciou um investimento de
US$25 milhões (cerca de R$ 93 milhões), ao longo de cinco anos, em projetos de
 inteligência artificial para pessoas com deficiência. 

Desenvolvedores, ONGs, acadêmicos, pesquisadores e inventores
podem submeter projetos  de acessibilidade baseados em inteligência 
artificial para o programa AI For Accessibility até o dia 1º de fevereiro 
de 2019. Os aprovados receberão um aporte da companhia para 
levar os projetos ideias a outro patamar. As solicitações são aceitas
de modo contínuo e para se inscrever  é necessário preencher
um formulário. 

O Facebook é outra gigante da tecnologia que investe em projetos de
 inteligência artificial para pessoas com deficiência. 

A rede social usa algoritmos para gerar uma descrição de imagem 

automática para cegos. O recurso não é perfeito e tampouco substitui
 uma descrição humana,mas colabora para um ambiente mais acessível. 
Existem vários métodos de aprendizagem de máquina. 

O que eles possuem em comum é que todos precisam de pessoas para

ensiná-los a aprender uma determinada tarefa, e,  fazer  o que se 
assim deseja. No Facebook, os sistemas de reconhecimento de 
imagem são supervisionados por pessoas que olham as fotos
e informam ao sistema o que há nela

De acordo com Matthew King, engenheiro do Facebook especialista
em acessibilidade, embora a inteligência artificial esteja em 
desenvolvimento há décadas, os sistemas que temos
ainda são novos. 

"Apesar de eles estarem melhorando 

rapidamente nos últimos anos,eles ainda
têm muitas limitações", diz. 
Mesmo assim, representam 
um grande salto para a plena 
participação das pessoas cegas no
ambiente online, segundo especialista.

A professora universitária e de tecnologia assistiva, Luciane Molina, concorda. 
Ela conta que antes não se interessava tanto pela rede social pela quantidade de
 posts com imagens com os quais não podia interagir, por não saber 
do que se tratavam.

Certa vez, uma amiga dela postou uma foto e escreveu na legenda: 
"Olha minha nova pulseira". 
Mas, na verdade, a imagem se referia ao gesso 
colocado no braço da amiga após um machucado.
 Luciane só percebeu tal fato lendo 
todos os comentários.

Ela reconhece que as descrições são básicas e não substituem uma 
audiodescrição, mas valoriza o recurso.
 "O fato de a inteligência artificial do Facebook ter agregado esses recursos
de reconhecimento de imagem foi um ganho incrível na acessibilidade",diz.

Recentemente, a empresa também liberou a funcionalidade de
 descrições automáticas e de escrever uma descrição manual
também no Instagram. 
A rede social, no entanto, é criticada por algumas pessoas cegas por 
não ter uma boa usabilidade. Ao ser questionado pela reportagem da 
BBC Brasil, King, o engenheiro do Facebook,disse que é um processo
 contínuo de melhora.
"Adicionar descrições de fotos foi um passo muito importante para o Instagram,
 porque as fotos são o tipo mais popular de conteúdo da rede social.
Mas estamos planejando muito mais."

Novas possibilidades para a comunicação alternativa


O reconhecimento de fala e a transcrição da linguagem humana
em tempo real é um dos recursos mais tradicionais da inteligência
 artificial e com grande utilidade para pessoas com determinados
 tipos de deficiência. 
Alex Garcia é surdocego e foi o primeiro brasileiro com
essa deficiência a cursar uma  faculdade. 
Ele tem 1% de visão e não escuta.

A surdocegueira é definida pela não  compensação dos sentidos. 

Existem aqueles que conseguem ouvir e ver com 

muita dificuldade.


Hoje, Alex se dedica a dar palestras e a gerenciar a Associação Gaúcha de Pais e

 Amigos dos Surdocegos e Multideficientes (Agapasm). Um dos aplicativos 

que ele utiliza se chama Comunicador  Táctil Once (CTO), 

uma ferramenta para comunicação de surdocegos, com diversos recursos.


