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terça-feira, 15 de outubro de 2013

SAÚDE MENTAL/INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA - Debate promovido traz a crítica necessária sobre essa internação de dependentes químicos

Governo e especialistas criticam internação compulsória de dependentes

Deputada Erika Kokay quer discutir a regulamentação da internação compulsória de dependentes químicos no País.
Audiência pública do Grupo de Trabalho Saúde Mental para discutir as políticas de atenção aos usuários de drogas como uma questão de saúde pública. Dep. Erika Kokay (PT-DF)
(imagem - foto colorida da Deputada Erica Kokay falando ao microfone na Câmara Federal, fotografia de Gabriela Korrosy)
Especialistas e representantes do governo criticaram nesta terça-feira (15), em debate na Câmara, o uso da internação compulsória para dependentes químicos como política pública.
A representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Eliana Addad, condenou o que chamou de "judicialização da saúde". “Por que determinar a internação compulsória pelo simples fato de usar droga? Por que a privação de liberdade se não houve descumprimento da lei?”, indagou ela, que participou de audiência promovida pelo grupo de trabalho de saúde mental da Comissão de Seguridade Social e Família.
Representante da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), Márcia Caldas afirmou que a lógica de punir o usuário, em vez de tratá-lo, é equivocada, e que as alas psiquiátricas dos presídios estão lotadas de pessoas que fizeram uso abusivo de drogas.
A política pública, como está sendo empregada hoje, conta com o apoio do clamor popular e simplesmente recolhe e segrega o usuário de droga, com a nítida postura de punir. E punir não é uma forma de resolver, pois primeiro a pessoa precisa querer ser tratada”, afirmou.
Para o Assessor Técnico de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Daniel Daltin, a discussão sobre a criminalização do usuário é fundamental. “O usuário deve continuar sendo visto e tratado como criminoso?”, questionou.
Em relação à política do governo de atendimento aos dependentes químicos, ele destacou que os hospitais psiquiátricos, vulgarmente conhecidos como manicômios, são estruturas em extinção e não integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAP) do Ministério da Saúde.
Maus-tratos

A audiência foi proposta pela coordenadora do grupo de trabalho, deputada Erika Kokay (PT-DF), para discutir casos de maus-tratos envolvendo dependentes de drogas em hospitais psiquiátricos e em comunidades terapêuticas.
egundo Kokay, 26% da população carcerária nacional teve algum envolvimento com drogas. “Como você não diferencia tráfico de usurário, todo usuário é um criminoso e pode ser encarcerado. O poder discricionário do Judiciário é que vai dizer quem é traficante e quem é usuário”, afirmou.
A deputada citou casos de comunidades terapêuticas que praticaram tortura física e psicológica com internos dependentes químicos. “Há casos de pessoas sendo enterradas até o pescoço e outros de pessoas obrigadas a beber água de vaso sanitário”, alertou.
A parlamentar vai propor uma nova reunião para discutir especificamente a regulamentação da internação compulsória de dependentes químicos no País. Para ela, essa prática se configura como política de “limpeza social”, simplesmente retirando as pessoas dos espaços públicos e as realojando em presídios e instituições sem o devido tratamento.
Reportagem – Murilo Souza
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terça-feira, 25 de junho de 2013

CRACK/PESQUISAS - Pesquisa de universidades revela comportamento de dependentes do Crack

