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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

EDUCAÇÃO INCLUSIVA/DEFICIÊNCIA INTELECTUAL - Software muda conceitos na alfabetização e inclusão escolar

Nova ferramenta muda conceitos para alfabetização de deficientes intelectuais

Software é sucesso nas escolas do DF e deve ser distribuído pelo governo para mais de 90 mil escolas

imagem - foto colorida de uma pessoa com síndrome de down, o jovem estudante/ator Antônio da Silva Filho, no canto esquerdo, com a mão em um mouse, ao lado do Professor Wilson Veneziano, que aponta para uma tela com o software, fotografia de divulgação Alan Sampaio/IG Brasilia)

A Universidade de Brasília (UnB) criou – e distribui gratuitamente – uma ferramenta inovadora para alfabetizar jovens e adultos com deficiência intelectual. Fugindo de métodos tradicionais e da infantilização, comuns nos materiais convencionais usados nesse processo, o software educacional auxilia os professores a ensinar palavras, expressões e até códigos matemáticos a esses estudantes. Sucesso nas escolas de Brasília, o programa deve ser distribuído no País.

O Ministério da Educação pretende entregar a ferramenta a mais de 90 mil escolas públicas. Por enquanto, está analisando como distribuir o software. Para os criadores do material, esse trabalho será simples. O programa foi elaborado para rodar em qualquer computador (sem a necessidade de muita memória ou tecnologia muito avançada) e as explicações sobre os exercícios são fáceis.

“Nosso desafio era produzir uma ferramenta que não fosse pesada e pudesse ser usada em computadores mais simples. Nosso objetivo sempre foi distribuir o software gratuitamente às famílias, organizações não-governamentais e escolas”, conta Wilson Henrique Veneziano, professor do Departamento de Ciência da Computação da UnB e coordenador do projeto. Até aqui, ele e a idealizadora pedagógica da ferramenta, Maraísa Helena Pereira, pagaram tudo do próprio bolso.

Maraísa trabalha há 23 anos com alfabetização de adolescentes e jovens com deficiência intelectual. Sentia, no trabalho diário, a falta de materiais mais específicos e menos infantis. “Havia uma lacuna para esse público. Esses estudantes adoram tecnologia, mas não sabem o significado das letras do teclado, por exemplo. Eles querem se comunicar. Comecei a desenhar as primeiras com base na minha experiência prática mesmo”, conta.