Entre elas está o ditado. Embora a principal forma de comunicação se dê quando as pessoas

 escrevem na sua mão, há vezes em que isso não é possível. Nesse caso, Alex aproxima o 

microfone do celular à boca da pessoa, para que ela possa falar. Em seguida, ele consegue 

tero texto na tela  em letras ampliadas por meio do app.


"O celular me ajuda quando a pessoa não consegue escrever. O aplicativo, portanto, é uma

valiosa alternativa, porque me dá mais tranquilidade. Caso um meio não funcione, o outro vai 

dar certo", relata. 

Ele diz que ser surdocego implica uma situação social de extrema delicadeza

e vulnerabilidade.


Embora os recursos de inteligência artificial estejam extremamente

difundidos nos  smartphones, também existem iniciativas para trazer essa realidade 

para o mundo físico. É o caso do Wheelie, um dispositivo desenvolvido por uma 

equipe de brasileiros que promete comandar cadeiras de rodas por meio da

inteligência artificial. A tecnologia atualmente é desenvolvida em parceria com a Intel.


O equipamento é testado nos Estados Unidos por 60 pessoas com deficiência. 
De acordo com Paulo Pinheiro, CEO da Hoobox Robotics, empresa que desenvolve
essa tecnologia, o próximo passo é entrar no mercado chinês, em 2019. 
No Brasil, a perspectiva é que o produto só chegue em 2020.

O Orcam My Eyes é outro dispositivo para aumentar a autonomia das pessoas 

com deficiência. Ele é capaz de ler com precisão documentos impressos e 

está disponível em todas as 54 bibliotecas municipais da cidade de São Paulo.

Evolução das tecnologias assistivas

 De acordo com Lúcia Miyake, especialista em pesquisa e tecnologia assistiva, 
as tecnologias de apoio para pessoas com deficiência sempre existiram e
praticamente acompanharam as revoluções industriais. 

"Houve um grande avanço quando a era de máquinas a vapor passou para a era de

eletricidade, na qual foram surgindo equipamentos eletrônicos. Os exemplo são a

cadeira de rodas elétrica e o gravador."

Mas a revolução mesmo veio com a possibilidade de programar os 
equipamentos eletrônicos. "Juntamente, veio a importância de dados e 
informações, que considero o começo da tecnologia artificial", diz. 
Agora, estamos entrando em uma nova fase, chamada de indústria 4.0.
 Nela, os dados estão na nuvem e os comandos são enviados à distância.
"O mais interessante é o usuário confiar no auxílio sem conhecer de onde vem os
 comandos. Neste aspecto, a pessoa com deficiência poderá trabalhar ou estudar remotamente com todo acesso das informações, além de deixar os comandos
dos dispositivos eletrônicos programados (preparar um café, abrir a cortina etc.)", 
explica Miyake.
As principais limitações do setor estão na falta de pesquisadores e recursos ou 
investimentos na área de pesquisa em tecnologia assistiva. Além disso, se o
produto com inteligência artificial for exclusivo para uso de pessoas com
deficiência, o custo será mais alto, devido à baixa demanda para
manufatura.
Apesar disso, ela é otimista em relação ao futuro. 
"A tecnologia assistiva está sendo cada vez mais conhecida e é uma área de 
boa aplicabilidade da inteligência artificial, além do design universal"
diz. Segundo matéria publicada pela Revista Forbes, o mercado de
dispositivos para pessoas com deficiência e idosos foi avaliado em
 US$ 14 bilhões em 2015 e deve superar US$ 26 bilhões até 2024. 
Os dados são da  Coherent  Market Insights.
FONTE -

O TEXTO FOI REPRODUZIDO DO LINK... COM ESFORÇO,
EM ARIAL COM FONTE PEQUENA e ''NORMAL''
 QUE ILUSTRA 
AS DIFICULDADES PARA QUEM 
VIVE e sobrevive
COM BAIXA VISÃO...
por exemplo.

LEIA MAIS NO MEU BLOG INFOATIVO DEFNET - pioneiro na difusão sobre 
Tecnologia Assistiva no Brasil - Porque as TECNOLOGIAS NOS AFETAM?....

