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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PREMATUROS/PREVENÇÃO - Danos ao cérebro podem ser diminuidos com gel de glicose

Gel de glicose ajuda a proteger prematuros de danos no cérebro

Uma dose de açúcar em forma de gel quando esfregada na parte de dentro da bochecha pode ser uma forma barata e eficaz de proteger bebês prematuros de desenvolver danos no cérebro, dizem especialistas.
(imagem- fotografia de um bebê recém nascido, prematuro, provavelmente em uma incubadora, com fitas de identificação presas ás suas pernas, sobre um lençol branco, fotografia BBC)
Um em cada dez bebês nascidos antes do tempo são afetados por um nível baixo de açúcar, que, se não for tratado, pode causar danos permanentes.
Pesquisadores da Nova Zelândia testaram a terapia que utiliza o gel de glicose em 242 bebês que estavam sob seus cuidados e, com base nos resultados, sugeriram que a medida fosse adotada como tratamento de primeira linha.
O estudo foi divulgado na publicação científica The Lancet.

Hipoglicemia

O tratamento com gel de glicose custa um pouco mais de R$ 3,50 por bebê, e é mais fácil de administrar do que a glicose dada por terapia intravenosa, disseram Jane Harding e sua equipe da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.
O tratamento atual típico envolve alimentações suplementares e exames de sangue regulares para medir os níveis de açúcar.
Mas muitos bebês acabam em unidades de tratamento intensivo e passam a receber glicose intravenosa quando os níveis de açúcar no sangue permanecem baixos - uma condição que os médicos chamam de hipoglicemia.
O estudo procurou avaliar se o tratamento com açúcar em gel pode ser mais eficaz do que a alimentação suplementar em reverter a hipoglicemia.

Custo benefício

Neil Marlow, do Instituto de Saúde da Mulher da University College London, disse que, embora o gel de glicose tenha caído em desuso, estes resultados sugerem que ele pode ser "ressuscitado" como um tratamento.
"Nós agora temos boas evidências de que o gel tem seu valor", disse Marlow.
Para Andy Cole, diretor-executivo da Bliss, uma instituição de caridade para bebês prematuros, "esta é uma pesquisa muito interessante, e nós estamos sempre abertos a tudo que possa ajudar no tratamento de bebês nascidos prematuros ou doentes."
"Este é um tratamento com bom custo benefício, que pode reduzir as internações em centros de terapia intensiva que já estão com capacidade máxima de pacientes."

terça-feira, 26 de março de 2013

CÉLULAS TRONCO/PREMATURIDADE- Líquido amniótico pode ajudar a curar doença em prematuros

Líquido amniótico pode ajudar a curar doença que afeta prematuros

Experimentos em animais mostram que células-tronco presentes em substância combatem inflamação no intestino de recém-nascidos.

Inflamação traz perigo a bebês prematuros (Foto: BBC)
*(imagem - foto de um bebê prematuro dentro de uma incubadora utilizada para sua sobrevivência e cuidados, com as mãos de alguém fazendo o seu cuidado - fotografia BBC)

O líquido amniótico pode ajudar a curar uma doença que afeta o intestino de bebês prematuros, dizem médicos britânicos.
A doença, chamada enterocolite necrosante, é uma inflamação grave das entranhas que pode levar à falência de órgãos e morte.
Resultados de experimentos preliminares feitos em animais, incluídos em um artigo na publicação científica 'Gut', demonstraram que células-tronco presentes no líquido amniótico podem aliviar em parte a inflamação, aumentando as chances de sobrevivência.
O líquido amniótico é um fluido incolor que envolve o embrião dentro do útero.
A equipe envolvida no estudo disse que serão necessários mais experimentos até que um tratamento possa ser testado em bebês.
Prematuros
Bebês que nascem antes da hora - ou seja, aqueles nascidos antes de que se completem as 37 semanas de gestação - não estão prontos para o mundo fora do útero e seu intestino não está preparado para lidar com os alimentos.
Em unidades hospitalares de tratamento intensivo para prematuros, em média um em cada dez bebês desenvolve a enterocolite necrosante.
A inflamação pode provocar a morte do tecido e produzir um buraco na parede do intestino do bebê, levando a infecções sérias.
Há indícios de que o leite materno possa proteger as entranhas do bebê prematuro contra a enterocolite necrosante, mas o único tratamento existente hoje é uma cirurgia para remover o tecido afetado.
'É um problema sério e nós achamos que está aumentando', disse o médico Simon Eaton, do Instituto de Saúde Infantil do University College London.
Eaton integrou a equipe que fez experimentos com células-tronco - capazes de se transformar em qualquer tipo de célula do organismo - extraídas do líquido amniótico.
Os pesquisadores injetaram as células-tronco em ratos de laboratório que haviam sido programados para desenvolver enterocolite necrosante. As injeções, segundo a equipe, pareceram aumentar o tempo de sobrevivência dos animais.
'Fomos capazes de prolongar a sobrevivência (dos animais) por bastante tempo', disse Eaton à BBC. 'O que parece estar acontecendo é efeito direto de um abrandamento da inflamação e também um estímulo às células-tronco residentes nas entranhas para que sejam mais eficientes na regeneração do intestino.'
O estudo também revelou que o intestino dos animais funcionava melhor depois do tratamento.
Riscos de câncer?
Outro membro da equipe, o pesquisador Paolo De Coppi, explicou que os efeitos anti-inflamatórios das células-tronco já são bem conhecidos. 'Mas essa foi a primeira vez que se demonstrou que células-tronco do líquido amniótico podem reparar danos no intestino', acrescentou.
'Embora células-tronco do líquido amniótico tenham uma capacidade mais limitada de se transformar em diferentes tipos de células do que as do embrião, elas parecem ser promissoras para muitas partes do corpo, incluindo o fígado, o sistema muscular e nervoso'.
Mais testes seriam necessários para saber se o tratamento seria efetivo e seguro em bebês humanos.
Por exemplo, a capacidade de células-tronco de se transformar em outros tipos de célula também implica riscos de câncer, algo que preocupa os cientistas.
Por conta disso, os médicos esperam, no futuro, desenvolver um tratamento baseado em remédios - em vez de células.
'Não são as células em si', disse Eaton. 'Elas são o veículo para algo e se soubéssemos o que esse algo é, poderíamos administrá-lo diretamente'.
FONTE - http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/03/liquido-amniotico-pode-ajudar-a-curar-doenca-que-afeta-prematuros.html