Para tirar as ideias do papel, a professora de ensino especial da Secretaria de Educação do Distrito Federal procurou o Departamento de Ciência da Computação da UnB. Veneziano e alguns estudantes do curso de licenciatura em Computação encararam o desafio. “Dois alunos ficaram encantados com a possibilidade de fazer algo diferente para a conclusão do curso. Não é uma monografia que fica na prateleira e não tem valor social prático”, ressalta Maraísa.
Alfabetização social
Apelidado de Participar, o primeiro software construído por eles ficou pronto em 2011. Aos poucos, Maraísa começou a utilizar a ferramenta com seus alunos e apresentar a outros colegas. Logo, várias escolas públicas da capital estavam utilizando o material como apoio às aulas (hoje, são 750). As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de todo o país distribuíram aos colégios especializados vinculados a elas.
A nova versão do programa, lançada neste início de ano, oferece mais lições e exercícios, que ensinam os estudantes a compreender as letras do teclado, formar palavras e os estimulam a bater papo com outros jovens, participar de redes sociais. Todas as atividades são sugeridas em mais de 600 vídeos gravados por estudantes com Síndrome de Down. “Eles se enxergam como pares e se sentem capazes também, já que quem está passando a lição é outro colega”, comenta Maraísa.
A proposta dos criadores do programa é contribuir, sobretudo, para a inserção social desses jovens. A pedagoga faz questão de ressaltar que a ferramenta não é para “letramento” dos alunos, mas para inserir o estudante em uma vida social e no mundo da tecnologia. “É uma comunicação alternativa. Queríamos que eles participassem do mundo”, diz. Nas escolas do DF, as tarefas são feitas no contraturno das aulas regulares. Todas as atividades têm orientações para os professores.
A nova versão do Participar possui lições de acentuação e pontuação. Um novo software, o Somar, também será lançado em breve para ajuda-los a aprender matemática. De novo, a proposta é colocá-los em condição de participar da vida prática. “É uma ferramenta construída com, por e para os alunos. Mas não tinha noção que pudesse ter tamanha repercussão. Além das três mil Apaes que já usam o material, o MEC agora quer distribuir para mais escolas. Nosso objetivo era atingir quem precisa”, afirma a pedagoga.
Na opinião de Maria Margarida Romeiro Araújo, mãe de um dos atores que gravaram os vídeos, o material precisa se espalhar. Ela e o filho, Antonio Araujo da Silva Filho, 34 anos, visitam escolas e divulgam a ferramenta. “A coisa mais importante na vida de uma pessoa é a alfabetização. O Tonico tem qualidade de vida, uma vida social, por causa disso. Procuro colaborar ao máximo, porque o método é excelente e nem todas as crianças tiveram a oportunidade do Tonico para aprender”, diz.
Ao contrário do que se fazia à época do nascimento de Antonio, o Tonico, Margarida nunca escondeu o filho do mundo. Procurou todas as atividades – terapia, equoterapia, fonoaudiologia, psicomotricidade, fisioterapia – possíveis para ajudá-lo a se desenvolver. “Eu fiz o contrário. Contava pra todo mundo, para descobrir as melhores atividades. O Tonico estudou até a 8ª série. Hoje, ele pinta, vende os próprios quadros, tem conta no banco, usa o próprio cartão”, fala.
Futuro
Qualquer interessado pode fazer o download do programa no site http://www.projetoparticipar.unb.br/. Em breve, o Somar também estará disponível. Alguns países africanos de língua portuguesa solicitaram a utilização do material e, em audiência com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ele sugeriu que a ferramenta fosse traduzida para o espanhol e partilhada com outros países da América Latina.
Veneziano garante que a metodologia tem potencial para ser expandida em mais versões que permitam uma alfabetização completa desses jovens. A limitação agora é financeira. Os dois professores já chegaram ao limite do que poderiam gastar do próprio bolso com o projeto. “A gente precisa que o governo assuma isso para dar continuidade. O mais caro foi feito”, pondera Maraísa
fonte - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2014-01-26/nova-ferramenta-muda-conceitos-para-alfabetizacao-de-deficientes-intelectuais.html
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CARTA A UM JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN NA UNIVERSIDADE http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/02/carta-um-jovem-com-sindrome-de-down-na.html

quarta-feira, 17 de julho de 2013

DEFICIÊNCIAS INTELECTUAIS/INCLUSÃO ESCOLAR - Pesquisadores da UNB criam software que auxilia pessoas com deficiência intelectual