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ALZHEIMER&Pesquisas - USP pesquisa memória visual para detectar precocemente o Alzheimer

USP PESQUISA memória visual para diagnosticar sinais precoces da Doença de Alzheimer 

Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, testa memória visual de voluntários — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV


imagem da matéria - Pesquisa da USP de Ribeirão Preto, SP, visa mapear memória visual da população — Foto: Cláudio Oliveira/EPTV

Testes visam mapear e identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico. Estudo está na fase inicial e busca voluntários.

Pesquisadores do laboratório de psicologia cognitiva da USP de Ribeirão Preto (SP) realizam um estudo sobre memória visual para tentar diagnosticar precocemente possíveis demências como o Alzheimer. A pesquisa visa mapear a memória de pessoas normais para tentar identificar pacientes que tenham algum tipo de comprometimento clínico.

“Esse teste de recordação em que apresentamos formas e cores em localizações diferentes tem sido muito utilizado em outros países e tem se mostrado um bom preditor para manifestação precoce do Alzheimer. É importante que a gente tenha uma base da população normal para entender como esses comprometimentos estão acontecendo e para tentarmos explicar melhor porque eles acontecem”, diz a psicóloga Lorena Macedo.De acordo com o professor de psicologia e diretor da pesquisa César Galera, a memória envelhece com o passar dos anos e não há nada a se fazer para mudar isso.

“Existem vários tipos de memórias e nós focamos na memória visuoespacial, aparentemente, é uma memória simples, mas é extremamente importante no nosso dia a dia. Por exemplo, você precisa saber onde deixou as chaves ou um livro, essa associação local-objeto é muito importante e é uma das memórias que se perde mais rapidamente com o envelhecimento", afirma o diretor da pesquisa.Ainda de acordo com Galera, o envelhecimento não pode ser combatido, mas uma alimentação saudável, exercícios físicos e atividade intelectual podem ajudar a manter a memória em dia.

“Todo mundo a partir dos 25 a 30 anos começa a ter uma pequena perda de memória. Pessoas que perdem essa capacidade de associar cor e forma, nome e face, talvez venham a ter Alzheimer. Essa perda de memória pode ser um indicativo de que a pessoa vai ter um problema no futuro", conta o professor.A pesquisa consiste em observar cores, formas e localizá-las em um programa de computador, que mede o número de acertos e erros em um determinado período de tempo, cerca de 40 minutos. O que parece ser uma tarefa simples, pode confundir na hora dos exercícios.“É fácil, só que é bem rápido e você tem que se concentrar bastante nas formas, porque elas mudam de lugar e, algumas vezes, de cor também e tem que estar bem concentrado”, afirma a voluntária Tainara Albiasetti.

Os pesquisadores explicam que os dados não serão analisados individualmente. Será considerado o comportamento do grupo de voluntários. Além disso, outras linhas de estudo que envolvem emoção e atenção, também estão sendo realizadas.

“Apesar da gente falar muito sobre memória, ainda tem muita coisa que precisamos saber do funcionamento normal da memória para expandir depois para as diferenças clínicas. A partir do tempo de resposta da pessoa e a quantidade de acertos, traçamos um padrão de desempenho”, afirma a psicóloga Lorena.De acordo com a psicóloga, a pesquisa ainda está no estágio inicial e precisa de voluntários. Podem participar dos testes pessoas entre 18 e 35 anos e que tenham visão normal para cor. 

Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (16) 3315-4393.

Fonte - com vídeo da matéria e mais imagens - 
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/01/01/usp-pesquisa-memoria-visual-para-diagnosticar-sinais-precoces-de-doencas-como-alzheimer.ghtml

Leia mais sobre Alzheimer e pesquisas neste blog e no INFOATIVO DEFNET 

sábado, 15 de dezembro de 2018

ALZHEIMER&PESQUISAS - Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida

Imagem publicada - uma foto da primeira mulher diagnosticada pelo médico que deu o nome à doença, Alzheimer. É uma foto cuja descrição não atingirá a força de sua gravidade e sofrimento, feita há mais de um século, da Sra. August D.; onde uma mulher de aparência depressiva e decadente, com olhar esvaziado como a sua mente e memória, vestindo uma provável roupa uniforme do Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos de Frankfurt, na Alemanha. É uma foto em cores ciano com uma mulher olhando para baixo, com as mãos entrelaçadas próximas do corpo, que se curva como as rugas que se pronunciam em sua fronte, anunciando um envelhecimento precoce e intensivo que lhe rouba toda vitalidade.

