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terça-feira, 18 de junho de 2013

AUTISMOS/ PESQUISAS - Na USP é estudado o modelo animal de autismo em ratas grávidas

Estudo cria modelo animal de autismo

Resultados indicam que um tipo de infecção bacteriana no meio da gestação induziria alterações comportamentais similares às do autismo

Ao infectar ratas grávidas com uma parte da bactéria Escherichia coli, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram induzir na prole um quadro semelhante ao autismo, criando um modelo animal da doença que poderá ser útil em diversas pesquisas.
O trabalho – um dos vencedores da última edição do Prêmio Tese Destaque USP – começou ainda durante o mestrado de Thiago Berti Kirsten e foi concluído em seu doutorado.
“Nossa maior contribuição foi mostrar que, além dos já bem estabelecidos fatores genéticos, infecções durante a gestação também são importantes na etiologia das doenças mentais. Nossos achados indicam que uma infecção bacteriana aproximadamente no meio da gestação induziria alterações comportamentais similares às do autismo, com prejuízos na comunicação, socialização e inflexibilidade cognitiva”, disse Kirsten. 
O experimento consistiu em injetar uma toxina extraída da membrana da bactéria E. coli chamada lipopolissacarídeo (LPS) em ratas no nono dia e meio de gestação. Segundo Martha Bernardi, pesquisadora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e orientadora do estudo, isso seria o equivalente a uma mulher contrair uma intoxicação alimentar pela bactéria por volta do quarto mês de gravidez.
As ratas apresentaram um discreto e passageiro quadro de comportamento doentio após a contaminação, mas logo voltaram ao estado normal e cuidaram de forma adequada dos filhotes. Na prole, por outro lado, os efeitos foram maiores e duradouros.
“Após o parto, deixamos com as ratas oito filhotes: quatro fêmeas e quatro machos. Todas as fêmeas apresentaram comportamento normal. Os machos, por outro lado, mostraram menor preferência pelo odor da mãe, indicando menor reconhecimento materno, e redução na socialização por meio de brincadeiras. Como o autismo é bem mais comum em homens do que em mulheres – em uma proporção de quatro para um –, a diferença observada entre machos e fêmeas é uma evidência forte de que conseguimos criar um modelo da doença”, avaliou Bernardi.
Os resultados sobre a capacidade reduzida de socialização foram publicados na revistaNeuroImunoModulation. Já os dados sobre a dificuldade de reconhecer a mãe pelo olfato foram divulgados na Physiology & Behavior.
Ao estudar o cérebro dos filhotes afetados, ainda durante o mestrado, Kirsten observou que a produção de dopamina – neurotransmissor envolvido no controle de movimentos, aprendizado, humor, emoções, cognição, sono e memória – estava diminuída. Os resultados foram publicados no Journal of Neuroscience Research.
Segundo Bernardi, estudos anteriores haviam relacionado o autismo apenas à deficiência de serotonina. “Fomos os primeiros a relacionar a condição a uma hipofunção dopaminérgica. Mas vale ressaltar que estudamos apenas uma das formas de autismo, a induzida por inflamação. Essa síndrome, no entanto, é multifatorial, pode ter causas genéticas, medicamentos e outros fatores envolvidos”, disse.
Durante o doutorado, Kirsten estudou os receptores de dopamina no cérebro dos ratos e observou que estavam inalterados. Descobriu, por outro lado, que a enzima necessária para a produção de dopamina – a tirosina hidroxilase – estava diminuída. Ao investigar os demais neurotransmissores não encontrou alterações relevantes.
“Acreditamos que a toxina da bactéria tenha induzido no corpo da rata prenhe a liberação de citocinas inflamatórias que causaram uma lesão funcional no cérebro dos filhotes. O tecido cerebral e as células gliais da prole, no entanto, estavam normais”, disse Bernardi.
Também durante o doutorado, com a ajuda de um aparelho capaz de capturar ultrassons, Kirsten mostrou que os bebês machos apresentavam problemas de comunicação. “Quando tiramos a mãe de perto dos filhotes, normalmente eles começam a gritar para que ela volte. Mas nos machos essa comunicação estava diminuída. Além disso, eles apresentavam um comportamento repetitivo típico do autismo”, contou Bernardi.
Segundo Bernardi, já há outros grupos usando o modelo animal desenvolvido por Kirsten para investigar, por exemplo, a percepção de dor no autismo. “Não se sabe ao certo se pacientes com a doença sentem menos dor que o normal ou apenas expressam menos a dor”, afirmou Bernardi.
Para Kirsten, o modelo é interessante para a comunidade científica por ser facilmente replicado e por reproduzir com fidelidade vários aspectos do autismo.
O próximo passo é realizar intervenções nos filhotes após a doença materna, ainda na gestação, com substâncias que interfiram nos seus sistemas imunes ou revertam os danos neurológicos. Esperamos encontrar ideias que encorajem futuras intervenções em humanos, para tentar amenizar ou mesmo reverter os prejuízos trazidos pelo autismo”, disse Kirsten, que realiza no momento pós-doutorado com apoio da FAPESP e supervisão do professor Luciano Freitas Felício, da FMVZ-USP.
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O AUTISMO NÃO É APENAS UMA DOENÇA http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/06/o-autismo-nao-e-apenas-uma-doenca.html