Software auxilia alfabetização de crianças com deficiência intelectual

Estudante do DF realiza atividade do software Participar
(imagem- foto colorida de uma menina de costas com seu uniforme escolar diante de um monitor com um teclado virtual onde imagens associam a palavra bicicleta com um rosto à direita do monitor para sua orientação e facilitação de aprendizagem)
O software Participar, que auxilia na alfabetização de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, está disponível nas 650 escolas públicas do Distrito Federal e em todos os Estados do País. A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da UnB (Universidade de Brasília) e tem sido aprovada pelos professores que utilizam o sistema.
"Foi o Participar que ajudou a minha filha a evoluir bastante", garante Rosineide Santana de Araújo, mãe de Letícia. A menina de oito anos de idade começou a usar o software há menos de seis meses e já apresenta progresso em seu desenvolvimento cognitivo. "Este ano ela deu um salto grande quanto à socialização", destaca a professora Ângela Vasconcelos, que atua na sala de leitura do Centro de Ensino 35 de Ceilândia.
Letícia foi diagnosticada com deficiência intelectual e, desde muito pequena, apresenta dificuldades para a comunicação. No início do ano, a professora Silvana Souza, da sala de recursos do colégio, apresentou o software Participar para a mãe da menina. Rosineide aprovou a utilização da tecnologia na escola e levou o projeto para casa. "Letícia gosta muito. Se deixar ela assiste todo dia", conta a mãe.
"Antes ela representava as palavras com desenhos", afirma Silvana. Após os exercícios com o Participar, Letícia entende que para escrever é necessário utilizar letras e que as palavras tem grafias diferentes. "Ela já está partindo para o nível da escrita", garante a professora. Silvana acredita que a evolução da menina não é resultado apenas da utilização constante do software, mas também da determinação da mãe da criança, que incentiva o processo de aprendizado. "Eu lutei muito pela minha filha", conta Rosineide. 
Desde o início do ano, o programa tem sido utilizado na sala de recursos do Centro de Ensino 35 da Ceilândia.  A escola atende 18 estudantes com deficiência intelectual, com idade entre 8 e 15 anos. "O software abrange todos os níveis de escrita e todas as dificuldades", informa a professora Silvana. A iniciativa que deu certo no Brasil agora será exportada para outro continente. "A Divisão Educacional do Ministério das Relações Exteriores está intermediando as negociações pra que o software seja implantado em escolas de países africanos de língua portuguesa", conta Wilson Veneziano, coordenador do projeto.

O programa

O Participar é um software multimídia criado para colaborar no desempenho de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual em fase de alfabetização. O programa apresenta as letras do alfabeto, o som de cada uma delas e exemplos de objetos em que são utilizadas, além de 600 vídeos produzidos pela UnBTV. Também é possível acessar uma série de exercícios, que são apresentados por dois jovens com Síndrome de Down, e ainda um bate-papo simulado.
O projeto teve início com o trabalho de conclusão de curso de Tiago Galvão e Renato Domingues, alunos da Ciência da Computação da UnB, sob a supervisão do professor Wilson Veneziano. O programa fez tanto sucesso que já há previsão de nova versão. "No segundo semestre, lançaremos a versão ampliada do Participar com novas funcionalidades e lições com base em sugestões dos professores usuários", conta Wilson Veneziano.
A equipe continua trabalhando para o desenvolvimento de softwares educacionais. Entre os novos programas estão um direcionado a educandos autistas e outro que atua no ramo da matemática social, "com contribuições para a utilização de dinheiro, leitor de relógio e identificação do número da linha do ônibus", exemplifica Veneziano.
Para o desenvolvimento dos projetos, a equipe conta com o auxílio da orientadora educacional Maraísa Borges. Ela é especializada em alfabetização de deficientes intelectuais e trabalha na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
Interessados em adquirir o software Participar devem enviar pedido para o e-mailprojetoparticipar@gmail.com.
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SEREMOS 300? 01 pCpara cada PC, DO LIMÓGRAFO AO COMPUTADORhttp://infoativodefnet.blogspot.com.br/2009/11/infoativo.html

quarta-feira, 17 de abril de 2013

ALZHEIMER/PESQUISAS - Universidade de Brasília faz mapeamento genético para Alzheimer

Pesquisa da UnB mapeia genes causadores de doenças do envelhecimento
Professor Otávio de Toledo Nóbrega, do Departamento de Farmácia da UnB,  membro da Comissão Científica de Gerontologia do 7º Coger
(imagem - foto colorida do Professor Otávio de Toledo Nóbrega, do Departamento de Farmácia da UnB, membro da Comissão Científica de Gerontologia do 7º Coger (Emília Silberstein/UnB Agência)

O crescente aumento da expectativa de vida do brasileiro traz à tona a importância de se discutir as doenças do envelhecimento. Entre elas, o mal de Alzheimer que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 36 milhões de pessoas no mundo. Mas a falta de pesquisas amplas ainda dificulta o entendimento sobre o avanço da doença. "Os principais dados sobre Alzheimer são baseados em estudos de associação, realizados com amostra originada de uma única população", explica a pesquisadora da Universidade de Brasília, Andréa Lessa Benedet.