Segundo os autores, o resultado da pesquisa pode ajudar a entender mecanismos ainda obscuros da doença neurodegenerativa


A origem do Alzheimer intriga especialistas. Já se sabe que o acúmulo de proteínas beta-amiloide no cérebro está relacionado ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa. Agora, pesquisadores ingleses identificaram indícios de que essa condição pode ser repassada. Eles transplantaram em ratos tecidos cerebrais com placas de beta-amiloide retirados de cadáveres humanos e observaram que a proteína se propagou no cérebro dos animais. Os investigadores deixam claro que o trabalho não mostra que o Alzheimer é transmissível. Na verdade, ajuda a entender possíveis novos mecanismos ligados à doença. Os resultados foram publicados na última edição da revista britânica Nature.

Em 2015, a mesma equipe encontrou evidências da patologia amiloide — o acúmulo da proteína — em pessoas que desenvolveram a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) após tratamentos com o hormônio HGH, extraído de glândulas pituitárias removidas de cadáveres. A técnica era usada na década de 1970 para tratar pessoas com problemas de crescimento.

A hipótese principal da equipe era de que a beta-amiloide foi acidentalmente transmitida aos pacientes por meio desse tratamento médico antigo, desencadeando a CJD. “Nosso estudo anterior descobriu que alguns indivíduos que desenvolveram CJD muitos anos após o tratamento também tinham depósitos no cérebro dessa proteína característica da doença de Alzheimer”, explica, em comunicado, John Collinge, um dos autores do trabalho e pesquisador do Institute of Prion Diseases.

Para o estudo atual, a equipe rastreou alguns lotes de HGH com os quais os pacientes foram tratados e os analisou, confirmando que as amostras ainda tinham níveis significativos de proteínas beta-amiloide. “Nossas descobertas de agora confirmam a suspeita de que esse hormônio realmente contém sementes da proteína beta-amiloide encontrada na doença de Alzheimer e que isso se mantém por muito tempo”, ressalta o autor. O uso de HGH cadavérico foi substituído por hormônio sintético que não carrega o risco de transmitir a CJD.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores testaram se esse material era capaz de semear a patologia. Para isso, injetaram amostras dos frascos de hormônio em camundongos geneticamente modificados para serem propensos à patologia beta- amiloide. As cobaias apresentaram patologia no cérebro. Já os grupos de ratos que receberam hormônio de crescimento sintético ou tecido cerebral normal não mostraram o mesmo padrão.

Sem contágio
Segundo os autores, os resultados demonstram que os lotes originais de HGH contêm proteínas beta-amiloide que podem semear patologia amiloide em camundongos, mesmo após décadas de armazenamento, e que certos procedimentos médicos precisam ser mais bem avaliados. “Nós, agora, fornecemos evidências experimentais para apoiar nossa hipótese de que a patologia beta-amiloide pode ser transmitida para pessoas por meio de materiais contaminados. Mas ainda não podemos confirmar se procedimentos médicos ou cirúrgicos já causaram a doença de Alzheimer em si, ou quão comum seria adquirir patologia amiloide dessa maneira”, reforça Collinge.

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que os resultados não mostram um contágio de Alzheimer de pessoa para pessoa. “É muito importante enfatizar que não há nenhuma sugestão em nosso trabalho de que se pode pegar a doença de Alzheimer, ou mesmo a CJD, pelo contato com uma pessoa doente. Nossas descobertas destacam a necessidade de fazer mais pesquisas nessa área”, frisa Collinge.

Otávio Castello, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer na regional do Distrito Federal, acredita que o estudo britânico mostra dados que condizem com suspeitas na área neurológica. “A novidade é que eles conseguiram confirmar essa propagação por meio de animais vivos”, destaca. “Mas isso não quer dizer que a doença seja transmissível, até porque eles não provocaram o Alzheimer nos animais, apenas um dos fatores envolvidos. É importante frisar isso para não criar um alarde.”