Os bastidores do crack

Pesquisa busca dados aprofundados sobre o comportamento dos usuários de crack no Rio de Janeiro e em Salvador. A ideia é que os resultados contribuam com ações governamentais junto a esse grupo.
Por: Déborah Araujo
Consultório de rua para dependentes químicos
*(imagem- fotografia em tons alaranjados, colorida, Unidade de consultório de rua para dependentes químicos na cidade do Recife (PE). Pesquisa visa contribuir para ações governamentais de intervenção junto a usuários de crack. (foto: Erasmo Salomão, ASCOM/MS/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0
A maioria dos estudos sobre o crack sugere que o uso da substância é prevalente entre jovens marginalizados, com graves problemas de saúde e envolvimento com o crime, e suas informações param por aí. Em busca de dados mais aprofundados, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) avaliaram recentemente o comportamento de 160 usuários regulares de crack na capital fluminense e em Salvador.
Além das características já conhecidas, o estudo identificou outras: usuários de crack nas duas cidades tendem a fazer uso de outras drogas e mantêm comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis e transmitidas pelo sangue. “As taxas encontradas foram ainda mais altas do que supúnhamos”, declara o psiquiatra Marcelo Santos Cruz, professor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e coordenador do estudo. “Além disso, a não utilização do preservativo, a alta frequência de relações sexuais, o grande número de parceiros diferentes e a troca de sexo por droga, comportamentos comuns entre os usuários, são muito preocupantes.”
A pesquisa também aponta que 42% e 70% dos usuários, respectivamente, do Rio e de Salvador, têm algum tipo de trabalho, legal ou ilegal, portanto, recebem algum tipo de remuneração. A prostituição é uma forma de se obter dinheiro para o consumo para 17% do grupo de usuários de crack da capital fluminense e para 8% dos voluntários da capital baiana. Além disso, 56% dos usuários de Salvador já haviam sido detidos pela polícia, contra 28% dos usuários do Rio.
O estudo buscou identificar ainda o modo como o crack é consumido. Os recipientes plásticos são os preferidos dos usuários do município do Rio (87%) para fumar a pedra de crack, já os de Salvador preferem fumar a substância misturada aos cigarros de maconha (34%) ou ao cigarro comum (10%).

Entrevistas e exames

Além da equipe liderada pelo psiquiatra Marcelo Santos Cruz, da UFRJ, o estudo também envolveu pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Simon Fraser e do Centro de Dependência e Saúde Mental – as duas últimas do Canadá.
Foram avaliados, entre novembro de 2010 e junho de 2011, 81 usuários de crack da cidade do Rio de Janeiro e 79 de Salvador, todos na faixa etária entre 18 e 24 anos. As duas cidades foram escolhidas para a pesquisa por terem equipes com mais experiência e maior acesso aos usuários que vivem nas ruas. “Usamos os contatos com pessoas da comunidade que as equipes já conheciam para convidar usuários de crack para as entrevistas”, explica Cruz.
As entrevistas foram feitas a partir de um questionário com seis partes: informações sócio-demográficas (sexo, idade, moradia, escolaridade, fontes de renda, entre outras); padrão do uso de drogas, incluindo padrão de uso de crack; comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis; autoavaliação da saúde mental e física; utilização de serviços sociais e de saúde; e problemas com a polícia.
Os pesquisadores também realizaram testes sorológicos para os vírus da hepatite B (HBV) e C (HCV) e da Aids (HIV). Os exames revelaram que 3,7% dos voluntários do Rio de Janeiro e 11,2% dos de Salvador são portadores do HIV. Cinco participantes do Rio de Janeiro estão contaminados pelo vírus HBV e apenas um de Salvador teve resultado positivo para o HCV. “O fato de termos encontrado baixas taxas de contaminação por HIV (no Rio) e pelos vírus das hepatites B e C (nas duas cidades) mostra uma janela de oportunidade de ações preventivas”, acrescenta o psiquiatra.

Ações preventivas

Os dados coletados no estudo visam contribuir para os trabalhos de intervenção do governo federal junto a usuários de crack. “É importante mapear a rede de serviços públicos oferecida a pessoas com problemas com drogas em cada área para melhorar o encaminhamento e articulação dos mesmos”, ressalta Cruz.
Entre os projetos em andamento, o pesquisador destaca os Consultórios na Rua de Salvador, que desde o fim da década de 1990 atendem principalmente crianças e adolescentes usuários de álcool e drogas. “São ações sociais e de saúde que incluem atividades de prevenção, encaminhamento para a rede e, em alguns casos, até tratamento realizado nos locais onde as pessoas estão”, completa.
Cruz é crítico ao projeto de lei que autoriza a internação involuntária de dependentes de drogas, em votação no congresso. Para ele, esse tipo de internação só deve ser feito nos casos em que o médico, após examinar a pessoa individualmente, percebe que ela coloca a sua vida ou a de outras em risco. “São situações muito diferentes quando você define a internação involuntária para cada indivíduo e quando você define para grupos.”
Além disso, o pesquisador acredita que a internação por si só não garante nada além de retirar o individuo imediatamente da situação em que se encontra. “Tem que haver condições de tratamento adequadas para essas pessoas, o que não é o caso de muitos serviços de internação em atividade hoje”, completa. 
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OS NOVOS MALDITOS E AS NOVAS SEGREGAÇÕES: da Lepra ao Crack http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/os-novos-malditos-e-as-novas.html

sábado, 2 de março de 2013

SAÚDE MENTAL/ALCOOLISMO - Novo medicamento é aprovado na Europa

Europa autoriza medicamento contra o alcoolismo

Uma nova esperança para as pessoas que sofrem com problemas de alcoolismo ou que possuem algum parente ou amigo nestas condições. A Comissão Europeia confirmou a autorização concedida pela Agência Europeia de Medicamentos, em dezembro, para a comercialização do medicamento  que ajuda na redução do consumo de álcool por dependentes.

