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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CEGOS/AUDIODESCRIÇÃO - Justiça determina prazo para o Ministério das Comunicações

Governo deve manter implantação de audiodescrição na TV


O Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu portaria do Ministério das Comunicações que alterava o cronograma para implementação do recurso de audiodescrição na programação da televisão brasileira. De acordo com decisão do TRF-1, o Ministério das Comunicações tem 60 dias, a contar da intimação da decisão proferida no dia 2 de outubro, para cumprir o cronograma inicial previsto na Norma Complementar 1/2006.
Esta norma estabeleceu o prazo para implementação do recurso e o período mínimo que as emissoras devem disponibilizar a audiodescrição. Porém, por meio da portaria MC 188/2010 — agora suspensa pelo TRF-1 —, o Ministério das Comunicações ampliou o prazo e reduziu a escala de programação. A multa, caso o cronograma inicial não seja cumprido, é de R$ 5 mil por dia de atraso.
De acordo com a Portaria MC 188/2010, a audiodescrição corresponde a uma locução, em língua portuguesa, sobreposta ao som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual. 
As restrições aos direitos dos portadores de necessidades visuais, elencadas na Portaria 188/2010, afiguram-se como graves violações aos princípios da não discriminação, da proibição do retrocesso e da isonomia, na medida em que impõe tratamento diferenciado ao mesmo universo de telespectadores que pretendem ter acesso às fontes de cultura nacional”, apontou o desembargador federal Souza Prudente, relator do caso.
Ele afirmou em sua decisão que a Norma Complementar, juntou com outras legislações relacionadas, deram eficácia aos comandos da Constituição, “que garante a todos (direito difuso e fundamental) o acesso à informação (CF, artigo 5º, XIV), promovendo a integração na vida comunitária das pessoas portadoras de deficiência (CF, artigo 203, IV) e assegurando a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes de cultura nacional (CF, artigo 215, caput)”.
O relator apontou em seu voto que, na ótica do Supremo Tribunal Federal, o princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que vive. “Em manifesto prejuízo aos quatro milhões de brasileiros portadores de necessidade visual, o Ministério das Comunicações editou a Portaria 188/2010, que fixou novo cronograma de implantação do recurso de audiodescrição cujo conteúdo é bastante restritivo em relação às conquistas previstas na Norma Complementar 1/2006 a caracterizar, na espécie, a ilegitimidade do cronograma”, afirmou.
De acordo com o Souza Prudente a audiodescrição permite a qualquer usuário, mesmo aquele que não pode enxergar, receber a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando apreciar integralmente a obra, seguir a trama e captar a subjetividade da narrativa da mesma forma que alguém que enxerga perfeitamente. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-1.
4712-38.2009.4.01.3400

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

TECNOLOGIAS ASSISTIVAS/INOVAÇÃO - Alagoana tem projeto sobre TV DIGITAL ASSISTIVA E INTERATIVA

Projeto para pessoas com deficiência é destaque internacional 
(iimagem: foto colorida da alagoana Fabiana Toledo diante de um teclado e um monitor, de Ailton Cruz)
Voltado para pessoas com limitações ou deficiências, o projeto TV Digital Assistiva e Interativa pretende promover a inclusão de pessoas com DEFICIÊNCIA, ampliando habilidades funcionais. A ideia é da alagoana Fabiana Toledo, finalista do prêmio Pense em Inovar, realizado pela Indra.
Doze iniciativas concorreram à premiação, entregue em Madri, na Espanha, no mês de junho. A brasileira foi a única representante do País, escolhida entre mais de 1.500 inscritos. Fabiana – secretária adjunta de Administração, Recursos Humanos e Patrimônio de Maceió e consultora do Governo do Estado –, conta que foi surpreendida pela indicação.
“Achava meu projeto bom, mas fiquei muito impressionada com a repercussão. Ter sido reconhecida foi muito gratificante e abriu um leque de oportunidades, além de conhecimentos na área. O prêmio veio para dar uma chancela maior ao meu projeto e mostrar que Alagoas tem muito de bom a oferecer”, diz.
Pela contribuição ao Estado, ela receberá o Prêmio Expressão Alagoana, concedida pelo Governo e outra surpresa para a especialista em Ciências da Computação. “Não esperava isso. Achei gratificante estar entre os ganhadores e é muito bom ver o Governo apoiando as boas ideias de alagoanos”, expõe.
Projeto
Por suas ideias inovadoras, Fabiana já havia sido premiada no Desafio Empreendedor Telefônica, em 2007, com o projeto "Catálogo de Produtos para TVDI", que alcançou o terceiro lugar nacional, e no Prêmio Santander de Empreendedorismo, em 2008, com o projeto T-Curso, um software para a promoção da educação à distância por meio da Televisão Digital.
Agora, com o projeto TV Digital Assistiva, ela pretende dar mais acessibilidade a pessoas com limitações físicas (não apenas mas às pessoas surdas e cegas, informa o DEFNET, pois estes também precisarão destas tecnologias assistivas). O conceito criado pela alagoana consiste na conexão entre a televisão e um aparelho celular – por meio de um pendrive ou da internet –, permitindo que sejam realizadas ações de interatividade.
“Se o usuário tiver uma deficiência motora que impeça a utilização do controle remoto, por exemplo, ele poderá ditar para o celular o que deseja, como mudar de canal ou aumentar o volume. A instrução será entendida pela TV Digital”, explica. “Já testamos em emuladores (software que reproduz as funções de determinado ambiente) e vimos que pode ser feito”, completa.
Fabiana Toledo destaca que, devido aos custos, o projeto está paralisado. “São necessários mais estímulos para seguir em frente e lançá-lo no mercado. Agora pretendo correr atrás para conseguir parcerias para que tudo dê certo. Tudo depende dos investimentos e da mão de obra”, diz.
O próximo passo, segundo a especialista, é produzir os equipamentos necessários para que a ideia – classificada pela Indra como inovadora e viável –, saia do papel. Parcerias com fabricantes de TVs, aparelhos de telefonia e dispositivos móveis são necessárias para disponibilizar a tecnologia ao público.
Mestra em Modelagem Computacional do Conhecimento pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fabiana destaca a relevância da iniciativa. “Meu objetivo é colocá-la em prática. Ser finalista me deu mais certeza do projeto, muito necessário para essa parcela da população, que não pode aproveitar dessas novas tecnologias. Também há a lacuna no mercado”.
Além do mestrado, a alagoana – nascida em Maceió e formada em Ciências da Computação – possui especializações em Tecnologia da Informação, também pela Ufal, e em Engenharia de Software, pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac).
por Agência Alagoas  fonte - http://aquiacontece.com.br/noticia/2013/02/15/projeto-para-pessoas-com-deficiencia-e-destaque-internacional