O especialista enfatiza que novos dados relacionados ao Alzheimer, como os divulgados pelos cientistas ingleses, são de extrema importância para a área médica. “É uma doença que ainda não tem suas origens bem determinadas, esse é mais um passo para uma maior compreensão dessa enfermidade”, explica.

Em condições excepcionais
“Esse novo trabalho contribui para a discussão em curso das semelhanças entre os mecanismos de distúrbios neurodegenerativos, em particular o Alzheimer e o Parkinson. Ambas as doenças são caracterizadas por proteínas que se espalham pelo cérebro e causam demência. Como visto, a transmissibilidade do amiloide é claramente muito baixa e, portanto, ocorrerá apenas sob condições excepcionais em seres humanos. O tratamento de pacientes com extratos cerebrais humanos é, obviamente, uma dessas condições excepcionais e foi encerrado há mais de 30 anos para evitar esse problema. A segunda via de transmissão possível é via transfusão de sangue. Essa tem sido uma preocupação no campo há algum tempo, e vários estudos usando ratos que foram similarmente geneticamente ‘preparados’ para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer mostraram que essa rota de transmissão é teoricamente possível, mas esses resultados também forneceram evidências reais de que qualquer risco desse tipo é extremamente pequeno. No entanto, vale a pena monitorar esses riscos”.
Bart De Strooper, diretor do Instituto de Pesquisa em Demência no Reino Unido

FONTE - Correio Braziliense http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=85652:-a-importancia-do-apoio-paterno-no-tratamento-contra-o-cancer&catid=47:cat-saude&Itemid=328

Leiam também no meu outro blog INFOATIVO DEFNET -  Alzheimer Não é Uma Piada, mas Pode Ser Poesia de Vida https://infoativodefnet.blogspot.com/2011/06/alzheimer-nao-e-uma-piada-mas-pode-ser.html

domingo, 9 de dezembro de 2018

Tecnologia Assistiva & Pessoas com Deficiência - O que é uma interface Cérebro-Máquina?

O que é uma Interface Cérebro-Máquina?

(imagem da matéria - uma mulher com paralisia e impossibilitada de usar as mãos é suplementada para tomar uma garrafa com líquido por um braço e mãos tecnologicamente projetados para ajudá-la nessa ação, que pode ser comandada pela própria pessoa com deficiência) 

À medida que o poder dos computadores modernos cresce ao lado da nossa compreensão do cérebro humano, chegamos cada vez mais perto de tornar realidade algumas coisas que anteriormente só seriam possíveis nos filmes de ficção científica, como controlar máquinas ou computadores com a força da nossa mente. Essa é exatamente a proposta da chamada “Interface Cérebro-Máquina” ou “Interface Cérebro-Computador”, que é uma tecnologia que serve de ponte entre o nosso cérebro e um dispositivo externo.

Uma interface cérebro-máquina tem como base reunir sinais do cérebro, analisá-los e traduzi-los em comandos. Estes comandos são então traduzidos em um sinal enviado para dispositivos periféricos, que por sua vez fornecem a ação desejada. Nos últimos anos, o principal objetivo do desenvolvimento da interface cérebro-máquina tem sido restaurar ou substituir a função motora de pessoas que desenvolveram distúrbios neuromusculares, como esclerose lateral amiotrófica, paralisia cerebral, acidente vascular cerebral ou lesão da medula espinhal. Graças à essa tecnologia, os pacientes que sofrem com essas condições podem realizar ações que antes seriam inimagináveis.

Basicamente, existem dois tipos de Interface Cérebro-Máquina: a Invasiva e a Não-Invasiva. Como o nome sugere, uma Interface Cérebro-Máquina Não-Invasiva é aquela que pode funcionar sem a necessidade de procedimentos intrusivos no cérebro, geralmente usando as bases da eletroencefalografia. A eletroencefalografia é um método usado principalmente na área médica que busca analisar a atividade das ondas cerebrais dos pacientes ao anexar vários eletrodos ao couro cabeludo. As vantagens desse tipo de procedimento é que ele é muito mais barato de se trabalhar e não requer tantos cuidados por parte do usuário.