De acordo com a empresa que produzirá o fármaco, o remédio age sobre os circuitos de recompensa do cérebro, o que reduz o desejo de beber álcool.
Os testes realizados com o novo medicamento demonstraram que o tratamento pode reduzir em até 60% o consumo deste tipo de bebida ao longo de seis meses. Já no primeiro mês, o tratamento chega a reduzir o consumo em até 40%. Ainda não existe uma definição sobre o valor que o produto será comercializado, mas ele já deverá estar no mercado europeu ainda neste ano.
Para fazer efeito, os dependentes precisam tomar um comprimido do medicamento quando sentirem que correm o risco de beberam álcool.
Considerado como problema de saúde pública em muitos países, o alcoolismo tem como consequências prejuízos físicos, sociais e mentais.
O chefe do Departamento de Comportamento e Medicina do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, na Alemanha, o Dr. Karl F. Mann acredita que o este medicamento pode produzir significativos resultados por ser gradativo. “A redução do consumo de álcool é um objetivo terapêutico mais realista e aceitável", disse o médico em entrevista ao jornal espanhol El País..
Até o momento, não existe nenhum previsão se este remédio será comercializo no Brasil.
FONTE - http://portugues.christianpost.com/news/europa-autoriza-medicamento-contra-o-alcoolismo-14814/

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SAÚDEMENTAL/DROGAS - INTERNAÇÕES: Estatísticas sobre consumo - Maioria masculina

Homens são mais de 80% dos dependentes químicos internados em São Paulo
Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Levantamento divulgado hoje (13) pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) aponta que 84% dos pacientes atendidos no centro são homens e jovens – cerca de 20% do total tinham menos de 30 anos de idade. O balanço foi feito entre os dependentes internados desde o início da parceria entre governo estadual, o Poder Judiciário e a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, em janeiro deste ano, para agilizar internações involuntárias ou compulsórias.
Segundo o Cratod, foram cerca de 6 mil contatos telefônicos de famílias interessadas nas internações e 1,2 mil dependentes foram acolhidos voluntariamente. O número de internações involuntárias (quando há solicitação da família) chegou a 189 e não houve internações compulsórias.
De acordo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a procura pela internação imediata superou as expectativas. “A demanda foi muito maior do que o esperado, o que mostra que o problema é muito maior do que parece. Então, nós estamos ampliando vagas, leitos, reestruturando a parte social e ampliando a parte médica”, disse. Segundo ele, apenas no carnaval foram atendidos 47 dependentes químicos. Hoje, o governador inaugurou uma unidade social de combate ao crack, dentro do prédio do Cratod. No espaço, os dependentes terão o primeiro contato com o centro e passarão por uma triagem.
Rosângela Elias, coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas, explica que no anexo serão feitas avaliações clínicas e o atendimento na área de assistência social também será agilizado. “Nos primeiros dias dos acolhimentos, nós observamos que tinha uma demanda social muito grande, que vinha na busca de orientação da equipe do Cratod”, disse ela.
Segundo Gleuda Simone Apolinário, coordenadora de desenvolvimento social, estão sendo destinadas 300 vagas para moradias sociais assistidas, divididas em 16 organizações no estado de São Paulo. Esse tipo de acolhimento, explica ela, é voltado para dependentes que não precisam passar pela internação em leito hospitalar, mas que não têm condição de permanecer com as famílias. O objetivo é promover a reinserção, “resgata-se a relação de vínculo com a família”, informou.
Alckmin disse também que serão criados em todo o estado mais 185 leitos para a saúde mental. Atualmente, São Paulo tem 800 leitos em hospitais e a duração média desse tipo de internação varia de 30 a 45 dias.
Edição: Carolina Pimentel  fonte - http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-13/homens-sao-mais-de-80-dos-dependentes-quimicos-internados-em-sao-paulo