ORGULHO AUTISTA/ ONGS - Conheçam a Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba

Sorocaba, SP, é referência no tratamento de autismo

Associação auxilia no diagnóstico e tratamento do distúrbio.
Nesta terça-feira (18) é comemorado o Dia do Orgulho Autista.


Nesta terça-feira (18) é comemorado o Dia do Orgulho Autista. A data serve para conscientizar sobre a síndrome e sobre os tratamentos para os portadores do autismo, um distúrbio que afeta a comunicação e o comportamento. Em Sorocaba (SP), existe uma associação de pais de autistas.
A Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas) foi fundada em 1994, com o objetivo de auxiliar no diagnóstico, tratamento e assistência para pessoas que têm a síndrome. Entre as 40 cidades da região, Sorocaba é a pioneira no tratamento especializado do autismo.
A Amas atende jovens e adultos com idade entre 14 e 40 anos de idade em período integral. Além dos atendimentos educacionais, os alunos contam com uma equipe terapêutica, alimentação e transporte.
Segundo a psiquiatra infantil Cláudia Gomes Antila, o diagnóstico do autismo é complexo e demorado. “Há alguns sintomas característicos como atraso da linguagem, dificuldade do contato visual e comportamento agitado”, explica.
Ainda de acordo com a psiquiatra infantil, o autismo não tem cura, mas o diagnóstico precoce e o tratamento correto podem melhorar o desenvolvimento do paciente. “O tratamento é multidisciplinar e às vezes há a necessidade do uso de medicamento para o controle do comportamento".  (Informa o DefNet que há muitos avanços no campo das terapias e tratamentos para pessoas vivendo com os Autismos ou Transtornos do Espectro Autista, além do uso de medicamentos da psicofarmacologia)
A Amas fica na Rua Nova Odessa, 201, no Jardim Vera Cruz. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3217-8074, ou pelo site http://www.amas.com.br/
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AUTISMO – TODOS PODEMOS SER/NOS TORNAR UM POUCO AZUIS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/04/autismo-todos-podemos-sernos-tornar-um.html

segunda-feira, 20 de maio de 2013

DEFICIÊNCIAS/PREVENÇÃO - USP- Em estudo centrado em Apaes constatam 35% de problemas genéticos

Pesquisa da USP aponta risco de famílias terem filhos deficientes

Estudo mostra que 35% dos estudantes das Apaes tem problema genético.
Outras origens são uso de álcool e drogas na gestação, em 45% dos casos.


Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) concluiu que 35% dos estudantes das Apaes têm deficiências de origem genética, sendo que em 15% dos casos o problema é hereditário – passado de geração para geração. Esses dados estão ajudando os pesquisadores a calcularem o risco que famílias que possuem um filho com algum tipo de distúrbio terão caso resolvam engravidar novamente.
Em todo o Estado de São Paulo, as Apaes atendem 80 mil alunos. O médico geneticista da USP João Monteiro Pina Neto, que liderou a pesquisa, estudou casos das instituições de LimeiraBatatais e Altinópolis.  Segundo ele, o estudo é importante porque muitas famílias não sabem do risco da transmissão genética das deficiências e a investigação das causas e origens do distúrbio não é uma rotina na rede pública de saúde.
“São alterações genéticas que estão nos pais. Eles já tiveram um filho afetado e se eles forem engravidar eles têm risco importante de ter outro filho alterado. Por exemplo, 50%, 25% de risco. Significa que de quatro em média um, ou de dois em média um, se for 50% [de risco], será afetado. Por tanto, nós precisamos identificar para prevenir as doenças genéticas e hereditárias na região”, afirmou.
A empregada doméstica Tatiana aparecida Assoni tem uma filha de 8 anos com síndrome de Down. Ela foi orientada pelos pesquisadores de que teria 20% de probabilidade de ter um segundo bebê com o problema caso resolvesse engravidar novamente. Mesmo assim ela decidiu ter outra criança, que nasceu sem o distúrbio.
“Ele falou que tinha 20% de chance de eu ter outro [filho] com síndrome de Down. Eles explicaram que se eu quisesse arrumar outro eu poderia, só que eu sabia desse risco e o que eles me aconselhariam seria uma inseminação, mas como o HC não fornece, como eu teria que pagar, eu falei: se Deus achou que eu tive capacidade de criar uma [criança com a síndrome], se ele achar que eu tenho capacidade de criar outra eu vou criar”, relatou.
Na Apae de Batatais a pesquisa começou em 2006 e avaliou mais de 400 alunos. A médica geneticista Lizandra Mesquita Batista, que atua na instituição, diz que além de investigar o histórico das famílias, o trabalho inclui exames clínicos detalhados. Segundo ela, esse trabalho é importante para prevenir problemas futuros que são característicos a cada distúrbio dos pacientes.
“A gente faz uma anamnese, que é tirar toda a história do paciente, de nascimento, tudo o que ele passou até agora e depois a gente faz um exame clínico. Na genética a gente presta muita atenção nas dismorfias [alterações morfológicas], a gente mede todo o paciente, perímetro encefálico, distância dos olhos, tamanho de orelha, tudo é importante para a gente. Diante disso, dependendo das dismorfias, das características, da história dele, direciona a gente para alguma surpresa, que as vezes a gente confirma clinicamente mesmo”, afirmou.
A Apae de Batatais também realiza por mês cerca de 60 exames em todos os recém-nascidos da cidade. Os testes são da orelhinha, para identificar problemas auditivos; do pezinho, onde um laboratório do HC de Ribeirão identifica doenças que podem ser prevenidas e evitar algumas deficiências; além do exame do olhinho e de questionários dirigidos as famílias dos bebês para identificar distúrbios.
“A vantagem é que quanto mais precoce a gente consegue identificar um atraso, um sintoma, ou mesmo a deficiência, nós conseguimos um resultado melhor. Essa criança pode vir até a eliminar, mas no mínimo minimizar as deficiências ou os sintomas que ela vai ter”, diz.
Álcool na gestação
Uma conclusão preocupante da pesquisa, segundo o geneticista João Monteiro Pina, é a de que 45% dos estudantes das Apaes tem a deficiência causada por fatores não genéticos, como o uso de álcool ou drogas na gestação, infecções, doenças e falta de oxigênio para o feto.  

Nós já identificamos dentro das Apaes, crianças produtos de gravidez em que as mães beberam álcool, principalmente, em níveis nocivos. Nós aplicamos instrumentos aqui, nós e o professor Erikson [Furtado] do HC, mostrando que 30%, em média, das mulheres dos nossos pré-natais públicos estão bebendo álcool em nível nocivo”, explicou o professor.
Ele ressalta que nos Estados Unidos, por causa de um serviço pré-natal de melhor qualidade, os fatores não genéticos que levam a deficiência são três vezes menor do que no Brasil, 18%. O pesquisador diz ainda que já está comprovado cientificamente a relação do consumo de álcool na gestação com o autismo.
“O autismo esta sendo muito estudado agora porque ele aumentou muito a frequência. Até 1985 ele era considerado dois a cinco [casos] por 10 mil [nascimentos], hoje em dia ele é considerado um para 110. Um dos fatores provados é o álcool e o segundo são os herbicidas com produtos organofosforado, provado que eles levam ao autismo. Nós estamos expondo muito a mulher na gestação a situações de agressão ao feto do tipo drogas, álcool e herbicidas que tenham organofosforados. No Brasil, uma pessoa que não come [alimento] orgânico ela está tomando 5 litros de produtos agrotóxicos por ano”, conclui.
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A PAGAR-SE UMA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2010/09/pagar-se-uma-pessoa-com-sindrome-de.html


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SINDROME DE DOWN E REJEIÇÃO: UM CORPO ESTRANHO ENTRE NÓS? http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/10/sindrome-de-down-e-rejeicao-um-corpo.html