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segunda-feira, 10 de junho de 2013

CÂNCER/ANTROPOLOGIA - Tumor ósseo é encontrando em neandertal que viveu há 120 mil anos

Tumor encontrado em neandertal indica origens do câncer

O tumor ósseo mais antigo antes descoberto foi encontrado em múmias egípcias de 4 mil anos; doença atingiu neandertal que viveu há 120 mil anos


Comparação entre o osso anormal de um neandertal (acima) e o de uma amostra normal (abaixo) Foto:  PLOS One / Divulgação
(imagem - foto colorida de dois pedaços de ossos humanos sobre um fundo preto, com uma régua de medição ao lado, marcando os centímetros,Comparação entre o osso anormal de um neandertal (acima) e o de uma amostra normal (abaixo) Foto: PLOS One / Divulgação ) 

Um homem-de-neandertal que viveu há 120 mil anos teve um tipo de câncer comum atualmente, de acordo com o estudo de um fóssil. Uma costela encontrada em uma caverna em Krapina, na Croácia, mostra sinais de um tumor ósseo. A descoberta é a mais antiga evidência já encontrada de um tumor em fósseis humanos, afirmaram cientistas americanos.
O estudo, publicado na revista científica PLOS One, dá pistas sobre a complexa história de câncer em seres humanos. Até então, os primeiros sinais de câncer ósseo foram identificados em múmias egípcias de 1 mil a 4 mil anos atrás
"É o mais antigo tumor encontrado no registro fóssil humano", afirmou à BBC Mundo o antropólogo David Frayer, coordenador da equipe de pesquisadores dos Estados Unidos. "Isso nos mostra que viver em um ambiente relativamente despoluído não necessariamente protege do câncer, ainda que você seja um neandertal vivendo há 120 mil anos."
História complexa
O fóssil foi descoberto em um importante sítio arqueológico que já rendeu quase 900 antigos ossos humanos, bem como ferramentas de pedra. A costela com câncer é uma amostra incompleta, então o estado geral de saúde do indivíduo com tumor não pode ser estabelecida. O tumor foi diagnosticado por um radiologista através de raios-X e tomografia computadorizada.
Apesar de esforços para extrair DNA antigo de fósseis neandertais terem se provado infrutíferos, os pesquisadores esperam que outros fósseis esclareçam a presença de câncer em seres humanos pré-históricos.
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quarta-feira, 13 de março de 2013

ANTROPOLOGIA/SNC - O nosso cérebro "social" quando éramos Neandertais

Cérebro dos neandertais tinha menos espaço para relação social, diz estudo


"(imagem de um cérebro de um macaco - anthropopithecus- chipanzé, dentro de um vidro grande com substância líquida para sua conservação e preservação para estudos científicos, fonte Wikipedia)
O homem de Neandertal tinha um cérebro de tamanho similar ao do ser humano moderno, mas sua estrutura cerebral dedicava uma maior parte à visão, em detrimento de funções ligadas, por exemplo, às relações sociais, segundo um estudo britânico que será publicado nesta quarta-feira (13) na revista "Proceedings B", da Real Sociedade de Londres.
Desaparecido há 30 mil anos, o homem de Neandertal surgiu na Europa e no Oriente Médio cerca de 300 mil anos antes da nossa era, e chegou a coexistir com o ser humano moderno, o HOMO SAPIENS, antes de entrar em extinção por causas até hoje discutidas.
Eiluned Pearce e Robin Dunbar, da Universidade de Oxford, e Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, compararam crânios fósseis de 32 humanos modernos e de 13 neandertais, que datam de 27 mil a 75 mil anos, principalmente da Europa e do Oriente Médio.
Dessa forma, constataram que os cérebros dos homens de Neandertal e dos homens modernos tinham aproximadamente o mesmo tamanho, mas as órbitas dos homens de Neandertal eram maiores e, consequentemente, seus olhos também eram maiores. Os neandertais tinham massa corporal maior.
'Isto nos faz pensar que o cérebro dos homens de Neandertal tinha áreas maiores, dedicadas à visão e ao domínio do corpo', explicou à AFP Eiluned Pearce, por e-mail.
Os homens de Neandertal provavelmente tiveram olhos maiores porque viviam na Europa, em latitudes onde a luz é mais escassa, enquanto o Homo Sapiens surgiu na África.
Visto que o tamanho dos dois cérebros é similar, os neandertais tinham menos espaço cerebral para outras funções cognitivas, como as vinculadas ao manejo das relações sociais.
'A estas diferenças de organização do cérebro entre homens de Neandertal e seres humanos modernos poderiam ter correspondido diferenças cognitivas entre as duas espécies', acrescentou Pearce.
Para ele, o tamanho do grupo social de um indivíduo está relacionado ao tamanho de áreas específicas do cérebro. Pelo fato de que o cérebro do homem de Neandertal estava essencialmente dedicado à visão e ao movimento, 'isto pode querer dizer que tinham áreas menores do cérebro associadas ao tratamento da complexidade social', avaliou.
Dessa forma, os homens de Neandertal teriam estado 'cognitivamente limitados a (formar) grupos menores do que os homens modernos contemporâneos'.
Essas diferenças de estrutura cerebral podem ter tido consequências importantes para o homem de Neandertal. Ao ter relações sociais menos extensas, tinha menos chances de enfrentar situações como a escassez de recursos locais.
As flutuações demográficas também incidem mais nos grupos menores, razão pela qual aumentam os riscos de extinção.
'Em suma, se os homens de Neandertal tinham grupos sociais menores, isto poderia tê-los levado à extinção de várias maneiras', reforçou Pearce.
Para Dunbar, cabe a possibilidade de que tenham estado 'mais expostos do que os homens modernos, perante os desafios ecológicos da era glacial'.
FONTE - http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/03/cerebro-dos-neandertais-tinha-menos-espaco-para-relacao-social-diz-estudo.html