Andréa é autora de um estudo que considera a mistura de raças no entendimento do Alzheimer e chama a atenção para a influência da proporção genética de ancestralidade nos pacientes com a doença. Ela avaliou 120 pacientes com Alzheimer e 412 que não manifestaram a doença e concluiu que os que possuem estrutura genética herdada das populações ameríndias, povo nativo das Américas, como os indígenas, têm menor predisposição à doença. Já os pacientes que possuem maior herança genética de europeus e africanos seriam mais suscetíveis ao Alzheimer.

O estudo foi publicado no periódico internacional Dementia Geriatric Cognitive Disorders e será apresentado no 7º Congresso Centro-Oeste de Geriatria e Gerontologia (Coger), que ocorre de 26 a 28 de setembro, em Brasília. Outras duas pesquisas realizadas na UnB serão apresentadas durante o evento. Uma delas, realizada pelo estudante Aparecido Pimentel Ferreira, trata da intolerância à glicose e sua relação com o diabetes tipo 2, e foi premiada como o 2º melhor trabalho científico do país em 2012, segundo a revista da Associação Médica Brasileira. Outro destaque é a tese de doutorado de Einstein Francisco Camargos sobre o uso de antidepressivo para tratamento de insônia em pacientes com Alzheimer, contemplado com o I Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Envelhecimento da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Distrito Federal (SBGG-DF).

Além de geriatras e gerontólogos, o congresso irá reunir profissionais de saúde, gestores e interessados na discussão do envelhecimento. "O evento abordará não só as doenças do envelhecimento, o envelhecimento biológico, mas também os impactos para o Estado e a assistência", conta o professor Otávio de Toledo Nóbrega, do Departamento de Farmácia da UnB, orientador de uma das pesquisas que serão apresentadas no evento e membro da Comissão Científica de Gerontologia do 7º Coger.

A programação prevê ainda Prova de Título em Geriatria e Gerontologia para os que desejarem o reconhecimento de especialista na área. As inscrições para o evento podem ser feitas na página do Congresso. Aos interessados em efetivar a participação com antecedência, a comissão organizadora concederá desconto na inscrição. Até 30 de abril, por exemplo, estudantes de graduação pagam R$ 140 para participar do evento. Já em 1º de julho, o valor sobe para R$ 190.
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MÃES, ALZHEIMER E MÚSICA. http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/05/maes-alzheimer-e-musica.html

domingo, 17 de março de 2013

MEDICINA/INDÍGENAS - Josinaldo, índio brasileiro vence barreiras e se forma na UNB

Na UnB, indígena vence estatísticas e se forma em Medicina
Apenas 1% da população de origem indígena está no ensino superior. Josinaldo conta como venceu dificuldades

*(imagem - a fotografia colorida de Josinaldo da Silva, com uma blusa branca)

Josinaldo da Silva, de 35 anos, é um caso raro entre seu povo. Faz parte de uma minoria de indígenas que estudou e chegou à universidade. De acordo com o último Censo da Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação, de 2011, havia 9.756 indígenas matriculados no ensino superior, o que 1,08% da população indígena do País.

Da tribo Atikum, do sertão central de Pernambuco, Josinaldo saiu para cursar Medicina na Universidade de Brasília (UnB) em 2006. Entrou pelo sistema de cotas para indígenas, que, além do benefício para conquista da vaga (há um processo seletivo exclusivo para eles), dá bolsas de permanência aos selecionados pagas pela Funai.