Por outro lado, a Interface Cérebro-Máquina Invasiva envolve a implantação cirúrgica de um dispositivo no crânio do usuário. Nesse caso, é necessária uma cirurgia para a fixação de uma placa de eletrodos na superfície do cérebro para medir a atividade elétrica do córtex cerebral. Este procedimento geralmente é feito sob anestesia geral ou local, a depender do tipo de paciente.
É importante destacar que a Interface Cérebro-Máquina é uma tecnologia de ponta relativamente nova. Por isso, muitas pesquisas ainda estão sendo feitas por várias universidades e grandes corporações, que buscam levá-la a um novo patamar em futuro próximo.
fonte 
-https://www.tricurioso.com/2018/12/08/o-que-e-uma-interface-cerebro-maquina/ 
Leiam também outros textos sobre o tema no meu blog INFOATIVO DEFNET -
SEREMOS,NO FUTURO, CIBORGUES? Para além de nossas deficiências humanas

domingo, 4 de novembro de 2018

ALZHEIMER&AVANÇOS - Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer

Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer

Pesquisadores criam Mapeamento Esférico Cerebral para diagnosticar a doença de Alzheimer
(Imagem publicada na matéria - um desenho com muitos chips de fundo em azul com um cérebro humano no centro, sendo escaneado por vários cortes tridimensionais)

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Granada projetou uma técnica de processamento de imagens que gera um mapa esférico do cérebro.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Granada projetou uma técnica de processamento de imagem que gera um mapa esférico do cérebro, uma ferramenta que converte a informação em ressonâncias e permite diagnosticar a doença de Alzheimer com 90% de precisão.


Um dos pesquisadores deste projeto do Departamento de Teoria de Sinais, Telemática e Telecomunicações da Universidade de Granada, Francisco Jesús Martínez-Murcia, explicou à Efe que o Mapeamento Esférico Cerebral é uma técnica que permite analisar e visualize imagens médicas de uma maneira sem precedentes até agora.

Esse avanço consistiu no processamento de ressonâncias magnéticas do cérebro e na construção de mapas estatísticos que analisam a textura de cada zona graças aos vetores de coordenadas que permitem selecionar cada voxel - como um pixel, mas volumétrico - em todas as dimensões do cérebro. 

Dessa forma, segundo Martínez-Murcia, um tipo de mapa é gerado em duas dimensões que podem ser implantadas para analisar as texturas e diagnosticar doenças que causam deterioração cognitiva, como a doença de Alzheimer. 

"Uma das novidades é que modifica o método de visualização para os médicos, pois apresenta um mapa mais fácil de interpretar que os atuais em três dimensões e que mostra texturas e áreas afetadas por esse tipo de doença", afirmou o pesquisador.

Para verificar a eficácia deste mapa cerebral, que permite verificar como os tecidos variam em cada direção ou suas densidades, os pesquisadores analisaram o banco de dados de ressonância de cerca de mil pessoas afetadas pela doença de Alzheimer. 

Esses testes mostraram que a nova técnica de mapeamento permite diagnosticar a doença de Alzheimer com mais de 90% de precisão, pois demonstra a diminuição da densidade tecidual causada pelo processo de neuro degeneração da doença. 

A visualização bidimensional permite a fácil identificação das áreas que mais contribuem para a diferenciação entre pacientes com Alzheimer e indivíduos saudáveis, localizados principalmente em áreas como o hipocampo ou a amígdala.

"Mas talvez ainda mais importante seja o fato de termos alcançado um diagnóstico de 77% em um problema muito mais sério, para prever se pacientes que já sofrem comprometimento cognitivo leve progredirão para estágios mais avançados da doença de Alzheimer ou permanecerão estáveis ​​por vários anos.", ressaltou o pesquisador. 

Essa técnica também possui código aberto e está disponível para download gratuitamente no "github" da equipe de pesquisadores. EFE


LEIA MAIS NO MEU BLOG SOBRE O TEMA - INFOATIVO DEFNET - MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA https://infoativodefnet.blogspot.com/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html