Antes de chegar à universidade, a trajetória escolar de Josinaldo não foi fácil. Como a maioria dos indígenas, demorou a concluir o ensino fundamental e o ensino médio.
Na aldeia só era possível concluir a 4ª série do fundamental. Ele passou cinco anos sem estudar, trabalhando nas lavouras com o pai. Conseguiu terminar o fundamental num quilombo vizinho. Para garantir um diploma da educação básica, precisava se deslocar 48 quilômetros da aldeia. Já cansado da rotina, decidiu encarar um supletivo, que terminou em 2003, aos 26 anos. “Na minha época, tinha de ter muita força de vontade para estudar. Não tinha oportunidade na aldeia, a gente não tinha dinheiro para estudar na cidade”, diz.
A partir de 2008, ele conta que a aldeia – que tem diferentes vilas e abriga 6,5 mil habitantes – ganhou um colégio para todas as etapas da educação básica.
Vencer as barreiras para chegar ao ensino superior parecia uma tarefa impossível para Josinaldo. Ele lembra que os homens não sonhavam com os estudos, apesar da vontade. O índice de analfabetismo entre seu povo era alto. “Mas a gente ainda precisa provar que escola de índio não tem qualidade inferior, isso é muito ruim”, diz.
Josinaldo começou a trabalhar como agente de saúde na aldeia quando se encantou pela área. Queria aprender mais sobre cuidados de saúde e proporcionar uma vida melhor ao seu povo. “Eu pensava em Medicina para dar uma contribuição maior, já que não tínhamos médicos indígenas, que entendessem os costumes. Mas achava impossível”, conta.
Cotas, o incentivo
Por isso, fez vestibular para Matemática em uma faculdade particular em Belém de São Francisco, em 2004. Dois anos depois, ficou sabendo do vestibular exclusivo para indígenas criado pela UnB, tão distante de sua cidade natal em Pernambuco. Decidiu arriscar, sem acreditar que pudesse ser capaz de conquistar a tão sonhada vaga em Medicina.
Ao ser aprovado no vestibular para a UnB, Josinaldo mudou a vida por completo. Viajou para uma cidade distante do povo, sem dinheiro no bolso (apenas com a promessa de apoio da universidade e da Funai), enfrentar a saudade da família e da comunidade e os desafios escolares que apareceriam ao longo do curso.
“Somos muito ligado a tradições, à nossa comunidade. Ficar sem esse apoio foi muito difícil. Só visitava a família a cada seis meses”, recorda Josinaldo. Colegas que vieram de outras tribos acumularam reprovações nos primeiros semestres. Ele, menos. Mas as dificuldades para se manter dentro e fora da universidade quase o levaram a desistir.
Os indígenas chegaram à UnB sem que ela estivesse preparada. Cursos de nivelamento em biologia e química para ajudar esses alunos só foram criados depois. As monitorias, também. “Passei por muitas situações de ficar sozinho, sem grupo para fazer um trabalho, por exemplo. Mas fiz amigos. Poucos, mas de verdade”, diz.
Este ano, Josinaldo se formou, após quase sete anos de graduação. Feliz e realizado, ele conta que foi aprovado em um programa de residência médica em Medicina de Família. Trancou o curso para participar de outra iniciativa nova do governo federal, o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).
Ele passará um ano em especialização na Atenção Básica, trabalhando em uma comunidade carente, no interior de Goiás. A formação contribuirá para que ele aprenda mais sobre o serviço que desenvolverá na própria aldeia. Depois, espera concluir a residência de dois anos em Medicina da Família e, aí, voltar para a comunidade.
“Meu povo precisa de mim e me sinto um vitorioso. A formatura foi uma felicidade. Trinta pessoas da família vieram. Eu consegui que meu diploma fosse entregue pelo pajé da minha tribo, já que os filhos de médicos podem receber o diploma dos pais médicos. E troquei meu capelo por um cocar. Todo mundo aplaudiu de pé, foi emocionante”, conta.
FONTE - http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-03-17/na-unb-indigena-vence-estatisticas-e-se-forma-em-medicina.html
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